{"id":373930,"date":"2025-12-08T01:00:13","date_gmt":"2025-12-08T04:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=373930"},"modified":"2025-12-07T20:18:27","modified_gmt":"2025-12-07T23:18:27","slug":"corpo-de-bombeiros-busca-familias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/corpo-de-bombeiros-busca-familias\/","title":{"rendered":"Corpo de Bombeiros busca fam\u00edlias"},"content":{"rendered":"<p>Com expans\u00e3o prevista para 2027, quando a corpora\u00e7\u00e3o espera entregar 20 c\u00e3es por ano, o CBMDF chama fam\u00edlias volunt\u00e1rias para a etapa de socializa\u00e7\u00e3o dos filhotes<\/p>\n<p>Por<br \/>\nKarol Ribeiro, da Ag\u00eancia Bras\u00edlia | Edi\u00e7\u00e3o: Paulo Soares<\/p>\n<p>Para ampliar a prote\u00e7\u00e3o, a seguran\u00e7a e a autonomia de pessoas cegas ou com baixa vis\u00e3o, o\u00a0 do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) avan\u00e7a rapidamente. A expectativa \u00e9 que, a partir de 2027, a corpora\u00e7\u00e3o entregue cerca de 20 animais por ano. Para alcan\u00e7ar essa meta, o CBMDF refor\u00e7a o convite a fam\u00edlias interessadas em acolher e ajudar no desenvolvimento dos filhotes, que precisam passar por uma etapa essencial antes do treinamento t\u00e9cnico: a socializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em outubro, o CBMDF recebeu tr\u00eas novos moradores: os filhotes da cadela Mila, que sobreviveram a um parto dif\u00edcil. Com pouco mais de um m\u00eas de vida, eles crescem dia ap\u00f3s dia no canil da corpora\u00e7\u00e3o, que passou por uma reforma completa para oferecer estrutura adequada ao projeto. Os espa\u00e7os foram reorganizados para garantir conforto, higiene e est\u00edmulos aos animais, de modo a assegurar, desde cedo, condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao desenvolvimento e \u00e0 futura prepara\u00e7\u00e3o para o treinamento especializado.<\/p>\n<p>Normalmente, os filhotes deixam o canil aos 90 dias de vida e passam de dez meses a um ano em conviv\u00eancia com essas fam\u00edlias. Essa etapa \u00e9 indispens\u00e1vel: se o animal fosse criado apenas dentro do canil, teria dificuldade de lidar com ambientes externos e est\u00edmulos cotidianos. \u201cA conviv\u00eancia familiar, com movimento, diferentes pessoas, ru\u00eddos, rotinas e pequenos desafios, prepara o filhote para o mundo real de forma natural e saud\u00e1vel\u201d, explica o coordenador do projeto, major Jo\u00e3o Gilberto Silva Cavalcanti. Ele compara c\u00e3es de trabalho como farejadores ou c\u00e3es de busca, que podem viver mais restritos ao ambiente operacional. \u201cNo caso do c\u00e3o-guia, a experi\u00eancia familiar \u00e9 essencial porque o tipo de trabalho exige sensibilidade, adapta\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia plena com humanos&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Atualmente, h\u00e1 dez c\u00e3es em socializa\u00e7\u00e3o: sete pastores-alem\u00e3es, um golden retriever e um labrador. O acordo com as fam\u00edlias volunt\u00e1rias prev\u00ea continuidade: ap\u00f3s devolverem o c\u00e3o ao final do per\u00edodo de socializa\u00e7\u00e3o, elas podem receber outro filhote, o que cria um ciclo permanente de apoio ao projeto. Uma das inova\u00e7\u00f5es da iniciativa \u00e9 o uso do pastor-alem\u00e3o, ra\u00e7a pouco adotada como c\u00e3o-guia no Brasil, onde predominam labradores e goldens. Em outros pa\u00edses, por\u00e9m, pastores j\u00e1 atuam com sucesso, e Bras\u00edlia passa a incorporar essa abordagem.<\/p>\n<p>Os crit\u00e9rios para selecionar as fam\u00edlias socializadoras come\u00e7am pela adequa\u00e7\u00e3o do ambiente, explica a psic\u00f3loga volunt\u00e1ria do projeto, Fernanda Debattisti. O ideal \u00e9 que os tutores morem em uma casa, mas apartamentos n\u00e3o s\u00e3o descartados. O essencial, afirma, \u00e9 que exista espa\u00e7o suficiente para que o c\u00e3o possa se desenvolver com conforto e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Major Jo\u00e3o Gilberto Silva Cavalcanti, coordenador do projeto<br \/>\nOutro ponto fundamental \u00e9 o tempo dispon\u00edvel. A fam\u00edlia precisa incorporar o filhote \u00e0 rotina diariamente: realizar caminhadas, cuidar da alimenta\u00e7\u00e3o e da sa\u00fade e lev\u00e1-lo a diversos ambientes, como \u00f4nibus, metr\u00f4, local de trabalho, faculdade e espa\u00e7os de lazer. \u201cA gente n\u00e3o quer apenas o acolhimento. Queremos o tempo da fam\u00edlia dedicado ao cachorro\u201d, refor\u00e7a Fernanda. Por isso, perfis com hor\u00e1rios flex\u00edveis e rotina variada s\u00e3o os mais compat\u00edveis com o processo de socializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ter experi\u00eancia pr\u00e9via com c\u00e3es. Segundo a psic\u00f3loga, fam\u00edlias que j\u00e1 possuem outros animais tamb\u00e9m s\u00e3o consideradas, desde que a casa ofere\u00e7a condi\u00e7\u00f5es adequadas de higiene, seguran\u00e7a e conforto. Ela explica que o v\u00ednculo afetivo, inevit\u00e1vel durante quase um ano de conviv\u00eancia, \u00e9 trabalhado desde o in\u00edcio. No processo de cadastro, a fam\u00edlia j\u00e1 \u00e9 informada de que a socializa\u00e7\u00e3o \u00e9 tempor\u00e1ria, com dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de dez meses. \u201c\u00c9 claro que ela vai se apegar, e isso n\u00e3o \u00e9 ruim. Para n\u00f3s, \u00e9 ben\u00e9fico. Esse envolvimento faz parte do desenvolvimento do c\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Os custos principais n\u00e3o ficam a cargo da fam\u00edlia. O projeto fornece ra\u00e7\u00e3o mensal, acompanhamento veterin\u00e1rio e suporte t\u00e9cnico dos treinadores. Eventuais despesas, como brinquedos ou acess\u00f3rios, s\u00e3o opcionais e ficam a crit\u00e9rio do tutor.<\/p>\n<p><strong>Do outro lado<\/strong><\/p>\n<p>Do outro lado da hist\u00f3ria, h\u00e1 tamb\u00e9m quem aguarde com ansiedade a oportunidade de receber um c\u00e3o-guia ou de dar continuidade ao acompanhamento, j\u00e1 que, para pessoas com defici\u00eancia visual, esses animais representam muito mais do que apoio. Eles funcionam como uma verdadeira extens\u00e3o dos olhos. O analista de qualidade de uma institui\u00e7\u00e3o financeira, Esio Cleber de Oliveira J\u00fanior, de 28 anos, se inscreveu no programa em 2014 e s\u00f3 foi contemplado em 2021, ap\u00f3s sete anos de espera.<\/p>\n<p>Em novembro daquele ano, recebeu Bar\u00e9, o c\u00e3o-guia com quem est\u00e1 at\u00e9 hoje. Para Esio, a import\u00e2ncia do projeto \u00e9 imensa, pois se trata de uma das iniciativas mais relevantes para pessoas com defici\u00eancia visual, porque o c\u00e3o-guia transforma diretamente a mobilidade e a autonomia no dia a dia. Ele explica que, mesmo tendo boa orienta\u00e7\u00e3o e mobilidade, enfrenta obst\u00e1culos constantes pela falta de acessibilidade nas cidades. \u201cHoje eu ando em um lugar e amanh\u00e3, no mesmo lugar, pode ter um buraco. O c\u00e3o-guia me d\u00e1 seguran\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m da locomo\u00e7\u00e3o, Esio destaca um segundo benef\u00edcio: a aproxima\u00e7\u00e3o social. A bengala, diz ele, faz com que as pessoas enxerguem primeiro a defici\u00eancia e s\u00f3 depois a pessoa. Com o c\u00e3o-guia, a din\u00e2mica muda: o cachorro desperta curiosidade, acolhe e facilita a intera\u00e7\u00e3o e promove inclus\u00e3o de forma natural. \u201cA gente fala que \u00e9 a inclus\u00e3o atrav\u00e9s do c\u00e3o-guia\u201d, afirma. Ele comenta, inclusive, que Bar\u00e9 se tornou mais conhecido do que ele pr\u00f3prio no trabalho, e que isso fortalece v\u00ednculos e derruba barreiras.<\/p>\n<p>Ao final, o analista refor\u00e7a a relev\u00e2ncia do projeto do CBMDF, n\u00e3o apenas para a pr\u00f3pria vida, mas para todas as pessoas que aguardam essa oportunidade. \u201cHoje, com a reestrutura\u00e7\u00e3o do canil e a expans\u00e3o da iniciativa, o tempo de espera tende a cair\u201d, destaca. \u201cA tend\u00eancia \u00e9 que algu\u00e9m que se inscreva agora consiga um c\u00e3o em seis meses ou um ano\u201d, diz. E faz um apelo pela continuidade: seu c\u00e3o um dia vai se aposentar, e ele voltar\u00e1 \u00e0 fila de reposi\u00e7\u00e3o. \u201cEsse projeto \u00e9 fundamental para que eu tenha, no futuro, a continuidade do meu c\u00e3o-guia.\u201d<\/p>\n<p><strong>Treinamento<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro, o filhote vai para a fam\u00edlia socializadora. Depois de cerca de um ano, retorna ao canil para iniciar o treinamento t\u00e9cnico. A primeira etapa \u00e9 de obedi\u00eancia, realizada dentro dos boxes, para que o c\u00e3o aprenda, por exemplo, a n\u00e3o sair sem comando mesmo com a porta aberta. H\u00e1 uma sequ\u00eancia de etapas rigorosas at\u00e9 chegar ao treinamento no corredor e, mais tarde, nas ruas.<\/p>\n<p>O compromisso do CBMDF \u00e9 entregar c\u00e3es de excel\u00eancia, nunca apenas \u201cbons\u201d. Um c\u00e3o mal treinado representa risco direto para a vida do usu\u00e1rio. E, para ampliar o projeto, a corpora\u00e7\u00e3o vai iniciar, em fevereiro do pr\u00f3ximo ano, um curso pr\u00f3prio de forma\u00e7\u00e3o de treinadores. Ser\u00e3o 10 alunos, seis militares e quatro civis. O curso ter\u00e1 dura\u00e7\u00e3o de dois anos e cinco m\u00f3dulos, que abrangem desde a sele\u00e7\u00e3o dos filhotes at\u00e9 o acompanhamento familiar e o treinamento avan\u00e7ado. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 capacitar novos profissionais, ampliar a equipe e atender \u00e0 demanda crescente.<\/p>\n<p><strong>Amplia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Dentro desse escopo, o projeto ampliou o alcance e passou a incluir a\u00e7\u00f5es com crian\u00e7as com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em escolas c\u00edvico-militares administradas pelo CBMDF. A partir do pr\u00f3ximo ano, os c\u00e3es come\u00e7ar\u00e3o a atuar nas salas de recursos dessas unidades, em parceria com a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o (SEE-DF).<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o dos animais, nesse contexto, \u00e9 promover tranquilidade e facilitar a intera\u00e7\u00e3o social. O major relata que essa ideia surgiu quando atuava como diretor disciplinar de uma escola do Lago Norte e testemunhou de perto a discrimina\u00e7\u00e3o sofrida por crian\u00e7as neurodivergentes. Diante da conviv\u00eancia di\u00e1ria, percebeu que muitos alunos com TEA t\u00eam dificuldade de intera\u00e7\u00e3o: alguns evitam toque, outros n\u00e3o falam, outros apresentam comportamentos mais agressivos. Assim, os c\u00e3es atuar\u00e3o como mediadores afetivos. Ele explica que as escolas j\u00e1 est\u00e3o adaptando as salas de recursos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com expans\u00e3o prevista para 2027, quando a corpora\u00e7\u00e3o espera entregar 20 c\u00e3es por ano, o CBMDF chama fam\u00edlias volunt\u00e1rias para a etapa de socializa\u00e7\u00e3o dos filhotes Por Karol Ribeiro, da Ag\u00eancia Bras\u00edlia | Edi\u00e7\u00e3o: Paulo Soares Para ampliar a prote\u00e7\u00e3o, a seguran\u00e7a e a autonomia de pessoas cegas ou com baixa vis\u00e3o, o\u00a0 do Corpo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":373931,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[161],"tags":[],"class_list":["post-373930","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-quadradinho-em-foco"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/373930","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=373930"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/373930\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":373934,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/373930\/revisions\/373934"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/373931"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=373930"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=373930"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=373930"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}