{"id":374017,"date":"2025-12-09T00:15:15","date_gmt":"2025-12-09T03:15:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=374017"},"modified":"2025-12-08T18:25:05","modified_gmt":"2025-12-08T21:25:05","slug":"rede-de-protecao-acolhe-mais-de-48-mil-vitimas-em-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/rede-de-protecao-acolhe-mais-de-48-mil-vitimas-em-2025\/","title":{"rendered":"Rede de prote\u00e7\u00e3o acolhe mais de 4,8 mil v\u00edtimas em 2025"},"content":{"rendered":"<p>\u201cSer mulher \u00e9 viver sempre com medo\u201d, desabafa uma v\u00edtima de viol\u00eancia atendida na rede p\u00fablica do Distrito Federal. S\u00f3 neste ano, at\u00e9 outubro, mais de 4,8 mil pessoas buscaram apoio nos centros de especialidades para aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia (Cepavs). Para fortalecer essa rede de prote\u00e7\u00e3o, o Governo do Distrito Federal (GDF) ampliou as unidades e aprimorou os protocolos de atendimento, que asseguram acolhimento biopsicossocial e o encaminhamento das v\u00edtimas para servi\u00e7os especializados. Hoje, o DF conta com 18 centros distribu\u00eddos em v\u00e1rias regi\u00f5es administrativas.<\/p>\n<p>A chegada ao servi\u00e7o foi um passo dif\u00edcil, mas necess\u00e1rio, segundo uma usu\u00e1ria atendida pelo Cepav de Santa Maria. Ela conta que j\u00e1 fazia terapia com um psic\u00f3logo e, em uma das sess\u00f5es, criou coragem para relatar o que estava acontecendo dentro de casa. Depois de ouvi-la, o profissional sugeriu que ela buscasse um atendimento espec\u00edfico para mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, explicando que havia acompanhamento individual e em grupo.<\/p>\n<p>\u201cFoi a\u00ed que comecei a procurar na internet\u201d, lembra. Ela revela que conseguiu o telefone, agendou o primeiro hor\u00e1rio e foi. \u201cConversei com uma assistente social e ela come\u00e7ou a me acompanhar. Fiz duas ou tr\u00eas sess\u00f5es individuais e depois entrei para o grupo de mulheres.\u201d Ela conta que, no primeiro dia, estava muito nervosa. \u201cFalar sobre o que aconteceu n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Eu n\u00e3o sabia o que esperar.\u201d<\/p>\n<p>A entrevistada mora com a m\u00e3e, o padrasto e dois irm\u00e3os e revela ter sofrido tentativa de abuso por parte do padrasto. Apesar disso, ainda n\u00e3o conseguiu sair de casa, o que torna tudo mais dif\u00edcil. \u201cFoi por isso que meu psic\u00f3logo pediu para eu procurar esse atendimento. Para eu ter novas respostas, para entender melhor o que estava acontecendo comigo.\u201d<\/p>\n<p>Com o tempo, ela diz ter encontrado acolhimento e for\u00e7a na equipe e nas outras mulheres. \u201cA gente se fortalece, cria amizade, aprende coisas que n\u00e3o sabia, at\u00e9 sobre direitos que eu nunca tinha ouvido falar. Abre a mente.\u201d O servi\u00e7o, diz ela, a ajudou tamb\u00e9m a lidar com as emo\u00e7\u00f5es. \u201cA raiva, o medo, o que fazer depois\u2026 eu aprendi bastante. Isso foi muito importante.\u201d<\/p>\n<p>Em maio deste ano, outra v\u00edtima conheceu o servi\u00e7o do Cepav ap\u00f3s uma indica\u00e7\u00e3o de uma colega do trabalho. Ela havia sofrido abuso na adolesc\u00eancia, algo que ficou reprimido por muitos anos. Fez terapia, mas ainda assim aquilo a atravessava de diversas formas. \u201cPassei por tr\u00eas sess\u00f5es individuais com psic\u00f3logos e assistentes sociais. Foram encontros muito intensos. Porque voc\u00ea precisa contar tudo de novo. Revive tudo. Mas, dessa vez, h\u00e1 algu\u00e9m especializado ouvindo, te guiando: \u2018Ok, isso aconteceu, mas agora vamos entender como seguir\u2019\u201d, conta.<\/p>\n<p>\u201cEu acreditava que minha vida estava estruturada. Casamento est\u00e1vel. Eu tinha vindo tratar do abuso da adolesc\u00eancia. Mas, nas rodas de conversa, quando entramos nas discuss\u00f5es sobre a Lei Maria da Penha e os tipos de viol\u00eancia, v\u00e1rias red flags come\u00e7aram a aparecer. Meu casamento n\u00e3o estava saud\u00e1vel. Eu negava: \u2018N\u00e3o, n\u00e3o mexam nisso. Meu problema \u00e9 o passado.\u2019 Mas, cada vez que os profissionais pontuavam comportamentos, eu voltava para casa cheia de abas abertas na cabe\u00e7a: \u2018Isso est\u00e1 estranho, isso n\u00e3o \u00e9 normal\u2019\u201d.<\/p>\n<p>A v\u00edtima estava com essa pessoa durante sete anos, e casada h\u00e1 quase quatro. \u201cDesde o in\u00edcio havia discuss\u00f5es que terminavam com ele pegando uma faca, dizendo que eu iria &#8216;ver quem \u00e9 homem&#8217;, batendo portas, me ferindo psicologicamente. Eu minimizava tudo: \u2018Ele est\u00e1 cansado do plant\u00e3o\u2019, \u2018ele falou de um jeito ruim, mas tudo bem\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Com o Cepav, ela teve acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. \u201cE a\u00ed vem a tr\u00edade que aprendi aqui: primeiro a gente conhece, depois a gente se conscientiza, depois a gente rompe o ciclo\u201d, afirma. \u201cEu conhecia a Maria da Penha superficialmente. Aqui, descobri o que era viol\u00eancia patrimonial, e percebi que estava presa nela h\u00e1 muito tempo. Eu n\u00e3o tinha acesso ao meu pr\u00f3prio cart\u00e3o de cr\u00e9dito; todos ficavam com ele. Ele \u201ccuidava do dinheiro da casa\u201d. At\u00e9 que um dia, enquanto eu dormia, ele transferiu todo o meu sal\u00e1rio para a conta dele. Quando questionei, ele disse: \u2018Voc\u00ea s\u00f3 v\u00ea o pior das pessoas. Estou cuidando de voc\u00ea\u2019\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEsse espa\u00e7o foi fundamental. Eu vim por uma dor do passado\u2026 e descobri outra dor, que eu vivia no presente. E penso: se eu n\u00e3o tivesse conhecido o servi\u00e7o, at\u00e9 quando eu continuaria ali? Talvez nem estivesse viva. Hoje eu entendo: amor n\u00e3o d\u00f3i, n\u00e3o amea\u00e7a, n\u00e3o controla, n\u00e3o humilha. Amor n\u00e3o rouba sua autonomia. E n\u00f3s, como mulheres, precisamos quebrar o ciclo, mesmo sendo dif\u00edcil, dolorido, exigindo coragem di\u00e1ria.\u201d<\/p>\n<p><strong>Como funciona<\/strong><\/p>\n<p>O servi\u00e7o do Cepav funciona como uma porta segura para quem chega ap\u00f3s sofrer algum tipo de agress\u00e3o, seja por demanda espont\u00e2nea, por notifica\u00e7\u00e3o feita dentro do pr\u00f3prio hospital ou por encaminhamentos da rede externa.<\/p>\n<p>\u201cOs pacientes chegam aqui basicamente de duas formas: ou s\u00e3o encaminhados por notifica\u00e7\u00e3o do pronto-socorro e das enfermarias, ou v\u00eam por demanda espont\u00e2nea, quando algu\u00e9m indica o servi\u00e7o ou quando eles j\u00e1 conhecem o atendimento\u201d, explica o chefe do Cepav de Santa Maria, Ronaldo Lima Coutinho. O funcionamento ocorre todos os dias \u00fateis, das 7h \u00e0s 18h. \u201cQualquer pessoa que passou por viol\u00eancia e precisa desse acolhimento pode vir nesse hor\u00e1rio. Estamos aqui para receber.\u201d<\/p>\n<p>O chefe faz quest\u00e3o de diferenciar o servi\u00e7o do restante do hospital. \u201c\u00c9 muito diferente de uma consulta de rotina ou de um atendimento por acidente. Aqui, a pessoa chega porque viveu uma viol\u00eancia. E n\u00f3s atendemos variados tipos: viol\u00eancia dom\u00e9stica, sexual, familiar, intrafamiliar e tamb\u00e9m casos de neglig\u00eancia. O nosso p\u00fablico s\u00e3o crian\u00e7as, adolescentes, mulheres e idosas. Homens n\u00e3o s\u00e3o atendidos neste n\u00facleo espec\u00edfico.\u201d<\/p>\n<p>Ele explica que o Cepav integra a chamada Rede de Flores, que re\u00fane 18 unidades distribu\u00eddas pelo DF: a unidade de Santa Maria recebe o nome de Flor do Cerrado. \u201cCada n\u00facleo tem autonomia, mas todos seguem o mesmo prop\u00f3sito: proteger e acolher pessoas em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Ao comentar os dados deste ano, o chefe avalia que os n\u00fameros podem tanto indicar aumento real quanto maior coragem para denunciar. \u201cExiste, sim, uma subida nos registros, mas ainda temos muita subnotifica\u00e7\u00e3o. A viol\u00eancia \u00e9 algo que a pessoa demora a reconhecer, seja por medo, vergonha ou por press\u00e3o familiar. Muitas mulheres n\u00e3o denunciam porque moram com o agressor, porque t\u00eam filhos, porque dependem financeiramente dele ou porque s\u00e3o amea\u00e7adas. Isso pesa muito.\u201d<\/p>\n<p>Ele refor\u00e7a que o Cepav n\u00e3o tem car\u00e1ter investigativo. \u201cNosso papel n\u00e3o \u00e9 apontar culpados, e sim cuidar da parte social e psicol\u00f3gica. Trabalhamos a sa\u00fade mental desse paciente e o fortalecimento para que ele possa tomar decis\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o.\u201d Segundo ele, a maioria das viol\u00eancias registradas acontece dentro de casa. \u201cPelos dados e pela nossa viv\u00eancia, cerca de 90% das agress\u00f5es t\u00eam rela\u00e7\u00e3o intrafamiliar. Infelizmente, hoje \u00e9 mais arriscado sofrer viol\u00eancia dentro da pr\u00f3pria casa do que na rua.\u201d<\/p>\n<p>O IgesDF administra o Cepav Flor do Cerrado, localizado no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM). A equipe \u00e9 composta por uma enfermeira, duas t\u00e9cnicas de enfermagem, duas assistentes sociais, dois psic\u00f3logos e dois t\u00e9cnicos administrativos. O presidente do Iges, Cleber Monteiro, destaca que h\u00e1 muitos anos a unidade cumpre um papel que honra a tradi\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico: acolher, proteger e orientar quem mais precisa.<\/p>\n<p>Para ele, esse trabalho s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque atuam de forma integrada com toda a rede de prote\u00e7\u00e3o, construindo respostas s\u00f3lidas e respons\u00e1veis para cada caso. \u201cProteger v\u00edtimas de viol\u00eancia exige uni\u00e3o, responsabilidade e vis\u00e3o de longo prazo. O Cepav Flor do Cerrado mostra como a integra\u00e7\u00e3o entre sa\u00fade, assist\u00eancia social, seguran\u00e7a, justi\u00e7a e comunidade produz resultados reais\u201d, afirma. Cleber ressalta que o intuito \u00e9 fortalecer ainda mais essa rede para que cada pessoa atendida encontre amparo, dignidade e caminhos para recome\u00e7ar.<\/p>\n<p>A Rede de Flores atua de forma articulada com toda a rede de prote\u00e7\u00e3o e enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia, envolvendo delegacias especializadas, como as DEAMs e as Delegacias da Crian\u00e7a e do Adolescente, para encaminhamento e acompanhamento de casos; a Assist\u00eancia Social, por meio dos Cras, Creas e Caps, que oferecem suporte individual e familiar; a Educa\u00e7\u00e3o, com a\u00e7\u00f5es preventivas nas escolas e media\u00e7\u00e3o de conflitos; e o sistema de Justi\u00e7a, incluindo Minist\u00e9rio P\u00fablico e TJDFT, no acompanhamento dos processos e na defini\u00e7\u00e3o de medidas protetivas.<\/p>\n<p>Segundo a chefe substituta do N\u00facleo de Preven\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia \u00e0 Situa\u00e7\u00e3o de Viol\u00eancia (Nupav), Guaia Monteiro Siqueira, essa integra\u00e7\u00e3o entre os servi\u00e7os avan\u00e7ou de forma importante.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s temos os Nupavs, que fazem um trabalho sistem\u00e1tico de vigil\u00e2ncia das notifica\u00e7\u00f5es, capacita\u00e7\u00e3o para os diversos servi\u00e7os dos diferentes n\u00edveis de aten\u00e7\u00e3o em sa\u00fade e tamb\u00e9m rede externa, como das equipes de sa\u00fade no pronto-socorro e nas unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade (UBSs), e tamb\u00e9m fortalecem essa articula\u00e7\u00e3o com a rede. N\u00f3s fazemos reuni\u00f5es frequentes para discutir casos, e a articula\u00e7\u00e3o com o Conselho Tutelar acontece imediatamente quando necess\u00e1ria. Tamb\u00e9m participamos da Rede Bras\u00edlia, que re\u00fane servi\u00e7os p\u00fablicos e institui\u00e7\u00f5es do terceiro setor\u201d, destaca a assistente social do Cepav Alecrim, Jasmin e Margarida.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m integram o trabalho o Conselho Tutelar, Rede Elas, Rede Flor do Cerrado, Comit\u00ea de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Mulher, Secretaria da Mulher, M\u00e3o Solid\u00e1ria, Protejo C\u00e1ritas, ONGs e outros movimentos sociais, que fortalecem campanhas, projetos comunit\u00e1rios e atendimentos complementares. Essa articula\u00e7\u00e3o intersetorial sustenta a miss\u00e3o do Cepav de prevenir, orientar e apoiar v\u00edtimas de viol\u00eancia, garantindo uma resposta efetiva e integrada das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Neulabihan Mesquita atua no Cepav Jasmim, que atende crian\u00e7as v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual e ofensores de abuso sexual, e diz que a metodologia adotada nos centros \u00e9 baseada principalmente em atendimentos em grupo. \u201cNosso objetivo \u00e9 transformar essa demanda das institui\u00e7\u00f5es encaminhantes em algo que fa\u00e7a sentido para a fam\u00edlia. Os grupos ajudam porque as fam\u00edlias se reconhecem entre si, se ajudam. Os profissionais funcionam como co-terapeutas. Temos planejamento, mas nos adaptamos conforme o grupo. Cada atendimento \u00e9 \u00fanico\u201d, garante a psic\u00f3loga.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSer mulher \u00e9 viver sempre com medo\u201d, desabafa uma v\u00edtima de viol\u00eancia atendida na rede p\u00fablica do Distrito Federal. S\u00f3 neste ano, at\u00e9 outubro, mais de 4,8 mil pessoas buscaram apoio nos centros de especialidades para aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia (Cepavs). 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