{"id":374237,"date":"2025-12-11T01:00:40","date_gmt":"2025-12-11T04:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=374237"},"modified":"2025-12-10T10:15:20","modified_gmt":"2025-12-10T13:15:20","slug":"conto-sobre-memorias-de-vidas-passadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/conto-sobre-memorias-de-vidas-passadas\/","title":{"rendered":"Conto sobre mem\u00f3rias de vidas passadas"},"content":{"rendered":"<p>Est\u00e1vamos \u00e0 espera de entrar no audit\u00f3rio da universidade. Faltavam poucos minutos para a aula. O meu cigarro estava a acabar, eu estava nervoso com o que ali vinha. O professor era muito conceituado e iria fazer ali uma revela\u00e7\u00e3o que colocaria o mundo em sobressalto. Tinha vindo da Universidade da Virginia nos Estados Unidos e os seus estudos eram cientificamente muito cred\u00edveis. Seria que iria ver um novo passo de gigante na ci\u00eancia? Mandaram-nos entrar silenciosamente. O professor estava num palco e junto dele havia um ecr\u00e3 de powerpoint.<\/p>\n<p>Nisto ele come\u00e7ou a falar de voz grave:\u00a0Estudos psicol\u00f3gicos em crian\u00e7as que afirmam ter tido mem\u00f3rias de vidas passadas.\u00a0Ser\u00e1 que as crian\u00e7as com mem\u00f3rias de vidas passadas diferem psicologicamente das crian\u00e7as sem essas mem\u00f3rias?<\/p>\n<p>Erlendur Haraldsson examinou essa possibilidade sistematicamente administrando testes psicol\u00f3gicos a crian\u00e7as, \u00e0s suas m\u00e3es e aos seus professores que as conheciam bem, no Sri Lanka e L\u00edbano. Estudos semelhantes foram conduzidos na \u00cdndia e nos Estados Unidos da Am\u00e9rica. Estes estudos descobriram que as crian\u00e7as com mem\u00f3rias de vidas passadas s\u00e3o diferentes das outras crian\u00e7as em variad\u00edssimos aspetos.<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Muitas crian\u00e7as pequenas \u00e0 volta do mundo afirmam ter sido outras pessoas em vidas passadas. Estas afirma\u00e7\u00f5es est\u00e3o reportadas desde h\u00e1 s\u00e9culos, mas o estudo sistem\u00e1tico acerca delas com provas sobre reencarna\u00e7\u00e3o de fato apareceram somente por volta de 1960 com as investiga\u00e7\u00f5es do Dr. Ian Stevenson.<\/p>\n<p>O investigador da reencarna\u00e7\u00e3o James Matlock mostrou que a mem\u00f3ria da vida passada tem muitas caracter\u00edsticas de mem\u00f3ria da vida presente. Assim como as mem\u00f3rias da vida presente, as mem\u00f3rias de vidas passadas est\u00e3o muitas vezes ligadas a coisas vistas, ouvidas ou cheiradas; as mem\u00f3rias de vidas passadas costumam ter blocos de mem\u00f3ria acerca dos \u00faltimos anos, meses ou dias da vida passada, revelando o \u201cefeito de ser algo recente\u201d, al\u00e9m disso elas podem estar ligadas aos anos principais da vida, demonstrando um \u201csalto de reminisc\u00eancia\u201d. As mem\u00f3rias da vida passada n\u00e3o s\u00e3o exclusivamente epis\u00f3dicas, podem tamb\u00e9m ser sem\u00e2nticas, emocionais e comportamentais, e n\u00e3o \u00e9 estranho serem tamb\u00e9m reconhecidas como mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es dos casos registados sugerem que as crian\u00e7as que se lembram de vidas passadas podem ser diferentes dos seus pares em alguns aspetos &#8211; mas como exatamente?<\/p>\n<p>Este artigo descreve estudos efetuados no Sri Lanka, \u00cdndia e L\u00edbano por serem estes os locais que contribu\u00edram com um n\u00famero substancial de casos para a nossa base de dados sobre reencarna\u00e7\u00e3o &#8211; assim como os Estados Unidos da Am\u00e9rica, comparando crian\u00e7as com mem\u00f3rias de vidas passadas com crian\u00e7as que n\u00e3o t\u00eam essas recorda\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m s\u00e3o colocados \u00e0 considera\u00e7\u00e3o aqui os estudos de mem\u00f3rias de vidas passadas retidas desde a fase infantil \u00e0 fase adulta bem como os efeitos a longo prazo das recorda\u00e7\u00f5es de mem\u00f3rias de vidas passadas infantis. Para assuntos mais gerais respeitantes a como se podem lembrar as vidas passadas e a amn\u00e9sia das mesmas podemos recorrer ao artigo que vem em separado na Enciclop\u00e9dia Psi.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as com mem\u00f3rias de vidas passadas s\u00e3o diferentes das outras? Estudos efetuados no Sri Lanka, \u00cdndia, L\u00edbano e nos Estados Unidos da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Erlendur Haraldsson foi o primeiro investigador a comparar crian\u00e7as com mem\u00f3rias de vidas passadas com crian\u00e7as sem mem\u00f3rias de vidas passadas no Sri Lanka e no L\u00edbano. Antonia Mills conduziu um estudo na \u00cdndia com Jim B. Tucker e com F. Don Nidiffer nos Estados Unidos da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Embora existam diferen\u00e7as metodol\u00f3gicas importantes \u00e0 volta destes estudos, Haraldsson, Mills e Tucker submeteram testes psicol\u00f3gicos estandardizados \u00e0s crian\u00e7as e aos seus pais. Os estudos de Haraldsson inclu\u00edam os professores das crian\u00e7as tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>A investigadora Mills fez parte de um estudo mais alargado com crian\u00e7as na \u00cdndia que tiveram mem\u00f3rias de pertencerem a diferentes religi\u00f5es, seja o Hindu\u00edsmo, seja o Islamismo Sunita. Tanto Haraldsson como Mills compararam as crian\u00e7as com mem\u00f3rias de vidas passadas (o grupo alvo) com crian\u00e7as sem mem\u00f3rias de vidas passadas (grupo de controle), mas o investigador Tucker comparou os resultados com normas estat\u00edsticas em vez disso.<\/p>\n<p>Um dos instrumentos de investiga\u00e7\u00e3o usado foi a lista de verifica\u00e7\u00e3o do comportamento das crian\u00e7as, uma lista estandardizada de problemas que as crian\u00e7as podem ter e das caracter\u00edsticas ou tra\u00e7os de car\u00e1ter que \u00e0s vezes podem levar a dificuldades para as crian\u00e7as e para as suas fam\u00edlias. Haraldsson e Tucker empregaram ambos a lista de verifica\u00e7\u00e3o do comportamento das crian\u00e7as. Outros testes inclu\u00edram a escala de absor\u00e7\u00e3o Tellegen, o Teste de Vocabul\u00e1rio por imagens de Peabody, as matrizes progressivas coloridas de Raven, a lista de verifica\u00e7\u00e3o dissociativa infantil e o question\u00e1rio da Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>No estudo inicial efetuado no Sri Lanka, Haraldsson comparou trinta casos de crian\u00e7as que foram estudadas previamente, quer por ele quer pelo Dr. Ian Stevenson em crian\u00e7as que n\u00e3o tiveram mem\u00f3rias de vidas passadas, combinadas por sexo, idade e vizinhan\u00e7a. Os casos estudados (doze pares de rapazes e dezoito pares de raparigas tinham a idade compreendida entre sete e treze anos com uma m\u00e9dia de idades de nove anos e cinco meses. O segundo estudo efetuado por Haraldsson no Sri Lanka incluiu vinte e sete pares de crian\u00e7as (catorze pares de rapazes e treze pares de raparigas) com idades compreendidas entre os os cinco e os dez anos com uma m\u00e9dia de idades de sete anos e dez meses.<\/p>\n<p>No seu estudo efetuado no L\u00edbano, Haraldsson incluiu trinta pares de crian\u00e7as drusas (dezanove pares de rapazes e onze pares de raparigas) com idades compreendidas entre os seis e os catorze anos (tendo uma m\u00e9dia de idades de dez anos e sete meses). Mills teve trinta e um pares de jovens adultos no seu estudo efetuado na \u00cdndia, entre eles vinte e cinco homens e seis mulheres). Tucker e F. Don Nidiffer examinaram quinze crian\u00e7as com idades de pr\u00e9-entrada na escola prim\u00e1ria (oito rapazes e sete raparigas) com idades compreendidas entre os tr\u00eas e os seis anos que falaram e que estavam a falar acerca de vidas passadas na altura.<\/p>\n<p>Todos os estudos inclu\u00edram tanto crian\u00e7as com mem\u00f3rias de vidas passadas verificadas (casos resolvidos) quanto crian\u00e7as em que n\u00e3o houve uma liga\u00e7\u00e3o entre as mem\u00f3rias de vidas passadas e os factos (casos n\u00e3o resolvidos). Os estudos anteriores mostraram que os casos resolvidos e os casos n\u00e3o resolvidos eram similares, por isso eles juntaram estes estudos psicol\u00f3gicos. As crian\u00e7as n\u00e3o tinham qualquer rela\u00e7\u00e3o entre as pessoas do passado nas amostras colhidas no Sri Lanka, L\u00edbano e na \u00cdndia mas no estudo efetuado nos Estados Unidos da Am\u00e9rica houveram rela\u00e7\u00f5es familiares em todos os quatro dos casos resolvidos.<\/p>\n<p><strong>Diferen\u00e7as comportamentais<\/strong><\/p>\n<p>Haraldsson descobriu que as crian\u00e7as com mem\u00f3rias de vidas passadas tanto no Sri Lanka como no L\u00edbano tinham mais problemas psicol\u00f3gicos e problemas sociais do que as crian\u00e7as que n\u00e3o tinham mem\u00f3rias de vidas passadas. Ent\u00e3o, as crian\u00e7as com mem\u00f3rias de vidas passadas:<\/p>\n<p>&#8211; Eram mais argumentativas e eram mais predispostas a terem discuss\u00f5es:<\/p>\n<p>&#8211; Eram perfeccionistas, tudo tinha de ser exato e correto e elas queriam discutir as mat\u00e9rias de uma forma mais profunda;<\/p>\n<p>&#8211; Eram neur\u00f3ticas, tinham mais mudan\u00e7as de humor e estavam mais predispostas a terem pesadelos;<\/p>\n<p>&#8211; Gostavam de estar mais tempo sozinhas e n\u00e3o estavam t\u00e3o envolvidas uns com os outros como as restantes crian\u00e7as faziam;<\/p>\n<p>&#8211; \u00c0s vezes pareciam confusas;<\/p>\n<p>&#8211; Estavam mais preocupadas em serem bonitas e em estarem limpas;<\/p>\n<p>&#8211; Falavam muito;<\/p>\n<p>&#8211; Tinham mais medos e estavam mais ansiosas do que as outras crian\u00e7as e muitas vezes eram alvo de bullying;<\/p>\n<p>&#8211; Tinham a tend\u00eancia para serem teimosas, \u00e0s vezes recusavam falar e tinham feitios mais dif\u00edceis do que as crian\u00e7as que n\u00e3o tinham mem\u00f3rias de vidas passadas;<\/p>\n<p>Haraldsson investigou que muitas destas caracter\u00edsticas s\u00e3o sinais de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico. O estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico geralmente s\u00f3 \u00e9 encontrado em crian\u00e7as que foram muito mal cuidadas ou negligenciadas. Ele n\u00e3o descobriu qualquer desses tratamentos nas crian\u00e7as estudadas. No entanto, muitas dessas crian\u00e7as recordava ter tido na vida passada uma morte violenta como por exemplo por acidente, morte em guerras, ou morte por terem sido assassinadas: este estado de coisas foi visto em 76% das crian\u00e7as no seu estudo feito no Sri Lanka e em 77% nas amostras investigadas no L\u00edbano. As crian\u00e7as estavam profundamente preocupadas com estas mem\u00f3rias, falavam muito sobre elas e repetiam-nas muitas vezes nas suas mentes. Haraldsson concluiu que estes sintomas de estresse estavam ligados \u00e0s mem\u00f3rias de mortes violentas.<\/p>\n<p>Esta foi uma descoberta importante. O Dr. Ian Stevenson havia notado j\u00e1 sintomas deste tipo na sua larga cole\u00e7\u00e3o de casos registados e escreveu mesmo um artigo de revista da especialidade acerca das fobias relacionadas com mem\u00f3rias de vidas passadas mas ele n\u00e3o havia efetuado at\u00e9 ent\u00e3o um estudo que contrastasse as crian\u00e7as com mem\u00f3rias de vidas passadas com crian\u00e7as sem essas mem\u00f3rias. Muitas crian\u00e7as com mem\u00f3rias de vidas passadas que constam dos casos estudados por Haraldsson reportaram terem medos e fobias mas n\u00e3o existiam sinais de que as crian\u00e7as com mem\u00f3rias de vidas passadas eram mais sugestion\u00e1veis do que as outras crian\u00e7as sem essas mem\u00f3rias nem que elas vivessem em isolamento social ou que as suas fam\u00edlias fossem conflituosas.<\/p>\n<p>Pelo contr\u00e1rio, os estudos de Haraldsson descobriram que as crian\u00e7as com mem\u00f3rias de vidas passadas reportavam ser melhor ajustadas socialmente do que as crian\u00e7as sem essas mem\u00f3rias, especialmente pelos seus professores. As crian\u00e7as normalmente param de falar sobre essas mem\u00f3rias quando come\u00e7am a entrar na escola, por isso algumas avalia\u00e7\u00f5es feitas pelos pais e pelos professores que constam da lista de verifica\u00e7\u00e3o de comportamento infantil podem ser atribu\u00eddas \u00e0 idade em que a crian\u00e7a \u00e9 avaliada. Num estudo, dezasseis professores foram entrevistados durante dezoito meses depois das entrevistas com as fam\u00edlias. Pode ser que embora nenhuma crian\u00e7a com mem\u00f3rias de vidas passadas apresente quaisquer altera\u00e7\u00f5es de comportamento estas tendem a parar de ter mem\u00f3rias ou as mem\u00f3rias tendem a ser melhor geridas levando a benef\u00edcios de longo prazo.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, os sintomas de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico n\u00e3o foram t\u00e3o evidentes, talvez porque a incid\u00eancia de mortes violentas foi muito menor do que nos casos investigados no Sri Lanka ou no L\u00edbano. As mortes violentas foram reportadas em v\u00e1rios casos de reencarna\u00e7\u00e3o na \u00cdndia mas os fatores apropriados n\u00e3o foram investigados nesse pa\u00eds. No entanto, Mills descobriu que as crian\u00e7as indianas estudadas deram resultados significativos (p &lt; .05 ) maiores que as crian\u00e7as que n\u00e3o tiveram mem\u00f3rias de vidas passadas na Escala de Absor\u00e7\u00e3o Tellegen, indicando uma maior capacidade de submergir a si mesmas na sua imagina\u00e7\u00e3o mental de forma semelhante \u00e0s descobertas de Haraldsson feitas no Sri Lanka e no L\u00edbano. No primeiro estudo efetuado por Haraldsson, no Sri Lanka, n\u00e3o houveram grandes incid\u00eancias de dissocia\u00e7\u00e3o. No seu segundo estudo efetuado no Sri Lanka, Haraldsson constatou que as crian\u00e7as que se lembravam de vidas passadas tiveram mais tend\u00eancias dissociativas (por exemplo: r\u00e1pidas mudan\u00e7as de personalidade e frequentes devaneios da imagina\u00e7\u00e3o) do que as crian\u00e7as que n\u00e3o se lembraram de vidas passadas, e n\u00e3o apresentaram resultados t\u00e3o altos em mat\u00e9rias como o isolamento social, a sugestionabilidade e a procura por aten\u00e7\u00e3o. Nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, por outro lado, todas as crian\u00e7as estudadas por Tucker e Nidiffer obtiveram resultados baixos na Lista de Verifica\u00e7\u00e3o Dissociativa de Crian\u00e7as e isso significa que elas n\u00e3o revelaram tend\u00eancias para a dissocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Diferen\u00e7as cognitivas<\/strong><\/p>\n<p>Ser\u00e1 que as crian\u00e7as que se lembram de vidas passadas s\u00e3o mais sobredotadas que as crian\u00e7as que n\u00e3o t\u00eam essas mem\u00f3rias?<\/p>\n<p>Isto provou ser algo verdadeiro nas crian\u00e7as estudadas no Sri Lanka que possu\u00edam um vocabul\u00e1rio maior do que as outras crian\u00e7as, eram melhores alunos, trabalhavam melhor na escola e conseguiam notas mais altas. As crian\u00e7as eram particularmente boas na sua l\u00edngua nativa, em religi\u00e3o e em matem\u00e1tica. Algumas estavam no quadro de honra acad\u00e9mico das suas turmas.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as dos Estados Unidos da Am\u00e9rica que se lembraram de vidas passadas tamb\u00e9m tinham resultados melhores do que as que n\u00e3o tinham essas mem\u00f3rias em vari\u00e1veis cognitivas e iam melhor na escola. No entanto, isto n\u00e3o acontecia no L\u00edbano ou na \u00cdndia. Algumas crian\u00e7as estudadas por Mills disseram a ela que as mem\u00f3rias das vidas passadas delas interferiram na sua educa\u00e7\u00e3o. Os resultados escolares mais negativos estudados por Mills nestas crian\u00e7as tinham a haver com estas mem\u00f3rias de vidas passadas.<\/p>\n<p>Quanto tempo duram estas mem\u00f3rias das vidas passadas?<\/p>\n<p>O Dr. Ian Stevenson observou que as crian\u00e7as que falavam das suas vidas anteriores faziam isso quase sempre entre os dois e os cinco anos. As crian\u00e7as variam no que diz respeito ao que diziam das suas vidas passadas e no que diz respeito \u00e0 forma persistente como falavam disso, mas muitas paravam de falar das suas vidas passadas nas idades compreendidas entre os cinco e os oito anos. O Dr. Stevenson escreveu que este apagamento das mem\u00f3rias de vidas passadas nestas crian\u00e7as se deve ao in\u00edcio da frequ\u00eancia na escola, altura em que a crian\u00e7a saia do seu ambiente dom\u00e9stico pela primeira vez sendo confrontada com novas preocupa\u00e7\u00f5es e impress\u00f5es.<\/p>\n<p>Haraldsson voltou a entrevistar crian\u00e7as do Sri Lanka e crian\u00e7as drusas libanesas cujos casos o Dr. Ian Stevenson j\u00e1 havia estudado para verificar se as mem\u00f3rias passadas eram retidas. No Sri Lanka, Haraldsson entrevistou quarenta e duas pessoas com idades compreendidas entre os dezanove e os quarenta e nove anos. Trinta dessas pessoas j\u00e1 foram entrevistadas pelo Dr. Ian Stevenson nos anos de 1960 e 1970 e doze foram entrevistadas por Haraldsson entre os anos de 1988 e 1990. Embora metade das pessoas j\u00e1 n\u00e3o se lembrassem das mem\u00f3rias de vidas passadas e do que disseram antes, 38% afirmaram que ainda retinham algumas mem\u00f3rias, n\u00e3o todas; em m\u00e9dia essas pessoas retinham cerca de 20% das suas mem\u00f3rias originais. As mem\u00f3rias retidas por essas pessoas andavam em volta das pessoas que conheceram e das circunst\u00e2ncias que as levaram \u00e0s mortes.<\/p>\n<p>No L\u00edbano, Haraldsson e o seu colega Majd Abu-Izzeddin entrevistaram novamente vinte e oito pessoas com idades compreendidas entre os vinte e oito e os cinquenta e seis anos cujos casos j\u00e1 haviam previamente sido estudados pelo Dr. Ian Stevenson e seus s\u00f3cios nos anos de 1970 e 1980. Somente quatro dos vinte e oito disseram que as suas mem\u00f3rias se tinham apagado completamente; vinte e quatro, ou 86% acreditavam que tinham ainda as suas mem\u00f3rias de vidas passadas. Metade destas pessoas acharam que essas mem\u00f3rias estavam t\u00e3o claras quanto quando eram crian\u00e7as. As mesmas pessoas lembraram-se pouco das suas inf\u00e2ncias presentes; as suas mem\u00f3rias de vidas passadas eram mais n\u00edtidas e claras do que as mem\u00f3rias da sua pr\u00f3pria inf\u00e2ncia. Alguns reportaram terem tido novas mem\u00f3rias que os investigadores ainda n\u00e3o tinham registado.<\/p>\n<p>As descobertas de Haraldsson no que diz respeito \u00e0s mem\u00f3rias de vidas passadas retidas no Sri Lanka e no L\u00edbano concordavam com as descobertas de Mills na \u00cdndia. Das vinte e oito pessoas, dezasseis (57%) relembravam-se de algumas mem\u00f3rias das quais falaram na sua inf\u00e2ncia, dez pessoas disseram que ainda se lembraram da sua vida passada de forma clara e n\u00edtida e seis disseram que se lembraram dessas mem\u00f3rias mas que elas estavam a ser cada vez menos claras.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que ter mem\u00f3rias de vidas passadas \u00e9 ben\u00e9fico?<\/p>\n<p>As mem\u00f3rias de vidas passadas nas crian\u00e7as \u00e9 algo de preocupante pois normalmente elas sofrem de estresse p\u00f3s traum\u00e1tico, de medos e fobias que relatam ser fruto da mem\u00f3ria das suas mortes. Em alguns casos as mem\u00f3rias de vidas passadas interferem com o rendimento escolar mas tamb\u00e9m existem indica\u00e7\u00f5es que essas mem\u00f3rias t\u00eam um efeito positivo \u00e0 medida que essas crian\u00e7as v\u00e3o ficando cada vez mais adultas. Haraldsson investigou estes efeitos nos seus estudos de mem\u00f3rias retidas efetuados no Sri Lanka e no L\u00edbano e Mills verificou o mesmo na \u00ccndia.<\/p>\n<p>Haraldsson descobriu que cerca de um ter\u00e7o das pessoas estudadas no Sri Lanka continuam a ser perturbadas com os medos e fobias que as afligiam na inf\u00e2ncia. No entanto, para a maioria elas sentiram que as suas mem\u00f3rias de vidas passadas tiveram um efeito ben\u00e9fico nas suas vidas. A grande maioria estava feliz na forma como as suas vidas se transformaram. O seu n\u00edvel educacional era maior do que os outros da sua gera\u00e7\u00e3o, e cerca de \u00bc receberam educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria; inclu\u00edram um matem\u00e1tico, um engenheiro e um cientista computacional. Apenas dois estavam desempregados, o que \u00e9 pouco para o Sri Lanka.<\/p>\n<p>No L\u00edbano, quinze (53%) das pessoas investigadas entre vinte e oito pessoas avaliaram as suas mem\u00f3rias como sendo positivas, embora s\u00f3 quatro disseram que desejavam que os seus filhos tivessem mem\u00f3rias de vidas passadas por si mesmos. A maioria das pessoas estudadas por Mills que eram da \u00cdndia disseram que as suas mem\u00f3rias de vidas passadas foram ben\u00e9ficas e dezoito pessoas (64%) entre vinte e oito disseram que gostariam que os seus filhos tivessem tamb\u00e9m mem\u00f3rias de vidas passadas. Algumas das pessoas estudadas por Mills disseram que as suas mem\u00f3rias interferiram n\u00e3o s\u00f3 na sua educa\u00e7\u00e3o como no estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas devido \u00e0s liga\u00e7\u00f5es emocionais que continuavam a experimentar com pessoas vindas das suas vidas anteriores.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Os estudos psicol\u00f3gicos efetuados no grupo de crian\u00e7as que se lembram de vidas passadas nos quatro pa\u00edses descobriram que as crian\u00e7as que se lembram de vidas passadas diferem das outras sem essas mem\u00f3rias de maneiras importantes. Quando as mem\u00f3rias de vidas passadas se relacionam com mortes violentas as crian\u00e7as parecem estar traumatizadas, expressam rea\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios tipos que nos parecem vindas de pessoas cujas vidas elas se lembram, como se fossem vivas em vez de falecidas. Ocasionalmente as mem\u00f3rias ( ou transfer\u00eancias psicol\u00f3gicas ) t\u00eam um efeito negativo duradouro que interfere com a sua educa\u00e7\u00e3o ou com as suas liga\u00e7\u00f5es amorosas.<\/p>\n<p>Por outro lado, muitas das pessoas estudadas experimentam efeitos ben\u00e9ficos de outras mem\u00f3rias especialmente quando se tornam mais adultas. As crian\u00e7as que se lembram de vidas passadas s\u00e3o normalmente precoces e ajustam-se socialmente melhor do que as crian\u00e7as sem mem\u00f3rias de vidas passadas. Muitas dessas crian\u00e7as s\u00e3o excelentes na escola e seguem estudos na sua fase adulta mostrando que n\u00e3o sofrem mais m\u00e1s consequ\u00eancias duradouras vindas de traumas de inf\u00e2ncia. A maioria consegue aceder \u00e0s suas mem\u00f3rias de vidas passadas e acham-nas ben\u00e9ficas embora algumas n\u00e3o desejem que os seus filhos tenham mem\u00f3ria de vidas passadas de modo a que n\u00e3o passem o mesmo que elas passaram.<\/p>\n<p>Um aspecto interessante destas descobertas prende-se com a falta de apoio que elas d\u00e3o \u00e0s conjecturas c\u00e9ticas no que diz respeito ao que dizem ser as suas mem\u00f3rias de vidas passadas. De acordo com o modo c\u00e9tico de ver esta quest\u00e3o, as crian\u00e7as que t\u00eam mem\u00f3rias de vidas passadas t\u00eam rela\u00e7\u00f5es conflituosas com a fam\u00edlia, vive em isolamento social dos seus parentes e pares, s\u00e3o altamente sugestion\u00e1veis, procurando aten\u00e7\u00e3o e levando vidas fantasiosas ricas, nenhum deste tipo de comportamento sobressai dos estudos de Haraldsson, Mills e Tucker.<\/p>\n<p>O diretor de curso apareceu e gritou, uma salva de palmas para os investigadorres\u00a0James G. Matlock e Erlendur Haraldsson.\u00a0Levantamo-nos e ficamos de p\u00e9 a aplaudir, um pequeno passo para o homem e um grande passo para a Humidade\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1vamos \u00e0 espera de entrar no audit\u00f3rio da universidade. Faltavam poucos minutos para a aula. O meu cigarro estava a acabar, eu estava nervoso com o que ali vinha. O professor era muito conceituado e iria fazer ali uma revela\u00e7\u00e3o que colocaria o mundo em sobressalto. 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