{"id":374358,"date":"2025-12-13T01:15:54","date_gmt":"2025-12-13T04:15:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=374358"},"modified":"2025-12-13T07:06:05","modified_gmt":"2025-12-13T10:06:05","slug":"jorge-amado-e-o-engajamento-do-artista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/jorge-amado-e-o-engajamento-do-artista\/","title":{"rendered":"Jorge Amado e o Engajamento do Artista"},"content":{"rendered":"<p>Come\u00e7ar esta resenha com \u201cAcabei de ler <em>Hora da Guerra<\/em>\u201d talvez n\u00e3o fosse o ideal, principalmente tratando-se de uma obra t\u00e3o significativa. O livro re\u00fane cr\u00f4nicas escritas entre 1942 e 1945, publicadas na coluna de mesmo nome no jornal baiano O Imparcial, pelo escritor Jorge Amado. Vale ressaltar que h\u00e1 diverg\u00eancias sobre o local exato de nascimento de Amado. Alguns bi\u00f3grafos afirmam que ele nasceu na Fazenda Auric\u00eddia, ent\u00e3o munic\u00edpio de Ilh\u00e9us, posteriormente pertencente a Itaju\u00edpe. No entanto, foi registrado no povoado de Ferradas, em Itabuna-Bahia. Independentemente do local, o que importa \u00e9 o comprometimento do autor, conhecido por <em>Capit\u00e3es da Areia<\/em>, em demonstrar paix\u00e3o pela democracia e indigna\u00e7\u00e3o contra o fascismo e seus colaboradores, a chamada quinta-coluna.<\/p>\n<p>\ufe0f<strong> Escritores em Armas<\/strong><\/p>\n<p>Nas cr\u00f4nicas, Amado conclama todos a combaterem a quinta-coluna e o nazi-fascismo, enfatizando que n\u00e3o importa o tipo de arma, desde que a luta seja travada. Ele valoriza a escrita e as artes como ferramentas de resist\u00eancia contra o fascismo:<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e3o de armas em punho e j\u00e1 hoje h\u00e1 uma consci\u00eancia de que a pena ou a m\u00e1quina de escrever s\u00e3o armas t\u00e3o mortais e necess\u00e1rias quanto o fuzil e a metralhadora.\u201d<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, Amado demonstra indigna\u00e7\u00e3o com a Academia Brasileira de Letras, criticando a falta de conhecimento dos acad\u00eamicos sobre a guerra e suas implica\u00e7\u00f5es. Ele questiona, por exemplo, condecora\u00e7\u00f5es recebidas por Gustavo Barroso, sugerindo que algumas podem ter origem na Alemanha nazista.<\/p>\n<p>A necessidade de engajamento cultural e pol\u00edtico era fundamental, sobretudo para impedir que os quislings \u2014 termo derivado de Vidkun Quisling, militar noruegu\u00eas e colaborador de Hitler \u2014 entregassem o pa\u00eds aos inimigos, como aconteceu na Fran\u00e7a com Pierre Laval e P\u00e9tain.<\/p>\n<p><strong>Contexto Latino-Americano e Brasileiro<\/strong><\/p>\n<p>Amado contextualiza o cen\u00e1rio internacional, mostrando que governos latino-americanos eram, em sua maioria, simp\u00e1ticos ao Eixo. Na Argentina, Ram\u00f3n Castillo defendia a neutralidade pr\u00f3-Eixo, sucedendo-se depois Pedro Pablo Ram\u00edrez, Farrell e Juan Per\u00f3n, mantendo pol\u00edticas alinhadas. No Paraguai, Mor\u00ednigo perseguia democratas e opositores ao fascismo; na Bol\u00edvia, Pe\u00f1arando apoiava as Na\u00e7\u00f5es Unidas em pol\u00edtica externa, mas reprimia l\u00edderes democr\u00e1ticos internamente.<\/p>\n<p>No Brasil, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era diferente. Pl\u00ednio Salgado e seus seguidores, como Gustavo Barroso e Otto Maria Carpeaux, formavam a quinta-coluna brasileira, pleiteando censura a livros e tradu\u00e7\u00f5es publicadas por editoras nacionais. A resposta dos escritores brasileiros foi mobilizar-se contra a censura, defendendo a liberdade de express\u00e3o e a arte como instrumento de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>\u26a0\ufe0f <strong>Reflex\u00f5es Sobre o Fascismo Hoje<\/strong><\/p>\n<p>O livro nos faz refletir sobre novos grupos neonazistas, que ainda hoje desconhecem os horrores praticados por Hitler. Jovens empunhando bandeiras fascistas, com tatuagens de su\u00e1sticas, ignoram completamente as leis de Nuremberg, os planos do regime para col\u00f4nias africanas e sul-americanas e a realidade de que, em campos de concentra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haveria distin\u00e7\u00e3o para mesti\u00e7os ou latino-americanos.<\/p>\n<p>Amado evidencia que a quinta-coluna e os oportunistas agem em benef\u00edcio pr\u00f3prio, obedientes enquanto est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o de poder, mas prontos para trair quando percebem uma mudan\u00e7a no cen\u00e1rio pol\u00edtico. Durante a derrota do Eixo, tentaram negociar acordos de paz em pa\u00edses como Espanha, Portugal e It\u00e1lia, tentando manter viva a ideologia nazista. No entanto, as principais pot\u00eancias \u2014 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Inglaterra e Estados Unidos \u2014 s\u00f3 admitiram a derrota incondicional.<\/p>\n<p>\u270a <strong><em>Hora da Guerra<\/em>: Uma Li\u00e7\u00e3o de Engajamento<\/strong><\/p>\n<p><em>Hora da Guerra<\/em> n\u00e3o \u00e9 apenas uma colet\u00e2nea de cr\u00f4nicas; \u00e9 um testemunho hist\u00f3rico e pol\u00edtico, um chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o para todos os cidad\u00e3os conscientes. Jorge Amado mostra-se aguerrido e apaixonado pela liberdade, lembrando que o artista tem responsabilidade social e que a escrita pode ser uma arma poderosa contra o fascismo e a injusti\u00e7a.<\/p>\n<p>Um livro indispens\u00e1vel para compreender n\u00e3o apenas o contexto hist\u00f3rico da Segunda Guerra Mundial, mas tamb\u00e9m o papel do escritor e do artista na defesa da democracia.<\/p>\n<p>Em tempos atuais, quando movimentos extremistas tentam se reerguer, as li\u00e7\u00f5es de Amado continuam vivas e necess\u00e1rias, demonstrando que a cultura e a arte podem influenciar consci\u00eancias e preservar a liberdade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7ar esta resenha com \u201cAcabei de ler Hora da Guerra\u201d talvez n\u00e3o fosse o ideal, principalmente tratando-se de uma obra t\u00e3o significativa. 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