{"id":376003,"date":"2025-12-24T00:15:19","date_gmt":"2025-12-24T03:15:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=376003"},"modified":"2025-12-23T20:28:16","modified_gmt":"2025-12-23T23:28:16","slug":"cadu-matos-o-escritor-mor-do-cafe-literario-faz-balanco-sobre-seus-contos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/cadu-matos-o-escritor-mor-do-cafe-literario-faz-balanco-sobre-seus-contos\/","title":{"rendered":"Cadu Matos, o escritor-mor do Caf\u00e9 Liter\u00e1rio, faz balan\u00e7o sobre seus contos"},"content":{"rendered":"<p>Sempre achei a galinha um bicho escandaloso, capaz de cacarejar adoidado para anunciar a vinda ao mundo de um simples ovo. Imaginem se a moda pega, sendo adotada pelas f\u00eameas em idade f\u00e9rtil da esp\u00e9cie humana: uma vez por m\u00eas, quando um \u00f3vulo n\u00e3o fecundado (n\u00e3o galado?) estivesse prestes a ser expelido, ia ser um au\u00ea, uma zoeira dos diabos. Com isso, a velha TPM ganharia uma nova dimens\u00e3o, digamos, cacarejada.<\/p>\n<p>Hoje, por\u00e9m, apropriando-me de uma frase de S\u00e9rgio Moro dirigida aos ministros do STF (a diferen\u00e7a \u00e9 que sou sincero; o marreco, n\u00e3o), apresento minhas sinceras escusas \u00e0s galin\u00e1ceas. H\u00e1 que comemorar, sim, a postura de mais um ovo. Similarmente, h\u00e1 que celebrar, sim, a escrita de mais um conto. Porque, nos dois casos, o mundo fica mais rico.<\/p>\n<p>Meu primeiro texto foi publicado pelo <strong>Notibras<\/strong> em 15 de setembro de 2024. Seguiu-se uma saraivada de contos, afinal, originais n\u00e3o faltavam. Em 26 de setembro, numa entrevista a Cec\u00edlia Baumann, declarei: \u201cJ\u00e1 enviei 13 textos [\u00e0 ag\u00eancia], escrevi 420 at\u00e9 hoje. Ou seja, tem muito bambu, vou disparar muitas flechas\u201d.<\/p>\n<p>S\u00f3 que, cedo ou tarde, as flechas acabam.<\/p>\n<p>Passada a lua de mel, a publica\u00e7\u00e3o de meus contos deixou de ser di\u00e1ria; continuou bem satisfat\u00f3ria, no m\u00ednimo dois textos por semana \u2013 mas comecei a me preocupar. N\u00e3o ajudou o fato de praticamente todos os meus contos er\u00f3ticos terem sido descartados. Achei um exagero, s\u00e3o t\u00e3o divertidos e inocentezinhos, dignos representantes do g\u00eanero pornochanchada liter\u00e1ria&#8230; \u00c9 verdade que em alguns deles, uns poucos, a sacanagem mais escrachada corria solta. Um exemplo \u00e9 o texto Ivo viu a vulva da vov\u00f3: cheio de humor, mas, com um t\u00edtulo desses, n\u00e3o d\u00e1 pra disfar\u00e7ar, \u00e9 que nem mancha de batom na cueca.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, bem ou mal, os er\u00f3ticos foram barrados. Mas ainda me restavam muitas flechas, e o bambuzal continuava \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que Ansioso \u00e9 meu nome do meio, e postei nas minhas redes sociais o texto Curiosidades. Segue um trechinho:<\/p>\n<p>\u201cAlv\u00edssaras! O<strong> Notibras<\/strong> vai publicar muitas centenas de contos meus. At\u00e9 hoje, 14 de janeiro de 2025, foram aceitos 235 textos e publicados 86.<\/p>\n<p>Hoje, por\u00e9m, n\u00e3o saiu texto algum deste escriba. Nem ontem. Nenhum! O que o <strong>Notibras<\/strong> t\u00e1 fazendo comigo? Eles prometeram publicar tudo \u2018oportunamente\u2019. O que isso significa? Um por semana, um por m\u00eas, um por ano? Como ensinou Cazuza, o tempo n\u00e3o para; como ensinou o Coelho Branco em <em>Alice no Pa\u00eds das Maravilhas<\/em>, Ai, os meus bigodes, \u00e9 tarde! T\u00e3o tarde at\u00e9 que arde! O ano j\u00e1 t\u00e1 terminando, do dia 14 ao dia 365 \u00e9 um pulo, e nada de meus contos aparecerem.\u201d<\/p>\n<p>S\u00f3 que n\u00e3o precisava ter me preocupado, n\u00e3o por isso, pelo menos. Desde 14 de julho, <strong>Notibras<\/strong> desandou a publicar meus contos. Agradeci em <a href=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/notibras-cade-a-lombriga-da-adolescencia-do-cadu\/\"><em>O contista e a lombriga<\/em><\/a>, publicado em 25 de julho, quando j\u00e1 haviam sido aceitos 324 textos pela ag\u00eancia e publicados 171:<\/p>\n<p>\u201cO per\u00edodo de 14 a 24 de julho foi glorioso: onze textos publicados em onze dias, um recorde. (&#8230;) Ao ser postado o sexto conto, admiti que \u2018estava sendo tratado a p\u00e3o-de-l\u00f3\u2019. Ao aparecer o d\u00e9cimo texto, percebi que agora estava sendo tratado a tiramisu.\u201d<\/p>\n<p>Os contos continuaram a aparecer, um por dia, com a pontualidade de rel\u00f3gio. Eu, coelho hipnotizado no meio da estrada pelos far\u00f3is de um autom\u00f3vel, acompanhava, fascinado, a sucess\u00e3o de textos. Resultado, foi imposs\u00edvel repor, com os bambus \u00e0 minha disposi\u00e7\u00e3o, as flechas disparadas. Hoje, 24 de dezembro de 2025, constatei que disponho de apenas 29 para lan\u00e7ar!<\/p>\n<p>A essa altura, lembrei de uma velha piada ouvida na adolesc\u00eancia. Um sujeito, famoso pela virilidade, aceitou se apresentar no Maracan\u00e3 e dar 100 bimbadas seguidas. Com o est\u00e1dio lotado, apesar do pre\u00e7o salgado do ingresso, ele mandou ver. Lindas mulheres se sucediam em sua cama, e ele, imp\u00e1vido colosso, tra\u00e7ava uma ap\u00f3s a outra. O chabu veio com a 98\u00aa parceira: a coisa estava que nem a pipa do vov\u00f4, n\u00e3o subia mais&#8230; A mo\u00e7oila bem que tentou, apelou pra seus dotes orais, mas nada. E a tigrada, implac\u00e1vel, entoou em coro, com desprezo:<\/p>\n<p>&#8211; Brocha! Brocha!<\/p>\n<p>Espero, do fundo do cora\u00e7\u00e3o, ser poupado de zombarias semelhantes. Mas \u00e9 por isto que passei a valorizar a empreitada das galin\u00e1ceas: cada ovo merece comemora\u00e7\u00e3o, assim como cada conto merece aplausos. No m\u00ednimo, pelo esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>Agora, vou dar uma ciscadinha no terreiro, se poss\u00edvel descolar umas minhocas. Ainda n\u00e3o cheguei ao ponto de cacarejar. Mas falta pouco.<\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cadu Matos \u00e9 o escritor-mor do Caf\u00e9 Liter\u00e1rio, n\u00e3o apenas pela quantidade, como tamb\u00e9m pelo alto n\u00edvel dos seus textos.\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre achei a galinha um bicho escandaloso, capaz de cacarejar adoidado para anunciar a vinda ao mundo de um simples ovo. 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