{"id":37622,"date":"2015-02-19T20:08:49","date_gmt":"2015-02-19T23:08:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=37622"},"modified":"2015-02-19T20:08:49","modified_gmt":"2015-02-19T23:08:49","slug":"parcerias-do-buriti-permitem-tratar-os-dependentes-quimicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/parcerias-do-buriti-permitem-tratar-os-dependentes-quimicos\/","title":{"rendered":"Parcerias do Buriti permitem tratar os dependentes qu\u00edmicos"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 pouco mais de quatro meses, Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Barbosa n\u00e3o se reconhecia no espelho. Aos 32 anos, dez quilos mais magro, sujo e debilitado, o t\u00e9cnico em manuten\u00e7\u00e3o de ar-condicionado aparentava ser um zumbi, em sua pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o. Passou os \u00faltimos cinco anos afundado no crack: perdeu o emprego, os amigos e parte da fam\u00edlia o abandonou.\u00a0O dia 27 de setembro de 2014 \u00e9 considerado sua segunda data de nascimento. Foi quando ele se internou pela primeira vez no centro de tratamento para depend\u00eancia qu\u00edmica Salve a Si, na Cidade Ocidental (GO).<\/p>\n<p>Limpo das drogas desde ent\u00e3o, o morador de Santa Maria faz planos para retornar \u00e0 sociedade de cabe\u00e7a erguida. Pela dedica\u00e7\u00e3o e pelo perfil de lideran\u00e7a, foi selecionado para fazer est\u00e1gio de monitor no centro: \u201cGra\u00e7as a essa casa, resgatei a minha dignidade, quero voltar a trabalhar, dar amor \u00e0 minha filha (de 1 ano e 6 meses) e manter o foco, mesmo quando eu concluir o tratamento\u201d.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Ant\u00f4nio integra uma lista de cerca de 130 pessoas atendidas por sete casas terap\u00eauticas mantidas por conv\u00eanio com o governo do Distrito Federal. O tratamento \u00e9 gratuito e volunt\u00e1rio. O requisito para ser aceito em uma das cl\u00ednicas \u00e9 o encaminhamento por um Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPS), al\u00e9m da vontade de ficar livre do v\u00edcio.\u00a0Os contratos come\u00e7aram em 2013 e t\u00eam vig\u00eancia variada. Por ano, a Secretaria de Justi\u00e7a e Cidadania repassa \u00e0s casas R$ 2,7 milh\u00f5es, investidos na recupera\u00e7\u00e3o de dependentes de crack, coca\u00edna e maconha, entre outras subst\u00e2ncias il\u00edcitas, al\u00e9m do \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Homens e mulheres que enfrentam problemas com a bebida tamb\u00e9m s\u00e3o contemplados pela parceria entre o Executivo local e os centros. \u201cA Secretaria de Justi\u00e7a de Bras\u00edlia \u00e9 pioneira no Pa\u00eds ao firmar conv\u00eanios de acolhimento de dependentes qu\u00edmicos no modelo de resid\u00eancia terap\u00eautica. Por causa dessa parceria, a Salve a Si conseguiu receber, s\u00f3 no ano passado, 520 pacientes\u201d, destaca o presidente da entidade, Jos\u00e9 Henrique Fran\u00e7a. Com o conv\u00eanio, os dependentes s\u00e3o tratados sem pagar um centavo.<\/p>\n<p>As resid\u00eancias fornecem seis alimenta\u00e7\u00f5es di\u00e1rias e contam com profissionais como terapeutas, psic\u00f3logos, psiquiatras e monitores. O ambiente nas interna\u00e7\u00f5es tem car\u00e1ter democr\u00e1tico: moradores de rua e garis dividem o mesmo espa\u00e7o com policiais, advogados e servidores p\u00fablicos. \u201cA depend\u00eancia qu\u00edmica iguala as pessoas; ter diploma n\u00e3o ajuda na hora em que voc\u00ea chega ao fundo do po\u00e7o, sem controle sobre o uso de drogas\u201d, atesta Georlando G\u00f3es, respons\u00e1vel pela Abba Pai, em Ceil\u00e2ndia. A institui\u00e7\u00e3o conveniada atende 37 homens.<\/p>\n<blockquote><p>Jos\u00e9 Henrique Fran\u00e7a, da Salve a Si, chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que os pais tamb\u00e9m recebem suporte durante a interna\u00e7\u00e3o do filho. \u201cA fam\u00edlia fica t\u00e3o doente quanto o paciente, por isso ela \u00e9 fundamental no processo de recupera\u00e7\u00e3o\u201d, afirma. \u201cEnquanto o acolhido faz o tratamento aqui, a fam\u00edlia precisa participar de reuni\u00f5es semanais externas\u201d, disse em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Bras\u00edlia.<\/p><\/blockquote>\n<p>De cada dez pessoas internadas, tr\u00eas, em m\u00e9dia, conseguem se manter limpas por dois anos ou mais. O \u00edndice de recupera\u00e7\u00e3o parece pequeno, mas quem lida diretamente com o resgate de dependentes analisa os n\u00fameros de forma positiva.<\/p>\n<p>\u201cEssas pessoas chegam sem nenhum tipo de perspectiva, completamente entregues \u00e0s drogas, mas quando s\u00e3o tratadas e conseguem gerenciar suas crises, resgatam a autoestima e retornam \u00e0 sociedade com dignidade\u201d, analisa a psic\u00f3loga Elisa Andrade, da Salve a Si. \u201cSe conseguirmos fazer esse resgaste com apenas um em cada dez, j\u00e1 \u00e9 maravilhoso.\u201d<\/p>\n<p>A subsecret\u00e1ria de Pol\u00edticas sobre Drogas da Secretaria de Justi\u00e7a, Joana Mello, diz que as pol\u00edticas p\u00fablicas de recupera\u00e7\u00e3o de adictos s\u00e3o prioridade. \u201cSeremos incans\u00e1veis em procurar maneiras de levar bem-estar a essas pessoas, porque essas casas s\u00e3o de fundamental import\u00e2ncia na vida dos dependentes qu\u00edmicos e tamb\u00e9m para as fam\u00edlias, principalmente as sem condi\u00e7\u00f5es financeiras\u201d, afirmou Joana, que tamb\u00e9m preside o Conselho de Pol\u00edticas sobre Drogas do DF (Conen-DF).<\/p>\n<p>Para que as d\u00edvidas deixadas pela gest\u00e3o passada n\u00e3o prejudiquem a recupera\u00e7\u00e3o de dependentes qu\u00edmicos, em 10 de fevereiro, foram feitos os dep\u00f3sitos das mensalidades atrasadas referentes a novembro e a dezembro de 2014. A parcela de janeiro ser\u00e1 paga nos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p>Estreitar o relacionamento com essas institui\u00e7\u00f5es \u00e9 outro objetivo da Secretaria de Justi\u00e7a. Em 11 de fevereiro, uma equipe do Conen foi a uma das casas pela primeira vez em 2015. \u201cFaremos visitas rotineiras para saber como os trabalhos est\u00e3o sendo desenvolvidos\u201d, diz Joana. \u201cA impress\u00e3o nesse primeiro contato foi positiva, mas a meta \u00e9 trabalhar para que os atendimentos melhorem ainda mais.\u201d<\/p>\n<blockquote><p><strong>Depoimento<\/strong><br \/>\n<em>\u201cComecei na maconha aos 11 anos por influ\u00eancia de um amigo. Aos 16, conheci a coca\u00edna e, aos 18, o inferno do crack. Perdi um bom emprego, vi as pessoas se afastarem de mim e hoje estou aqui tentando resgatar a minha dignidade. Chegava a passar tr\u00eas dias dormindo na rua, mesmo tendo uma casa confort\u00e1vel e uma fam\u00edlia amorosa. \u00c9 isso o que o crack faz: transforma a pessoa em lixo humano. Aqui, na Abba Pai, eu aprendi a ter paci\u00eancia e a respeitar o pr\u00f3ximo. As palestras com terapeutas e as reuni\u00f5es em grupo me ajudam a lidar com os meus sentimentos. Depois de quatro meses de tratamento, come\u00e7o a recuperar a confian\u00e7a da minha fam\u00edlia, da minha namorada e em mim mesmo.\u201d\u00a0<\/em>(M\u00e1rcio, nome fict\u00edcio, 28 anos, paciente da Abba Pai)<\/p><\/blockquote>\n<p><span class=\"itemAuthor\"><strong>Saulo Ara\u00fajo<\/strong> <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 pouco mais de quatro meses, Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Barbosa n\u00e3o se reconhecia no espelho. 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