{"id":376993,"date":"2026-01-03T01:15:19","date_gmt":"2026-01-03T04:15:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=376993"},"modified":"2025-12-30T20:43:08","modified_gmt":"2025-12-30T23:43:08","slug":"a-dupla-transmigracao-de-alexandre-o-grande","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/a-dupla-transmigracao-de-alexandre-o-grande\/","title":{"rendered":"A DUPLA TRANSMIGRA\u00c7\u00c3O DE ALEXANDRE, O GRANDE"},"content":{"rendered":"<p>Desde que fora deposto e encarcerado, Daniel Dravot tentava manter os pensamentos ordenados. Sentado na cela de ch\u00e3o batido, angustiado, mas ainda confiante em uma revers\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o, suas lembran\u00e7as retornaram ao momento em que decidira desertar do ex\u00e9rcito colonial brit\u00e2nico de ocupa\u00e7\u00e3o da \u00cdndia. Como um filme passando em sua mente, ele voltou no tempo.<\/p>\n<p>Daniel entendia perfeitamente a ignom\u00ednia da situa\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o que ocorria no territ\u00f3rio indiano no in\u00edcio do ano de 1946 e, fossem qual fossem as consequ\u00eancias da sua deser\u00e7\u00e3o, mentalizava que nada poderia ser pior do que continuar sendo um pe\u00e3o do sistema colonial a massacrar diariamente inocentes cujo \u00fanico crime era terem nascido hindus.<\/p>\n<p>Durante a madrugada, afastou-se silenciosamente da sua patrulha e tomou o rumo do Kafirist\u00e3o. Tinha ouvido falar naquele pa\u00eds montanhoso, primitivo e quase inacess\u00edvel. L\u00e1, os soldados brit\u00e2nicos certamente n\u00e3o conseguiriam chegar e, portanto, ele estaria livre das severas puni\u00e7\u00f5es previstas para o seu ato.<\/p>\n<p>Pelos seus c\u00e1lculos, caminhara durante um m\u00eas escalando montanhas, cruzando rios e embrenhando-se por matas at\u00e9 chegar a um deserto rochoso e escaldante.<\/p>\n<p>Nesse longo trajeto, alimentou-se de plantas e de alguns pequenos animais que conseguia abater com o seu rev\u00f3lver.<\/p>\n<p>Dormia de dia e caminhava \u00e0 noite, portando uma lanterna que, eventualmente, ligava t\u00e3o somente por alguns segundos a fim de n\u00e3o exaurir as pilhas do precioso aparelho.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s vencer essa maratona de sobreviv\u00eancia improv\u00e1vel, Daniel chegou a uma pequena aldeia habitada por nativos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os alde\u00e3os o receberam amigavelmente, manifestando grande curiosidade pelo seu perfil ocidental, idioma ingl\u00eas e uniforme militar.<\/p>\n<p>Ofereceram-lhe comida, \u00e1gua e uma cama de palha para repousar.<\/p>\n<p>Depois de acordar de um longo sono reparador, ele pedira aos seus anfitri\u00f5es na linguagem universal dos sinais por um banho e, assim, o encaminharam a uma imensa banheira natural constru\u00edda ao ar livre pela engenharia dos nativos.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que a vida de Dravot deu um giro de cento e oitenta graus.<br \/>\nAp\u00f3s despir-se da camisa para entrar na \u00e1gua, notou que, perplexos, os nativos apontavam para o seu peitoral e gritavam:<\/p>\n<p>\u2014 Sicander, Sicander!<\/p>\n<p>Sem entender nada da situa\u00e7\u00e3o, ele olhava para a tatuagem que fizera quando tinha dezoito anos. Havia sido um presente de um tio esot\u00e9rico que lhe garantira que a figura tatuada no seu peito lhe traria gl\u00f3ria e fortuna. Mesmo assustado com aquela rea\u00e7\u00e3o inesperada dos seus anfitri\u00f5es, tomou prazerosa e demoradamente o t\u00e3o sonhado banho.<\/p>\n<p>Depois de sair da banheira natural, secou-se e vestiu-se, tentando parecer natural e ignorar o burburinho a sua volta. Imediatamente, aquele que parecia ser o l\u00edder da aldeia convidou-o a ocupar a sua cabana, ordenando que o lugar fosse suprido de farta alimenta\u00e7\u00e3o e c\u00e2ntaros de \u00e1gua fresca, oferecendo tamb\u00e9m roupas nativas que pareciam de nobre proced\u00eancia. Inutilmente, ele tentava se comunicar com a autoridade do lugar e quem mais o observava a fim de colher informa\u00e7\u00f5es sobre onde estava, quem eram eles, etc, mas, respeitosamente, todos mantinham uma dist\u00e2ncia reverencial.<\/p>\n<p>E assim a situa\u00e7\u00e3o se manteve at\u00e9 chegar uma delega\u00e7\u00e3o que parecia misturar religiosos, militares e assessores diversos. Um dos sacerdotes &#8211; aparentando ser o mais graduado &#8211; aproximou-se dele e, via m\u00edmica, pediu para ele retirar o manto que lhe fora fornecido.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s obedecer a ordem do l\u00edder da expedi\u00e7\u00e3o, Daniel viu o sacerdote olhar sua tatuagem demoradamente e, em seguida, ajoelhar-se, exclamando com devo\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2014 Sicander!<\/p>\n<p>A seguir, todos os presentes no recinto fizeram o mesmo e, dessa forma, permaneceram por longos minutos.<\/p>\n<p>Conduzido a uma esp\u00e9cie de carruagem, Daniel iniciou outra longa jornada. Qual era o destino, n\u00e3o sabia, at\u00e9 um soldado nativo graduado que sentou a seu lado, surpreendentemente, dirigir-lhe a palavra na sua l\u00edngua:<\/p>\n<p>\u2014 Est\u00e1 confort\u00e1vel, Sicander?<\/p>\n<p>Estarrecido, o desertor do ex\u00e9rcito brit\u00e2nico replicou:<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea fala ingl\u00eas?<\/p>\n<p>\u2014 Falo sim, morei cinco anos na \u00cdndia e aprendi com os meus amos.<\/p>\n<p>\u2014 Not\u00e1vel&#8230; como se chama?<\/p>\n<p>\u2014 Meu nome \u00e9 Kafu, sou secret\u00e1rio assistente do Conselho de Sacerdotes e um dos coordenadores militares do Kafirist\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o voc\u00ea deve saber porque todos aqui me chamam de Sicander, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 a sua tatuagem, \u00e9 o s\u00edmbolo sagrado de Sicander.<\/p>\n<p>\u2014 E quem seria Sicander?<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00eas ingleses o conhecem pelo nome de Alexandre, para n\u00f3s, Sicander.<\/p>\n<p>\u2014 Alexandre? Alexandre, o maced\u00f4nio, o grande?<\/p>\n<p>\u2014 Ele mesmo! Para todos aqui, a tatuagem em forma de sol estrelado de dezesseis pontas significa a reencarna\u00e7\u00e3o de Sicander.<\/p>\n<p>\u2014 Mas isso \u00e9 um engano, voc\u00ea tem que dizer isso para eles!<\/p>\n<p>\u2014 E por que eu faria isso? Eles acreditam no que veem e no que diz a lenda: o prometido retorno de Sicander.<\/p>\n<p>\u2014 E o que devo fazer ent\u00e3o?<\/p>\n<p>\u2014 Sugiro que voc\u00ea assuma o papel de rei e governe bem, \u00e9 o melhor para todos. Com Sicander no comando da nossa tribo, as demais tribos do Kafirist\u00e3o v\u00e3o se unificar sob a sua autoridade e, assim, nossos conflitos terminar\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora relutante, Daniel aceitou a investidura, afinal, o que mais poderia fazer?<\/p>\n<p>\u2014 Est\u00e1 certo, Kafu, mas preciso da sua assessoria direta. Nomeio voc\u00ea primeiro-ministro do rei!<\/p>\n<p>Acompanhado pelo l\u00edder do conselho de sacerdotes, Kafu mostrou ao novo Sicander a sala do tesouro da coroa. Sem acreditar no que via, Daniel segurou nas m\u00e3os o que deveriam ser as maiores pedras de ouro maci\u00e7o do planeta.<\/p>\n<p>\u2014 Eu posso dispor delas como quiser? perguntou, extasiado.<\/p>\n<p>\u2014 O tesouro da coroa pertence a Sicander, respondeu Kafu.<\/p>\n<p>\u2014 Deus, isso aqui deve ser suficiente para comprar toda a Inglaterra, murmurou o rei do Kaferist\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a sua ascens\u00e3o ao trono, Daniel esqueceu a sua vida anterior, uma exist\u00eancia ego\u00edsta e miser\u00e1vel sob todos os aspectos e incorporou o estadista que estava adormecido dentro dele. Sempre acompanhado por Kafu e o l\u00edder dos sacerdotes, literalmente de peito aberto, o novo Sicander percorreu o pa\u00eds para consolidar a sua autoridade.<\/p>\n<p>Usando o ouro do tesouro real, o rei importou materiais e ordenou a constru\u00e7\u00e3o de estradas, pontes, resid\u00eancias coletivas, obras de infraestrutura, saneamento, irriga\u00e7\u00e3o, postos de sa\u00fade e escolas. Aos preceitos religiosos vigentes, Sicander agregou uma legisla\u00e7\u00e3o civil que melhorou a conviv\u00eancia entre os s\u00faditos.<\/p>\n<p>Dia sim e o outro tamb\u00e9m, dizia entusiasticamente para Kafu:<\/p>\n<p>\u2014 Ainda farei desse territ\u00f3rio esquecido por Deus um pa\u00eds com hino, pavilh\u00e3o e orgulho nacional que ser\u00e1 respeitado e qui\u00e7\u00e1 admirado pela rainha da Inglaterra.<\/p>\n<p>O fato era que o pa\u00eds progredia e as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o kafirist\u00e3 melhoram a olhos vistos. Todavia, o poder secular que elevou Daniel tamb\u00e9m iria derrub\u00e1-lo do trono.<\/p>\n<p>Ocorre que, dois anos ap\u00f3s a ascens\u00e3o do novo Sicander, outro soldado &#8211; por diferentes motiva\u00e7\u00f5es &#8211; teve a mesma ideia de Daniel e desertou do ex\u00e9rcito ingl\u00eas na \u00cdndia.<\/p>\n<p>O tenente Venceslau Pietro ouvira falar da exist\u00eancia de grandes riquezas em um pa\u00eds vizinho. Acompanhado da sua patrulha, ele largou a ocupa\u00e7\u00e3o da \u00cdndia e enveredou rumo ao Kafirist\u00e3o na esperan\u00e7a de enriquecer rapidamente.<\/p>\n<p>Venceslau Pietro tinha um temperamento belicoso, mentalidade colonial e, portanto, um profundo desprezo pela popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Sua patrulha, ao chegar na fronteira do Kafirist\u00e3o, atacou a tiros uma aldeia nativa que, por sua vez, tentou se defender com as armas de que dispunha: lan\u00e7as e flechas.<\/p>\n<p>Durante o conflito, uma flecha o atingiu no peitoral e cravou-se na cartucheira que estava sob a camisa. Imp\u00e1vido, ele retirou o dardo sem esfor\u00e7o e continuou a disparar contra os nativos com o seu fuzil.<\/p>\n<p>Ao observar a cena, o sacerdote da aldeia ordenou que os combatentes kafirist\u00e3os depusessem as armas, gritando:<\/p>\n<p>\u2014 Sicander, Sicander!<\/p>\n<p>No Kafirist\u00e3o, dizia a lenda que Alexandre, o grande, ou melhor, Sicander, n\u00e3o sangrava e, portanto, nunca poderia ser morto em batalha.<\/p>\n<p>Ato cont\u00ednuo, todos se joelharam perante o tenente ingl\u00eas e entregaram a ele as suas armas. Venceslau ent\u00e3o exigiu que o sacerdote lhe mostrasse o ouro de que tanto ouvira falar, mas, sem um tradutor presente, o di\u00e1logo se mostrava dif\u00edcil. Lembrou-se ent\u00e3o de uma pequenina pedra dourada que subtra\u00edra de um indiano e que carregava no bolso.<\/p>\n<p>Ao ver a amostra, o sacerdote entendeu o que o suposto redivivo Sicander desejava e apontou para o leste, sinalizando para que ele o seguisse.<\/p>\n<p>Logo foi se formando uma grande caravana que seguia Venceslau e sua patrulha rumo \u00e0 capital do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A not\u00edcia voou e chegou antes de Venceslau no pal\u00e1cio real. Confuso, o l\u00edder dos sacerdotes viu uma multid\u00e3o fanatizada gritando a plenos pulm\u00f5es:<\/p>\n<p>\u2014 Sicander no trono!<\/p>\n<p>Contava-se que Venceslau tinha sido atingido por centenas de lan\u00e7as e flechas sem que nenhuma o ferisse ou o fizesse sangrar. O fervor foi tal que contaminou os sacerdotes e os guardas do pal\u00e1cio. Pressionado, o l\u00edder dos sacerdotes ordenou a pris\u00e3o de Daniel Dravot &#8211; considerado ent\u00e3o um impostor &#8211; e ungiu Venceslau Pietro como novo rei.<\/p>\n<p>Despertado de suas lembran\u00e7as pela entrada de Kafu na cela, Daniel animou-se:<\/p>\n<p>\u2014 O que est\u00e1 acontecendo l\u00e1 fora, Kafu? Devo estar trancado nessa cela h\u00e1 mais de um m\u00eas.<\/p>\n<p>\u2014 Ele est\u00e1 destruindo tudo o que voc\u00ea fez: desativou as escolas, os postos de sa\u00fade, parou as obras de infraestrutura, e usa o ouro real para importar bugigangas, bebidas e comidas ex\u00f3ticas para o consumo dele e da sua patrulha.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o acredito que fui substitu\u00eddo por esse traste! Na real, n\u00f3s dois podemos ser considerados impostores, mas eu aprendi a amar esse pa\u00eds e queria o bem do povo.<\/p>\n<p>\u2014 Agora ele est\u00e1 planejando uma guerra com o Afeganist\u00e3o para aumentar os seus dom\u00ednios e roubar as riquezas dos afeg\u00e3os. Isso vai exaurir ainda mais a economia e ser\u00e1 um completo desastre para o nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o se antes ele for desmascarado publicamente!<\/p>\n<p>\u2014 Mas como fazer isso, Daniel? Est\u00e3o todos cegos pelo mito da imortalidade dele!<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o todos acham que ele \u00e9 o verdadeiro Sicander porque n\u00e3o sangra, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p>\u2014 Sim, isso foi testemunhado por centenas de pessoas.<\/p>\n<p>\u2014 Eu convivi com esse tipo na \u00cdndia e sei sobre as suas fraquezas e v\u00edcios. Olha, voc\u00ea tem que fazer exatamente o que vou lhe dizer&#8230;<\/p>\n<p>Depois de ouvir as palavras de Daniel, Kafu falou:<\/p>\n<p>\u2014 Pode deixar, seguirei as suas instru\u00e7\u00f5es ao p\u00e9 da letra!<\/p>\n<p>Durante uma &#8220;burriata&#8221;, um passeio urbano de asnos, atividade frequentemente promovida pelo Sicander para animar os seus apoiadores, Venceslau avistou mo\u00e7oilas bem apessoadas em frente a uma resid\u00eancia. As mo\u00e7as tiraram os v\u00e9us e acenaram para ele, entrando em seguida na resid\u00eancia.<\/p>\n<p>Como &#8220;pintou um clima&#8221;, o rei parou o passeio e entrou na casa atr\u00e1s das lindas kafirist\u00e3s.<\/p>\n<p>Logo, ele tentou beijar a mais atraente, sendo aparentemente correspondido em seus desejos libidinosos.<\/p>\n<p>Todavia, a mo\u00e7a que a princ\u00edpio parecia desfrut\u00e1vel aplicou-lhe uma en\u00e9rgica mordida, fazendo jorrar muito sangue da sua boca.<\/p>\n<p>Desesperado, o Sicander saiu correndo para a rua, deixando \u00e0 mostra o ferimento e o farto sangue que dali escorria, incinerando dessa forma o mito da sua invulnerabilidade.<\/p>\n<p>Percebendo o efeito que isso causou na multid\u00e3o, Venceslau gritou para a sua patrulha:<\/p>\n<p>\u2014 Peguem o ouro, coloquem nos burros e vamos dar o fora daqui!<\/p>\n<p>Logo a not\u00edcia chegou aos ouvidos do l\u00edder dos sacerdotes que, de pronto, ordenou a pris\u00e3o de Venceslau e seus asseclas..<\/p>\n<p>Perseguidos pelos guardas reais e montados em asnos, o rei deposto e seus comparsas ingleses tentaram atravessar a ponte de cordas constru\u00edda por Daniel na entrada da cidade, mas a passagem n\u00e3o tinha sido feita para suportar o descomunal peso das dezenas de sacos de ouro que a comitiva fugitiva tinha colocado nos animais de carga.<\/p>\n<p>Homens e asnos despencaram espetacularmente no profundo precip\u00edcio em uma queda que parecia n\u00e3o ter fim.<\/p>\n<p>Depois desses eventos, Daniel foi reconduzido ao cargo de Sicander e, juntamente com o fiel Kafu, retomou o governo do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Decorrido um m\u00eas, os estragos promovidos pelo governo de Venceslau Pietro pareciam ter sido superados e tudo aparentava caminhar na dire\u00e7\u00e3o certa para o pa\u00eds e para os kafirist\u00e3os, quando Kafu, aparentando preocupa\u00e7\u00e3o, entrou na sala do rei.<\/p>\n<p>\u2014 Sicander, temos problemas&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 O que houve, Kafu?<\/p>\n<p>\u2014 O governo colonial da \u00cdndia acabou de promover um tarifa\u00e7o de quarenta por cento sobre os nossos produtos, o conselho central dos sacerdotes quer mais verbas para coisas secretas, uma escriba inventou uma mentira sobre voc\u00ea que est\u00e1 se espalhando como rastilho de p\u00f3lvora&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Como governar bem um reino assim?, perguntou Daniel Dravot, o Sicander quase arrependido do dia em que tirou a camisa para banhar-se&#8230;<\/p>\n<p>UM VENTUROSO 2026 PARA OS KAFIRIST\u00c3OS, PARA OS BRASILEIROS E PARA A HUMANIDADE!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que fora deposto e encarcerado, Daniel Dravot tentava manter os pensamentos ordenados. 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