{"id":377376,"date":"2026-01-02T07:00:37","date_gmt":"2026-01-02T10:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=377376"},"modified":"2026-01-02T07:29:41","modified_gmt":"2026-01-02T10:29:41","slug":"o-antigo-futuro-e-tao-passado-que-nao-e-mais-presente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/o-antigo-futuro-e-tao-passado-que-nao-e-mais-presente\/","title":{"rendered":"O antigo futuro \u00e9 t\u00e3o passado que n\u00e3o \u00e9 mais presente"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">Um de meus escritores preferidos, Luiz Fernando Ver\u00edssimo n\u00e3o esperou 2026. Ele partiu aos 93 anos, isto \u00e9, bem antes do tempo. Ainda lamentando seu prematuro passamento, fa\u00e7o minha uma de suas mais belas frases. O futuro era muito melhor antigamente. E realmente era. Deixou de ser porque se tornou mais previs\u00edvel do que o presente e, \u00e0s vezes, mais tenebroso do que o passado. Considerando que, naquele tempo, a vida era um ciclo a ser vivido sob o modo conta gotas, hoje ou vivemos intensamente ou corremos o risco de sermos atropelados pelo rel\u00f3gio, pelo WhatsApp, Facebook, Instagram e at\u00e9 pelos autom\u00f3veis el\u00e9tricos. Mudou apenas o\u00a0<em>modus operandi<\/em>.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para quem n\u00e3o viveu o antigo futuro, informo que, em um passado nem t\u00e3o distante, eu j\u00e1 fui um p\u00e3o, boa pinta, bidu, joia, bicho-grilo, grilado, barra limpa, supimpa, batuta, xuxu beleza, um estouro e at\u00e9 da hora. Nunca fui cafona e jamais marquei touca. Comigo n\u00e3o havia o tal do papo furado. Pelo contr\u00e1rio. Sempre estava na boca de espera e pronto para botar pra quebrar ou estourar a boca do bal\u00e3o. Serelepe e bem transado, n\u00e3o tinha carango e nem tutu. Entretanto, sobrava borogod\u00f3.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na boca da patota, meu borogod\u00f3 parecia do tipo l\u00edrico, quase um bar\u00edtono no caminho do soprano. Custava a sair, mas, quando sa\u00eda, era massa. Podes crer que n\u00e3o era fichinha, sacou? Pra frente desde a mais tenra idade, vivia na pinda\u00edba, mas, como p\u00e9 de valsa e vestido na beca emprestada, virava bacana, um estouro, a ponto de deixar borocox\u00f4s e bolados os caretas, os quadrados e os chatos de galocha do peda\u00e7o. Chocante, mas sem bode, zueira, fuzarca, treta ou perrengue.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A ordem do peda\u00e7o era lacrar. O termo gorar ainda n\u00e3o estava na boca da turma do balacobaco. Era puro papo furado, espalhado por lel\u00e9s da cuca. Ao contr\u00e1rio do que mentalizam hoje, ripa na chulipa e pimba na gorduchinha nada tinha a ver com periquit\u00e2ncia. Era somente o modo que um famoso locutor esportivo se referia ao est\u00edmulo de uma a\u00e7\u00e3o no campo de pelada e a um chute r\u00e1pido e certeiro na dire\u00e7\u00e3o do gol advers\u00e1rio. Gorduchinha era a bola e pimba o som do acerto no alvo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o sei se me fa\u00e7o entender, mas, no fundo, no fundo, tanto antes quanto agora, o objetivo de qualquer jogador f\u00edsico ou sem\u00e2ntico \u00e9 a ca\u00e7apa. Em s\u00edntese, o futuro \u00e9 t\u00e3o antigo como o passado que n\u00e3o \u00e9 mais presente. \u00c9 tudo a mesma coisa. T\u00e3o dif\u00edcil como pensar atualmente em lascividades, \u00e9 convencer meus dois netos de que, no meu tempo, n\u00e3o havia tanta promiscuidade na promiscuidade. Aportuguesando a coisa, convidar a noiva ou esposa para bater uma virilha tinha conota\u00e7\u00e3o mais divertida do que o cl\u00e1ssico \u201cvamos fazer menino?\u201d. \u00c9 somente uma quest\u00e3o de sem\u00e2ntica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Foi-se o tempo das cl\u00e1ssicas profiss\u00f5es em qualquer escrit\u00f3rio ou reparti\u00e7\u00e3o p\u00fablica de meados para o fim do s\u00e9culo passado. Lembro at\u00e9 hoje o an\u00fancio de uma grande empresa de contabilidade da \u00e9poca. Em letras garrafais, o gerente pedia uma boa datil\u00f3grafa. No p\u00e9 do reclame, estava escrito: Se for boa mesmo, n\u00e3o precisa ser datil\u00f3grafa. N\u00e3o \u00e9 o meu caso, mas hoje \u00e9 comum\u00a0um homem enviar a foto do pescocinho de frango para uma mulher trans e receber outro de volta. Na linguagem do Facebook, fica pau a pau.\u00a0Com todo respeito \u00e0 gera\u00e7\u00e3o Coca-Cola Zero, mas prefiro o antigamente, quando o pai era pai e n\u00e3o padrasto. Hoje, conforme textual de Ver\u00edssimo, a gente n\u00e3o faz mais filhos. Fazemos apenas o layout. Eles mesmos fazem a arte-final.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Wenceslau Ara\u00fajo \u00e9 Editor-Chefe de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um de meus escritores preferidos, Luiz Fernando Ver\u00edssimo n\u00e3o esperou 2026. Ele partiu aos 93 anos, isto \u00e9, bem antes do tempo. Ainda lamentando seu prematuro passamento, fa\u00e7o minha uma de suas mais belas frases. O futuro era muito melhor antigamente. E realmente era. 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