{"id":379544,"date":"2026-01-20T01:00:32","date_gmt":"2026-01-20T04:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=379544"},"modified":"2026-01-18T14:02:35","modified_gmt":"2026-01-18T17:02:35","slug":"meu-amigo-de-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/meu-amigo-de-lisboa\/","title":{"rendered":"MEU AMIGO DE LISBOA"},"content":{"rendered":"<p>A palavra Pobreza foi usada e abusada at\u00e9 perder o seu real significado.<\/p>\n<p>E, num certo sentido, a pervers\u00e3o sem\u00e2ntica \u00e9 bem-vinda: a coisa est\u00e1 bem diferente; hoje j\u00e1 ningu\u00e9m \u00e9 pobre como antigamente e, acima de tudo, a mem\u00f3ria da mis\u00e9ria dos nossos pais e av\u00f3s est\u00e1 guardada em ba\u00fas que n\u00e3o se abrem.<\/p>\n<p>Por um lado, \u00e9 dif\u00edcil perceber claramente o conceito de pobreza. Por outro, por exemplo, em Portugal a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi muito pior.<\/p>\n<p>Tenho um amigo da minha gera\u00e7\u00e3o que conta, divertido, que s\u00f3 percebeu que era pobre j\u00e1 adolescente.<\/p>\n<p>Deusdede nasceu, cresceu e vive em Lisboa.<\/p>\n<p>Toda a sua fam\u00edlia e todas as pessoas com quem convive reproduzem o mesmo contexto. E Deusede apenas no liceu &#8211; ao conhecer meninos de fam\u00edlias mais abastadas &#8211; pode comparar a maneira como vivia e tudo o que n\u00e3o tivera e que at\u00e9 ent\u00e3o fizera falta nenhuma.<\/p>\n<p>Sua av\u00f3 materna at\u00e9 mesmo era apontada como uma mulher &#8220;de posses&#8221; porque possu\u00eda uma vaca e vendia leite na vizinhan\u00e7a; leite que ela acrescentava \u00e1gua para render mais.<\/p>\n<p>O marido da &#8220;leiteira&#8221;, seu av\u00f4, tinha um chap\u00e9u bastante usado e mesmo assim era considerado um senhor elegante.<\/p>\n<p>Deusdede faz contatos pelo WhatsApp comigo, mas gosta mesmo de escrever e enviar-me longas cartas saborosas e descritivas:<\/p>\n<p>&#8220;Longe de sermos ricos est\u00e1vamos, por\u00e9m, bastante acima da dita linha da pobreza; e muito mais distantes da mis\u00e9ria. Nunca faltou comida e a ideia que tenho \u00e9 que viv\u00edamos com conforto e alguns pequenos luxos como ter empregados servi\u00e7ais em casa&#8221;.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a ideia de poupan\u00e7a sempre esteve presente. Nada era deitado fora sem que houvesse hip\u00f3tese de ser aproveitado:<\/p>\n<p>&#8220;Sem ser costureira talentosa a av\u00f3 Lu\u00edsa sabia cerzir as meias e pe\u00fagas na perfei\u00e7\u00e3o, sempre com a ajuda de um ovo de madeira e um dedal. Colarinho e punhos pu\u00eddos ganhavam nova vida ao serem virados e costurados novamente. Cal\u00e7as demasiado curtas viravam cal\u00e7\u00f5es para o ver\u00e3o. Len\u00e7\u00f3is velhos se transformavam em trapos para a limpeza. Restos de sab\u00e3o azul e branco eram guardados at\u00e9 atingir a quantidade necess\u00e1ria para fazer uma boa barrela&#8221;.<\/p>\n<p>Na alimenta\u00e7\u00e3o havia verdadeiros milagres gastron\u00f3micos. Restos de carne assada surgiam em aproveitamentos como empad\u00e3o ou massa de croquetes. O cozido \u00e0 portuguesa servia mais de uma refei\u00e7\u00e3o e terminava como sopa com o restinho das carnes desfiada:<\/p>\n<p>&#8220;E como era bom!&#8230;Sobras de arroz invariavelmente voltavam \u00e0 mesa sob a forma de bolinhos de arroz. Juntavam ovos, muita salsa picada, cebola bem fininha e um pouco de farinha e eram fritos. O p\u00e3o velho ganhava vida em a\u00e7ordas ou rabanadas. At\u00e9 o leite talhado &#8211; e acontecia com frequ\u00eancia ao ferver &#8211; era aproveitado. Ia ao lume com a\u00e7\u00facar e recordo que punham um pires no fundo do tacho e ia cozer lentamente at\u00e9 adquirir uma bela coloca\u00e7\u00e3o acastanhada e com\u00edamos como sobremesa com requeij\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Deusdede tem mem\u00f3ria de elefante e a escrita flu\u00edda dos grandes cronistas.<\/p>\n<p>&#8220;O tio Albino sabia cortar garrafas com uma perfei\u00e7\u00e3o impressionante. E fazia tampas em madeira \u00e0 medida. Eram excelentes para guardar gr\u00e3os, a\u00e7\u00facar, caf\u00e9 e sal na despensa. A tia Maria da Gra\u00e7a aproveitava latas grandes como as do leite em p\u00f3. Forrava-as com pl\u00e1stico que comprava \u00e0 metro e decorava-as com flores de feltro&#8221;.<\/p>\n<p>Lendo as cartas de Deusdede percebo que sempre considerei normal ser poupado nas m\u00ednimas coisas.<\/p>\n<p>Apagar as luzes ao sair da divis\u00e3o da casa \u00e9 uma mania. Cresci assim. Fui educado assim. No poupar est\u00e1 o ganho.<\/p>\n<p>Em pequeno, lembro-me de sair com meu pai e dizer que tinha sede e propunha comprar uma garrafa de \u00e1gua num caf\u00e9. Ele dizia sempre: &#8220;bebes quando chegares \u00e0 casa. \u00c9 mais barato, meu pirralho&#8221;.<\/p>\n<p>Esta semana, Deusdede enviou-me por Sedex \u2013 nossa! Ainda existe este servi\u00e7o? \u2013 um livro incr\u00edvel de Maria Filomena M\u00f3nica, &#8221; Os Pobres&#8221;:<\/p>\n<p>&#8220;No meu caso, como na maioria das fam\u00edlias de classe m\u00e9dia urbana, os contatos com os pobres resumiam-se \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com as criadas que viviam em casa dos nossos pais. De uniforme preto e avental branco com rendas, serviam os pratos do dia como a patroa lhes tinha ensinado. Ouviam conversas \u00edntimas, sem que ningu\u00e9m se preocupasse. Era como se n\u00e3o existissem. &#8221;<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, em outra carta, Deusdede destacou:<\/p>\n<p>&#8220;Conheci uma fam\u00edlia em que as senhoras a meio da conversa mudavam do portugu\u00eas para o franc\u00eas. A primeira vez que presenciei a cena achei bizarro. E indaguei a raz\u00e3o. A resposta foi: Ah, \u00e9 para as criadas n\u00e3o perceberem&#8230; essa gente \u00e9 muito curiosa e linguaruda!&#8221;<\/p>\n<p>ESSA GENTE&#8230; Foi quando me dei conta que havia ELES e os OUTROS. E os outros geralmente eram &#8220;essa gente&#8221;.<\/p>\n<p>Sempre achei curioso o verdadeiro sistema de classes sociais em Portugal. E confesso que existem tantos &#8220;c\u00f3digos&#8221; de postura, etiqueta e linguagem que para um estrangeiro deve soar estranho.<\/p>\n<p>Como saber se deve dizer prenda ou presente?<\/p>\n<p>Vermelho ou encarnado?<\/p>\n<p>Magoar-se ou aleijar-se?<\/p>\n<p>E se deve ou pode cumprimentar com um ou dois beijinhos?<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se estas filigranas de comportamento ou indicadores de estatuto social s\u00e3o normais em todo o pa\u00eds ou \u00e9 um fen\u00f3meno lisboeta.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o vivo em Lisboa \u2013 quem sabe um dia&#8230;-, sigo aqui pelo Brasil, o pa\u00eds dos Bruzundangas, tentando me acostumar com o &#8220;carinho desleixado&#8221; dos meninos e meninas caminhando pela trilha do Cost\u00e3o em busca das ondas m\u00e1gicas da Guarda do Emba\u00fa SC, pois tratam-me por TIO&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;Porra, tio, o bagulho \u00e9 doido e a chapa t\u00e1 fervendo, meu!&#8221;<\/p>\n<p>Pelo menos, sigo com a sensa\u00e7\u00e3o de representar um Tio rico de alma, lembran\u00e7as e imagina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E infinitamente distante das mis\u00e9rias imediatas como as narradas por meu amigo lisboeta, o gajo Deusdede.<\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gilberto Motta \u00e9 escritor, jornalista, professor\/pesquisador e que, mesmo com o nosso passado colonizado e invadido, segue amando o fado, a poesia de Pessoa e as gentes l\u00e1 da &#8220;terrinha&#8221;. Vive na Guarda do Emba\u00fa, comunidade de pescadores, turistas e surfistas no litoral Sul de SC.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A palavra Pobreza foi usada e abusada at\u00e9 perder o seu real significado. E, num certo sentido, a pervers\u00e3o sem\u00e2ntica \u00e9 bem-vinda: a coisa est\u00e1 bem diferente; hoje j\u00e1 ningu\u00e9m \u00e9 pobre como antigamente e, acima de tudo, a mem\u00f3ria da mis\u00e9ria dos nossos pais e av\u00f3s est\u00e1 guardada em ba\u00fas que n\u00e3o se abrem. 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