{"id":380395,"date":"2026-01-29T00:45:04","date_gmt":"2026-01-29T03:45:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=380395"},"modified":"2026-01-25T02:53:38","modified_gmt":"2026-01-25T05:53:38","slug":"hugo-e-vascaino-doente-sou-flamengo-em-estado-terminal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/hugo-e-vascaino-doente-sou-flamengo-em-estado-terminal\/","title":{"rendered":"Hugo \u00e9 vasca\u00edno doente, sou Flamengo em estado terminal"},"content":{"rendered":"<p>Hugo, velho amigo de Niter\u00f3i, me contou esse epis\u00f3dio de sua vida. Hugo \u00e9 vasca\u00edno doente, sou Flamengo em estado terminal, mas mantive a trama original do causo. Uma preocupa\u00e7\u00e3o com a verossimilhan\u00e7a pouco usual em contistas, admito. S\u00f3 que, with a little help from my friend Google, escolhi o ano do conto&#8230;<\/p>\n<p>Era a tarde do dia 14 de outubro de 1961. Hugo, um niteroiense de 15 anos fan\u00e1tico pelo Vasco, saiu das barcas, atravessou a pra\u00e7a XV e subiu no bonde Lins e Vasconcelos, que o levaria at\u00e9 perto do Maracan\u00e3. Iria participar, berrando at\u00e9 ficar rouco, de mais um Flamengo x Vasco, o Cl\u00e1ssico dos Milh\u00f5es, confronto no campo e nas arquibancadas entre as duas maiores torcidas cariocas.<\/p>\n<p>\u201cDessa vez vai dar Vasco\u201d, pensou o rapaz. \u201cTem que dar. Ganhamos dos urubus favelados em janeiro, por 1 x 0, perdemos em abril por 2 x 1 e em agosto, por 1 x 0. Mas hoje o Gigante da Colina vai triunfar!!!<\/p>\n<p>(Pobre Hugo, baixinho da colina seria uma descri\u00e7\u00e3o mais exata.)<\/p>\n<p>O bonde estava cheio de torcedores rubro-negros e alvi-negros, portando bandeiras, convivendo na santa paz. Mas o trajeto do coletivo passava perto do Mangue, a extensa zona de prostitui\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro. Dali, algu\u00e9m gritou:<\/p>\n<p>&#8211; A concentra\u00e7\u00e3o do Flamengo \u00e9 aqui!<\/p>\n<p>Furioso, um flamenguista respondeu:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 sim, e sua m\u00e3e est\u00e1 trabalhando!<\/p>\n<p>E o pau comeu. Meter a m\u00e3e no meio era uma ofensa imperdo\u00e1vel, superada apenas por meter no meio da m\u00e3e (papai podia, embora os rebentos se recusassem a admitir isso, muito menos a falar sobre a coisa; os demais machos da esp\u00e9cie humana, nem pensar). O motorneiro parou o bonde e arrancou com uma porrada dois dentes de um vasca\u00edno que estava morrendo de rir; muitos desceram, para ter mais espa\u00e7o para a briga, e utilizaram suas bandeiras como porretes. A peleja se estendeu \u00e0s ruelas do Mangue; em resumo, foi um quebra-pau pra botocudo nenhum botar defeito.<\/p>\n<p>Quanto a Hugo, ficou quietinho no \u00f4nibus, fazendo cara de paisagem, fingindo-se de morto. Tinha apenas 15 anos, n\u00e3o ia enfrentar aqueles caval\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>Apareceram duas duplas de Cosme &amp; Dami\u00e3o, com seus pesados cassetetes; baixando democraticamente o cacete em vasca\u00ednos e flamenguistas, acalmaram os \u00e2nimos. Os passageiros voltaram ao bonde, rosnando uns para os outros, mas sem retomar o confronto. O coletivo os levou at\u00e9 o Maraca, onde todos saltaram (menos o cobrador e o motorneiro, que o restante, como tudo na vida, era (\u00e9) passageiro).<\/p>\n<p>No final, Flamengo 3 x Vasco O. Cabisbaixo, Hugo voltou \u00e0 pra\u00e7a XV, dirigiu-se \u00e0 esta\u00e7\u00e3o das barcas e foi pra Niter\u00f3i, pra chorar as pitangas com outros vasca\u00ednos que, sorte deles, n\u00e3o haviam testemunhado mais um vexame do baixinho da colina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hugo, velho amigo de Niter\u00f3i, me contou esse epis\u00f3dio de sua vida. 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