{"id":382862,"date":"2026-02-13T01:00:02","date_gmt":"2026-02-13T04:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=382862"},"modified":"2026-02-12T09:09:45","modified_gmt":"2026-02-12T12:09:45","slug":"charretes-da-praca-turismo-protecao-e-o-fim-no-frigorifico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/charretes-da-praca-turismo-protecao-e-o-fim-no-frigorifico\/","title":{"rendered":"CHARRETES DA PRA\u00c7A: TURISMO, PROTE\u00c7\u00c3O E O FIM NO FRIGOR\u00cdFICO"},"content":{"rendered":"<p>Manoel Santo, sessenta e seis anos, pai de doze filhos, morador do beco da Charneca, marido de dona Bichinha, era o mais antigo carroceiro do lugar. Ficou apavorado quando ouviu de seus colegas Olavo e Bilu que a prefeitura decidiu que n\u00e3o haveria mais espa\u00e7o para esse tipo t\u00e3o antiquado de transporte. Sujava e enfeava a cidade que se queria, agora, tur\u00edstica, aliando o antigo ao moderno. \u00c0 custa de alguns mil contos, um casario velho da cidade, bem no centrinho, em roda da pra\u00e7a, mudou de cara. Ganhou telheiro novo, pintura nas portas e janelas, uma gra\u00e7a. Virou hotel, restaurante, lojinha de artesanato. A velha esta\u00e7\u00e3o, em vias de ser demolida, foi inteiramente reformada. Quase se escutava o apito da Maria-Fuma\u00e7a, que j\u00e1 n\u00e3o passava h\u00e1 muito tempo, prestes a chegar, fumegante, com suas toneladas de ferro e fogo. A igreja matriz de S\u00e3o Jo\u00e3o, t\u00e3o maltratada, havia recebido de fora um arquiteto especialmente para pesquisar os dourados de seus altares, recuperando-lhes o brilho original. Os taxistas fizeram financiamento para trocar seus Fords e Chevrolets dos anos 40 por modelos novos em folha, cheios de luxo e cromados. O projeto era, todo dia, comentado na gazeta de Claudinho Manso, aliado do prefeito, e a cidade assumiu essa nova voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas e Manoel Santo, Olavo e Bilu, que ganhavam a vida com o frete em carro\u00e7as puxadas \u00e0 tra\u00e7\u00e3o animal?<\/p>\n<p>\u2014 O que \u00e9 isso, gente, n\u00e3o se pode fazer com n\u00f3s uma coisa dessas&#8230; Dez dias pra aposentar as carro\u00e7as? Onde vamo trabai\u00e1? \u2014 lamentava-se, choroso, Manoel Santo.<\/p>\n<p>\u2014 Pois \u00e9, Man\u00e9, s\u00e3o favas contadas. Agorinha h\u00e1 pouco ouvi do Z\u00e9 Ant\u00f4nio l\u00e1 na porta da prefeitura. E a C\u00e2mara apoiou tudo, hein&#8230; Nem fizeram alarde \u2014 explicou Olavo.<\/p>\n<p>Bilu, que era o mais pessimista de todos, tamb\u00e9m pai de numerosa fam\u00edlia, tinha os olhos marejados:<\/p>\n<p>\u2014 E n\u00e3o adianta nem se ajuntar. Quem \u00e9 que, no meio desse povo, vai defender os carroceiros? O que eu vou fazer com os anim\u00e1?<\/p>\n<p>Na verdade, Manoel Santo, Olavo e Bilu ficavam com a parte mais leve do trabalho. Era a alim\u00e1ria, puxadora de carro\u00e7a, que encontrava, na faina di\u00e1ria, a mais absoluta dureza, tendo que faiscar as ferraduras naquelas ruas de pedra, \u00e0s vezes parando ao fim do dia apenas, ap\u00f3s inexorabil\u00edssimos cansa\u00e7os.<\/p>\n<p>O prefeito, firme no prop\u00f3sito de acabar com aquilo, deu um ultimato. E recorreu a um secret\u00e1rio para ir falar com os carroceiros, explicar a decis\u00e3o. Eles ficaram desolados. Em dez dias, n\u00e3o mais que isso, aposentariam de vez as velhas carro\u00e7as, e que resolvesse, cada um, o que faria com seus animais, que eram como parte da fam\u00edlia, bem alimentados, bem limpos, conhecidos at\u00e9 pela popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>Manoel Santo tinha o baio Zel\u00e3o, forte, de pesco\u00e7o largo e uma magn\u00edfica crina, muito bem tratada. Olavo, a \u00e9gua Manhosa, branca com manchas pretas, mais velha, por\u00e9m mansa e obediente. Bilu, um cavalo meio pangar\u00e9, feio e teimoso, chamado Xavante, mas que ele, com paci\u00eancia e carinho, sabia conduzir bem. Os carroceiros, no entanto, foram salvos por uma grande ideia, dada por um alto funcion\u00e1rio da prefeitura do local. Ele havia ido a algumas cidades que se diziam tur\u00edsticas h\u00e1 mais tempo, e vira que, na pra\u00e7a principal de quase todas elas, havia charretes que encantavam turistas. Por que n\u00e3o aproveitar a experi\u00eancia dos antigos carroceiros com essa atra\u00e7\u00e3o nova?<\/p>\n<p>A proposta, rapidamente encampada pelo alcaide, pareceu mais simp\u00e1tica do que relegar os pobres velhos a uma amarga mis\u00e9ria. E, ent\u00e3o, Manoel Santo, Olavo e Bilu tiveram a esperan\u00e7a de permanecer naquele mundo, n\u00e3o como representantes de uma ra\u00e7a extinta, mas como, eles pr\u00f3prios, atra\u00e7\u00f5es tur\u00edsticas do local. Era a gl\u00f3ria!<\/p>\n<p>\u2014 Ah, Jesus, agora sim tamo arrumado! Vou continuar podendo ajud\u00e1 meus fio e meus neto \u2014 comentou, aliviado, o dono de Zel\u00e3o.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas concordaram com a ideia de usarem o chassi de suas velhas carro\u00e7as para transform\u00e1-las em lindas charretinhas de pintura colorida, com bandeirinhas penduradas e a estampa de personagens infantis, para o que chegaram a obter um subs\u00eddio da prefeitura.<br \/>\nInaugurou-se o servi\u00e7o na pra\u00e7a da cidade em dia de domingo, com festa e bandinha de m\u00fasica. Cada nova charrete ganhou uma plaqueta com identifica\u00e7\u00e3o, os n\u00fameros 1, 2 e 3, com os dizeres: \u201cPrefeitura Municipal\u201d e \u201cCharrete Autorizada\u201d. Se a voca\u00e7\u00e3o tur\u00edstica do lugar vingasse, e os turistas chegassem em bom n\u00famero, o prefeito iria autorizar mais charreteiros, mas Manoel Santo, Olavo e Bilu ficariam com o pioneirismo.<\/p>\n<p>E o neg\u00f3cio deu certo. O povo da cidade era simp\u00e1tico e hospitaleiro, v\u00e1rios come\u00e7aram a se dedicar ao acolhimento dos turistas, ao pequeno com\u00e9rcio. As especialidades de muitas donas de casa eram vendidas como pratos t\u00edpicos, na janela das casas. Assim, conheciam-se os past\u00e9is de fub\u00e1, as natas, as compotas, os bolos de rolo temperados com canela e recheados de goiabada. Guias tur\u00edsticos improvisados passaram a se embrenhar nos matos e campos com os viajantes para mostrar-lhes cachoeiras, grutas, fontes de \u00e1gua cristalina, ditas medicinais, e at\u00e9 mesmo um cemit\u00e9rio, h\u00e1 muito desativado, onde, sob sepulturas de m\u00e1rmore com anjos esculpidos, repousavam alguns bar\u00f5es e marqueses que, no passado, representavam a gl\u00f3ria e a riqueza da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Em quatro anos, a cidade trocou de prefeito, estava mudada, vindo gente de todo lado, economia aquecida. Foi at\u00e9 mat\u00e9ria no jornal da capital. E os agora charreteiros, felizes, eram quase celebridades. Todos queriam tirar fotos com as lindas charretinhas enfeitadas, as crian\u00e7as ficavam loucas para passear com os \u201ctitios dos cavalinhos\u201d.<\/p>\n<p>Manoel Santo, Olavo e Bilu, em princ\u00edpio sem concorr\u00eancia, riam de satisfa\u00e7\u00e3o. Brevemente, contudo, outros charreteiros se juntaram ao servi\u00e7o, homologados com a plaqueta do governo local, mas havia clientela para todos. Nenhuma diminui\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, nem de faturamento.<\/p>\n<p>Foi por essa \u00e9poca que a sorte dos trabalhadores mudou mais uma vez.<\/p>\n<p>Saiu numa coluna do jornal de Claudinho Manso que os charreteiros maltratavam muito os animais, que, extenuados, trabalhavam o dia inteiro e at\u00e9 \u00e0 noite. Os turnos organizados e os hor\u00e1rios de descanso, em alta temporada, n\u00e3o eram obedecidos. Crian\u00e7as levadas puxavam a crina dos cavalos. Charreteiros estalavam os chicotes no lombo das alim\u00e1rias para que n\u00e3o fraquejassem ao subirem certas ladeiras mais \u00edngremes nos circuitos tur\u00edsticos tradicionais pelo centro da antiga cidade. Os autom\u00f3veis, convivendo com o transporte dos turistas, espantavam os bichos, que sofriam. Um dia, a charrete de n\u00famero 6 teve o cavalo destrelado em pleno passeio, porque pisou em falso numa pedra e luxou a pata. Os animais eram criaturas que sentiam, afinal de contas, e precisavam de prote\u00e7\u00e3o. Quem seria por eles?<\/p>\n<p>Uma empresa particular havia comprado uma vasta \u00e1rea nos arredores da cidade e terminava de construir um parque balne\u00e1rio, com lagos artificiais, piscinas e at\u00e9 uma queda d\u2019\u00e1gua. O turismo seguiria outros rumos. E talvez n\u00e3o se ressentisse da norma que o novo prefeito baixou: \u201cfica proibida a explora\u00e7\u00e3o e a circula\u00e7\u00e3o de charretes de tra\u00e7\u00e3o animal na cidade\u201d. O servi\u00e7o estava abolido. Afinal, os animais, pobres coitados, careciam de dignidade, cuidado, carinho, e n\u00e3o uma explora\u00e7\u00e3o absurda que excedia os limites da sa\u00fade.<\/p>\n<p>Desta vez, a preocupa\u00e7\u00e3o de Manoel Santo, Olavo e Bilu foi um pouco menor. Afinal, o primeiro havia conseguido se aposentar. Ficara feliz da vida, por poder abandonar a faina di\u00e1ria e estar mais tempo em casa, cuidando de sua horta, l\u00e1 no beco da Charneca, onde a contribui\u00e7\u00e3o de Zel\u00e3o era pastar sossegado. Olavo conseguira um emprego no parque balne\u00e1rio, de auxiliar de servi\u00e7os gerais, e Manhosa, coitada, morrera de velha. Bilu, com alguma doen\u00e7a renhida, fora levado para Belo Horizonte por uma de suas filhas, para se tratar e descansar na velhice, enquanto Xavante iria gozar seus dias finais no s\u00edtio de um outro filho do anci\u00e3o.<\/p>\n<p>Os novos charreteiros \u00e9 que reclamaram. Haviam investido nas charretes, tinham-nas como fonte de renda e o sustento da fam\u00edlia. Mas era \u201cn\u00e3o\u201d e pronto. Um vereador da cidade, autointitulado protetor dos animais, fizera uma cr\u00edtica contundente \u00e0quela mancha na pra\u00e7a principal. Os animais eram tristes, magros, extenuados.<\/p>\n<p>Houve sim, alguns pontuais problemas nesse sentido, mas os detratores das charretinhas estavam sendo rigorosos demais. A maioria dos charreteiros tratava muito bem os animais, que se alimentavam, eram limpos, dormiam, protegidos, deixando o trabalho \u00e0 hora conveniente.<\/p>\n<p>N\u00e3o adiantaram os argumentos dos charreteiros, que haviam ido em comiss\u00e3o ao chefe do Executivo.<\/p>\n<p>As charretes adquiridas ou fabricadas, com todos os seus atrativos e enfeites, se tornariam in\u00fateis. N\u00e3o poderiam mais circular.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica local, sem embate, comemorou a vit\u00f3ria. Disseram que, dali em diante, eram civilizados, n\u00e3o fomentavam mais a explora\u00e7\u00e3o dos animais, que tinham sentimentos e mereciam dignidade.<\/p>\n<p>Com o tempo, o cen\u00e1rio se ajeitou, embora a cidade tur\u00edstica houvesse perdido um certo encanto que a cor e a alegria da circula\u00e7\u00e3o dos turistas naquele peculiar meio de transporte conferiam. Os charreteiros, derrotados, acabaram encontrando outras coloca\u00e7\u00f5es para trabalhar. As charretes pararam em fundos de quintal, em fazendolas, ou abandonadas em ruas menos movimentadas. Com o passar dos anos, seriam engolidas pela deteriora\u00e7\u00e3o normal.<\/p>\n<p>Os animais, finalmente liberados do trabalho repelido pela vig\u00eancia de novas ideias na pol\u00edtica local, mais uma vez enriqueceram os donos, ainda que um pouco. Foram todos comprados, a pre\u00e7o razo\u00e1vel, pelo Rodolfo Garcia, dono do matadouro e do frigor\u00edfico, e tiveram um destino bem menos liter\u00e1rio do que Zel\u00e3o, Manhosa e Xavante.<\/p>\n<p><strong>\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026<\/strong><\/p>\n<p><strong>Daniel Marchi (@prof.danielmarchi) \u00e9 editor do Caf\u00e9 Liter\u00e1rio, juntamente com Eduardo Mart\u00ednez e Cec\u00edlia Baumann. Poeta e contista, al\u00e9m de advogado e professor universit\u00e1rio no Rio de Janeiro.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manoel Santo, sessenta e seis anos, pai de doze filhos, morador do beco da Charneca, marido de dona Bichinha, era o mais antigo carroceiro do lugar. Ficou apavorado quando ouviu de seus colegas Olavo e Bilu que a prefeitura decidiu que n\u00e3o haveria mais espa\u00e7o para esse tipo t\u00e3o antiquado de transporte. 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