{"id":387205,"date":"2026-03-16T00:17:42","date_gmt":"2026-03-16T03:17:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=387205"},"modified":"2026-03-16T05:20:33","modified_gmt":"2026-03-16T08:20:33","slug":"rochas-de-plastico-chegam-a-ninhos-de-tartarugas-em-ilha-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/rochas-de-plastico-chegam-a-ninhos-de-tartarugas-em-ilha-brasileira\/","title":{"rendered":"Rochas de pl\u00e1stico chegam a ninhos de tartarugas em ilha brasileira"},"content":{"rendered":"<p>Rochas pl\u00e1sticas foram encontradas em ninhos de tartarugas na ilha de Trindade, no Atl\u00e2ntico Sul, a mais de mil quil\u00f4metros do litoral do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>A descoberta, publicada este m\u00eas na revista cient\u00edfica Marine Pollution Bulletin, refor\u00e7a o alerta sobre a polui\u00e7\u00e3o marinha e a possibilidade de que esses materiais se integrem de forma permanente aos processos geol\u00f3gicos da Terra.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno foi identificado pela primeira vez no Brasil em 2019 pela ge\u00f3loga Fernanda Avelar Santos, que atualmente \u00e9 pesquisadora de p\u00f3s-doutorado da Universidade Estadual Paulista (Unesp).<\/p>\n<p>\u201cTrata-se de um novo tipo de polui\u00e7\u00e3o marinha. Um material geol\u00f3gico aparentemente comum, em que se observa a ocorr\u00eancia de rochas vulc\u00e2nicas, areia de praia e materiais biog\u00eanicos, mas com a diferen\u00e7a de que tudo isso \u00e9 cimentado por pl\u00e1stico\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>Segundo ela, as rochas pl\u00e1sticas despertam preocupa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 quantidade de lixo produzida e \u00e0 forma como o \u00e9 feito o descarte.<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o das rochas<\/strong><br \/>\nAs an\u00e1lises laboratoriais identificaram principalmente polietileno e polipropileno, dois dos pol\u00edmeros mais utilizados pela ind\u00fastria devido ao baixo custo e \u00e0 versatilidade. A forma\u00e7\u00e3o dessas rochas ocorre quando res\u00edduos pl\u00e1sticos presentes no lixo marinho s\u00e3o queimados ou expostos a altas temperaturas.<\/p>\n<p>Apesar da presen\u00e7a humana limitada na ilha, onde apenas pesquisadores e militares permanecem temporariamente, o local recebe grandes quantidades de res\u00edduos. A posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica favorece o ac\u00famulo de lixo: a ilha fica no caminho de rotas mar\u00edtimas e no sistema de circula\u00e7\u00e3o do Giro do Atl\u00e2ntico Sul (sistema de correntes oce\u00e2nicas superficiais entre a Am\u00e9rica do Sul e a \u00c1frica).<\/p>\n<p>An\u00e1lises mais recentes feitas na Unesp tamb\u00e9m identificaram aditivos e corantes nos fragmentos pl\u00e1sticos, subst\u00e2ncias que aumentam a durabilidade do material no ambiente.<\/p>\n<p>Os resultados indicam que grande parte do pl\u00e1stico incorporado \u00e0s rochas tem origem em cordas mar\u00edtimas de polietileno de alta densidade, amplamente utilizadas na navega\u00e7\u00e3o comercial e na pesca industrial.<\/p>\n<p><strong>Ninhos de tartarugas<\/strong><br \/>\nA \u00e1rea inicial onde as rochas pl\u00e1sticas foram identificadas em 2019 ocupava cerca de 12 metros quadrados, mas foi reduzida em 45% devido \u00e0 eros\u00e3o. O desgaste fragmentou essas estruturas em part\u00edculas classificadas como mesopl\u00e1sticos e micropl\u00e1sticos, com tamanhos entre 1 mil\u00edmetro e 65 mil\u00edmetros.<\/p>\n<p>Esses fragmentos passaram a ser transportados por ondas, mar\u00e9s e ventos. Parte do material foi encontrada em \u00e1reas pr\u00f3ximas ao mar, onde o atrito com a \u00e1gua arredondou os fragmentos. Outros peda\u00e7os foram descobertos no interior de ninhos de tartarugas, soterrados a at\u00e9 10 cent\u00edmetros de profundidade.<\/p>\n<p>A ilha de Trindade abriga um importante local de reprodu\u00e7\u00e3o de tartarugas-verdes, especialmente na chamada Praia das Tartarugas. A \u00e1rea \u00e9 protegida como Monumento Natural (MONA), uma categoria de unidade de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Antropoceno<\/strong><br \/>\nA pesquisadora tamb\u00e9m investiga se essas forma\u00e7\u00f5es podem permanecer preservadas por tempo suficiente para se tornarem registros estratigr\u00e1ficos: camadas geol\u00f3gicas capazes de contar a hist\u00f3ria da Terra ao longo de milhares ou milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Se isso ocorrer, as rochas pl\u00e1sticas podem fortalecer o argumento dos que defendem a exist\u00eancia de uma nova \u00e9poca geol\u00f3gica do planeta, em que as atividades humanas provocam mudan\u00e7as irrevers\u00edveis: o Antropoceno.<\/p>\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 em debate. A Comiss\u00e3o Internacional de Estratigrafia, respons\u00e1vel pela defini\u00e7\u00e3o oficial da escala do tempo geol\u00f3gico, decidiu em 2024 adiar por cerca de uma d\u00e9cada uma decis\u00e3o definitiva.<\/p>\n<p>Desde 2025, Fernanda Santos participa de pesquisas na Western University, no Canad\u00e1, em colabora\u00e7\u00e3o com a ge\u00f3loga Patricia Corcoran, pioneira no estudo dessas forma\u00e7\u00f5es. No laborat\u00f3rio, experimentos simulam o envelhecimento das rochas pl\u00e1sticas sob condi\u00e7\u00f5es extremas de radia\u00e7\u00e3o ultravioleta, calor e umidade.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 avaliar se esses materiais podem resistir ao tempo e se preservar em camadas profundas da Terra.<\/p>\n<p>\u201cDurante o \u00faltimo ano, n\u00f3s simulamos o clima de ilhas oce\u00e2nicas sobre as amostras provenientes das ilhas de Trindade e Fernando de Noronha, e do Hava\u00ed. Queremos simular o que acontece com essas rochas ao longo do tempo na superf\u00edcie e em grandes profundidades da Terra\u201d, diz Fernanda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rochas pl\u00e1sticas foram encontradas em ninhos de tartarugas na ilha de Trindade, no Atl\u00e2ntico Sul, a mais de mil quil\u00f4metros do litoral do Esp\u00edrito Santo. 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