{"id":387421,"date":"2026-03-20T02:00:37","date_gmt":"2026-03-20T05:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=387421"},"modified":"2026-03-17T19:43:58","modified_gmt":"2026-03-17T22:43:58","slug":"recordando-o-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/recordando-o-passado\/","title":{"rendered":"Recordando o passado&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Vai, vai, vai boi<br \/>\nCabe\u00e7a baixa, passo lento no estrad\u00e3o<br \/>\nVai, vai, vai boi<br \/>\nEstrada afora, vai puxando o carret\u00e3o<br \/>\n(Velho candieiro &#8211; Jos\u00e9 Rico e Duduca)<\/p>\n<p>A juventude de hoje n\u00e3o faz ideia, mas a cidade onde vivemos j\u00e1 foi aquilo que comumente chamamos de &#8220;interior&#8221;&#8230; mata fechada, v\u00e1rios animais compondo a fauna, rios e c\u00f3rregos abastecendo a popula\u00e7\u00e3o com sua \u00e1gua l\u00edmpida, ainda livre da polui\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 n\u00e3o muito tempo o verde tomava conta da maior parte da face da Terra&#8230;havia varia\u00e7\u00f5es de temperatura, \u00e9 claro&#8230; inverno rigoroso, ver\u00e3o inclemente&#8230; a \u00e9poca das secas era terr\u00edvel em alguns anos, em outros, nem tanto. O frio&#8230; bem, esse sempre vinha com todo rigor. Tanto que, para se aquecer, as fam\u00edlias constru\u00edam fog\u00f5es a lenha dentro de casa, para que as brasas da madeira queimada esquentassem o ambiente&#8230;<\/p>\n<p>Havia anos em que a temperatura permanecia baixa al\u00e9m da \u00e9poca esperada. E as pessoas se aqueciam como conseguiam. As roupas quentes eram poucas, e os cobertores, escassos. Portanto, a versatilidade das donas de casa para contornar a situa\u00e7\u00e3o era essencial&#8230;<\/p>\n<p>A aguardente era usada pelos pe\u00f5es como um aquecedor pessoal. Uma vez embriagados, a sensa\u00e7\u00e3o de frio n\u00e3o os incomodava tanto. Podiam partir para seus afazeres, como a lida do gado ou o cuidado com a planta\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, a aguardente era vista como um rem\u00e9dio&#8230; em quase todas as situa\u00e7\u00f5es tomava-se um gole da mesma para prevenir alguma coisa&#8230;<\/p>\n<p>Isso posto, d\u00e1 para entender por que tantas pessoas acabavam viciadas na &#8220;branquinha&#8221;, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Afinal, ela era tomada com fins medicinais, entre outros&#8230;<\/p>\n<p>As ruas, de terra batida, levavam ao centro dos povoados, onde se vivia como &#8220;na cidade&#8221;, ou seja, o Centro&#8230; \u00e9 onde ficavam as vendas (pequenos com\u00e9rcios onde se encontrava de tudo, como nos atuais supermercados&#8230; a diferen\u00e7a \u00e9 que o atendente \u00e9 que separava as mercadorias para o fregu\u00eas&#8230; e logicamente, o estabelecimento era pequeno, n\u00e3o tinha as dimens\u00f5es gigantescas dos dias de hoje&#8230;), as farm\u00e1cias (onde o farmac\u00eautico atuava como m\u00e9dico em casos de emerg\u00eancia), quitandas e a\u00e7ougue&#8230;era tudo o que se encontrava no centro de cada bairro. Havia tamb\u00e9m o barbeiro e, aqui e ali, um dep\u00f3sito de materiais para constru\u00e7\u00e3o. A maioria das vilas nascia em torno de uma igreja, que era a padroeira daquele bairro em quest\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Lojas de roupas existiam, mas s\u00f3 nas regi\u00f5es centrais de cada \u00e1rea. Era mais comum mandar fazer a roupa em um alfaiate (no caso dos homens) ou em uma costureira (no caso das mulheres)&#8230;<\/p>\n<p>Era comum a passagem do gado pelas estradas, a caminho do pasto, da invernada ou do matadouro. O carro de boi era usado para transportar quase tudo. Carros, quase n\u00e3o haviam. Os \u00f4nibus ainda estavam chegando&#8230; o transporte mais comum, depois do cavalo e do carro de boi, era a bicicleta. Era com ela que os homens saiam toda manh\u00e3 em dire\u00e7\u00e3o ao seu trabalho. E que no final de semana os levava para o campo, para assistirem ou participarem de jogos de futebol&#8230;<\/p>\n<p>Em quase todos os recantos havia um campo de futebol&#8230; os terrenos vazios faziam a vez de est\u00e1dios e os jogadores podiam mostrar todo seu talento&#8230; inclusive para arrumar confus\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Sim, foi uma \u00e9poca gostosa de se viver. Mas tudo muda, n\u00e3o \u00e9 mesmo? J\u00e1 quase n\u00e3o se v\u00ea florestas por onde passamos, os rios foram soterrados para que, em seu lugar, fossem levantados pr\u00e9dios que iriam melhorar a vida das pessoas&#8230;.<\/p>\n<p>Os p\u00e1ssaros n\u00e3o mais cantam por aqui, as flores foram aos poucos desaparecendo e, com elas, a fauna que enfeitava nossos dias&#8230; beija flores, abelhas, borboletas&#8230; aos poucos foram sumindo, pois \u00edamos destruindo tudo \u00e0 nossa frente em nome do progresso&#8230;<\/p>\n<p>At\u00e9 o cheiro da chuva se modificou com o tempo&#8230; antes, quando se anunciava uma tempestade, o cheiro de eucalipto emanava do ar, nos deixando leves e tranquilas&#8230; e a relva molhada&#8230; pequenas po\u00e7as d&#8217;\u00e1gua se formavam pelo caminho, e a grama dentro d\u2019\u00e1gua, como um lago em miniatura, nos fornecia um espet\u00e1culo simplesmente divino&#8230;<\/p>\n<p>Hoje, o que nos resta? Apenas saudade de um tempo que n\u00e3o volta mais&#8230; e a responsabilidade de educar a nova gera\u00e7\u00e3o, fazendo-a entender que destruir a natureza \u00e9 destruir a n\u00f3s mesmos&#8230; n\u00f3s come\u00e7amos a devasta\u00e7\u00e3o. Tudo o que desejamos \u00e9 que nossos descendentes consigam reverter tal situa\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vai, vai, vai boi Cabe\u00e7a baixa, passo lento no estrad\u00e3o Vai, vai, vai boi Estrada afora, vai puxando o carret\u00e3o (Velho candieiro &#8211; Jos\u00e9 Rico e Duduca) A juventude de hoje n\u00e3o faz ideia, mas a cidade onde vivemos j\u00e1 foi aquilo que comumente chamamos de &#8220;interior&#8221;&#8230; mata fechada, v\u00e1rios animais compondo a fauna, rios [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":387424,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[236],"tags":[],"class_list":["post-387421","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ponto-de-vista"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/387421","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=387421"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/387421\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":387426,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/387421\/revisions\/387426"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/387424"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=387421"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=387421"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=387421"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}