{"id":387618,"date":"2026-03-18T18:29:44","date_gmt":"2026-03-18T21:29:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=387618"},"modified":"2026-03-18T18:29:44","modified_gmt":"2026-03-18T21:29:44","slug":"morte-por-cancer-colorretal-deve-aumentar-tres-vezes-em-tres-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/morte-por-cancer-colorretal-deve-aumentar-tres-vezes-em-tres-anos\/","title":{"rendered":"Morte por c\u00e2ncer colorretal deve aumentar tr\u00eas vezes em tr\u00eas anos"},"content":{"rendered":"<p>O n\u00famero de mortes por c\u00e2ncer colorretal no Brasil deve aumentar quase tr\u00eas vezes no per\u00edodo de 2026 a 2030, em compara\u00e7\u00e3o com dados de 2001 a 2005.<\/p>\n<p>Pesquisadores de institui\u00e7\u00f5es brasileiras e do exterior estimam que cerca de 127 mil pessoas v\u00e3o morrer por causa da doen\u00e7a ao longo desses cinco anos, contra 57,6 mil \u00f3bitos ocorridos no per\u00edodo de compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os dados foram publicados em artigo na revista The Lancet Regional Health Americas e mostram ainda que o aumento deve ser de 181% entre os homens e 165% entre as mulheres. Considerando todo o per\u00edodo, de 2001 a 2030, as mortes pela doen\u00e7a devem ultrapassar 635 mil.<\/p>\n<p>A pesquisadora do Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca) Marianna Cancela explica que esse aumento da mortalidade acompanha a alta de casos da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O c\u00e2ncer colorretal \u00e9 o segundo tipo de c\u00e2ncer mais incidente e o terceiro mais mortal no pa\u00eds. De acordo com Marianna Cancela, isso se deve ao envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a alguns h\u00e1bitos nocivos.<\/p>\n<p>A pesquisadora aponta o consumo excessivo de ultraprocessados e a falta de atividade f\u00edsica como fatores de risco importantes para a doen\u00e7a..<\/p>\n<p>&#8220;E esse \u00e9 um risco que tem iniciado cada vez mais cedo, j\u00e1 desde crian\u00e7a. Com isso, a gente v\u00ea n\u00e3o s\u00f3 o aumento dos casos de c\u00e2ncer colorretal, como tamb\u00e9m o aumento de casos em pacientes mais jovens&#8221;.<\/p>\n<p>Outro fator que contribui para a alta mortalidade por esse tipo de c\u00e2ncer, de acordo com Marianna Cancela, \u00e9 que cerca de 65% dos casos s\u00f3 s\u00e3o diagnosticados em est\u00e1gios avan\u00e7ados, o que dificulta o tratamento. Isso se deve a caracter\u00edsticas da doen\u00e7a, que n\u00e3o costuma manifestar sintomas no in\u00edcio, mas tamb\u00e9m a dificuldades de receber assist\u00eancia adequada, especialmente na regi\u00f5es mais remotas e menos desenvolvidas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por isso, os pesquisadores defendem a redu\u00e7\u00e3o dessas desigualdades e a ado\u00e7\u00e3o gradual de um programa de rastreamento, com a realiza\u00e7\u00e3o de exames preventivos que detectem a doen\u00e7a ou sinais de alerta antes do in\u00edcio dos sintomas. O grupo tamb\u00e9m ressalta a import\u00e2ncia do diagn\u00f3stico precoce em casos sintom\u00e1ticos e do tratamento adequado.<\/p>\n<p><strong>Custos sociais e econ\u00f4micos<\/strong><br \/>\nA pesquisa tamb\u00e9m mediu alguns custos sociais e econ\u00f4micos da mortalidade por c\u00e2ncer colorretal, considerando estimativas de quanto tempo a mais esses pacientes poderiam viver. Em m\u00e9dia, as mulheres brasileiras que morreram por este tipo de c\u00e2ncer perderam 21 anos de vida e os homens, 18.<\/p>\n<p>Entre 2001 e 2030, as mortes pela doen\u00e7a somam 12,6 milh\u00f5es de anos potenciais de vida perdidos e Int$ 22,6 bilh\u00f5es em perdas de produtividade. A unidade monet\u00e1ria Int$ se refere ao d\u00f3lar internacional, medida usada para comparar valores entre pa\u00edses, levando em conta o custo de vida local. Marianna ressalta que os dados s\u00e3o importantes para mostrar qual a dimens\u00e3o do c\u00e2ncer para a sociedade, al\u00e9m das vidas perdidas.<\/p>\n<p>&#8220;E tamb\u00e9m servem para embasar pol\u00edticas p\u00fablicas, porque a gente v\u00ea o quanto o pa\u00eds est\u00e1 perdendo por n\u00e3o conseguir avan\u00e7ar na preven\u00e7\u00e3o, no rastreamento e no tratamento&#8221;, explica.<\/p>\n<p>O estudo encontrou ainda diferen\u00e7as regionais significativas nesses indicadores. Por um lado, as regi\u00f5es Sul e Sudeste, que s\u00e3o mais populosas e t\u00eam maior propor\u00e7\u00e3o de idosos, concentram cerca de tr\u00eas quartos das mortes, e por isso sofrem maior impacto econ\u00f4mico. No entanto, os maiores aumentos relativos na mortalidade e na perda de produtividade devem ocorrer nas regi\u00f5es Norte e Nordeste.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, a principal explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 nos &#8220;indicadores socioecon\u00f4micos e de infraestrutura piores em compara\u00e7\u00e3o com as demais regi\u00f5es do pa\u00eds&#8221;. Mas eles tamb\u00e9m consideram que as popula\u00e7\u00f5es dessas regi\u00f5es progressivamente v\u00eam adotando padr\u00f5es de comportamento nocivos, j\u00e1 estabelecidos no Sul e Sudeste. O tabagismo \u00e9 o \u00fanico fator de risco cuja preval\u00eancia tem diminu\u00eddo nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>&#8220;O padr\u00e3o alimentar no Brasil tem piorado nas \u00faltimas d\u00e9cadas, com redu\u00e7\u00e3o do consumo de alimentos saud\u00e1veis e aumento do consumo de alimentos processados e ultraprocessados. Paralelamente, houve aumento da preval\u00eancia de consumo de \u00e1lcool e de inatividade f\u00edsica&#8221;, alertam.<\/p>\n<p>O estudo cita a promo\u00e7\u00e3o de estilos de vida saud\u00e1veis como pol\u00edtica p\u00fablica permanece um desafio, mas deve ser uma estrat\u00e9gia prim\u00e1ria para prevenir e controlar o c\u00e2ncer colorretal, bem como outros c\u00e2nceres e doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de mortes por c\u00e2ncer colorretal no Brasil deve aumentar quase tr\u00eas vezes no per\u00edodo de 2026 a 2030, em compara\u00e7\u00e3o com dados de 2001 a 2005. 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