{"id":387978,"date":"2026-03-21T17:03:51","date_gmt":"2026-03-21T20:03:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=387978"},"modified":"2026-03-21T17:03:51","modified_gmt":"2026-03-21T20:03:51","slug":"o-cerrado-a-estrada-as-pousadas-e-o-pantanal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/o-cerrado-a-estrada-as-pousadas-e-o-pantanal\/","title":{"rendered":"O Cerrado, a estrada, as pousadas e o Pantanal"},"content":{"rendered":"<p>Amigos de longa data, entraram no carro e partiram sem pressa, como quem j\u00e1 n\u00e3o precisa provar nada ao mundo. Ele, com os cabelos grisalhos anunciando o tempo sem pedir desculpas; ela, com a leveza de quem aprendeu que o corpo tamb\u00e9m guarda mem\u00f3rias felizes. Sa\u00edram do Cerrado de galhos secos, tortos e quebradi\u00e7os, levando na bagagem aquilo que n\u00e3o se v\u00ea. S\u00f3 havia sil\u00eancios, pausas e vontades adiadas.<\/p>\n<p>A estrada seguia longa, quase meditativa, como se cada quil\u00f4metro fosse um convite ao esquecimento do que j\u00e1 n\u00e3o importava. E havia ali um simbolismo inevit\u00e1vel, pois deixavam para tr\u00e1s a aridez da paisagem e de certos anos, em dire\u00e7\u00e3o ao Pantanal, onde a \u00e1gua insiste em existir, mesmo quando o mundo parece ter desaprendido a fluir.<\/p>\n<p>No fim de cada tarde, paravam em pousadas simples, dessas que a rodovia oferece sem promessas. Sempre o mesmo detalhe de apenas um quarto dispon\u00edvel, apenas uma cama de casal. E, curiosamente, nenhum dos dois parecia disposto a questionar o acaso.<\/p>\n<p>Na primeira noite, houve sil\u00eancio. N\u00e3o desconforto, mas apenas o reconhecimento de um tempo que havia passado entre eles como um rio subterr\u00e2neo. Deitaram-se com cuidado, respeitando uma dist\u00e2ncia feita mais de hist\u00f3ria do que de espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Mas o sil\u00eancio, \u00e0s vezes, \u00e9 o primeiro gesto. Na segunda noite, j\u00e1 havia outro tipo de presen\u00e7a. Um bra\u00e7o que encosta, um riso mais demorado, um olhar que n\u00e3o se desvia com tanta pressa. A cama deixava de ser territ\u00f3rio neutro e come\u00e7ava a se tornar territ\u00f3rio de lembran\u00e7a.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o veio a terceira parada. Ali compreenderam, sem precisar nomear, que entre quatro paredes o amor n\u00e3o envelhece; apenas aguarda. N\u00e3o havia urg\u00eancia, nem ansiedade. Havia tempo. E o tempo, quando n\u00e3o cobra, devolve.<\/p>\n<p>Ela encostou a cabe\u00e7a no ombro dele como quem reencontra um lugar conhecido. Seus dedos tocaram o bra\u00e7o dele com a naturalidade de quem j\u00e1 n\u00e3o precisa pedir licen\u00e7a. Ele respondeu com um gesto quase impercept\u00edvel, mas suficiente para dizer tudo. Como se ainda houvesse algo ali.<\/p>\n<p>N\u00e3o era juventude. Era outra coisa, mais inteira. Na delicadeza dos gestos, descobriram que o desejo pode ser mais profundo quando n\u00e3o precisa provar intensidade. Era como o Pantanal que se aproximava sempre vasto, silencioso, inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>E assim seguiram. A cada nova pousada, menos passado. A cada noite, mais presen\u00e7a. O Cerrado j\u00e1 n\u00e3o os acompanhava; seus galhos secos ficaram para tr\u00e1s. Dentro deles, algo havia florescido sem alarde.<\/p>\n<p>Quando enfim chegaram \u00e0s \u00e1guas largas do Pantanal, entenderam que a viagem n\u00e3o era sobre dist\u00e2ncia. Era sobre retorno. E h\u00e1 retornos que n\u00e3o fazem barulho; apenas se acomodam, como um corpo que encontra o seu lugar ao lado de outro, no exato ponto onde o tempo, por fim, decide descansar e viver prazerosamente.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Seabra \u00e9 CEO Fundador de Notibras<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amigos de longa data, entraram no carro e partiram sem pressa, como quem j\u00e1 n\u00e3o precisa provar nada ao mundo. Ele, com os cabelos grisalhos anunciando o tempo sem pedir desculpas; ela, com a leveza de quem aprendeu que o corpo tamb\u00e9m guarda mem\u00f3rias felizes. 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