{"id":388032,"date":"2026-03-22T07:23:07","date_gmt":"2026-03-22T10:23:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=388032"},"modified":"2026-03-22T07:23:07","modified_gmt":"2026-03-22T10:23:07","slug":"o-estranho-silencio-sobre-nicolas-maduro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/o-estranho-silencio-sobre-nicolas-maduro\/","title":{"rendered":"O estranho sil\u00eancio sobre Nicol\u00e1s Maduro"},"content":{"rendered":"<p>O mais interessante sobre Nicol\u00e1s Maduro hoje n\u00e3o \u00e9 o que aconteceu com ele. \u00c9 o sil\u00eancio.<br \/>\nNingu\u00e9m mais fala. Nem os que criticavam, nem os que defendiam com entusiasmo quase militante. Sumiu do debate como se nunca tivesse existido. E isso diz muito mais do que qualquer an\u00e1lise apressada. E talvez seja justamente por isso que o tema ainda mere\u00e7a ser trazido de volta.<\/p>\n<p>Houve um tempo em que defender Maduro exigia mais do que convic\u00e7\u00e3o. Exigia desmontar qualquer narrativa de bom senso antes mesmo de come\u00e7ar a argumentar. Era preciso ignorar o b\u00e1sico, relativizar o evidente e tratar o colapso como vers\u00e3o. A Venezuela n\u00e3o era o que se via, mas o que se dizia sobre ela. E, nesse esfor\u00e7o, o discurso n\u00e3o apenas explicava a realidade. Substitu\u00eda. Quanto pior o pa\u00eds, melhor a explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E o Brasil, sob governos petistas, n\u00e3o apenas tolerou isso como tratou com naturalidade. N\u00e3o como um desvio, mas como linha de pol\u00edtica externa. Um regime que concentrou poder, empobreceu sua popula\u00e7\u00e3o e empurrou milh\u00f5es para fora de casa foi tratado como parceiro leg\u00edtimo, recebido e prestigiado como chefe de Estado, quando j\u00e1 n\u00e3o havia mais base para isso.<\/p>\n<p>N\u00e3o se tratava de pragmatismo. Era outra l\u00f3gica. A realidade precisava se ajustar ao discurso, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. O discurso foi sendo constru\u00eddo como um universo paralelo de uma ideologia fracassada, no qual um regime ditatorial podia ser tratado com naturalidade, quase como se fosse apenas mais uma experi\u00eancia pol\u00edtica incompreendida.<\/p>\n<p>E h\u00e1 algo revelador nisso tudo: enquanto a realidade exigia posicionamento, optou-se por linguagem; enquanto os fatos pediam clareza, ofereceu-se ambiguidade; enquanto o mundo via um regime em decomposi\u00e7\u00e3o, aqui ainda se discutia a forma de descrev\u00ea-lo.<\/p>\n<p>E assim se sustentou, por algum tempo, uma posi\u00e7\u00e3o que hoje ningu\u00e9m faz muita quest\u00e3o de explicar.<\/p>\n<p>O tempo resolveu o assunto sem cerim\u00f4nia. Tirou Maduro do centro, depois da margem e, por fim, da conversa. N\u00e3o houve desfecho marcante, nem necessidade de balan\u00e7o. Apenas deixou de importar.<\/p>\n<p>E junto com ele desapareceram os seus defensores mais dedicados. N\u00e3o houve revis\u00e3o, nem autocr\u00edtica, nem sequer um esfor\u00e7o de contextualiza\u00e7\u00e3o tardia. Houve sil\u00eancio. Um sil\u00eancio conveniente, que resolve tudo sem precisar dizer nada.<\/p>\n<p>Maduro j\u00e1 nasceu podre, nem precisou amadurecer para estragar. E talvez seja exatamente por isso que ningu\u00e9m mais fale dele. Porque falar, neste caso, n\u00e3o \u00e9 apenas lembrar dele. \u00c9 lembrar de quem escolheu n\u00e3o ver.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mais interessante sobre Nicol\u00e1s Maduro hoje n\u00e3o \u00e9 o que aconteceu com ele. \u00c9 o sil\u00eancio. Ningu\u00e9m mais fala. Nem os que criticavam, nem os que defendiam com entusiasmo quase militante. Sumiu do debate como se nunca tivesse existido. E isso diz muito mais do que qualquer an\u00e1lise apressada. 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