{"id":388312,"date":"2026-03-24T00:38:36","date_gmt":"2026-03-24T03:38:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=388312"},"modified":"2026-03-24T01:41:04","modified_gmt":"2026-03-24T04:41:04","slug":"industria-defende-energia-nuclear-como-estrategica-para-soberania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/industria-defende-energia-nuclear-como-estrategica-para-soberania\/","title":{"rendered":"Ind\u00fastria defende energia nuclear como estrat\u00e9gica para soberania"},"content":{"rendered":"<p>O desenvolvimento da energia nuclear \u00e9 estrat\u00e9gico para o Brasil alcan\u00e7ar autonomia energ\u00e9tica e soberania nacional, em um momento em que as economias globais precisam de fontes est\u00e1veis de energia e o cen\u00e1rio geopol\u00edtico causa turbul\u00eancia nas cadeias de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o \u00e9 defendida por especialistas que participaram, nesta segunda-feira (23), do Nuclear Summit, encontro sobre o desenvolvimento da energia nuclear, na Casa Firjan, centro de inova\u00e7\u00e3o e tend\u00eancias da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado do Rio de Janeiro. O encontro foi realizado pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan).<\/p>\n<p>O professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais J\u00falio C\u00e9sar Rodriguez, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), considera que o Brasil deve investir na energia nuclear pelo car\u00e1ter escal\u00e1vel dessa fonte energ\u00e9tica, ou seja, capacidade de aumento da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA energia nuclear \u00e9 uma fonte de energia chave para o Brasil dominar, ter autonomia energ\u00e9tica e, mais do que isso, ser aut\u00f4nomo tecnologicamente\u201d, completa o professor da universidade ga\u00facha.<\/p>\n<p>\u201cDominando o processo todo, a extra\u00e7\u00e3o dos min\u00e9rios, o enriquecimento, o desenvolvimento de reatores, estamos jogando em n\u00edvel de desenvolvimento industrial, tecnol\u00f3gico e cient\u00edfico mais alto, dos atores mais importantes do mundo\u201d, sustenta.<\/p>\n<p><strong>Momento certo <\/strong><br \/>\nO presidente da Abdan, Celso Cunha, elenca que a energia nuclear tem \u201catributos importantes\u201d. \u201c\u00c9 limpa, gera energia em um espa\u00e7o muito pequeno, \u00e9 altamente eficiente e tecnol\u00f3gica\u201d, descreve.<\/p>\n<p>Para Cunha, a conjuntura ambiental e geopol\u00edtica, com conflitos internacionais, reafirma as vantagens da energia nuclear.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 extremamente importante um pa\u00eds ser independente energeticamente. Um pa\u00eds dependente energeticamente n\u00e3o consegue crescer\u201d, diz ele \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n<p>O presidente da Abdan reconhece que o Brasil tem muitas fontes renov\u00e1veis, como e\u00f3lica, solar e hidrel\u00e9trica, mas ressalta a vantagem de a energia nuclear ter fornecimento constante, que n\u00e3o depende de fatores clim\u00e1ticos, como ventos, sol e regime de chuvas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a grande solu\u00e7\u00e3o\u201d, defende ele, incluindo como vantagem para o pa\u00eds a capacidade de exportar combust\u00edvel. &#8220;Podemos ganhar muito dinheiro vendendo combust\u00edvel. Nada de vender min\u00e9rio in natura, isso n\u00e3o traz valor agregado. Estamos no momento certo, chegou a hora do nuclear\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>Apesar de ser considerada pela ind\u00fastria como energia limpa, a fonte nuclear atrai preocupa\u00e7\u00e3o de ambientalistas a respeito dos res\u00edduos gerados no processo, que precisam ser armazenados de forma segura.<\/p>\n<p>No Brasil, a Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear, um \u00f3rg\u00e3o estatal, trabalha na defini\u00e7\u00e3o de um reservat\u00f3rio definitivo para pastilhas utilizadas de ur\u00e2nio.<\/p>\n<p><strong>Ciclo de ur\u00e2nio <\/strong><br \/>\nA assessora de integridade e gest\u00e3o de risco da Empresa de Participa\u00e7\u00f5es em Energia Nuclear e Binacional (ENBpar), Mayara Mota, explicou que a empresa, ligada ao Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME), busca caminhos para que o Brasil domine o ciclo completo do ur\u00e2nio, mineral mat\u00e9ria-prima da energia nuclear.<\/p>\n<p>\u201cHoje em dia, a convers\u00e3o \u00e9 feita fora do Brasil. Ent\u00e3o, a ideia da usina de convers\u00e3o \u00e9 que a gente possa trazer a infraestrutura. A t\u00e9cnica para fazer isso a gente tem, falta a estrutura\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>A convers\u00e3o \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o do yellowcake (concentrado de ur\u00e2nio) em hexafluoreto de ur\u00e2nio, etapa fundamental no ciclo do combust\u00edvel nuclear, que transforma um p\u00f3 s\u00f3lido em um composto que facilita o enriquecimento e o transporte.<\/p>\n<p>O ciclo do ur\u00e2nio \u00e9 de monop\u00f3lio do Estado e s\u00f3 realizado para fins pac\u00edficos. A estatal Ind\u00fastrias Nucleares do Brasil (INB) opera a \u00fanica mina do mineral no pa\u00eds, em Caetit\u00e9, no sudoeste da Bahia, e o enriquecimento \u00e9 feito na f\u00e1brica de Resende, no sul do estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><strong>Usinas em Angra <\/strong><br \/>\nAtualmente, o Brasil tem duas usinas nucleares em opera\u00e7\u00e3o, Angra 1 e Angra 2, na cidade de Angra dos Reis, litoral sul do Rio de Janeiro. As duas, juntas, t\u00eam capacidade de gera\u00e7\u00e3o de 2 gigawatts (GW), pot\u00eancia capaz de abastecer uma cidade como Belo Horizonte, com 2,3 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>A usina Angra 3 est\u00e1 com a constru\u00e7\u00e3o interrompida, e o governo discute se investir\u00e1 na conclus\u00e3o do projeto, que poderia adicionar 1,4 GW ao sistema el\u00e9trico brasileiro. A obra parada custa cerca de R$ 1 bilh\u00e3o por ano ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>Um levantamento do Banco Nacional do Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) aponta que o custo do abandono definitivo das obras de Angra 3 pode variar entre R$ 22 bilh\u00f5es e R$ 26 bilh\u00f5es. Esse valor pode ultrapassar o necess\u00e1rio para a conclus\u00e3o do empreendimento, estimado em R$ 24 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de seguir ou n\u00e3o com Angra 3 cabe ao Conselho Nacional de Pol\u00edtica Energ\u00e9tica (CNPE), \u00f3rg\u00e3o que re\u00fane diversos minist\u00e9rios.<\/p>\n<p><strong>Transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica <\/strong><br \/>\nA consultora t\u00e9cnica Regina Fernandes, da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), destacou que a energia nuclear ganha protagonismo no compromisso do pa\u00eds com a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, diminuindo a depend\u00eancia do pa\u00eds de combust\u00edveis mais poluidores, como o petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>\u201cEssas fontes firmes e limpas t\u00eam espa\u00e7o no cen\u00e1rio de longo prazo para ocupar lugar na matriz energ\u00e9tica. S\u00e3o fontes que v\u00e3o receber mais incentivos por conta de urg\u00eancia clim\u00e1tica\u201d, afirmou a t\u00e9cnica da empresa vinculada ao MME.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 10, o governo brasileiro anunciou a ades\u00e3o \u00e0 Declara\u00e7\u00e3o para Triplicar a Energia Nuclear, iniciativa que busca mobilizar governos, ind\u00fastrias e institui\u00e7\u00f5es financeiras para ampliar, at\u00e9 2050, a capacidade instalada dessa fonte energ\u00e9tica no mundo.<\/p>\n<p>A iniciativa foi assinada durante a II C\u00fapula sobre Energia Nuclear, em Paris.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desenvolvimento da energia nuclear \u00e9 estrat\u00e9gico para o Brasil alcan\u00e7ar autonomia energ\u00e9tica e soberania nacional, em um momento em que as economias globais precisam de fontes est\u00e1veis de energia e o cen\u00e1rio geopol\u00edtico causa turbul\u00eancia nas cadeias de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural. 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