{"id":388394,"date":"2026-03-25T00:15:45","date_gmt":"2026-03-25T03:15:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=388394"},"modified":"2026-03-24T22:02:39","modified_gmt":"2026-03-25T01:02:39","slug":"treinamento-para-identificar-sinais-de-violencia-contra-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/treinamento-para-identificar-sinais-de-violencia-contra-mulheres\/","title":{"rendered":"Treinamento para identificar sinais de viol\u00eancia contra mulheres"},"content":{"rendered":"<p>A cada quatro minutos, uma mulher sofre viol\u00eancia f\u00edsica no Brasil, segundo o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica. Em muitos casos, os primeiros sinais surgem nos servi\u00e7os de sa\u00fade e passam despercebidos. Diante desse cen\u00e1rio, o Instituto de Gest\u00e3o Estrat\u00e9gica de Sa\u00fade do Distrito Federal (IgesDF) capacita profissionais para reconhecer esses ind\u00edcios e garantir acolhimento adequado \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 desta ter\u00e7a-feira (24), profissionais participaram de uma capacita\u00e7\u00e3o voltada \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o e ao acolhimento de mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica, realizada no audit\u00f3rio do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM).<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o reuniu equipes de diferentes \u00e1reas da assist\u00eancia e teve como foco qualificar a escuta, ampliar a capacidade de reconhecer sinais muitas vezes silenciosos e garantir encaminhamentos adequados dentro da rede de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante o encontro, a assistente social do IgesDF e palestrante Beatriz Sousa Liarte destacou que os ind\u00edcios de viol\u00eancia nem sempre s\u00e3o evidentes no momento do atendimento.<\/p>\n<p>\u201cA mulher raramente chega ao servi\u00e7o de sa\u00fade relatando diretamente a agress\u00e3o. Muitas vezes, ela apresenta queixas que parecem desconectadas, mas que, quando analisadas com aten\u00e7\u00e3o, podem revelar uma situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Entre os principais alertas est\u00e3o as chamadas queixas inespec\u00edficas, como consultas frequentes sem diagn\u00f3stico definido, dores cr\u00f4nicas sem causa aparente, faltas recorrentes a atendimentos, tanto da mulher quanto dos filhos, e a presen\u00e7a de parceiros com comportamento controlador.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m chamam aten\u00e7\u00e3o sinais na sa\u00fade sexual e reprodutiva, como infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis de repeti\u00e7\u00e3o, les\u00f5es sem explica\u00e7\u00e3o consistente, in\u00edcio tardio do pr\u00e9-natal, dor durante a rela\u00e7\u00e3o sexual e gesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o planejadas.<\/p>\n<p>\u201cO corpo fala e, muitas dessas manifesta\u00e7\u00f5es, s\u00e3o respostas dos abusos e precisam ser acolhidas com escuta ativa e responsabilidade profissional\u201d, refor\u00e7a Beatriz.<\/p>\n<p>No campo da sa\u00fade mental, sintomas como ansiedade, depress\u00e3o, estresse, ins\u00f4nia, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e comportamentos autodestrutivos tamb\u00e9m podem estar associados \u00e0 viol\u00eancia e exigem avalia\u00e7\u00e3o integrada.<\/p>\n<p>A forma de abordagem \u00e9 determinante para garantir seguran\u00e7a e v\u00ednculo. A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 evitar questionamentos que gerem julgamento ou culpabiliza\u00e7\u00e3o e priorizar uma postura emp\u00e1tica e acolhedora.<\/p>\n<p>O primeiro passo \u00e9 assegurar o cuidado integral \u00e0 paciente, atendendo \u00e0s necessidades imediatas, sejam f\u00edsicas ou psicol\u00f3gicas. Em seguida, \u00e9 essencial registrar todas as informa\u00e7\u00f5es em prontu\u00e1rio, incluindo anamnese, exame f\u00edsico, condutas adotadas e encaminhamentos.<\/p>\n<p>\u201cO preenchimento da ficha de notifica\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia tamb\u00e9m integra esse processo, assim como a orienta\u00e7\u00e3o sobre o registro de ocorr\u00eancia policial. Mas isso sempre com cautela, para n\u00e3o afastar a mulher do servi\u00e7o de sa\u00fade\u201d, enfatiza a assistente social.<\/p>\n<p>O fluxo inclui ainda o encaminhamento para outros pontos da rede de sa\u00fade e para servi\u00e7os da rede intersetorial de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia, conforme a necessidade de cada caso.<\/p>\n<p><strong>Notifica\u00e7\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>A capacita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m refor\u00e7ou a obrigatoriedade da notifica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria dos casos de viol\u00eancia. O procedimento consiste na comunica\u00e7\u00e3o \u00e0s autoridades sanit\u00e1rias e deve ser realizado mesmo diante de suspeitas. A notifica\u00e7\u00e3o \u00e9 sigilosa e n\u00e3o tem car\u00e1ter de den\u00fancia.<\/p>\n<p>Nos casos de viol\u00eancia sexual ou tentativa de suic\u00eddio, o prazo para registro \u00e9 de at\u00e9 24 horas. J\u00e1 as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica sem viol\u00eancia sexual devem ser notificadas em at\u00e9 sete dias, por meio do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan).<\/p>\n<p>Desde a Lei n\u00ba 13.931\/2019, os casos de viol\u00eancia contra a mulher passaram a integrar oficialmente a lista de agravos de notifica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, fortalecendo o monitoramento e as pol\u00edticas p\u00fablicas de enfrentamento.<\/p>\n<p>Uma nova edi\u00e7\u00e3o da capacita\u00e7\u00e3o ser\u00e1 realizada na pr\u00f3xima sexta-feira (27), tamb\u00e9m no HRSM, com o objetivo de ampliar a participa\u00e7\u00e3o de profissionais de outros plant\u00f5es. A iniciativa \u00e9 organizada pelo N\u00facleo de Educa\u00e7\u00e3o Permanente (Nudep), pela Ger\u00eancia de Gest\u00e3o do Conhecimento (GGCON) e pela Diretoria de Inova\u00e7\u00e3o, Ensino e Pesquisa (Diep).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada quatro minutos, uma mulher sofre viol\u00eancia f\u00edsica no Brasil, segundo o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica. Em muitos casos, os primeiros sinais surgem nos servi\u00e7os de sa\u00fade e passam despercebidos. 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