{"id":388424,"date":"2026-03-26T01:15:08","date_gmt":"2026-03-26T04:15:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=388424"},"modified":"2026-03-24T23:59:36","modified_gmt":"2026-03-25T02:59:36","slug":"e-nao-e-que-o-cadu-matos-resolveu-fazer-dobradinha-com-a-denise-marchi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/e-nao-e-que-o-cadu-matos-resolveu-fazer-dobradinha-com-a-denise-marchi\/","title":{"rendered":"E n\u00e3o \u00e9 que o Cadu Matos resolveu fazer dobradinha com a Denise Marchi?"},"content":{"rendered":"<p>Segue uma produ\u00e7\u00e3o intertextual baseada no conto <em>Susto na neblina<\/em>, de Denise Marchi, publicado no <strong>Caf\u00e9 Liter\u00e1rio do Notibras<\/strong>.<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio estava na fazenda dos av\u00f3s, na cidadezinha do estado do Rio de Janeiro onde nascera. Sa\u00edra para encontrar alguns amigos de inf\u00e2ncia e beber umas cervejas, jogar conversa fora e encarar umas geladas era um dos poucos programas naquele fim de mundo.<\/p>\n<p>Na mesa do bar, os amigos zoavam com ele:<\/p>\n<p>&#8211; A cidade grande t\u00e1 acabando contigo, aposto que nem ca\u00e7as mais&#8230;<\/p>\n<p>Outro, compassivo, interveio:<\/p>\n<p>-Tem rem\u00e9dio pra isso. Vamos ca\u00e7ar depois de amanh\u00e3, sa\u00edmos \u00e0s 4 da madrugada. Vens conosco?<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio aceitou na hora. Gostava de ca\u00e7ar, na adolesc\u00eancia; ia ver se conservava a manha. Logo depois despediu-se, a fazenda dos av\u00f3s ficava a quase uma hora de carro.<\/p>\n<p>No meio do caminho, por\u00e9m, o ve\u00edculo morreu. Algum problema na parte el\u00e9trica, vai saber&#8230; Exasperado, empurrou o autom\u00f3vel para o acostamento, fechou-o e come\u00e7ou a caminhar pela estrada deserta. A fazenda estava, no m\u00ednimo, a meia hora de marcha; andava devagar, com cuidado, a n\u00e9voa pesada o impedia de ver um tronco no ch\u00e3o ou qualquer outro risco.<\/p>\n<p>De repente, ouviu passos atr\u00e1s de si. Voltou-se, n\u00e3o conseguiu ver ningu\u00e9m devido \u00e0 neblina. As passadas acompanhavam o seu ritmo, parando quando ele se detinha, soando, tuc tuc tuc, quando ele avan\u00e7ava.<\/p>\n<p>De repente, Aur\u00e9lio lembrou do belo conto <em>Susto na neblina<\/em>, de Denise Marchi, postado pelo <strong>Caf\u00e9 Liter\u00e1rio de Notibras<\/strong>. A autora descreve uma experi\u00eancia similar \u00e0 sua, quando atravessava uma ponte; e mais, como acabara de assistir ao filme A marvada carne, que tem entre seus personagens o Curupira, imaginou que era perseguida por essa entidade.<\/p>\n<p>Denise conta, a seguir, que a n\u00e9voa abriu de repente e ela avistou um senhorzinho. \u201cUm pobre coitado, carregando seus cestos, indo montar a barraquinha na \u00fanica feira livre da cidade. Madrugada de domingo. Ele ia vender\u2026 goiabas.<\/p>\n<p>Meu cora\u00e7\u00e3o deu um solavanco que achei que fosse parar de vez. O senhorzinho me encarou com a mesma cara de espanto. Naquela ponte, \u00e9ramos dois assustados&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio n\u00e3o acreditava no sobrenatural e n\u00e3o teria medo de um senhorzinho. Mas se fosse um homem mais jovem, com uma arma, decidido a assaltar o turista da cidade grande&#8230; Temeroso, passou a andar mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Nesse momento, como acontecera no conto de Denise, a n\u00e9voa se abriu e ele avistou n\u00e3o um senhorzinho e nem um assaltante, e sim o Curupira. Cabelos vermelhos, p\u00e9s voltados para tr\u00e1s, tudo nos conformes. Aur\u00e9lio ficou paralisado de pavor. O protetor das matas aproximou-se e falou:<\/p>\n<p>&#8211; Gostavas de ca\u00e7ar, n\u00e3o \u00e9, vivente?<\/p>\n<p>O vivente engoliu em seco, incapaz de responder.<\/p>\n<p>&#8211; Viraste urbano, n\u00e3o ca\u00e7as mais&#8230; Foi o que te salvou. Teus amigos est\u00e3o condenados, mas podes evitar o destino deles. Deixa os bichos em paz!<\/p>\n<p>E se desmaterializou. Arrepiado de medo, Aur\u00e9lio contatou pelo zap os amigos e deixou-lhes mensagens de que n\u00e3o ia ca\u00e7ar, nunca mais faria semelhante maldade contra os bichinhos (se \u00e9 que uma on\u00e7a ou um porco do mato merecem um diminutivo). E suplicou-lhes que fizessem o mesmo. Mas conhecia seu gado, n\u00e3o tinha esperan\u00e7as de ser atendido.<\/p>\n<p>No dia seguinte, depois de providenciar um reboque para o carro e deix\u00e1-lo em uma oficina (foi mesmo uma pane el\u00e9trica, o conserto foi r\u00e1pido), deixou a cidadezinha como se estivesse sendo perseguido por mil dem\u00f4nios. Ou pelo Curupira.<\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>.O conto Susto na neblima, de Denise Marchi: .<a href=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/o-curupira-da-ponte-e-as-goiabas-da-feira\/\">https:\/\/www.notibras.com\/site\/o-curupira-da-ponte-e-as-goiabas-da-feira\/<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segue uma produ\u00e7\u00e3o intertextual baseada no conto Susto na neblina, de Denise Marchi, publicado no Caf\u00e9 Liter\u00e1rio do Notibras. Aur\u00e9lio estava na fazenda dos av\u00f3s, na cidadezinha do estado do Rio de Janeiro onde nascera. 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