{"id":388499,"date":"2026-03-25T10:40:01","date_gmt":"2026-03-25T13:40:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=388499"},"modified":"2026-03-25T11:54:47","modified_gmt":"2026-03-25T14:54:47","slug":"violencia-sexual-atinge-um-quarto-das-estudantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/violencia-sexual-atinge-um-quarto-das-estudantes\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia sexual atinge um quarto das estudantes"},"content":{"rendered":"<p>Um quarto das estudantes adolescentes do Brasil j\u00e1 sofreu alguma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia sexual, incluindo toques, beijos ou exposi\u00e7\u00e3o de partes \u00edntimas sem consentimento.<\/p>\n<p>O alerta faz parte da Pesquisa Nacional de Sa\u00fade do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Foram entrevistados 118.099 adolescentes de 13 a 17 anos, que frequentavam 4.167 escolas p\u00fablicas e privadas de todo o Brasil em 2024.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a 2019, \u00faltimo ano em que a pesquisa foi feita, o percentual de meninas que relataram essas viol\u00eancias nas respostas aumentou 5,9 pontos percentuais.<\/p>\n<p>O IBGE destaca ainda que 11,7% das estudantes entrevistadas contaram que foram for\u00e7adas ou intimidadas para se submeterem a rela\u00e7\u00f5es sexuais. Nesse caso, o aumento em rela\u00e7\u00e3o a 2019 foi de 2,9 pontos percentuais.<\/p>\n<p>Apesar da propor\u00e7\u00e3o de meninas violentadas ser, em m\u00e9dia, o dobro da de meninos, estudantes de ambos os g\u00eaneros relataram situa\u00e7\u00f5es de abuso, somando mais de 2,2 milh\u00f5es de v\u00edtimas de ass\u00e9dio e 1,1 milh\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es for\u00e7adas.<\/p>\n<p>Apesar de a\u00e7\u00f5es enquadradas nas duas categorias serem tipificadas como estupro pela lei brasileira, o IBGE optou por dividi-las em duas perguntas para facilitar a compreens\u00e3o dos adolescentes durante as entrevistas.<\/p>\n<p>\u201cEsse tipo de viol\u00eancia nem sempre \u00e9 identificado pela v\u00edtima, seja por falta de conhecimento em raz\u00e3o da idade, no caso de menores, seja por aspectos sociais e culturais. Nesse sentido, a identifica\u00e7\u00e3o dos diversos atos que caracterizam a viol\u00eancia sexual, por um lado, consiste numa estrat\u00e9gia metodol\u00f3gica que facilita a identifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia; por outro, possibilita a caracteriza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia em escalas de gravidade\u201d<\/p>\n<p><strong>Idade<\/strong><br \/>\nOutro destaque da pesquisa diz respeito \u00e0 idade das v\u00edtimas no momento do crime. Enquanto as situa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio sexual foram mais reportadas por adolescentes com 16 e 17 anos, entre aqueles for\u00e7ados \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual, a maioria (66,2%) tinha 13 anos ou menos quando sofreu a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia foi mais frequente entre os estudantes de escola p\u00fablica: 9,3% dos adolescentes dessas institui\u00e7\u00f5es relataram j\u00e1 terem sido intimidados ou for\u00e7ados a uma rela\u00e7\u00e3o sexual, contra 5,7% dos alunos da rede privada.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos casos de ass\u00e9dio sexual, a propor\u00e7\u00e3o entre as duas redes \u00e9 semelhante.<\/p>\n<p><strong>Quem foram os agressores<\/strong><br \/>\nO instituto tamb\u00e9m pediu aos estudantes que apontassem o autor das viol\u00eancias. No caso daqueles que foram submetidos a uma rela\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, a grande maioria foi violentada por pessoas do seu c\u00edrculo \u00edntimo:<\/p>\n<p>8,9% por pai, padrasto, m\u00e3e ou madrasta;<br \/>\n26,6% por outros familiares;<br \/>\n22,6% por namorados ou ex-namorados;<br \/>\n16,2% por amigos.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos casos de toque n\u00e3o consentido, beijo for\u00e7ado ou exposi\u00e7\u00e3o de partes \u00edntimas, a categoria mais mencionada foi \u201coutro conhecido\u201d (24,6%), seguido por outros familiares (24,4%) e desconhecidos (24%).<\/p>\n<p>Em ambos os casos, os estudantes podiam escolher mais de uma op\u00e7\u00e3o, e o somat\u00f3rio das respostas nas duas quest\u00f5es foi superior a 100%, o que indica que muitos estudantes sofreram esse tipo de viol\u00eancia mais de uma vez, ou de pessoas diferentes.<\/p>\n<p><strong>Gravidez precoce<\/strong><br \/>\nA pesquisa tamb\u00e9m identificou que cerca de 121 mil meninas de 13 a 17 anos de idade j\u00e1 engravidaram alguma vez, o que representou 7,3% daquelas que disseram ter iniciado a vida sexual. Desse total, 98,7% eram de escolas da rede p\u00fablica.<\/p>\n<p>Em cinco estados do Brasil, o \u00edndice de gravidez precoce ultrapassa 10% das estudantes: Para\u00edba, Cear\u00e1, Par\u00e1, Maranh\u00e3o e Amazonas, onde a situa\u00e7\u00e3o chega a 14,2% das estudantes.<\/p>\n<p>Outros dados sobre a inicia\u00e7\u00e3o sexual dos adolescentes, de forma consentida, levantam preocupa\u00e7\u00f5es com a preven\u00e7\u00e3o dessas gesta\u00e7\u00f5es e contra infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis.<\/p>\n<p>Somente 61,7% dos estudantes usaram camisinha na primeira rela\u00e7\u00e3o sexual, propor\u00e7\u00e3o que cai para 57,2% no caso da rela\u00e7\u00e3o mais recente.<\/p>\n<p>Para o IBGE, isso indica que n\u00e3o s\u00f3 os adolescentes n\u00e3o est\u00e3o se protegendo desde o come\u00e7o da vida sexual, como esse uso vai caindo com o passar o tempo.<\/p>\n<p>J\u00e1 entre aqueles que optaram por outros m\u00e9todos contraceptivos, 51,1% dos estudantes utilizam p\u00edlula anticoncepcional e 11,7% usam p\u00edlula do dia seguinte, uma op\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, que s\u00f3 deve ser tomada em situa\u00e7\u00f5es excepcionais.<\/p>\n<p>Apesar disso, quatro em cada dez meninas j\u00e1 tomou esse tipo de p\u00edlula pelo menos uma vez na vida.<\/p>\n<p><strong>In\u00edcio da vida sexual<\/strong><br \/>\nEm compara\u00e7\u00e3o com a pesquisa anterior, os dados de 2024 tamb\u00e9m apontam para um in\u00edcio mais tardio da vida sexual: 30,4% dos estudantes de 13 a 17 anos j\u00e1 tinham vivenciado ao menos uma rela\u00e7\u00e3o, 5 pontos percentuais a menos do que em 2019.<\/p>\n<p>A propor\u00e7\u00e3o cai para 20,7% entre os alunos de 13 a 15 anos, e sobe para 47,5% entre aqueles com 16 e 17 anos.<\/p>\n<p>Por outro lado, considerando apenas aqueles que j\u00e1 iniciaram a vida sexual, 36,8% tiveram a primeira rela\u00e7\u00e3o com 13 anos de idade ou menos.<\/p>\n<p>No Brasil, a idade m\u00ednima para o consentimento legal \u00e9 14 anos, e qualquer rela\u00e7\u00e3o com pessoa menor do que essa idade pode configurar estupro de vulner\u00e1vel. Entretanto, os dados da pesquisa apontam que a idade m\u00e9dia da inicia\u00e7\u00e3o sexual foi de 13,3 anos, entre os meninos, e de 14,3 anos, entre as meninas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um quarto das estudantes adolescentes do Brasil j\u00e1 sofreu alguma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia sexual, incluindo toques, beijos ou exposi\u00e7\u00e3o de partes \u00edntimas sem consentimento. O alerta faz parte da Pesquisa Nacional de Sa\u00fade do Escolar (PeNSe), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). 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