{"id":393720,"date":"2026-05-05T21:00:30","date_gmt":"2026-05-06T00:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=393720"},"modified":"2026-05-05T21:02:08","modified_gmt":"2026-05-06T00:02:08","slug":"um-2-a-2-que-ficou-com-o-gostinho-de-um-3-a-0","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/um-2-a-2-que-ficou-com-o-gostinho-de-um-3-a-0\/","title":{"rendered":"Um 2 a 2 que ficou com o gostinho de um 3 a 0"},"content":{"rendered":"<p>No fundo, condom\u00ednio \u00e9 uma pequena cidade suspensa. Tem os silenciosos, os apressados, os que carregam sacolas como quem leva o mundo nas costas e os que distribuem bom dia como se ainda acreditassem na humanidade. E h\u00e1 tamb\u00e9m os vizinhos raros. Precisa e principalmente por isso, aqueles com quem se aprende a conviver sem a necessidade de concordar com tudo.<\/p>\n<p>Ana V\u00e9lez mora no mesmo andar. Entre n\u00f3s existe uma esp\u00e9cie de tratado internacional de conviv\u00eancia pac\u00edfica. Pol\u00edtica, religi\u00e3o e futebol s\u00e3o territ\u00f3rios minados. N\u00e3o porque falte argumento, mas porque sobra paix\u00e3o por um dos temas, e esses, quando mal administrados, derrubam mais imp\u00e9rios do que crises econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>Ainda assim, o futebol, esse velho fabricante de exageros, permite pequenas tr\u00e9guas. E foi exatamente isso que aconteceu na manh\u00e3 da segunda-feira, 4.<\/p>\n<p>Na tarde anterior, Vasco da Gama e Flamengo haviam feito mais um daqueles cl\u00e1ssicos que transformam o Maracan\u00e3 numa esp\u00e9cie de caldeir\u00e3o emocional do Rio de Janeiro. O empate em 2 a 2 terminou oficialmente registrado nas estat\u00edsticas. Mas o futebol, gra\u00e7as a Deus (para ela) e a Al\u00e1 (para mim), nunca foi ci\u00eancia exata. Para os vasca\u00ednos, sair de um 0 a 2 para buscar o empate tinha sabor de epopeia. Quase uma conquista moral. Um trof\u00e9u invis\u00edvel distribu\u00eddo apenas aos que conhecem o sofrimento.<\/p>\n<p>Foi nesse esp\u00edrito que nos cruzamos no sagu\u00e3o do condom\u00ednio. Ana vinha sorrindo. Ela \u00e9 flamenguista assumida, dessas que carregam a camisa rubro-negra como quem veste uma bandeira. Aproximou-se com gentileza e me cumprimentou pelo resultado. Havia ironia, claro, mas tamb\u00e9m aquele humor elegante que s\u00f3 existe entre pessoas que aprenderam a envelhecer sem perder a leveza.<\/p>\n<p>Respondi no mesmo tom:<\/p>\n<p>\u2014 Para o Vasco, aquilo valeu um 3 a 0.<\/p>\n<p>Ela riu.<\/p>\n<p>E foi a\u00ed que a cena ficou pronta, como fotografia antiga guardada dentro de um \u00e1lbum de fam\u00edlia, com Ana sentada no bra\u00e7o da poltrona, usando a camisa do Flamengo; eu acomodado na almofada, devidamente caracterizado como vasca\u00edno, exibindo com a m\u00e3o o provocativo sinal dos \u201c3 a 0\u201d. Nenhuma guerra. Nenhuma discuss\u00e3o. Apenas duas criaturas maduras entendendo que rivalidade boa \u00e9 aquela que termina em gargalhadas.<\/p>\n<p>Talvez a idade fa\u00e7a isso conosco. Porque chega uma fase da vida em que a vit\u00f3ria mais importante n\u00e3o est\u00e1 no placar, mas no privil\u00e9gio de ainda poder brincar com ele. O cl\u00e1ssico acaba. A televis\u00e3o se desliga. As provoca\u00e7\u00f5es diminuem. E o que permanece \u00e9 a boa conviv\u00eancia entre pessoas que aprenderam que o mundo j\u00e1 anda s\u00e9rio demais.<\/p>\n<p>At\u00e9 o pr\u00f3ximo Vasco e Flamengo, seguiremos em paz. Sorridentes. Com aquela serenidade de av\u00f3s que acabam de voltar da casa dos netos. Cansados, \u00e9 verdade, mas felizes e certos de que a ternura, o respeito e a amizade valem mais do que qualquer campeonato.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Seabra \u00e9 CEO Fundador de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No fundo, condom\u00ednio \u00e9 uma pequena cidade suspensa. Tem os silenciosos, os apressados, os que carregam sacolas como quem leva o mundo nas costas e os que distribuem bom dia como se ainda acreditassem na humanidade. E h\u00e1 tamb\u00e9m os vizinhos raros. 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