{"id":393799,"date":"2026-05-06T18:12:41","date_gmt":"2026-05-06T21:12:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=393799"},"modified":"2026-05-06T18:14:28","modified_gmt":"2026-05-06T21:14:28","slug":"jornalismo-sujo-vive-com-dinheiro-do-master","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/jornalismo-sujo-vive-com-dinheiro-do-master\/","title":{"rendered":"Jornalismo sujo vive com dinheiro do Master"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 quadrilhas que assaltam bancos, e outras, mais sofisticadas, que assaltam reputa\u00e7\u00f5es. E Bras\u00edlia, cidade que j\u00e1 defini como a capital erguida em concreto armado que aprendeu a usar gravata italiana, torna-se agora territ\u00f3rio f\u00e9rtil para um novo tipo de crime organizado, a que apelidei de banditismo travestido de jornalismo investigativo que n\u00e3o apura fatos, mas holerites; vem a ser um grupo que se recusa a buscar a verdade, gastando tempo farejando contratos p\u00fablicos como c\u00e3es treinados para localizar carni\u00e7a, sem sucesso.<\/p>\n<p>Aprendi cedo, ainda nos corredores esfuma\u00e7ados da velha imprensa, que jornalismo n\u00e3o \u00e9 profiss\u00e3o para covardes. Muito menos para mercen\u00e1rios. Aos 56 anos de batente, vendo governadores ca\u00edrem, ministros serem engolidos pela pr\u00f3pria soberba e senadores trocarem a liturgia da Tribuna pela tornozeleira eletr\u00f4nica, confesso que poucas vezes vi um ambiente t\u00e3o contaminado quanto o atual p\u00e2ntano digital de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>E o curioso \u00e9 que os canalhas sempre usam palavras bonitas. \u201cTranspar\u00eancia\u201d, \u201cden\u00fancia\u201d, \u201ccombate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o\u201d, \u201ca verdade dos fatos\u201d. Transformam express\u00f5es nobres em guarda-chuva de chantagistas emocionais que vivem da fabrica\u00e7\u00e3o de dossi\u00eas, da montagem de narrativas e da prostitui\u00e7\u00e3o moral do of\u00edcio jornal\u00edstico.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias, resolveram despejar lama sobre Weligton Moraes, o Baiano, secret\u00e1rio de Comunica\u00e7\u00e3o do Governo do Distrito Federal. N\u00e3o entro aqui para defend\u00ea-lo. Weligton n\u00e3o precisa de advogado de reda\u00e7\u00e3o nem de beija-m\u00e3o editorial. Mas existe uma diferen\u00e7a brutal entre cr\u00edtica jornal\u00edstica e execu\u00e7\u00e3o p\u00fablica encomendada. A primeira se sustenta em provas. A segunda nasce em balc\u00f5es abafados, regados a u\u00edsque barato, notas frias e \u00f3dio pol\u00edtico.<\/p>\n<p>O alvo, entretanto, nunca foi apenas o secret\u00e1rio. O alvo \u00e9 maior. O alvo s\u00e3o os blogs independentes. O jornalismo comunit\u00e1rio. Os pequenos portais. Aqueles que sobrevivem sem as b\u00ean\u00e7\u00e3os da V\u00eanus Platinada, sem os tapinhas institucionais da emissora do bispo, sem os afagos comerciais da televis\u00e3o do liban\u00eas ou da rede que um dia pertenceu a um ex-camel\u00f4 transformado em magnata eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p>As perguntas que n\u00e3o querem calar continuam ecoando nos corredores acarpetados da capital. Por que o \u00f3dio seletivo? Por que a mira se volta apenas aos pequenos? Por que tentam destruir quem disputa migalhas de um bolo publicit\u00e1rio legalmente assegurado \u2014 os 10% destinados \u00e0 m\u00eddia regional e comunit\u00e1ria \u2014, enquanto os gigantes seguem blindados, intoc\u00e1veis, quase sagrados? E por que um pernambucano se atreve, sob ordens de quem, a atacar um baiano?<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 simples: os pequenos incomodam. O blogueiro de uma Administra\u00e7\u00e3o Regional incomoda. O portal independente incomoda. O jornalista que n\u00e3o aceita ajoelhar-se diante de agiotas pol\u00edticos, incomoda. O problema nunca foi verba. O problema sempre foi controle. Quem domina a narrativa domina o medo; e quem domina o medo, tenta dominar elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, essa opera\u00e7\u00e3o de esgoto surge justamente \u00e0s v\u00e9speras de uma disputa eleitoral que promete ser uma das mais brutais da hist\u00f3ria do Distrito Federal. Bras\u00edlia volta a feder p\u00f3lvora pol\u00edtica; e quando isso acontece, os ratos saem do subterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>S\u00e3o rat\u00f5es conhecidos, registre-se. Jos\u00e9 Roberto Arruda e Gim Argello talvez sejam os exemplos mais acabados da velha escola da manipula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica brasiliense. Dois personagens que conhecem profundamente os subterr\u00e2neos da intriga, do dossi\u00ea e da destrui\u00e7\u00e3o reputacional. N\u00e3o foram apenas cassados ou presos. A dupla tornou-se s\u00edmbolo de uma cultura pol\u00edtica onde a mentira deixa de ser instrumento e vira m\u00e9todo.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o ponto central. A mentira em Bras\u00edlia virou moeda paralela que circula em grupos fechados de WhatsApp, em perfis an\u00f4nimos, em site de aluguel vulgarmente conhecido como imprensa marrom, em \u201cfuros\u201d produzidos por escrit\u00f3rios de advocacia especializados n\u00e3o em Justi\u00e7a, mas em guerra pol\u00edtica. Muitos desses operadores orbitam o esc\u00e2ndalo do Banco Master como moscas em torno de carne podre vendida por 1 milh\u00e3o de reais. Advogados, contadores, atravessadores, pseudoanalistas financeiros e rep\u00f3rteres que desconhecem p\u00e3o e consomem croissant convivendo no mesmo aqu\u00e1rio de interesses.<\/p>\n<p>\u00c9 em endere\u00e7os assim que informa\u00e7\u00e3o vira commodity criminosa. \u00c9 onde compra-se sil\u00eancio, vende-se reputa\u00e7\u00e3o, fabrica-se esc\u00e2ndalo e enterra-se advers\u00e1rio. Depois aparecem com discurso moralista, como padres b\u00eabados pregando abstin\u00eancia numa porta de cabar\u00e9.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho mais idade para fingir ingenuidade. Conhe\u00e7o Bras\u00edlia demais para acreditar em coincid\u00eancias. Quando um site passa a disparar simultaneamente o mesmo roteiro, os mesmos termos, os mesmos ataques e at\u00e9 os mesmos erros de portugu\u00eas, n\u00e3o estamos diante de jornalismo, mas de cons\u00f3rcio de mil\u00edcia digital, de quadrilha narrativa.<\/p>\n<p>E como quadrilha n\u00e3o se enfrenta com sil\u00eancio eterno, resolvi falar. N\u00e3o para salvar biografia de ningu\u00e9m. Nem para pedir absolvi\u00e7\u00e3o p\u00fablica a quem quer que seja. Mas porque o jornalismo brasileiro j\u00e1 perdeu dignidade demais para aceitar que cafet\u00f5es da mentira se apresentem como guardi\u00f5es da \u00e9tica.<\/p>\n<p>Em situa\u00e7\u00f5es assim, enfatizo a diferen\u00e7a monumental entre imprensa livre e imprensa alugada. Enquanto a livre respira em qualquer ambiente, a alugada trabalha para quem quer voltar &#8211; ou chegar ao poder.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Seabra \u00e9 CEO fundador de Notibras<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quadrilhas que assaltam bancos, e outras, mais sofisticadas, que assaltam reputa\u00e7\u00f5es. 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