{"id":394412,"date":"2026-05-12T00:30:59","date_gmt":"2026-05-12T03:30:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=394412"},"modified":"2026-05-11T14:27:21","modified_gmt":"2026-05-11T17:27:21","slug":"o-beija-flor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/o-beija-flor\/","title":{"rendered":"O beija-flor"},"content":{"rendered":"<p>Deixo, \u00f3 Glaura, a triste lida<br \/>\nSubmergida em doce calma;<br \/>\nE a minha alma ao bem se entrega,<br \/>\nQue lhe nega o teu rigor.<\/p>\n<p>Neste bosque alegre e rindo<br \/>\nSou amante afortunado,<br \/>\nE desejo ser mudado<br \/>\nNo mais lindo beija-flor.<\/p>\n<p>Todo o corpo num instante<br \/>\nSe atenua, exala e perde;<br \/>\n\u00c9 j\u00e1 de oiro, prata e verde<br \/>\nA brilhante e nova cor.<\/p>\n<p>Deixo, \u00f3 Glaura, a triste lida<br \/>\nSubmergi da em doce calma;<br \/>\nE a minha alma ao bem se entrega,<br \/>\nQue lhe nega o teu rigor.<\/p>\n<p>Vejo as penas e a figura,<br \/>\nProvo as asas, dando giros;<br \/>\nAcompanham-me os suspiros,<br \/>\nE a ternura do pastor.<\/p>\n<p>E num v\u00f4o feliz ave<br \/>\nChego intr\u00e9pido at\u00e9 onde<br \/>\nRiso e p\u00e9rolas esconde<br \/>\nO suave e puro amor.<\/p>\n<p>Deixo, \u00f3 Glaura, a triste lida<br \/>\nSubmergida em doce calma;<br \/>\nE a minha alma ao bem se entrega,<br \/>\nQue lhe nega a teu rigor.<\/p>\n<p>Toco o n\u00e9ctar precioso,<br \/>\nQue a mortais n\u00e3o se permite;<br \/>\n\u00c9 o insulto sem limite,<br \/>\nMas ditoso o meu ardor;<\/p>\n<p>J\u00e1 me chamas atrevido,<br \/>\nJ\u00e1 me prendes no rega\u00e7o;<br \/>\nN\u00e3o me assusta o terno la\u00e7o<br \/>\n\u00c9 fingido o meu temor.<\/p>\n<p>Deixo, \u00f3 Glaura, a triste lida<br \/>\nSubmergida em doce calma;<br \/>\nE a minha alma ao bem se entrega,<br \/>\nQue lhe nega o teu rigor.<\/p>\n<p>Se disfar\u00e7as os meus erros,<br \/>\nE me soltas por piedade,<br \/>\nN\u00e3o estimo a liberdade,<br \/>\nBusco os ferros por favor.<\/p>\n<p>N\u00e3o me julgues inocente,<br \/>\nNem abrandes meu castigo,<br \/>\nQue sou b\u00e1rbaro inimigo,<br \/>\nInsolente e roubador.<\/p>\n<p>Deixo, \u00f3 Glaura, a triste lida<br \/>\nSubmergida em doce calma;<br \/>\nE a minha alma ao bem se entrega,<br \/>\nQue lhe nega o teu rigor.<\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Manuel Ign\u00e1cio da Silva Alvarenga (Vila Rica, atual Ouro Preto MG, 1749 &#8211; Rio de Janeiro RJ, 1814). Freq\u00fcentou estudos de Matem\u00e1tica e de Direito Can\u00f4nico na Universidade de Coimbra (Portugal) entre 1773 e 1776. M\u00fasico, mas n\u00e3o seguiu a carreira por proibi\u00e7\u00e3o do pai. De volta ao Brasil, participou da Arc\u00e1dia Romana em Minas, com o pseud\u00f4nimo de Alcindo Palmireno, por volta de 1768, em Ouro Preto MG. Na d\u00e9cada de 1780 foi professor de Ret\u00f3rica e Po\u00e9tica no Rio de Janeiro. Em 1786, foi fundador, elaborador dos estatutos e secret\u00e1rio da Sociedade Liter\u00e1ria, o que o levou a ser preso entre 1794 e 1797, por acusa\u00e7\u00e3o de conspira\u00e7\u00e3o contra o governo; foi solto por clem\u00eancia de D. Maria I. Nos anos de 1813 e 1814 colaborou em O Patriota, de Manuel Ferreira de Ara\u00fajo Guimar\u00e3es, a primeira revista de cultura impressa no Brasil ap\u00f3s a chegada de D. Jo\u00e3o VI.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deixo, \u00f3 Glaura, a triste lida Submergida em doce calma; E a minha alma ao bem se entrega, Que lhe nega o teu rigor. Neste bosque alegre e rindo Sou amante afortunado, E desejo ser mudado No mais lindo beija-flor. 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