{"id":394658,"date":"2026-05-19T01:15:27","date_gmt":"2026-05-19T04:15:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=394658"},"modified":"2026-05-14T06:27:14","modified_gmt":"2026-05-14T09:27:14","slug":"parte-2-miss-docinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/parte-2-miss-docinho\/","title":{"rendered":"PARTE 2 \u2014 MISS DOCINHO"},"content":{"rendered":"<p>Cinco de dezembro. O dia da reuni\u00e3o festiva dos funcion\u00e1rios da f\u00e1brica. Um s\u00e1bado radioso amanheceu sobre o Rio de Janeiro. Singrando os sub\u00farbios, de todos os lados da cidade, um grande n\u00famero de trabalhadores, acompanhados de suas fam\u00edlias, seguiu para o Clube dos Sargentos. \u00c0s dez horas da manh\u00e3, j\u00e1 havia movimento. Gente na quadra, crian\u00e7as na piscina, senhoras conversando sob guarda-s\u00f3is em volta.<\/p>\n<p>O card\u00e1pio era variado. Carnes, molhos, saladas, massas, sobremesas. Tudo a cargo da organiza\u00e7\u00e3o, com material ofertado pela alta dire\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica. Esperava-se, ali\u00e1s, a presen\u00e7a dos diretores, o que se confirmou mais tarde. Discursos emocionados, distribui\u00e7\u00e3o de placas de homenagem, a elei\u00e7\u00e3o do funcion\u00e1rio do ano, faturada pelo Manequinho, um jovem colega do arquivo, e, de brincadeira, foi organizado de \u00faltima hora o concurso de Miss Docinho.<\/p>\n<p>Em meio a muitas risadas e aplausos, algu\u00e9m deu a ideia, que se propagou, e as candidatas surgiram entre as esposas e filhas dos funcion\u00e1rios, e mesmo algumas trabalhadoras. Um dos diretores da f\u00e1brica, a quem haviam servido umas caipirinhas e que j\u00e1 estava bem animado, ofereceu do pr\u00f3prio bolso 500 cruzeiros de pr\u00eamio \u00e0 eleita. J\u00fari formado, m\u00fasica soando por um alto-falante, apresentaram-se as concorrentes.<\/p>\n<p>Entre elas, Ver\u00f4nica, que havia chegado pelas 11 horas da manh\u00e3 com seu pai. Pr\u00f3ximo \u00e0 piscina, ouvi Tel\u00ea me chamando:<\/p>\n<p>\u201c\u00d4 garoto! Cad\u00ea voc\u00ea? Chega a\u00ed, bacana, que hoje eu vim bem acompanhado. Isso aqui n\u00e3o \u00e9 bagun\u00e7a n\u00e3o!\u201d<\/p>\n<p>Foi a primeira vez que vi Ver\u00f4nica. Dentro de um vestido florido, seus bra\u00e7os e pernas eram um complemento \u00e0 natureza. Com olhos de uma cor intraduz\u00edvel, longe da classifica\u00e7\u00e3o dada por seu pai, era simples nos gestos, muito educada, e tinha uma voz suave, com um tom um pouco rouco. Tremia quando a fui cumprimentar, mas acho que n\u00e3o transpareci o nervosismo. Achei-me tolo por pensar estar apaixonado por uma menina de quem s\u00f3 ouvira falar por seu pai. Mas, se n\u00e3o estivesse apaixonado at\u00e9 ent\u00e3o, bastaria aquele primeiro contato.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei quanto tempo peguei sua m\u00e3o, n\u00e3o lembro exatamente que palavras trocamos naquele momento. Ela sorriu para mim, e seu sorriso me pareceu familiar, como se j\u00e1 a conhecesse havia muito tempo. Um doce. Doce de pessoa.<\/p>\n<p>Sem qualquer injusti\u00e7a com as demais concorrentes, Ver\u00f4nica tirou o primeiro lugar no concurso organizado de brincadeira, e foi a Miss Docinho. O diretor entregou-lhe os 500 cruzeiros sob aplausos. Todos cumprimentavam Tel\u00ea.<\/p>\n<p>\u201cQue injusti\u00e7a, hein? Um homem feio desses com uma filha t\u00e3o bonita\u201d, brincava um dos colegas oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cImposs\u00edvel ser tua filha, seu mo\u00e7o. Isso a\u00ed foi troca na maternidade\u201d, provocava outro.<\/p>\n<p>Tudo no clima de camaradagem que imperava na f\u00e1brica. Amizades de longos anos. Uma fam\u00edlia, realmente.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 me havia avisado, Tel\u00ea chegara um pouco mais tarde \u00e0 confraterniza\u00e7\u00e3o, porque estaria comigo at\u00e9 o final no Clube dos Sargentos, ajudando-me, e a outros da equipe, a tudo deixar organizado conforme nos propusemos. E assim foi feito. Embora estiv\u00e9ssemos cansados, houv\u00e9ssemos aproveitado o dia, comido e bebido bem, sa\u00edmos do local quando j\u00e1 passava das 8 horas da noite.<\/p>\n<p>Acompanhei meu amigo e sua filha at\u00e9 o ponto de \u00f4nibus. Amea\u00e7ava uma chuva daquelas, dos ver\u00f5es do Rio de Janeiro, com rel\u00e2mpagos no c\u00e9u. Como a condu\u00e7\u00e3o se demorava, propus pegarmos um t\u00e1xi at\u00e9 o M\u00e9ier e, dali, seguiria para o meu destino.<\/p>\n<p>Em princ\u00edpio, Tel\u00ea recusou. Disse que ficaria caro demais, que o \u00f4nibus j\u00e1 chegava, mas, diante das amea\u00e7as do tempo, cedeu. Entramos num Volkswagen de quatro portas, j\u00e1 na bandeira 2.<\/p>\n<p>Em todos os momentos que pude, conversei com Ver\u00f4nica, puxei assunto, procurei ser simp\u00e1tico. Devo ter agradado, porque ela retribu\u00eda a aten\u00e7\u00e3o e me sorria. Tel\u00ea depois me confessaria que ficara muito feliz com esse entrosamento. Tanto que, ao ingressarmos no t\u00e1xi, deu um jeito de nos deixar sentar juntos no banco de tr\u00e1s, enquanto ele foi no da frente, com o motorista. No trajeto, conversamos amenidades e mais rimos. A simpatia de minha Miss Docinho era intermin\u00e1vel, mesmo confessando-se cansada ap\u00f3s o dia que tivemos.<\/p>\n<p>No caminho, pegamos uma chuva torrencial. O tr\u00e2nsito complicou-se devido ao alagamento da rua que beirava a linha do trem, e, assim, demoramos o triplo do tempo que separava, de carro, o Clube da casa de Tel\u00ea.<\/p>\n<p>L\u00e1 chegando, passou-me pela cabe\u00e7a que seria convidado a entrar, fosse para continuar a conversa ou tomar um caf\u00e9. A princ\u00edpio, recusaria, dizendo que Tel\u00ea precisava descansar, que eu n\u00e3o queria incomodar, mas, depois de alguma insist\u00eancia, aceitaria e poderia ficar mais tempo com Ver\u00f4nica.<\/p>\n<p>Fiquei, no entanto, desapontado quando, abrindo a porta de tr\u00e1s do carro, Tel\u00ea me agradeceu e fez um \u201cat\u00e9 logo\u201d com a m\u00e3o. Tive tempo apenas de trocar um r\u00e1pido olhar com Ver\u00f4nica. Sorrimos ainda um para o outro, e o taxista p\u00f4s-se a caminho. Terminei aquela noite deitado em minha cama, pr\u00f3xima \u00e0 janela do quarto, pensando estar perdidamente apaixonado por aquela garota.<\/p>\n<p>O domingo seguiu sonolento, angustiante, sob o calor do Rio de Janeiro. Enfrentei uma boa hora e meia de \u00f4nibus e fui at\u00e9 a praia. Apesar de cercado por uma multid\u00e3o, estava sozinho. E meu pensamento encontrava-se num sub\u00farbio a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia dali. Rodava sempre em volta do mesmo assunto. Ver\u00f4nica, obviamente. Mas tamb\u00e9m a atitude estranha de Tel\u00ea. N\u00e3o que ele fosse obrigado a me convidar para entrar, mas, se sempre me demonstrara amizade e afeto, era de se esperar que ao menos me chamasse. Mesmo que fosse para eu recusar o convite e nos despedirmos. Mas nada disso fez. Apenas um gesto seco com a m\u00e3o. \u201cAt\u00e9 logo\u201d. E mais nada. Teria eu feito algo de errado? Alguma transforma\u00e7\u00e3o se passara na cabe\u00e7a dele em t\u00e3o pouco espa\u00e7o de tempo?<\/p>\n<p>Iria analisar sua atitude na f\u00e1brica, segunda-feira, mas a ansiedade me consumia.<\/p>\n<p>Ao final do domingo, veio uma chuva pior do que aquela de s\u00e1bado, mas eu j\u00e1 estava em casa, torcendo para vir logo o sono, pois no dia seguinte acordaria e correria para a f\u00e1brica onde, com certeza, Tel\u00ea j\u00e1 se encontraria. Mesmo sob o risco de incomod\u00e1-lo em suas tarefas, adiantaria nosso encontro, que usualmente se dava apenas na hora do almo\u00e7o, para o in\u00edcio do turno de trabalho, e iria at\u00e9 a \u00e1rea onde ele cumpria sua fun\u00e7\u00e3o apenas para medi-lo e observ\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Nem precisei fazer isso. Chegando \u00e0 f\u00e1brica na segunda-feira de manh\u00e3, ele me esperava na porta. Cumprimentou-me efusivamente. Disse que Ver\u00f4nica havia gostado muito de mim, o que o deixava bastante feliz. Queria promover outro encontro de n\u00f3s dois, punha f\u00e9 que haveria namoro. Fiquei desconcertado, em princ\u00edpio, com o entusiasmo do velho. Mas embarquei em sua confian\u00e7a, uma vez que, agora, n\u00f3s dois quer\u00edamos a mesma coisa. Tel\u00ea e eu est\u00e1vamos mais amigos do que nunca.<\/p>\n<p>Dali para frente, os dias foram pontuados por contatos com Ver\u00f4nica. Quase todos os domingos n\u00f3s passe\u00e1vamos. Durante os dias da semana, troc\u00e1vamos cartas. Algumas at\u00e9 com a intermedia\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Tel\u00ea. Em dois meses e meio, est\u00e1vamos namorando seriamente.<\/p>\n<p>Mas ainda havia uma curiosidade: eu n\u00e3o conhecera minha sogra, dona Helade.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia iniciativa, nem do sogro, nem de Ver\u00f4nica, de promover o encontro. Eu tocava no assunto, ambos desconversavam.<\/p>\n<p>\u201cQue diabos!\u201d, reclamei um dia com Tel\u00ea. Baseado na confian\u00e7a e intimidade que t\u00ednhamos, continuei:<\/p>\n<p>\u201cParece at\u00e9 que voc\u00eas est\u00e3o me escondendo alguma coisa. Ser\u00e1 que, sem me conhecer, a sogra j\u00e1 tem algo contra mim?\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 isso n\u00e3o, meu garoto. \u00c9 que nunca lhe contei&#8230; mas a patroa \u00e9 uma pessoa meio dif\u00edcil, um tanto exigente com os outros. Ela custa a tomar confian\u00e7a e simpatizar, sabe como \u00e9? Ent\u00e3o, Ver\u00f4nica e eu estamos preparando o terreno. Mas vamos todos almo\u00e7ar juntos, em breve. Palavra de honra. Aqui n\u00e3o \u00e9 bagun\u00e7a n\u00e3o!\u201d<\/p>\n<p>Diante dessa explica\u00e7\u00e3o de Tel\u00ea, n\u00e3o sabia se sentia receio ou medo mesmo. J\u00e1 contava com o amor de Ver\u00f4nica e com a amizade incondicional de meu sogro. N\u00e3o haveria de conquistar a sogra? Certamente que sim. Era s\u00f3 quest\u00e3o de prepararem a oportunidade.<\/p>\n<p>Pois, um dia, a oportunidade chegou.<\/p>\n<p>Tel\u00ea acercou-se de mim numa de nossas passagens pelo bar \u00e0s sextas-feiras e disse:<\/p>\n<p>\u201cAguardamos voc\u00ea para o almo\u00e7o amanh\u00e3. Pode chegar meio-dia?\u201d<\/p>\n<p>\u201cClaro! Dia de conhecer a sogra? O que voc\u00ea me diz dela?\u201d<\/p>\n<p>\u201cAmanh\u00e3 voc\u00ea ver\u00e1. Mas n\u00e3o esquenta a cabe\u00e7a. J\u00e1 falamos muito bem de voc\u00ea.\u201d<\/p>\n<p>No dia seguinte, com flores nas m\u00e3os para ofertar \u00e0 namorada e \u00e0 sogra, estava no port\u00e3o da casa do M\u00e9ier pouco antes da hora combinada. Tel\u00ea me recebeu com um largo abra\u00e7o. Convidou-me a tomar uma cerveja sob a sombra de uma grande mangueira no quintal, enquanto Ver\u00f4nica e sua m\u00e3e n\u00e3o chegavam. Tinham deixado o almo\u00e7o adiantado e, depois, ido juntas \u00e0 casa de uma vizinha que passava por severas dificuldades de sa\u00fade ap\u00f3s um parto complicado, tendo regressado \u00e0 casa naquele dia. Aguardar\u00edamos um pouco. Elas j\u00e1 estariam ali.<\/p>\n<p>Houve tempo para uma conversa e umas tr\u00eas cervejas. O momento foi prop\u00edcio, pois estava nervoso e consegui relaxar um pouco. Mas subsistia a d\u00favida: por que tanto mist\u00e9rio em torno da sogra? Haveria de me fuzilar com os olhos?<\/p>\n<p>Finalmente, as mulheres da casa chegaram ao cabo de uma hora, mais ou menos. Ver\u00f4nica linda e radiante. A cada dia a amava mais. Atr\u00e1s dela, a m\u00e3e. Que figura!<\/p>\n<p>Seria dif\u00edcil relatar a primeira impress\u00e3o que tive de dona Helade. Seu f\u00edsico e sua roupa preta pareciam n\u00e3o combinar com o tempo em que est\u00e1vamos, apesar do corte contempor\u00e2neo do vestido. Talvez fosse algo no penteado e nos brincos que usava. Mas a imagem remetia ao tempo dos retratos em forma de medalh\u00e3o, com vidro bomb\u00ea.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o tinha cara, mas uma catadura. Era feia mais por antipatia do que pelo formato do rosto. Um cabelo estranho, com fios soltos na testa, grudados no suor. M\u00e3os brutas, com gestos duros. J\u00e1 chegou reclamando algo com Tel\u00ea e Ver\u00f4nica que, chocado com aquela vis\u00e3o, sequer entendi direito.<\/p>\n<p>Mas o que espantava mais era o bu\u00e7o. O bu\u00e7o de dona Helade dava-lhe uma apar\u00eancia c\u00f4mica e suja ao mesmo tempo. Era formado por fios grossos, que quase escondiam a falta do l\u00e1bio superior, de t\u00e3o delgado. A voz tinha um qu\u00ea de autorit\u00e1ria, e ela ralhava por qualquer coisa.<\/p>\n<p>\u201cAh, ent\u00e3o \u00e9 o senhor que trabalha com Tel\u00e9sforo? Que conhece minha filha? Muito bem, esteja \u00e0 vontade.\u201d<\/p>\n<p>Senti falta de ela falar um \u201cprazer em conhec\u00ea-lo\u201d. Ela preferiu ser dura e antip\u00e1tica. O tempo todo. Sabe aquela pessoa que nunca se esfor\u00e7a para agradar? Era o caso.<\/p>\n<p>Ao menos o almo\u00e7o foi bom, preparado por ela e Ver\u00f4nica. Cerveja gelada \u00e0 vontade, que Tel\u00ea me servia t\u00e3o logo notava meu copo quase vazio.<\/p>\n<p>Rimos e conversamos sentados \u00e0 mesa da cozinha. Corria um vento agrad\u00e1vel por ali, amenizando o calor suburbano. E dona Helade, o tempo todo, calada. Fez poucas interven\u00e7\u00f5es, mal participou da conversa.<\/p>\n<p>As poucas vezes em que abriu a boca foi para reclama\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Reclamou de uma vizinha que havia comprado um galo, reclamou do pre\u00e7o dos g\u00eaneros aliment\u00edcios, reclamou do calor e da po\u00e7a d\u2019\u00e1gua em frente ao ponto de \u00f4nibus. O pior foi a forma com que se dirigia \u00e0 filha e a Tel\u00ea:<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea n\u00e3o faz nada direito.\u201d<\/p>\n<p>\u201cMeu trabalho nessa casa s\u00f3 aumenta.\u201d<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 estou velha, queria estar descansando. E sou a gata borralheira. Sempre fui.\u201d<\/p>\n<p>A mulher sofria de um mau humor cr\u00f4nico. Nada a deixava satisfeita. Era craque em ver defeitos nas pessoas e apont\u00e1-los cruamente. Ali, naquele primeiro encontro, vi apenas a ponta do iceberg. Depois vi que era pior, muito pior do que aquilo.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, olhava para Ver\u00f4nica e todas as nuvens daquele c\u00e9u de tempestade se dissipavam. Dali em diante, nunca mais ficaria confort\u00e1vel no mesmo ambiente que dona Helade, e ela seria minha sogra para o resto da vida. Parece que a antipatia foi m\u00fatua. N\u00e3o que ela tenha come\u00e7ado a implicar comigo. Ao menos n\u00e3o come\u00e7ou logo de cara. Mas, simp\u00e1tica&#8230; jamais foi.<\/p>\n<p>\u2026\u2026\u2026<br \/>\n(\u2026) continua amanh\u00e3, no\u00a0<strong>Caf\u00e9 Liter\u00e1rio<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cinco de dezembro. O dia da reuni\u00e3o festiva dos funcion\u00e1rios da f\u00e1brica. Um s\u00e1bado radioso amanheceu sobre o Rio de Janeiro. Singrando os sub\u00farbios, de todos os lados da cidade, um grande n\u00famero de trabalhadores, acompanhados de suas fam\u00edlias, seguiu para o Clube dos Sargentos. \u00c0s dez horas da manh\u00e3, j\u00e1 havia movimento. 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