{"id":394704,"date":"2026-05-14T00:01:59","date_gmt":"2026-05-14T03:01:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=394704"},"modified":"2026-05-14T08:50:43","modified_gmt":"2026-05-14T11:50:43","slug":"lavagem-da-escadaria-do-bixiga-reafirma-presenca-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/lavagem-da-escadaria-do-bixiga-reafirma-presenca-negra\/","title":{"rendered":"Lavagem da Escadaria do Bixiga reafirma presen\u00e7a negra"},"content":{"rendered":"<p>Um cortejo formado majoritariamente por mulheres negras e liderado pelo bloco afro Il\u00fa Ob\u00e1 de Min percorreu as ruas do Bixiga na noite desta quarta (13), espalhando \u00e1gua de cheiro e fazendo ecoar o som de seus tambores e de suas vozes.<\/p>\n<p>O ato pol\u00edtico, cultural e simb\u00f3lico ocorre desde 2006 na Rua 13 de Maio e na Escadaria do Bixiga, no centro da capital paulista, e \u00e9 um manifesto contra o que chamam de falsa liberdade e falsa aboli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada sempre no dia em que se celebra a Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura, institu\u00edda pela Lei \u00c1urea em 1888 e assinada pela Princesa Isabel.<\/p>\n<p>Segundo Beth Beli, presidenta, diretora art\u00edstica e regente do bloco, a lavagem do Bixiga pretende \u201ciluminar nossas narrativas e recontar a hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEsse ato tem a ver com iluminar as nossas hist\u00f3ria e iluminar as mulheres negras\u201d, afirmou \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, lembrando que o uso de tambores \u00e9 importante para lembrar que \u00e9 um instrumento milenar bastante utilizado para a comunica\u00e7\u00e3o e que amplifica a voz dessas mulheres.<\/p>\n<p>\u201cSe a gente tem alguma arma, a arma \u00e9 o nosso tambor\u201d.<\/p>\n<p>A escolha pelo Bixiga, destacou, n\u00e3o \u00e9 circunstancial, j\u00e1 que a regi\u00e3o, embora conhecida pelas cantinas italianas, foi um importante territ\u00f3rio negro da cidade de S\u00e3o Paulo, local onde existiu o Quilombo Saracura e que tamb\u00e9m \u00e9 marcado pelo surgimento do samba paulistano.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo 20, a \u00e1rea era conhecida como Pequena \u00c1frica.<\/p>\n<p>\u201cIsso tamb\u00e9m \u00e9 para lembrar que esse bairro nunca foi italiano, ele sempre foi dos povos africanos. E a\u00ed, se vai se chegando \u00e0 col\u00f4nia, que foi um projeto de branquear o Brasil.\u201d<\/p>\n<p>Em manifesto lido e distribu\u00eddo para a popula\u00e7\u00e3o que acompanhou o ato, o bloco destacou a luta hist\u00f3rica das mulheres negras.<\/p>\n<p>\u201cMulheres negras sempre estiveram na linha de frente das rebeli\u00f5es e lutas do nosso povo. Essas lutas atravessam s\u00e9culos e s\u00e3o exemplo de incans\u00e1vel batalha pela liberdade. Um grito por liberdade que pode ser ouvido ainda hoje na coletividade feminina, que se organiza para combater as opress\u00f5es do capitalismo, racismo, machismo, capacitismo, misoginia e lgbtqiap+fobia! Rejeitamos o legado cruel do colonialismo e da domina\u00e7\u00e3o branca para construirmos nossos pr\u00f3prios valores, padr\u00f5es e perspectivas de vida com a base s\u00f3lida na coopera\u00e7\u00e3o m\u00fatua\u201d, diz o manifesto.<\/p>\n<p><strong>Lavagem da mentira<\/strong><br \/>\nDepois da leitura, o bloco saiu em cortejo pelas ruas do bairro, lavando-as com \u00e1gua de cheiro para mostrar a for\u00e7a da voz, do corpo e do batuque das mulheres negras.<\/p>\n<p>O ato de lavar a rua, diz o movimento, \u00e9 um gesto para dizer que a presen\u00e7a negra nesse territ\u00f3rio n\u00e3o pode ser apagada.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 a lavagem da rua da mentira, porque a gente entende que o que ocorreu foi uma falsa aboli\u00e7\u00e3o. A gente vem aqui recontar uma hist\u00f3ria de 500 anos. S\u00f3 que a narrativa aqui \u00e9 contada pela voz das mulheres negras.\u201d<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o da lavagem no Bixiga foi iniciada pelo coletivo Ori Ax\u00e9 e agora \u00e9 realizada pelo Il\u00fa Ob\u00e1 de Min como uma forma de legado e de resist\u00eancia. Fundado pelas percussionistas Beth Beli, Adriana Arag\u00e3o e Girlei Miranda, o bloco re\u00fane um coletivo de 420 integrantes em sua bateria e corpo de dan\u00e7a, tendo completado 20 anos em 2024.<\/p>\n<p>Desde que surgiu, o Il\u00fa Ob\u00e1 de Min abre as celebra\u00e7\u00f5es do carnaval de rua em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cA lavagem \u00e9 um feiti\u00e7o mesmo, para limpar a gente dessas mazelas, porque a escravid\u00e3o deixou uma heran\u00e7a muito cruel para n\u00f3s, pessoas pretas. Ent\u00e3o, quando a gente lava com a \u00e1gua de cheiro, a gente lembra de onde realmente a gente vem e quais s\u00e3o as nossas origens.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um cortejo formado majoritariamente por mulheres negras e liderado pelo bloco afro Il\u00fa Ob\u00e1 de Min percorreu as ruas do Bixiga na noite desta quarta (13), espalhando \u00e1gua de cheiro e fazendo ecoar o som de seus tambores e de suas vozes. 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