{"id":398073,"date":"2026-06-17T01:15:12","date_gmt":"2026-06-17T04:15:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=398073"},"modified":"2026-06-10T00:43:52","modified_gmt":"2026-06-10T03:43:52","slug":"j-emiliano-cruz-o-rei-dos-folhetins-abre-as-portas-da-sua-oficina-de-criacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/j-emiliano-cruz-o-rei-dos-folhetins-abre-as-portas-da-sua-oficina-de-criacao\/","title":{"rendered":"J. Emiliano Cruz, o rei dos folhetins, abre as portas da sua oficina de cria\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A coluna <strong>Vozes da Literatura<\/strong> de hoje tem a honra de receber o escritor J. Emiliano Cruz, carinhosamente apelidado por seus leitores e pela cr\u00edtica como &#8220;o rei dos folhetins&#8221;. Dono de uma escrita que transita com maestria entre a cr\u00f4nica urbana, o conto e o resgate hist\u00f3rico, o autor pertence \u00e0 chamada Gera\u00e7\u00e3o X, posicionando-se como uma ponte viva entre a era anal\u00f3gica e a revolu\u00e7\u00e3o digital. Com um estilo profundamente marcado por sua forma\u00e7\u00e3o de escritor-historiador, Cruz utiliza ferramentas como a intui\u00e7\u00e3o, a associa\u00e7\u00e3o de ideias e a mem\u00f3ria para tecer narrativas que desafiam o tempo, capturando o cotidiano com a precis\u00e3o de um observador atento e a sensibilidade de um artista da palavra.<\/p>\n<p>Nesta conversa exclusiva, o autor revela como sua bagagem de leitor cl\u00e1ssico e sua paix\u00e3o pela filosofia \u2014 considerada por ele uma irm\u00e3 siamesa da literatura \u2014 funcionam como b\u00fassolas morais para a constru\u00e7\u00e3o de seus enredos. Ao longo da entrevista, Cruz defende um lugar de fala pautado no humanismo radical e no frontal inconformismo contra as estruturas de opress\u00e3o social. Entre reflex\u00f5es sobre o papel da fic\u00e7\u00e3o na era da p\u00f3s-verdade e a imortalidade dos grandes cronistas brasileiros, ele nos convida a entender como equilibra o rigor dos fatos reais com o tempero do fant\u00e1stico, transformando a leitura em um permanente e valioso ato de aprendizado.<\/p>\n<p><strong>Como a sua bagagem como leitor de grandes cl\u00e1ssicos molda diretamente a sua voz na escrita criativa, e de que forma ler criticamente ajuda a destravar o seu pr\u00f3prio processo de cria\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>A leitura dos cl\u00e1ssicos \u00e9 mais do que uma bagagem valiosa que est\u00e1 sempre presente no banco ao lado do ve\u00edculo que conduzimos, na verdade, \u00e9 uma lente que pode mostrar caminhos muito ricos para a pena do escritor. Por outro lado, a leitura cr\u00edtica sinaliza necess\u00e1rias rupturas com f\u00f3rmulas que tendem a engessar uma hist\u00f3ria. Por exemplo, penso que um enredo pode ter momentos de reflex\u00e3o, emo\u00e7\u00e3o e humor alternadamente, sem perder o sentido e o encanto.<\/p>\n<p>De todo modo, acredito que cada escritor pode e deve tra\u00e7ar os pr\u00f3prios roteiros para beber na fonte da genialidade dos cl\u00e1ssicos e desbravar os pr\u00f3prios caminhos bem acompanhado dessas preciosas refer\u00eancias.<\/p>\n<p>Uma ponte que gosto de construir em meus contos: justapor refer\u00eancias de obras cl\u00e1ssicas (romances e filmes) e figuras hist\u00f3ricas proeminentes, com aspectos pol\u00edticos e sociais da atualidade e, assim, possibilitar rela\u00e7\u00f5es entre esses espa\u00e7os\/tempos para uma reflex\u00e3o do leitor, como ocorre no conto <em>A dupla transmigra\u00e7\u00e3o de Alexandre, o grande<\/em>.<\/p>\n<p><strong>A literatura contempor\u00e2nea frequentemente flerta com a filosofia. Quais grandes pensadores ou correntes filos\u00f3ficas servem de b\u00fassola moral e existencial para os conflitos que voc\u00ea desenvolve em suas p\u00e1ginas?<\/strong><\/p>\n<p>Considero a filosofia uma irm\u00e3 siamesa da literatura, uma indispens\u00e1vel companheira de viagem. No mundo ocidental, isso j\u00e1 come\u00e7ou com os supremos mestres da filosofia e da literatura na antiga Gr\u00e9cia. No ato da escrita, frequentemente a minha mente costuma visitar os postulados de alguns fil\u00f3sofos que iluminaram as minhas reflex\u00f5es a partir da juventude, sempre buscando um di\u00e1logo entre eles e os enredos que desenvolvo. Nesse processo, al\u00e9m dos luminares gregos (S\u00f3crates, Plat\u00e3o, Arist\u00f3teles, Her\u00e1clito, Parm\u00eanides&#8230;), costumo humildemente chamar para a minha mesa tanto fil\u00f3sofos da ordem quanto do caos, da assertividade e da ironia, da \u00e1gua e do fogo, entre eles: S\u00eaneca, Kant, Hegel, Voltaire, Rousseau, Hobbes, Marx, Nietzche, Bertrand Russel, Bauman, Sartre, Marilena Chaui. Outrossim, o fil\u00f3sofo romano S\u00eaneca j\u00e1 foi um ilustre protagonista de um conto de minha autoria (<em>Do imp\u00e9rio romano \u00e0 Am\u00e9rica de hoje<\/em>).<\/p>\n<p><strong>Diante da hegemonia das m\u00eddias digitais e do consumo r\u00e1pido de informa\u00e7\u00e3o, qual \u00e9 o espa\u00e7o e a relev\u00e2ncia da cr\u00f4nica urbana hoje, especialmente se comparada ao tempo de mestres como Rubem Braga e Drummond?<\/strong><\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o X, da qual fa\u00e7o parte, ainda est\u00e1 tentando entender a revolu\u00e7\u00e3o digital e seus impactos na mente das novas gera\u00e7\u00f5es. Somos a ponte entre duas eras e administramos a nossa perplexidade com todas as mudan\u00e7as de h\u00e1bitos que ainda est\u00e3o em processamento. Isso inclui, evidentemente, a quest\u00e3o da leitura e suas novas possibilidades e nichos.<\/p>\n<p>Apesar do atual apelo ao utilitarismo, imediatismo e \u00e0 leitura de textos cada vez mais sint\u00e9ticos, tenho a esperan\u00e7a de que a democratiza\u00e7\u00e3o trazida pela internet seja uma conquista que amplie o n\u00famero de leitores que se encantem pela magia da literatura. Outrossim, acredito que o prazer da leitura das cr\u00f4nicas reflexivas por uma significativa parcela das pessoas sempre vai subsistir, assim como sempre ser\u00e3o imortais Drumond, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o, Luis Fernando Verissimo e tantos outros.<\/p>\n<p><strong>Sendo a literatura e o jornalismo historicamente entrela\u00e7ados no Brasil, como voc\u00ea equilibra o rigor da observa\u00e7\u00e3o dos fatos com a liberdade da inven\u00e7\u00e3o ficcional na sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p>Penso que a realidade veross\u00edmil dos fatos sempre ser\u00e1 a base de uma literatura que fa\u00e7a sentido para os leitores. Assim como uma boa hist\u00f3ria de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica deve partir de postulados reconhecidos pela ci\u00eancia, uma hist\u00f3ria que inclua o fant\u00e1stico e se deseja interessante deve come\u00e7ar pelo cotidiano vivenciado pelas pessoas. Deve haver um elo permanente entre a realidade objetiva e a liberdade criativa do autor que convida o leitor para viajar nas asas da imagina\u00e7\u00e3o e do inusitado. O real-real \u00e9 a carne, o real-fant\u00e1stico \u00e9 o sal, este \u00e9 o esfor\u00e7o a que invariavelmente me proponho, como busquei fazer no conto <em>O homem nu, o fantasma e a mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Escrever fic\u00e7\u00e3o em tempos de p\u00f3s-verdade imp\u00f5e novos limites. Como a literatura pode atuar como um ref\u00fagio da verdade humana ou uma ferramenta de den\u00fancia em um mundo saturado de narrativas distorcidas?<\/strong><\/p>\n<p>Na minha vis\u00e3o, o desmascaramento de falsas narrativas hist\u00f3ricas sempre ser\u00e1 um dever moral da escrita liter\u00e1ria que se quer digna, independentemente do estilo de cada escritor. A den\u00fancia das injusti\u00e7as socais, das inf\u00e2mias, do estigmatismo e o questionamento de um status quo opressivo e manipulador \u00e9 a marca dos grandes escritores cujas mensagens se tornaram imortais. Nesse sentido, lembro imediatamente de \u00c9mile Zola e sua atua\u00e7\u00e3o no caso Dreyfus, bem como frequentemente nas obras de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, Jorge Amado, E\u00e7a de Queiroz, \u00c9rico Verissimo e tantos outros.<\/p>\n<p>Incluo tamb\u00e9m nos meus enredos contesta\u00e7\u00f5es a vis\u00f5es hist\u00f3ricas unilaterais de autores\/diretores de cinema motivadas pela vis\u00e3o ideol\u00f3gica e\/ou experi\u00eancia pessoal\/intimista do roteirista, onde situa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas estruturais por demais complexas s\u00e3o vistas apenas por uma lente, caso da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e do filme <em>Danton, o processo da Revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, que abordei no conto <em>Meu carrasco favorito \u2013 Danton, Robespierre e os (des)caminhos da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa<\/em>.<\/p>\n<p><strong>O dom\u00ednio das t\u00e9cnicas espec\u00edficas de cada g\u00eanero textual liberta ou aprisiona a criatividade? Como o conhecimento formal de estrutura diferencia um autor amador de um escritor profissional?<\/strong><\/p>\n<p>Penso que cada escritor tem mais ou menos gosto\/facilidade para alternar ou n\u00e3o os g\u00eaneros e as t\u00e9cnicas liter\u00e1rias na sua escrita. \u00c9 uma quest\u00e3o de liberdade criativa que somente a formata\u00e7\u00e3o individual do estilo stricto sensu de cada um pode manifestar na sua obra. Como exemplo de escritor que agregou com leveza e brilhantismo mais de um estilo, cito o grande e sempre atual Luis Fernando Verissimo.<\/p>\n<p>Quanto ao conhecimento da estrutura formal, \u00e9 um aprendizado permanente que todos os escritores \u2014 sejam profissionais ou n\u00e3o \u2014 precisam desenvolver \u00e0 medida em que se autodescobrem, todavia, meu processo criativo pessoal tem como alavancas a intui\u00e7\u00e3o, a associa\u00e7\u00e3o e a mem\u00f3ria hist\u00f3rica, certamente um cacoete de todos os escritores-historiadores, experi\u00eancia que exteriorizei no conto <em>C\u00e9sar e Napole\u00e3o, um bate-papo entre os preferidos dos deuses<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea define o seu &#8220;lugar de fala&#8221; na literatura atual e de que maneira essa posi\u00e7\u00e3o influencia a receptividade, as cr\u00edticas e a conex\u00e3o emocional com o seu p\u00fablico leitor?<\/strong><\/p>\n<p>Buscar o seu lugar de fala sempre ser\u00e1 um grande desafio para um escritor. N\u00e3o \u00e9 um processo simples, pois possui muitas vari\u00e1veis: existenciais, sociol\u00f3gicas, pol\u00edticas etc. e se define \u00e0 medida em que a sua obra avan\u00e7a. Outrossim, um escritor pode ser lido por m\u00faltiplos nichos de leitores e ser mais ou menos recepcionado em cada um deles, n\u00e3o obstante, meu lugar de fala sempre ser\u00e1 de humanismo radical e de frontal inconformismo com as estruturas de opress\u00e3o que acompanham a civiliza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos tempos.<\/p>\n<p>Por outro lado, como j\u00e1 ouvi de uma amiga e colega, a rea\u00e7\u00e3o de cada leitor frente a cada texto \u2014 no caso conto ou cr\u00f4nica \u2014 \u00e9 sempre uma inc\u00f3gnita e, a cada retorno, sempre haver\u00e1 um valioso aprendizado para o escritor que deseja evoluir. Um exemplo de lugar de fala por demais clarividente, explicitei no conto que teve a Guerra do Contestado como tema: <em>Contestado, a guerra esquecida \u2014 Deus e o diabo nas terras do sul<\/em>.<\/p>\n<p><strong>O escritor Daniel Machi afirma que os autores precisam abandonar o ego\u00edsmo de querer aparecer individualmente em prol de algo maior, que \u00e9 a pr\u00f3pria literatura, criando redes de apoio m\u00fatuo para se fortalecerem e ganharem visibilidade. Voc\u00ea concorda com essa vis\u00e3o sobre o papel do coletivo no mercado editorial?<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, o Daniel, nosso escritor cinematogr\u00e1fico, est\u00e1 coberto de raz\u00e3o! A literatura, at\u00e9 por defini\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica, \u00e9 um fazer coletivo permanente. Escrever \u00e9 se colocar no coletivo e fazer parte do todo que nos cerca, influenciando e sendo influenciados a todo instante. Especialmente nos duros tempos em que vivemos, para mim, escrever sem um sentido coletivo, generosidade e parceria seria um ato de sentido muito pobre e uma manifesta\u00e7\u00e3o de egocentrismo inconceb\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Escrever costuma ser um ato solit\u00e1rio, mas as oficinas de escrita criativa e os grupos de coletividade t\u00eam crescido. Como a troca de experi\u00eancias e o feedback desses espa\u00e7os impactam o refinamento dos seus textos?<\/strong><\/p>\n<p>O aprendizado qualificado se torna uma espiral exponencial \u00e0 medida em que nos abrimos para a troca de experi\u00eancias. Preservada a individualidade e o DNA de cada autor, essa abertura existencial reafirma que somos parte de um todo, assim como as c\u00e9lulas de cada ser ou os planetas de cada gal\u00e1xia que est\u00e3o em permanente conex\u00e3o. Neste sentido, professo que os meus textos estar\u00e3o sempre enxarcados de observa\u00e7\u00f5es colhidas em discuss\u00f5es com colegas, de refer\u00eancias a personagens hist\u00f3ricos\/ficcionais, de correla\u00e7\u00f5es de conjunturas de diferentes \u00e9pocas e de men\u00e7\u00f5es diretas e indiretas a obras cinematogr\u00e1ficas universais, at\u00e9 porque esses s\u00e3o os alimentos de um escritor-historiador.<\/p>\n<p><strong>O escritor Eduardo Cesario-Mart\u00ednez defende uma vis\u00e3o otimista de que a melhor gera\u00e7\u00e3o de escritores \u00e9 a atual, e que as futuras ser\u00e3o ainda melhores gra\u00e7as \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o da escrita pela internet. Como voc\u00ea enxerga esse impacto da tecnologia na qualidade da nova produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p>Vejo com muita simpatia e esperan\u00e7a a vis\u00e3o otimista do meu amigo Ed Mart\u00ednez, o nosso primeiro escritor, um verdadeiro paladino da generosidade liter\u00e1ria e da simpatia pessoal, tudo em d\u00f3 maior. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que os m\u00faltiplos canais da internet democratizaram os espa\u00e7os do conhecimento, nisso inclu\u00eddos o incentivo ao surgimento de novos talentos e a amplia\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o para quem quer se expressar via arte da literatura. De outra parte, existe um apelo comercial das redes para o imediatismo e a superficialidade das mat\u00e9rias postadas, sendo ainda raros os grandes espa\u00e7os que cultivam a literatura de forma reflexiva e democr\u00e1tica. Essa nova dial\u00e9tica vai evoluir e resta torcermos para os aspectos positivos da internet superarem os v\u00edcios que a mesma traz na sua esteira.<\/p>\n<p><strong>A escrita criativa \u00e9 um espelho ou uma fuga? De que forma o seu trabalho liter\u00e1rio funciona como uma ferramenta de di\u00e1logo interno com as suas pr\u00f3prias ang\u00fastias e, ao mesmo tempo, de debate com os problemas do mundo?<\/strong><\/p>\n<p>Eu diria que o ato da cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria \u00e9 um jogo de espelhos onde o escritor enxerga o reflexo de si mesmo, s\u00f3 que tisnado pelo olhar dos seus leitores.<br \/>\nEssa \u00e9 uma quest\u00e3o muito interessante na g\u00eanese de todos os escritores, seres que ousam transformar os seus pensamentos em entes aut\u00f4nomos (suas obras) que dialogam com o mundo e com eles pr\u00f3prios. Acredito que cada experi\u00eancia \u00e9 muito individual, mas, ao mesmo tempo, revela uma necessidade existencial comum de enxergar a si pr\u00f3prio de um ponto de vista exterior. Em outra dimens\u00e3o, assim como ocorre em todos os g\u00eaneros art\u00edsticos, escrever \u00e9 tamb\u00e9m uma busca para colocar a nossa marca pessoal no l\u00fadico coletivo universal.<\/p>\n<p>Cito como uma resposta emblem\u00e1tica direta para essa excelente pergunta o conto deste autor em coautoria com a escritora Br\u00edgida de Poli, recentemente publicado no <strong>Caf\u00e9 Liter\u00e1rio<\/strong>: <a href=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/a-rebeliao-dos-personagens-malditos\/\"><em>Literatura em transe \u2013 A rebeli\u00e3o dos personagens malditos<\/em><\/a>.<\/p>\n<div id=\"attachment_398200\" style=\"width: 387px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-398200\" class=\" wp-image-398200\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/JECRUZ85-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"377\" height=\"503\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/JECRUZ85-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/JECRUZ85-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/JECRUZ85-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/JECRUZ85-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/JECRUZ85-scaled.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 377px) 100vw, 377px\" \/><p id=\"caption-attachment-398200\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Eu me vejo muito pol\u00edmata&#8221;<\/p><\/div>\n<p><strong>Muitos autores constroem carreiras pol\u00edmatas, dividindo-se entre outras profiss\u00f5es (como a ci\u00eancia, o direito ou a educa\u00e7\u00e3o) e as letras. Como a sua atua\u00e7\u00e3o fora das p\u00e1ginas alimenta a profundidade e a diversidade tem\u00e1tica dos seus cen\u00e1rios e personagens?<\/strong><\/p>\n<p>Eu me vejo muito pol\u00edmata, posto que, ao lado do escritor, j\u00e1 caminhou o estudante, o militar, o banc\u00e1rio, o professor, o sindicalista, o orador e atualmente o funcion\u00e1rio p\u00fablico. Acredito que as atividades paralelas \u00e0 escrita profissional ou semiprofissional trazem elementos muito ricos para a elabora\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. No meu caso, in\u00fameros contos nasceram de viv\u00eancias, narrativas de terceiros, observa\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias no \u00e2mbito profissional e tamb\u00e9m pessoal que cada ambiente me propiciou vivenciar. Na verdade mais po\u00e9tica, acredito que a literatura est\u00e1 sempre latente no dia a dia, bastando a sensibilidade e a aten\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para convidarmos essa bela feiticeira para dan\u00e7ar lindamente nas nossas telas e cadernos.<\/p>\n<p>Como uma inconfid\u00eancia, cito aqui um conto que integra a colet\u00e2nea \u00e0 qual publiquei ainda esse ano (<em>A felicidade e os ris\u00edveis amores de todos n\u00f3s<\/em>) e que se desenrolou exatamente em meio ao ambiente profissional paralelo desse autor: <em>Imaculadas: as noivas de Rio Branco<\/em>, obra tamb\u00e9m escrita em parceria com a jornalista e escritora Br\u00edgida De Poli.<\/p>\n<p><strong>O mercado editorial atual exige que o autor seja tamb\u00e9m o seu pr\u00f3prio divulgador nas redes sociais. Como criar uma presen\u00e7a digital aut\u00eantica e engajar leitores sem deixar que as m\u00e9tricas de internet corrompam a ess\u00eancia e a profundidade da sua literatura?<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, esse \u00e9 um grande desafio especialmente para os escritores da gera\u00e7\u00e3o X. Eu ainda estou desenvolvendo essa compet\u00eancia e tenho muito que aprender sobre o tema, posto que existe tamb\u00e9m o \u00e1rduo desafio de \u201cconvencer\u201d o algoritmo a mostrar o nosso trabalho para os usu\u00e1rios das redes. \u00c9 um desafio em que, mais do que nunca, as parcerias s\u00e3o fundamentais para uma caminhada prof\u00edcua. Tamb\u00e9m nesse sentido, o espa\u00e7o <strong>Caf\u00e9 Liter\u00e1rio\/Notibras<\/strong> est\u00e1 de parab\u00e9ns pela magn\u00edfica emula\u00e7\u00e3o que concede aos seus autores.<\/p>\n<p><strong>Pensando nos espa\u00e7os democr\u00e1ticos de publica\u00e7\u00e3o, como o Caf\u00e9 Liter\u00e1rio ou portais de jornalismo cultural, qual a import\u00e2ncia desses canais na oxigena\u00e7\u00e3o do mercado e na revela\u00e7\u00e3o de novos talentos que enfrentam barreiras nas grandes editoras?<\/strong><\/p>\n<p>Na minha opini\u00e3o, o <strong>Caf\u00e9 Liter\u00e1rio<\/strong> \u00e9 um exemplo de vanguarda a ser seguido, uma refer\u00eancia luminosa de democracia e de acolhimento para novos autores, pois n\u00e3o apenas abre espa\u00e7o e acolhe, como tamb\u00e9m emula e d\u00e1 confian\u00e7a para talentos fora do circuito comercial acreditarem no seu potencial e irem \u00e0 luta com uma tocha de esperan\u00e7a nas m\u00e3os. Penso que, quando no Brasil houver dezenas de <strong>Caf\u00e9s Liter\u00e1rios<\/strong>, estaremos muito pr\u00f3ximos de uma revolu\u00e7\u00e3o gloriosa na literatura e no status quo que define o perfil cultural do pa\u00eds.<\/p>\n<div id=\"attachment_398196\" style=\"width: 680px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-398196\" class=\" wp-image-398196\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/573112025_841475065134682_2371559120043151336_n-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"670\" height=\"446\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/573112025_841475065134682_2371559120043151336_n-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/573112025_841475065134682_2371559120043151336_n-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/573112025_841475065134682_2371559120043151336_n.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><p id=\"caption-attachment-398196\" class=\"wp-caption-text\">J. Emiliano ao lado de outros escritores do Caf\u00e9 Liter\u00e1rio (Imagem elaborada por Francisco Filipino)<\/p><\/div>\n<p><strong>Para encerrarmos, se voc\u00ea pudesse escolher apenas uma \u00fanica mensagem, ang\u00fastia ou reflex\u00e3o para imortalizar na mente de quem l\u00ea a sua obra hoje, qual seria?<\/strong><\/p>\n<p>Eu emularia o inigual\u00e1vel Chico Buarque \u201cdo Brasil\u201d, um g\u00eanio imortal ainda em vida, autor de uma obra incomensur\u00e1vel. Desse universo admir\u00e1vel, cito dois singelos versos cujo paradoxo po\u00e9tico e profunda mensagem existencial, encantam, consolam, massageiam as nossas mentes e d\u00e3o leveza aos nossos cora\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>\u201cEu j\u00e1 nem lembro pronde mesmo que vou,<br \/>\nmas vou at\u00e9 o fim!\u201d.<\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>J. Emiliano Cruz [Instagram Jorge23215] \u00e9 funcion\u00e1rio p\u00fablico federal, escritor e historiador, autor da colet\u00e2nea de contos \u201cA FELICIDADE E OS RIS\u00cdVEIS AMORES DE TODOS N\u00d3S\u201d, dispon\u00edvel no link da Estante Virtual:<\/strong><br \/>\n<strong>.<a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/livro\/a-felicidade-e-os-risiveis-amores-de-todos-nos-O4P-6970-000\">https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/livro\/a-felicidade-e-os-risiveis-amores-de-todos-nos-O4P-6970-000<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A coluna Vozes da Literatura de hoje tem a honra de receber o escritor J. Emiliano Cruz, carinhosamente apelidado por seus leitores e pela cr\u00edtica como &#8220;o rei dos folhetins&#8221;. 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