{"id":399518,"date":"2026-06-25T01:15:17","date_gmt":"2026-06-25T04:15:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=399518"},"modified":"2026-06-18T14:51:16","modified_gmt":"2026-06-18T17:51:16","slug":"a-literatura-feita-de-chao-rocha-e-barro-de-maria-jose-de-melo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/a-literatura-feita-de-chao-rocha-e-barro-de-maria-jose-de-melo\/","title":{"rendered":"A literatura feita de ch\u00e3o, rocha e barro de Maria Jos\u00e9 de Melo"},"content":{"rendered":"<p>A literatura que pulsa fora dos eixos tradicionais de mercado encontra sua maior pot\u00eancia quando finca suas ra\u00edzes na realidade crua da experi\u00eancia humana. Nesta edi\u00e7\u00e3o da coluna <strong>Vozes da Literatura<\/strong>, trazemos o forte depoimento da escritora e ge\u00f3grafa Maria Jos\u00e9 de Melo, uma intelectual de origem camponesa do Agreste pernambucano cuja escrita recusa o verniz da ilus\u00e3o e se assume como &#8220;ch\u00e3o, rocha e barro&#8221;. Rejeitando categoricamente a fic\u00e7\u00e3o em sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, Maria Jos\u00e9 utiliza o rigor metodol\u00f3gico e a lente conceitual do marxismo para transformar viv\u00eancias viscerais e investiga\u00e7\u00f5es de campo \u2014 que v\u00e3o desde a conviv\u00eancia com a seca at\u00e9 o enfrentamento da viol\u00eancia sexual na inf\u00e2ncia \u2014 em ferramentas urgentes de den\u00fancia social e acolhimento real.<\/p>\n<p>Ao longo desta conversa profunda e provocativa, a autora reflete sobre o papel essencial do livro f\u00edsico como um ref\u00fagio de tempo, profundidade e reflex\u00e3o em um cen\u00e1rio de consumo digital fragmentado, saturado por performances artificiais nas redes sociais. Das cal\u00e7adas do Recife Antigo, onde pratica ativamente a venda direta de suas obras independentes, at\u00e9 os bastidores t\u00e9cnicos de sua lapida\u00e7\u00e3o textual, Maria Jos\u00e9 de Melo defende a necessidade de os livros falarem a verdade concreta do povo brasileiro e discute os complexos desafios de organizar e fortalecer os trabalhadores da palavra em nosso pa\u00eds. Uma leitura imperd\u00edvel para compreender que a escrita profissional e duradoura se valida, acima de tudo, na pr\u00e1tica de sua aplica\u00e7\u00e3o no mundo.<\/p>\n<div id=\"attachment_399527\" style=\"width: 596px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-399527\" class=\" wp-image-399527\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.31.10-300x168.jpeg\" alt=\"\" width=\"586\" height=\"328\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.31.10-300x168.jpeg 300w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.31.10-1024x575.jpeg 1024w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.31.10-768x431.jpeg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.31.10-1536x862.jpeg 1536w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.31.10.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 586px) 100vw, 586px\" \/><p id=\"caption-attachment-399527\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;A leitura das grandes obras \u00e9 fundamental para a vida&#8221;<\/p><\/div>\n<div class=\"mceTemp\"><\/div>\n<p><strong>Como a sua bagagem como leitora de grandes cl\u00e1ssicos molda diretamente a sua voz na escrita criativa, e de que forma ler criticamente ajuda a destravar o seu pr\u00f3prio processo de cria\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>A leitura das grandes obras \u00e9 fundamental para a vida, expandindo o nosso olhar para al\u00e9m do estudo formal. Desenvolvi uma habilidade para a escrita e para a pesquisa que me permite mergulhar nos objetos de forma obsessiva e compulsiva. Quando investigo algo, navego com profundidade total at\u00e9 desvendar o que posso entregar, o que me d\u00e1 uma base conceitual imensa. No entanto, toda teoria precisa ser aplicada na pr\u00e1tica; sem isso, ela se torna vazia. N\u00e3o adianta ler cl\u00e1ssicos, sejam eles te\u00f3ricos ou liter\u00e1rios, se eles n\u00e3o servem para transformar a realidade ou para mudar nossa forma de ver o mundo. Como ge\u00f3grafa de origem camponesa, convivi com a seca e entendi a import\u00e2ncia da transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco muito antes de ela acontecer. Apliquei o Livro Terceiro de <em>O Capital<\/em>, de Karl Marx, para compreender a renda fundi\u00e1ria no territ\u00f3rio ribeirinho da Bacia do Alto Para\u00edba. Foi essa uni\u00e3o entre a viv\u00eancia na terra e o rigor cient\u00edfico que transformou a minha disserta\u00e7\u00e3o no meu primeiro livro.<\/p>\n<p><strong>A literatura contempor\u00e2nea frequentemente flerta com a filosofia. Quais grandes pensadores ou correntes filos\u00f3ficas servem de b\u00fassola moral e existencial para os conflitos que voc\u00ea desenvolve em suas p\u00e1ginas?<\/strong><\/p>\n<p>A literatura deve flertar com tudo o que foi constru\u00eddo pela humanidade; do contr\u00e1rio, n\u00e3o se compreende o que \u00e9 literatura. Minha base filos\u00f3fica \u00e9 materialista. Aderi ao marxismo logo no primeiro per\u00edodo da gradua\u00e7\u00e3o em Geografia \u2014 n\u00e3o por est\u00e9tica ou encantamento, mas porque percebi que ele \u00e9 um m\u00e9todo universal, aplic\u00e1vel \u00e0 guerra, \u00e0 vida e \u00e0 pesquisa cient\u00edfica. O materialismo hist\u00f3rico dial\u00e9tico \u00e9 a minha luz guiadora na pesquisa, na escrita e na vida. \u00c9 esse m\u00e9todo, aliado \u00e0 minha origem camponesa, que permite \u00e0 minha escrita ser ch\u00e3o, rocha e barro, sem jamais perder a profundidade, a sensibilidade e a resist\u00eancia.<\/p>\n<div id=\"attachment_399519\" style=\"width: 536px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-399519\" class=\" wp-image-399519\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-17-at-12.21.54-225x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"526\" height=\"702\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-17-at-12.21.54-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-17-at-12.21.54-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-17-at-12.21.54-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-17-at-12.21.54.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 526px) 100vw, 526px\" \/><p id=\"caption-attachment-399519\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Acredito que todas as formas de escrita devem ter espa\u00e7o, inclusive o texto t\u00e9cnico&#8221;<\/p><\/div>\n<p><strong>Diante da hegemonia das m\u00eddias digitais e do consumo r\u00e1pido de informa\u00e7\u00e3o, qual \u00e9 o espa\u00e7o e a relev\u00e2ncia da cr\u00f4nica urbana hoje, especialmente se comparada ao tempo de mestres como Rubem Braga e Drummond?<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, o grande desafio \u00e9 convencer as pessoas de que o seu texto \u2014 seja uma cr\u00f4nica r\u00e1pida ou um poema de cinco estrofes \u2014 tem valor. O p\u00fablico est\u00e1 saturado de informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas e esvaziadas de conte\u00fado, capturado por v\u00eddeos de quinze segundos que destroem a capacidade de concentra\u00e7\u00e3o. Essa barreira afeta qualquer g\u00eanero liter\u00e1rio, curto ou longo. Acredito que todas as formas de escrita devem ter espa\u00e7o, inclusive o texto t\u00e9cnico. Para romper essa satura\u00e7\u00e3o e reconquistar a confian\u00e7a do leitor, os livros precisam falar mais da realidade concreta do povo brasileiro. As pessoas buscam acolhimento real porque o excesso de apar\u00eancias nas redes sociais gera exaust\u00e3o emocional e isolamento. A cobran\u00e7a por performance constante ignora a vulnerabilidade humana, criando um vazio que s\u00f3 \u00e9 preenchido por conex\u00f5es aut\u00eanticas e solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para o dia a dia. Os livros s\u00e3o ferramentas poderosas contra esse vazio porque oferecem o oposto da superficialidade das redes sociais: profundidade, tempo e espa\u00e7o para reflex\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Sendo a literatura e o jornalismo historicamente entrela\u00e7ados no Brasil, como voc\u00ea equilibra o rigor da observa\u00e7\u00e3o dos fatos com a liberdade da inven\u00e7\u00e3o ficcional na sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o escrevo fic\u00e7\u00e3o. Minha percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que precisamos ser coerentes com a realidade objetiva e o mais fiel poss\u00edvel aos fatos dentro da literatura. Eu n\u00e3o posso, por exemplo, escrever uma obra ambientada na Amaz\u00f4nia sem realizar uma pesquisa s\u00e9ria sobre a regi\u00e3o; \u00e9 meu dever conhecer profundamente o seu povo, a floresta, a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e os cientistas locais. Isso falta bastante na literatura atual. Sou ge\u00f3grafa, mas jamais direi que sou engenheira civil para inventar de construir uma ponte, pois sei que ela pode cair. Portanto, o rigor \u00e9 fundamental: ele n\u00e3o \u00e9 uma ferramenta exclusiva da ci\u00eancia, a cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria tamb\u00e9m precisa dele.<\/p>\n<div id=\"attachment_399529\" style=\"width: 526px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-399529\" class=\" wp-image-399529\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.39.07-240x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"516\" height=\"645\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.39.07-240x300.jpeg 240w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.39.07-819x1024.jpeg 819w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.39.07-768x960.jpeg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.39.07.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 516px) 100vw, 516px\" \/><p id=\"caption-attachment-399529\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Prefiro a literatura crua e o rigor cient\u00edfico como caminhos leg\u00edtimos de den\u00fancia&#8221;<\/p><\/div>\n<p><strong>Escrever fic\u00e7\u00e3o em tempos de p\u00f3s-verdade imp\u00f5e novos limites. Como a literatura pode atuar como um ref\u00fagio da verdade humana ou uma ferramenta de den\u00fancia em um mundo saturado de narrativas distorcidas?<\/strong><\/p>\n<p>A verdade existe e pode ser desvendada por qualquer pessoa que se atreva a ir atr\u00e1s dela. No entanto, ela precisa ser bem apresentada, pois muitos preferem a mentira para n\u00e3o lidar com os problemas que batem \u00e0 porta todos os dias. Como n\u00e3o escrevo fic\u00e7\u00e3o, posso n\u00e3o estar respondendo diretamente \u00e0 pergunta sob a \u00f3tica da inven\u00e7\u00e3o. Mas acredito que fugir da realidade \u00e9 uma armadilha que deixa o ser humano alienado e anestesiado. Prefiro a literatura crua e o rigor cient\u00edfico como caminhos leg\u00edtimos de den\u00fancia.<\/p>\n<p><strong>O dom\u00ednio das t\u00e9cnicas espec\u00edficas de cada g\u00eanero textual liberta ou aprisiona a criatividade? Como o conhecimento formal de estrutura diferencia um autor amador de um escritor profissional?<\/strong><\/p>\n<p>Depende da sua vulnerabilidade e do seu senso cr\u00edtico. Eu n\u00e3o tenho paci\u00eancia para teorias acad\u00eamicas que ficam na gaveta pegando poeira; para mim, a teoria s\u00f3 tem valor se for aplicada \u00e0 realidade. Comecei a escrever poesia de forma espont\u00e2nea, sem estudo formal, e o resultado foi o meu segundo livro publicado. No entanto, talvez eu nem me atrevesse a escrever literatura se n\u00e3o fosse ge\u00f3grafa, se n\u00e3o tivesse o conhecimento t\u00e9cnico sobre a realidade e a experi\u00eancia do meu primeiro livro. A disserta\u00e7\u00e3o de mestrado exigiu de mim um rigor que eu nem sabia que tinha. Mais tarde, na prosa narrativa do meu terceiro livro, enfrentei a necessidade de t\u00e9cnica, lapida\u00e7\u00e3o e profundo conhecimento para abordar um objeto brutal: a viol\u00eancia sexual. O rigor t\u00e9cnico \u00e9 o que torna a escrita profissional. Quando me apresento como ge\u00f3grafa, a conversa muda, pois o p\u00fablico tende a associar a literatura independente a um passatempo, mas o m\u00e9todo cient\u00edfico imp\u00f5e respeito.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea define o seu &#8220;lugar de fala&#8221; na literatura atual e de que maneira essa posi\u00e7\u00e3o influencia a receptividade, as cr\u00edticas e a conex\u00e3o emocional com o seu p\u00fablico leitor?<\/strong><\/p>\n<p>Meu lugar de fala \u00e9 definido pelas minhas travessias: sou de origem camponesa de S\u00e3o Caitano, no Agreste de Pernambuco, e moro h\u00e1 mais de dezessete anos em Jaboat\u00e3o dos Guararapes, na Regi\u00e3o Metropolitana do Recife. Sou uma mulher titulada, com gradua\u00e7\u00e3o e mestrado, e essa bagagem dita a forma como sou recebida. N\u00e3o preciso ostentar teorias acad\u00eamicas nas minhas p\u00e1ginas; minha pr\u00f3pria trajet\u00f3ria carrega as minhas bandeiras. Desde a universidade, as pessoas apontam que escrevo com propriedade sobre o que investigo. Eu escrevo o que vivo na pr\u00e1tica, inclusive a viol\u00eancia sexual na inf\u00e2ncia. Desenvolvi uma escrita simples, mas profunda, um estilo lapidado diariamente no di\u00e1logo direto com o p\u00fablico, seja nos trabalhos de campo nas \u00e1reas camponesas na qual investiguei ou nas cal\u00e7adas do Recife Antigo, onde fa\u00e7o a venda direta dos meus livros.<\/p>\n<p><strong>O escritor Daniel Machi afirma que os autores precisam abandonar o ego\u00edsmo de querer aparecer individualmente em detrimento de algo maior, que \u00e9 a pr\u00f3pria literatura, criando redes de apoio m\u00fatuo para se fortalecerem e ganharem visibilidade. Voc\u00ea concorda com essa vis\u00e3o sobre o papel do coletivo no mercado editorial?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, concordo inteiramente com ele. As redes de apoio ou organiza\u00e7\u00f5es atuais s\u00e3o extremamente superficiais e escassas, embora toda categoria de trabalhadores necessite de uma estrutura coletiva. No entanto, acredito que organizar a classe dos escritores no Brasil seja mais dif\u00edcil do que organizar os camponeses. Os camponeses sabem exatamente o que querem de forma direta: o acesso \u00e0 terra. J\u00e1 sobre os escritores, o que eles querem? A maioria nem sequer enxerga a escrita como uma profiss\u00e3o \u2014 o que, claro, implica na falta de regulariza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o coletiva do setor. Precisamos nos entender como uma categoria de trabalhadores assalariados. O grande problema \u00e9 a crise de identidade profissional: muitos se dizem escritores, mas n\u00e3o exercem essa identidade na pr\u00e1tica do dia a dia. H\u00e1 uma massa que prefere buscar o ego e o deslumbramento de uma estrela de futebol, da m\u00fasica ou do cinema, em vez de lutar pela dignidade do pr\u00f3prio of\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>Escrever costuma ser um ato solit\u00e1rio, mas as oficinas de escrita criativa e os grupos de coletividade t\u00eam crescido. Como a troca de experi\u00eancias e o feedback desses espa\u00e7os impactam o refinamento dos seus textos?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o frequento oficinas presenciais de escrita criativa. Fiz um curso online e n\u00e3o gostei; achei a abordagem acad\u00eamica, restrita e engessada. Quando o professor afirmou que a literatura se resumia \u00e0 fic\u00e7\u00e3o, perdi o interesse (risos). Ningu\u00e9m merece esses quadrados limitados. Tamb\u00e9m tenho pouca participa\u00e7\u00e3o em grupos tradicionais de escritores, pois considero, em sua maioria, uma perda de tempo por serem muitos fechados na pr\u00f3pria bolha de escritores. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o foi o <strong>Coletivo Escribas<\/strong>, um grupo virtual criado em 2022 que teve grande import\u00e2ncia para mim. Naquele per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o da pandemia, eu buscava intera\u00e7\u00e3o com outros escritores e foi ali que decidi seguir esse caminho. Hoje, estou convicta de que o p\u00fablico leitor e a nossa pr\u00f3pria maturidade s\u00e3o os verdadeiros instrumentos para a evolu\u00e7\u00e3o da escrita. Lidar com o p\u00fablico toda semana nas cal\u00e7adas tem me lapidado, indo muito al\u00e9m da pr\u00e1tica comercial: essa experi\u00eancia direta na rua \u00e9 o que mais contribui para a precis\u00e3o e o refinamento do meu trabalho. A mat\u00e9ria-prima est\u00e1 bem diante de mim, toda semana, e \u00e9 ali que tenho a real dimens\u00e3o do que \u00e9 rejeitado ou aceito.<\/p>\n<div id=\"attachment_399526\" style=\"width: 524px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-399526\" class=\" wp-image-399526\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.32.05-300x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"514\" height=\"514\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.32.05-300x300.jpeg 300w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.32.05-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.32.05-768x768.jpeg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.32.05-80x80.jpeg 80w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.32.05.jpeg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 514px) 100vw, 514px\" \/><p id=\"caption-attachment-399526\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Vejo a minha gera\u00e7\u00e3o com pouca profundidade e escasso rigor t\u00e9cnico&#8221;<\/p><\/div>\n<p><strong>O escritor Eduardo Cesario-Mart\u00ednez defende uma vis\u00e3o otimista de que a melhor gera\u00e7\u00e3o de escritores \u00e9 a atual, e que as futuras ser\u00e3o ainda melhores gra\u00e7as \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o da escrita pela internet. Como voc\u00ea enxerga esse impacto da tecnologia na qualidade da nova produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o sei qual \u00e9 o recorte utilizado ou onde esse escritor est\u00e1 inserido. Mas, diante da minha pr\u00e1tica de pesquisa na universidade p\u00fablica e do di\u00e1logo direto com o leitor nas ruas, preciso discordar. Nem na literatura, muito menos na ci\u00eancia, a gera\u00e7\u00e3o atual supera as anteriores em qualidade, rigor e profundidade. N\u00e3o encontrei na atualidade uma Carolina Maria de Jesus, uma Jane Austen, um Guimar\u00e3es Rosa ou um Machado de Assis; e na ci\u00eancia ocorre o mesmo fen\u00f4meno. Pergunto a voc\u00eas: j\u00e1 encontraram nesta gera\u00e7\u00e3o uma Marie Curie, um Karl Marx, um Charles Darwin ou um Albert Einstein? O que vemos hoje \u00e9 a escassez de profundidade mascarada pelo excesso de produ\u00e7\u00e3o e postagens. Vejo a minha gera\u00e7\u00e3o com pouca profundidade e escasso rigor t\u00e9cnico. Falta voz pr\u00f3pria e dom\u00ednio da escrita e da pesquisa cient\u00edfica; o que observamos \u00e9 o desejo de reproduzir f\u00f3rmulas dos Estados Unidos, gerando um cen\u00e1rio saturado de c\u00f3pias e generaliza\u00e7\u00f5es. O que houve, de fato, foi uma democratiza\u00e7\u00e3o das tem\u00e1ticas: assuntos antes silenciados hoje ganham espa\u00e7o, embora ainda precisem de mais desenvolvimento. H\u00e1 mais espa\u00e7o para se declarar escritor ou escritora, mas falta profundidade na execu\u00e7\u00e3o. Nesse cen\u00e1rio, a Intelig\u00eancia Artificial entra como uma \u00f3tima ferramenta, mas ela sozinha n\u00e3o escreve nada; precisa do comando humano. A IA pode ajudar na s\u00edntese e na acelera\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, mas \u00e9 obrigat\u00f3rio ter a base te\u00f3rica para saber como utiliz\u00e1-la.<\/p>\n<p><strong>A escrita criativa \u00e9 um espelho ou uma fuga? De que forma o seu trabalho liter\u00e1rio funciona como uma ferramenta de di\u00e1logo interno com as suas pr\u00f3prias ang\u00fastias e, ao mesmo tempo, de debate com os problemas do mundo?<\/strong><\/p>\n<p>A escrita para mim \u00e9 o meu pr\u00f3prio espelho, mas \u00e9, acima de tudo, uma transmuta\u00e7\u00e3o. Eu vivi a seca e falei dela, mas recusei o vitimismo, pois sei que as novas gera\u00e7\u00f5es t\u00eam a for\u00e7a para mudar a realidade na qual vivemos. Transformei os traumas da minha inf\u00e2ncia em livros; transformei a dor em ouro. N\u00e3o fiquei apenas narrando o que aconteceu comigo: eu desvendei o fen\u00f4meno da viol\u00eancia sexual para que adolescentes possam ler minhas obras e n\u00e3o repitam esses mesmos ciclos com seus futuros filhos. Compreendi que meus medos, minhas vulnerabilidades e minhas frustra\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o isolados ou individualmente meus, mas fazem parte do sofrimento humano coletivo. No entanto, para transformar essa dor em den\u00fancia social, preciso de m\u00e9todo e de teoria fundamentada \u2014 e \u00e9 na ci\u00eancia que encontro essa base.<\/p>\n<p><strong>Muitos autores constroem carreiras pol\u00edmatas, dividindo-se entre outras profiss\u00f5es (como a ci\u00eancia, o direito ou a educa\u00e7\u00e3o) e as letras. Como a sua atua\u00e7\u00e3o fora das p\u00e1ginas alimenta a profundidade e a diversidade tem\u00e1tica dos seus cen\u00e1rios e personagens?<\/strong><\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da minha jornada, decidi ser exclusivamente escritora; n\u00e3o sei me dividir. Se assumo esse of\u00edcio, entrego-me por inteiro. Posso dizer que tamb\u00e9m sou vendedora, mas vendo unicamente a minha pr\u00f3pria obra. Nos anos de 2021 e 2022, ainda realizava algumas atividades pontuais na academia, mas isso me gerava profunda frustra\u00e7\u00e3o. A partir de 2023, bati o martelo: dedico-me \u00e0 escrita em tempo integral. \u00c9 dif\u00edcil, mas ningu\u00e9m prometeu facilidades. Minha bagagem como ge\u00f3grafa e mestre em Servi\u00e7o Social n\u00e3o disputa espa\u00e7o com a literatura; ela atua como funda\u00e7\u00e3o, ajudando-me na coleta de dados, no rigor do texto e na estrat\u00e9gia de vendas nas ruas. Inclusive, o meu quinto livro nascer\u00e1 exatamente dessa pesquisa de campo: ser\u00e1 sobre a minha experi\u00eancia direta com o p\u00fablico nas cal\u00e7adas do Recife Antigo.<\/p>\n<p><strong>O mercado editorial atual exige que o autor seja tamb\u00e9m o seu pr\u00f3prio divulgador nas redes sociais. Como criar uma presen\u00e7a digital aut\u00eantica e engajar leitores sem deixar que as m\u00e9tricas de internet corrompam a ess\u00eancia e a profundidade da sua literatura?<\/strong><\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma quest\u00e3o fundamental. Atualmente, o mercado supervaloriza o ambiente digital, impondo a ilus\u00e3o de que um escritor precisa de cem mil seguidores para ter relev\u00e2ncia social. Isso \u00e9 de um reducionismo cego. Se observarmos os autores de grande visibilidade hoje, veremos carreiras constru\u00eddas ao longo de mais de vinte anos, muitas vezes vindas de outras profiss\u00f5es. \u00c9 o caso de Itamar Vieira Junior, que foi ge\u00f3grafo do INCRA, ou de Jeferson Ten\u00f3rio, que foi professor da rede p\u00fablica no Rio Grande do Sul; ambos hoje se dedicam integralmente \u00e0s letras. N\u00e3o consigo enxergar o topo do algoritmo como o objetivo principal da divulga\u00e7\u00e3o das minhas obras. A rede faz parte do processo, mas, ao meu ver, foi imensamente mais importante ter passado pela universidade p\u00fablica e pela milit\u00e2ncia para chegar \u00e0 literatura com base e forma\u00e7\u00e3o s\u00f3lida. Tenho redes sociais, mas n\u00e3o invisto na espetaculariza\u00e7\u00e3o da minha imagem. Recentemente, meu Instagram foi hackeado e eu nem me importei: criei outro perfil e recomecei do zero.<\/p>\n<div id=\"attachment_399528\" style=\"width: 578px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-399528\" class=\" wp-image-399528\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.19.40-1-300x225.jpeg\" alt=\"\" width=\"568\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.19.40-1-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.19.40-1-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.19.40-1-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.19.40-1-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-18-at-14.19.40-1.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 568px) 100vw, 568px\" \/><p id=\"caption-attachment-399528\" class=\"wp-caption-text\">A casa onde a escritora Maria Jos\u00e9 de Melo nasceu<\/p><\/div>\n<p><strong>Pensando nos espa\u00e7os democr\u00e1ticos de publica\u00e7\u00e3o, como o Caf\u00e9 Liter\u00e1rio ou portais de jornalismo cultural, qual a import\u00e2ncia desses canais na oxigena\u00e7\u00e3o do mercado e na revela\u00e7\u00e3o de novos talentos que enfrentam barreiras nas grandes editoras?<\/strong><\/p>\n<p>Com certeza esses canais alternativos e independentes s\u00e3o de extrema import\u00e2ncia para revelar autores que est\u00e3o \u00e0s margens do mercado e n\u00e3o encontram espa\u00e7o nas vias tradicionais. No entanto, se esses canais gerarem uma relev\u00e2ncia muito abrupta, podem causar um desequil\u00edbrio na carreira. Na m\u00fasica, por exemplo, o cantor pernambucano Jo\u00e3o Gomes viralizou no TikTok, ganhou destaque nacional rapidamente, mas hoje estuda e se aprofunda na cultura sertaneja para amadurecer e transcender a imagem do adolescente da internet. Todo artista precisa de meios de divulga\u00e7\u00e3o, mas necessita, acima de tudo, de fundamento e de raiz. O canal midi\u00e1tico ou o jornal servem como instrumentos para ganhar o mundo, mas o tempo logo passar\u00e1 a exigir profundidade e rigor t\u00e9cnico. O escritor precisa de muito ch\u00e3o, pois o sucesso repentino \u00e9 dif\u00edcil de sustentar. Quando fiz uma live com o influenciador e historiador Jo\u00e3o Carvalho no YouTube sobre o meu primeiro livro, fiquei emocionalmente desregulada por v\u00e1rios meses e em seguida gerou uma frustra\u00e7\u00e3o enorme; n\u00e3o tinha a maturidade necess\u00e1ria para receber tantos elogios e cr\u00edticas simult\u00e2neas. Percebi que gente que antes me ignorava estava estendendo o tapete para, logo em seguida, pux\u00e1-lo. Tudo na arte precisa de tempo e maturidade.<\/p>\n<p><strong>Para encerrarmos, se voc\u00ea pudesse escolher apenas uma \u00fanica mensagem, ang\u00fastia ou reflex\u00e3o para imortalizar na mente de quem l\u00ea a sua obra hoje, qual seria?<\/strong><\/p>\n<p>Deixo a reflex\u00e3o central do meu quinto livro, <em>Recife Antigo: onde o meu Norte encontrou porto<\/em>, que estou escrevendo atualmente: N\u00e3o \u00e9 o povo que precisa estar \u00e0 altura dos livros; s\u00e3o os livros que precisam ser dignos da for\u00e7a e da realidade do povo brasileiro. A arte, a literatura e o livro devem ser direitos b\u00e1sicos, como o p\u00e3o ou a terra. A literatura brasileira merece o brasileiro; a arte popular pertence, por direito, ao povo.<\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Compre os livros da autora aqui:<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/loja.tomaaiumpoema.com.br\/a-jitirana-poetica-maria-de-melo?srsltid=AfmBOor-SLl_iycxnoTiJt6Ydr_ftT5Pu4EQyvOKL3Yo6HjRi5zoElAO\">https:\/\/loja.tomaaiumpoema.com.br\/a-jitirana-poetica-maria-de-melo?srsltid=AfmBOor-SLl_iycxnoTiJt6Ydr_ftT5Pu4EQyvOKL3Yo6HjRi5zoElAO<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>*<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/dp\/B0FCCCK16Q?ref=cm_sw_r_ffobk_cso_wa_mwn_dp_MGTBHKKY7X71N68QFETV&amp;ref_=cm_sw_r_ffobk_cso_wa_mwn_dp_MGTBHKKY7X71N68QFETV&amp;social_share=cm_sw_r_ffobk_cso_wa_mwn_dp_MGTBHKKY7X71N68QFETV&amp;bestFormat=true\">https:\/\/www.amazon.com.br\/dp\/B0FCCCK16Q?ref=cm_sw_r_ffobk_cso_wa_mwn_dp_MGTBHKKY7X71N68QFETV&amp;ref_=cm_sw_r_ffobk_cso_wa_mwn_dp_MGTBHKKY7X71N68QFETV&amp;social_share=cm_sw_r_ffobk_cso_wa_mwn_dp_MGTBHKKY7X71N68QFETV&amp;bestFormat=true<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Compra diretamente com a autora: <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/dp\/6599402909?ref=cm_sw_r_ffobk_cso_wa_mwn_dp_JBSS0JMG31HR9WPNZ5KX&amp;ref_=cm_sw_r_ffobk_cso_wa_mwn_dp_JBSS0JMG31HR9WPNZ5KX&amp;social_share=cm_sw_r_ffobk_cso_wa_mwn_dp_JBSS0JMG31HR9WPNZ5KX&amp;bestFormat=true\">https:\/\/www.amazon.com.br\/dp\/6599402909?ref=cm_sw_r_ffobk_cso_wa_mwn_dp_JBSS0JMG31HR9WPNZ5KX&amp;ref_=cm_sw_r_ffobk_cso_wa_mwn_dp_JBSS0JMG31HR9WPNZ5KX&amp;social_share=cm_sw_r_ffobk_cso_wa_mwn_dp_JBSS0JMG31HR9WPNZ5KX&amp;bestFormat=true<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/benfeitoria.com\/projeto\/TecendoPalavras\">https:\/\/benfeitoria.com\/projeto\/TecendoPalavras<\/a><\/strong><\/p>\n<div id=\"v1x_geom_inter_1753793662029_59_115\" class=\"v1elementToProof\">\n<div class=\"v1elementToProof\"><strong>Maria Jos\u00e9 de Melo<\/strong><\/div>\n<div><strong>Escritora, Colunista e poetisa do Agreste de Pernambuco\u00a0<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"v1x_geom_inter_1753793653078_96_111\" class=\"v1elementToProof\">\n<div class=\"v1elementToProof\"><strong>Mestre em Servi\u00e7o Social (UFAL)<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"v1x_geom_inter_1753793615088_17_106\" class=\"v1elementToProof\">\n<div class=\"v1elementToProof\"><strong>Especialista em Doc\u00eancia com \u00canfase em Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (IFMG)<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"v1x_geom_inter_1753793617056_20_109\" class=\"v1elementToProof\">\n<div class=\"v1elementToProof\"><strong>Graduada em Geografia (UFPE)<\/strong><\/div>\n<div><strong>Instagram: @mariademelo_escritora<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"v1x_geom_inter_1753793653081_32_112\" class=\"v1elementToProof\"><strong>Curr\u00edculo Lattes: <a id=\"v1OWA9c4224de-bc6b-7f2a-63f4-36e711d92ec0\" class=\"v1OWAAutoLink\" href=\"https:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4318466Z3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><u>http:\/\/lattes.cnpq.br\/4367824011610856<\/u><\/a><\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A literatura que pulsa fora dos eixos tradicionais de mercado encontra sua maior pot\u00eancia quando finca suas ra\u00edzes na realidade crua da experi\u00eancia humana. 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