{"id":399880,"date":"2026-06-29T01:15:47","date_gmt":"2026-06-29T04:15:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=399880"},"modified":"2026-06-20T12:48:16","modified_gmt":"2026-06-20T15:48:16","slug":"o-escritor-leo-teixeira-e-a-arte-de-desmontar-o-mecanismo-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/o-escritor-leo-teixeira-e-a-arte-de-desmontar-o-mecanismo-humano\/","title":{"rendered":"O escritor Leo Teixeira e a arte de desmontar o mecanismo humano"},"content":{"rendered":"<p>Para o escritor e jornalista Leo Teixeira, a literatura n\u00e3o \u00e9 um museu de monumentos est\u00e1ticos, mas um ecossistema vivo onde os cl\u00e1ssicos universais e as vozes do regionalismo dialogam em tempo real. Longe de buscar uma m\u00edmica do passado, o autor enxerga na heran\u00e7a de nomes como Machado de Assis, Guimar\u00e3es Rosa e os grandes mestres russos um rigor artesanal indispens\u00e1vel para compreender a maleabilidade da linguagem e a pr\u00f3pria complexidade psicol\u00f3gica humana. Em sua vis\u00e3o, esse vasto repert\u00f3rio liter\u00e1rio atua como um banho de humildade e senso de propor\u00e7\u00e3o: enquanto a est\u00e9tica e o estilo mudam conforme a \u00e9poca, os dilemas humanos fundamentais permanecem os mesmos. \u00c9 justamente essa bagagem que alimenta seu processo criativo, transformando o ato de ler em uma ferramenta t\u00e9cnica de engenharia textual capaz de desmistificar o bloqueio criativo e guiar sua escrita pelas \u00e1guas da subtextualidade e da prosa po\u00e9tica.<\/p>\n<p>Nesta entrevista exclusiva para a coluna <strong>Vozes da Literatura<\/strong>, Teixeira nos conduz pelos bastidores de sua cria\u00e7\u00e3o e revela como a leitura cr\u00edtica funciona como o verdadeiro motor que destrava sua fic\u00e7\u00e3o nos momentos de impasse. Afastando qualquer mistifica\u00e7\u00e3o em torno da inspira\u00e7\u00e3o, o autor compartilha como o h\u00e1bito de &#8220;desmontar o motor&#8221; de grandes obras \u2014 investigando os mecanismos de tens\u00e3o de Julio Cort\u00e1zar ou o fluxo de consci\u00eancia de Clarice Lispector \u2014 remove o medo do erro e abre espa\u00e7o para a ousadia estil\u00edstica. Ao longo da conversa, o escritor detalha como essa s\u00f3lida bagagem de leitor molda sua voz contempor\u00e2nea, oferecendo aos leitores um vislumbre fascinante de como o repert\u00f3rio cl\u00e1ssico e a sensibilidade regional se fundem para dar forma e limite \u00e0s suas pr\u00f3prias narrativas.<\/p>\n<p><strong>Como a sua bagagem como leitor de grandes cl\u00e1ssicos molda diretamente a sua voz na escrita criativa, e de que forma ler criticamente ajuda a destravar o seu pr\u00f3prio processo de cria\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que os cl\u00e1ssicos n\u00e3o s\u00e3o monumentos est\u00e1ticos, mas conversas textuais perenes que se evoluem. Essa import\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 exclusiva dos cl\u00e1ssicos, mas um desconhecido regional tem alto valor quando marca uma emo\u00e7\u00e3o e transforma a vis\u00e3o de mundo de algu\u00e9m. Conhecer a literatura local e nacional deveria ser praxe entre os que participam dos processos liter\u00e1rios ou de leitura cultural. Infelizmente o mercado e o costume andam na contram\u00e3o disso. Minha voz na escrita criativa n\u00e3o busca mimetizar o s\u00e9culo XIX ou XX, nem vasculhar os tesouros anteriores, ou herdar deles apenas o rigor artesanal. Ler Machado de Assis me ensina o poder da ironia e da subtextualidade. Uma ironia sat\u00edrica que tamb\u00e9m \u00e9 encontrada na desconstru\u00e7\u00e3o da realidade em Miguel de Cervantes; a forma aleg\u00f3rica organizada matematicamente de Dante Alighieri \u00e9 um privil\u00e9gio estil\u00edstico; Guimar\u00e3es Rosa e Eug\u00eancia Sereno me recordam que a linguagem \u00e9 male\u00e1vel; Raduan Nassar e Mia Couto mostram o poder da prosa po\u00e9tica que se confronta com a ess\u00eancia lapidada, cortando palavras em Dalton Trevisan; a inquieta\u00e7\u00e3o existencial, filos\u00f3fica e social pode se misturar muito bem como nos mostra Carlos Drummond de Andrade; os russos s\u00e3o mestres em descrever complexidades psicol\u00f3gicas, buscando utilidade coletiva nos seus textos; a literatura fant\u00e1stica mostra que desconstruir realidade causa impacto; desafiar a l\u00f3gica com um estilo labir\u00edntico e metaf\u00edsico \u00e9 outro impacto de Jorge Lu\u00eds Borges. Com tanta bagagem cl\u00e1ssica e regional j\u00e1 existente no mundo das letras, quanto mais mergulho, mais me sinto \u00ednfimo e ciente de que o conhecimento ainda est\u00e1 longe de ser grande. Ali\u00e1s, sua completude torna-se imposs\u00edvel, no vasto mundo das obras j\u00e1 publicadas. Muitas delas, de riqueza inestim\u00e1vel, ainda ficam desconhecidas. Tudo isso molda minha escrita ao me dar um senso de propor\u00e7\u00e3o: sei que os dilemas humanos mudam pouco, o que muda \u00e9 a moldura (sua est\u00e9tica e seu estilo). A leitura cr\u00edtica, por sua vez, \u00e9 o que destrava a cria\u00e7\u00e3o. Quando um texto meu empaca, n\u00e3o procuro inspira\u00e7\u00e3o m\u00edstica; mudo de papel. Passo a ler grandes obras como um engenheiro que desmonta um motor para ver como ele funciona. Compreender por que a tens\u00e3o de um conto de Julio Cort\u00e1zar funciona, ou como Clarice Lispector sustenta um fluxo de consci\u00eancia sem perder o leitor, desmistifica o processo. O bloqueio criativo geralmente nasce do medo do erro; a leitura cr\u00edtica nos mostra que os mestres tamb\u00e9m calcularam cada passo.<\/p>\n<div id=\"attachment_399883\" style=\"width: 606px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-399883\" class=\" wp-image-399883\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-19-at-13.43.09-1-268x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"596\" height=\"667\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-19-at-13.43.09-1-268x300.jpeg 268w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-19-at-13.43.09-1.jpeg 523w\" sizes=\"auto, (max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><p id=\"caption-attachment-399883\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;A literatura \u00e9 a filosofia em carne e osso&#8221;<\/p><\/div>\n<p><strong>A literatura contempor\u00e2nea frequentemente flerta com a filosofia. Quais grandes pensadores ou correntes filos\u00f3ficas servem de b\u00fassola moral e existencial para os conflitos que voc\u00ea desenvolve em suas p\u00e1ginas?<\/strong><\/p>\n<p>A literatura \u00e9 a filosofia em carne e osso. Para os conflitos que desenvolvo, cito duas grandes correntes que podem servir de b\u00fassola, que s\u00e3o \u00fateis em boa parte das inten\u00e7\u00f5es. O Existencialismo (Sartre, Camus e Kierkegaard) descreve a antiga ideia de que somos condenados a ser livres e a carregar o peso de nossas escolhas (isso \u00e9 motor perfeito para um drama). Pensar assim ajuda a criar personagens que frequentemente enfrentam o \u201cabsurdo camusiano\u201d, numa busca de sentido em um mundo que muitas vezes n\u00e3o o oferece. Um aprofundamento esperan\u00e7oso seria levar em conta a Logoterapia muito difundida pelo psiquiatra austr\u00edaco Viktor Frankl. Outra corrente bem conhecida pelos textos do fil\u00f3sofo Emmanuel Levinas (A \u00e9tica da Alteridade), se mostra no questionamento de como respondemos ao sofrimento alheio e \u00e0 presen\u00e7a do outro. Em tempos de polariza\u00e7\u00e3o, colocar personagens em situa\u00e7\u00f5es onde s\u00e3o for\u00e7ados a enxergar a humanidade de seus antagonistas \u00e9 uma necessidade moral e est\u00e9tica, desenvolvendo a empatia (t\u00e3o rara na sociedade, na internet e nas opini\u00f5es proferidas). Uma outra oportunidade de aprendizado que surgiu em 2025 foi apresentar um podcast chamado Cabe\u00e7a Aberta, transmitido pela TV Dimens\u00e3o no Youtube. Durante a Jornada pela F\u00e9, tive a oportunidade de dialogar com estudiosos e l\u00edderes de diferentes tipos de cren\u00e7a. Ateu, Padre, Pastor, Esp\u00edrita, Mu\u00e7ulmano, Judeu, Hindu\u00edsta, Testemunha de Jeov\u00e1, Bah\u00e1\u2019\u00ed, Bruxo, Wicca, Umbandista, Quimbandeiro, Juremeiro, Candomblecista, Budista etc. Pude entrevistar cada um deles e muitas conversas nos bastidores foram ainda melhores. N\u00e3o s\u00f3 a filosofia, mas contatos com diferentes culturas e cren\u00e7as nos torna aptos a compreender a ess\u00eancia das multiplicidades humanas.<\/p>\n<p><strong>Diante da hegemonia das m\u00eddias digitais e do consumo r\u00e1pido de informa\u00e7\u00e3o, qual \u00e9 o espa\u00e7o e a relev\u00e2ncia da cr\u00f4nica urbana hoje, especialmente se comparada ao tempo de mestres como Rubem Braga e Drummond?<\/strong><\/p>\n<p>A cr\u00f4nica, no tempo de Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Drummond, funcionava como o respiro po\u00e9tico no jornal de papel. Pra mim, a melhor parte do jornal. Tenho a cole\u00e7\u00e3o completa da <em>Editora \u00c1tica<\/em> intitulada Para <em>Gostar de Ler<\/em>. E ela me marcou muito. Tamb\u00e9m tive a oportunidade de escrever semanalmente por mais de 20 anos nos jornais <em>O Popular<\/em>, <em>Di\u00e1rio da Manh\u00e3<\/em> (e mais raramente no <em>Op\u00e7\u00e3o<\/em>). Atualmente, a cr\u00f4nica aparece espremida entre tweets, reels e notifica\u00e7\u00f5es, mudando de suporte, mas sua urg\u00eancia permanece a mesma, se n\u00e3o maior. Se antes a cr\u00f4nica registrava o ritmo da cidade, hoje ela tem o papel de desacelerar o olhar. Em um mundo de consumo r\u00e1pido e superficial, a cr\u00f4nica urbana contempor\u00e2nea \u00e9 um ato de resist\u00eancia: ela resgata o detalhe invis\u00edvel, o encontro fortuito no metr\u00f4, a humanidade que a pressa digital tenta soterrar. Ela n\u00e3o compete com a velocidade da rede; ela se imp\u00f5e pelo sil\u00eancio e pela pausa. Aos usu\u00e1rios ciscadores de telas em redes sociais e plataformas semelhantes, com a dopamina piscando cenas r\u00e1pidas e textos curtos como emoticons, encontrar leitores interessados \u00e9 a maior dificuldade. Mesmo em outras formas visuais como Youtube, ainda se pode encontrar di\u00e1logos interessantes. Lembro de ter consumido um di\u00e1logo muito entre um ateu e um padre que durou 6h30. Essa conversa daria um bom livro! \u00c9 estranho falar \u201cantigos blogs\u201d, mas \u00e9 isso: os antigos blogs parecem terem sido substitu\u00eddos por essa pr\u00e1tica de postagens curtas e rasas. Mas a resist\u00eancia persiste! No mesmo velho dilema entre o e-book e o livro f\u00edsico.<\/p>\n<div id=\"attachment_399881\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-399881\" class=\" wp-image-399881\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-19-at-13.43.10-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"610\" height=\"406\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-19-at-13.43.10-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-19-at-13.43.10-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-19-at-13.43.10-768x511.jpeg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-19-at-13.43.10.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 610px) 100vw, 610px\" \/><p id=\"caption-attachment-399881\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;A liberdade liter\u00e1ria cria absolutamente do zero um fato que nunca existiu na realidade&#8221;<\/p><\/div>\n<p><strong>Sendo a literatura e o jornalismo historicamente entrela\u00e7ados no Brasil, como voc\u00ea equilibra o rigor da observa\u00e7\u00e3o dos fatos com a liberdade da inven\u00e7\u00e3o ficcional na sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o brasileira, na \u00e9poca de Euclides da Cunha, depois Rodolfo Te\u00f3filo, passando pelo romance de 30, sempre teve ra\u00edzes na realidade social. O equil\u00edbrio entre o rigor do fato e a liberdade da inven\u00e7\u00e3o \u00e9 uma dan\u00e7a de m\u00fatua alimenta\u00e7\u00e3o. O fato entrega a textura da verdade: o jarg\u00e3o de uma profiss\u00e3o, a burocracia de uma reparti\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a precis\u00e3o geogr\u00e1fica de um cen\u00e1rio regional, o caus\u00eddico relato testemunhal coletado por um historiador. A fic\u00e7\u00e3o, contudo, entra para preencher as lacunas que o jornalismo n\u00e3o alcan\u00e7a: a interioridade, o segredo inconfess\u00e1vel, a verdade emocional, os aspectos simb\u00f3licos e aventureiros criados. O m\u00e9todo jornal\u00edstico \u00e9 v\u00e1lido para investigar o mundo exterior e a liberdade liter\u00e1ria para traduzir o mundo interior. Inclusive muitas vezes, a liberdade liter\u00e1ria cria absolutamente do zero um fato que nunca existiu na realidade. Eis o poder da fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Escrever fic\u00e7\u00e3o em tempos de p\u00f3s-verdade imp\u00f5e novos limites. Como a literatura pode atuar como um ref\u00fagio da verdade humana ou uma ferramenta de den\u00fancia em um mundo saturado de narrativas distorcidas?<\/strong><\/p>\n<p>A chamada p\u00f3s-verdade opera distorcendo fatos provavelmente para validar preconceitos, entre outros pretextos. A literatura caminha no sentido oposto: ela cria mentiras (fic\u00e7\u00f5es) para revelar verdades profundas sobre a nossa condi\u00e7\u00e3o. Em um mundo saturado de narrativas manipuladas, a literatura \u00e9 um ref\u00fagio porque ela n\u00e3o exige o clique ef\u00eamero ou a ades\u00e3o ideol\u00f3gica cega; ela exige empatia, vontade e tempo. Ela atua como den\u00fancia n\u00e3o necessariamente por ser panflet\u00e1ria, mas por expor as nuances e as ambiguidades que as mentiras simplistas da p\u00f3s-verdade tentam apagar. A boa fic\u00e7\u00e3o complexifica o que o debate p\u00fablico empobreceu. Ela pode inclusive denunciar sem haver o risco de receber uma cita\u00e7\u00e3o de um oficial de justi\u00e7a notificando voc\u00ea por um processo criminal de crime contra a honra. Nesse quesito ficcional, procuro aventurar em outras nuances da atua\u00e7\u00e3o. Sou ilusionista profissional, apreciador inclusive do mentalismo. Buscar verdades no texto ficcional \u00e9 como a cultura brasileira que tenta descobrir os segredos de um truque de m\u00e1gica: perde-se rapidamente o encanto e a oportunidade de se encantar com o texto ou com o ato m\u00e1gico, que acabam escapando.<\/p>\n<p><strong>O dom\u00ednio das t\u00e9cnicas espec\u00edficas de cada g\u00eanero textual liberta ou aprisiona a criatividade? Como o conhecimento formal de estrutura diferencia um autor amador de um escritor profissional?<\/strong><\/p>\n<p>O dom\u00ednio das t\u00e9cnicas de g\u00eanero (seja a estrutura de tr\u00eas atos, o turning point, ou o manejo do narrador n\u00e3o confi\u00e1vel) funciona como as regras da partitura para um m\u00fasico de jazz. S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel improvisar com genialidade quando se conhece perfeitamente o instrumento. O autor amador muitas vezes confunde intui\u00e7\u00e3o pura com arte e acaba ref\u00e9m de clich\u00eas estruturais sem perceber. O escritor profissional conhece as regras t\u00e3o bem que sabe exatamente quando, como e por que quebr\u00e1-las para causar o efeito est\u00e9tico desejado. A estrutura n\u00e3o \u00e9 uma cela; \u00e9 o andaime que permite ao pr\u00e9dio subir reto. Mas \u00e9 poss\u00edvel um autor amador, que tamb\u00e9m \u00e9 um leitor contumaz, criar genialidades instintivas. Isso ocorre com um bom m\u00fasico intuitivo. Se o blues para mim \u00e9 melhor que o jazz, a\u00ed \u00e9 quest\u00e3o de apre\u00e7o estil\u00edstico. Ningu\u00e9m \u00e9 unanimidade e h\u00e1 espa\u00e7o para todos.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea define o seu &#8220;lugar de fala&#8221; na literatura atual e de que maneira essa posi\u00e7\u00e3o influencia a receptividade, as cr\u00edticas e a conex\u00e3o emocional com o seu p\u00fablico leitor?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que meu lugar de fala n\u00e3o seja uma limita\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica, mas o ponto de partida geogr\u00e1fico, hist\u00f3rico e social de onde observo o mundo. O mesmo olhar de algu\u00e9m imerso na realidade brasileira contempor\u00e2nea, com todas as suas contradi\u00e7\u00f5es e belezas. Essa consci\u00eancia pode trazer maturidade \u00e0 escrita. \u00c9 vantajoso saber quais dores posso retratar por viv\u00eancia e quais devo abordar por meio de uma escuta profunda e respeitosa, com alteridade. O p\u00fablico leitor atual \u00e9 extremamente perspicaz; ele detecta a quando n\u00e3o h\u00e1 autenticidade imediatamente. Quando escrevo a partir da minha verdade, sem tentar simular uma erudi\u00e7\u00e3o euroc\u00eantrica ou uma viv\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 minha, a conex\u00e3o emocional se d\u00e1 pela honestidade do texto.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-399884 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-19-at-13.43.09-300x274.jpeg\" alt=\"\" width=\"641\" height=\"585\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-19-at-13.43.09-300x274.jpeg 300w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-19-at-13.43.09.jpeg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 641px) 100vw, 641px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&#8220;O romantismo do s\u00e9culo XIX nos vendeu a imagem do g\u00eanio isolado em sua torre de marfim&#8221;<\/p>\n<p><strong>O escritor Daniel Machi afirma que os autores precisam abandonar o ego\u00edsmo de querer aparecer individualmente em prol de algo maior, que \u00e9 a pr\u00f3pria literatura, criando redes de apoio m\u00fatuo para se fortalecerem e ganharem visibilidade. Voc\u00ea concorda com essa vis\u00e3o sobre o papel do coletivo no mercado editorial?<\/strong><\/p>\n<p>Concordo integralmente com a provoca\u00e7\u00e3o de Daniel Machi. O romantismo do s\u00e9culo XIX nos vendeu a imagem do g\u00eanio isolado em sua torre de marfim, mas a realidade do mercado editorial atual, principalmente o mercado independente: \u00e9 coletiva, comunit\u00e1ria. A vaidade e o ego\u00edsmo de qualquer autor s\u00e3o defeitos terr\u00edveis. Tem muito artista sendo seus piores inimigos por isso. Chega a ser um ato soberbo e arrogante. Ningu\u00e9m sabe tudo e nem deveria se achar a \u00faltima bolacha do pacote. Enquanto muitos se acham detentores de trof\u00e9us e vencedores de uma corrida ilus\u00f3ria, inclusive cobrando cach\u00eas altos de palestras, outros desconhecidos vendem mil vezes mais em editoras independentes ou sistemas de venda e publica\u00e7\u00e3o individual (saindo das teias de distribuidoras e editoras). Quando escritores se unem em redes de apoio m\u00fatuo, indicando-se reciprocamente, organizando coletivos e compartilhando palcos, o ecossistema liter\u00e1rio inteiro se fortalece. A literatura n\u00e3o \u00e9 um jogo de soma zero onde o sucesso de um significa o fracasso do outro. Quanto mais leitores um autor forma, mais o h\u00e1bito da leitura se expande, beneficiando todos. Publica\u00e7\u00f5es coletivas tamb\u00e9m s\u00e3o muito bem-vindas!<\/p>\n<p><strong>Escrever costuma ser um ato solit\u00e1rio, mas as oficinas de escrita criativa e os grupos de coletividade t\u00eam crescido. Como a troca de experi\u00eancias e o feedback desses espa\u00e7os impactam o refinamento dos seus textos?<\/strong><\/p>\n<p>Embora a execu\u00e7\u00e3o do texto (o momento de encarar a p\u00e1gina em branco) permane\u00e7a essencialmente solit\u00e1ria, o processo de matura\u00e7\u00e3o da obra se beneficia imensamente do coletivo. As oficinas e grupos de leitura cr\u00edtica funcionam como um espelho de laborat\u00f3rio. Eles nos ajudam a perceber os nossos v\u00f4os cegos. Talvez aquela met\u00e1fora que ach\u00e1vamos genial, mas que ningu\u00e9m entendeu; aquele ritmo que funcionava na nossa cabe\u00e7a, mas que ficou truncado para o leitor. O feedback qualificado limpa os excessos do texto e acelera o processo de autocr\u00edtica que, sozinho, o autor levaria anos para desenvolver. Participar dessas oficinas \u00e9 sempre uma excelente oportunidade. Cito o exemplo da Uni\u00e3o Brasileira de Escritores \u2013 Goi\u00e1s, que sempre tem oferecido v\u00e1rias oficinas ao longo dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p><strong>O escritor Eduardo Cesario-Mart\u00ednez defende uma vis\u00e3o otimista de que a melhor gera\u00e7\u00e3o de escritores \u00e9 a atual, e que as futuras ser\u00e3o ainda melhores gra\u00e7as \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o da escrita pela internet. Como voc\u00ea enxerga esse impacto da tecnologia na qualidade da nova produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p>A postura de Eduardo Cesario-Mart\u00ednez \u00e9 sopro de otimismo extremamente necess\u00e1rio, embora eu a encare com um filtro de pondera\u00e7\u00e3o. A internet operou uma revolu\u00e7\u00e3o ineg\u00e1vel, quebrando os monop\u00f3lios dos grandes guardi\u00f5es da cultura. Inclusive as grandes editoras e suplementos liter\u00e1rios tradicionais: agora j\u00e1 existem poderosas vozes talvez consideradas perif\u00e9ricas, regionais e experimentais que j\u00e1 encontraram seu p\u00fablico sem intermedi\u00e1rios. Contudo, democratizar o acesso \u00e0 publica\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa automaticamente elevar a qualidade m\u00e9dia. Temos hoje um volume sem precedentes de textos, o que gera ru\u00eddo e satura\u00e7\u00e3o. A tecnologia facilita o surgimento de novos talentos, mas o crivo do tempo, da leitura cr\u00edtica e do amadurecimento estil\u00edstico continua sendo o mesmo de s\u00e9culos atr\u00e1s. A melhor gera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 aquela que souber usar a velocidade da rede sem abrir m\u00e3o da lentid\u00e3o necess\u00e1ria para a sua profundidade. Preciso inclusive elogiar uma possibilidade. Um \u00f3timo escritor goiano continua encontrando dificuldades colossais em chegar como destaque numa prateleira badalada. Ainda h\u00e1 m\u00e1fias de divulga\u00e7\u00e3o, grife e crivo preconceituoso. Vou citar o exemplo de Delermando Vieira que, al\u00e9m de goiano, pode ser o escritor brasileiro com maior quantidade de premia\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias. Acho dif\u00edcil encontr\u00e1-lo como destaque em alguma grande livraria nacional ou ser encontrado em listas oficiais. Por outro lado, cito como exemplo a exist\u00eancia de plataformas culturais da internet que s\u00e3o mais badaladas que quaisquer dessas livrarias.<\/p>\n<p><strong>A escrita criativa \u00e9 um espelho ou uma fuga? De que forma o seu trabalho liter\u00e1rio funciona como uma ferramenta de di\u00e1logo interno com as suas pr\u00f3prias ang\u00fastias e, ao mesmo tempo, de debate com os problemas do mundo?<\/strong><\/p>\n<p>Ela pode ser as duas coisas, inclusive de forma dial\u00e9tica. A escrita \u00e9 fuga quando nos permite construir mundos alternativos, flertar com o fant\u00e1stico e o mist\u00e9rio, suspendendo as leis duras do cotidiano para explorar o imposs\u00edvel. No entanto, essa fuga \u00e9 um vetor que sempre faz o retorno para o espelho. Ao escrever sobre um mist\u00e9rio sobrenatural ou uma distopia, posso estar, no fundo, processando minhas ang\u00fastias mais \u00edntimas frente a finitude, ao isolamento e \u00e0s injusti\u00e7as do mundo real. O fant\u00e1stico nos afasta da realidade apenas para que possamos olhar para ela de volta com mais nitidez.<\/p>\n<p><strong>Muitos autores constroem carreiras pol\u00edmatas, dividindo-se entre outras profiss\u00f5es (como a ci\u00eancia, o direito ou a educa\u00e7\u00e3o) e as letras. Como a sua atua\u00e7\u00e3o fora das p\u00e1ginas alimenta a profundidade e a diversidade tem\u00e1tica dos seus cen\u00e1rios e personagens?<\/strong><\/p>\n<p>Viver apenas de literatura num pa\u00eds de poucos leitores e pequena valoriza\u00e7\u00e3o cultural \u00e9, al\u00e9m de utopia, ilus\u00e3o. N\u00e3o tenho conhecimento de autores brasileiros sendo muito bem pagos por grandes editoras, como ocorre em outros pa\u00edses. Ainda assim, a literatura que se alimenta apenas de literatura corre o risco de se tornar an\u00eamica, autorreferencial. Minhas experi\u00eancias e atua\u00e7\u00f5es fora das p\u00e1ginas funcionam como as minhas principais fontes de oxig\u00eanio criativo. Sou escriv\u00e3o de pol\u00edcia h\u00e1 27 anos, lidando com as mazelas, sofrimentos e crimes, entre pouca valoriza\u00e7\u00e3o institucional (menos ainda governamental, apesar das propagandas n\u00e3o dizerem isso), \u00ednfima estrutura, excesso de trabalho e poucos servidores. Sou formado em Direito e Psicologia. Atuei como terapeuta por mais de 10 anos. Al\u00e9m de ter escrito semanalmente em jornais por mais de 20 anos, fui professor de portugu\u00eas, ingl\u00eas e hipnoterapia, entre outras \u00e1reas da sa\u00fade mental e autoconhecimento. Apresento o podcast falado acima h\u00e1 um ano e nos fins de semana sou frequentemente chamado para fazer shows de m\u00e1gica, mentalismo e ilusionismo, ou palestras com m\u00e1gica. Apesar disso tudo, tento ser um pai bem presente com os filhos, levando pra escola, ensinando a fazer tarefa etc. Talvez este seja o motivo de minha presen\u00e7a na internet ou redes sociais ser pequena. Acredito que transitar por outras \u00e1reas traz um rico repert\u00f3rio existencial e pr\u00e1tico. Isso ajuda com o vocabul\u00e1rio t\u00e9cnico de um personagem, a compreens\u00e3o de din\u00e2micas burocr\u00e1ticas, o entendimento psicol\u00f3gico de conflitos reais ou o funcionamento de uma comunidade regional. O olhar pol\u00edmata nos impede de criar personagens corriqueiros ou espec\u00edficos, j\u00e1 que as vis\u00f5es de mundo s\u00e3o absolutamente m\u00faltiplas.<\/p>\n<p><strong>O mercado editorial atual exige que o autor seja tamb\u00e9m o seu pr\u00f3prio divulgador nas redes sociais. Como criar uma presen\u00e7a digital aut\u00eantica e engajar leitores sem deixar que as m\u00e9tricas de internet corrompam a ess\u00eancia e a profundidade da sua literatura?<\/strong><\/p>\n<p>Este parece o grande mal-estar do escritor do s\u00e9culo XXI. O algoritmo exige const\u00e2ncia, superficialidade e pol\u00eamica; a literatura exige tempo, sil\u00eancio e nuance. Por isso sou estranho, desleixado e dinossauro na internet. Eu desconhe\u00e7o celebridades (soube da exist\u00eancia da tal Virg\u00ednia, por exemplo, tem pouqu\u00edssimo tempo em 2026), nem acompanho mais programa\u00e7\u00f5es de TV. Definitivamente sou o menos adequado a dar dicas sobre divulga\u00e7\u00e3o. Mas acredito que o segredo para n\u00e3o corromper a ess\u00eancia do trabalho \u00e9 focar na autenticidade dos bastidores. Rede social \u00e9 como um truque de m\u00e1gica. Ela mostra uma apar\u00eancia de quem n\u00e3o \u00e9, sustentando uma atua\u00e7\u00e3o treinada para n\u00e3o revelar suas mazelas, ou, por outro lado, revela com esc\u00e1rnio a brutalidade da bolha que xinga e comete preconceitos em coment\u00e1rios horr\u00edveis. Conte\u00fados vazios geram engajamento. Gatilhos mentais, dancinhas e poses sensuais ficam na moda. Prefiro um podcast denso de ideias com 7 horas de dura\u00e7\u00e3o. Fa\u00e7o parte de um grupo pequeno desses apreciadores, por\u00e9m crescente. Talvez o uso da internet como extens\u00e3o do caderno de notas, onde se compartilha leituras, insights sobre o processo de escrita, vislumbres de pesquisa etc seja uma boa alternativa pra isso. Quando o leitor percebe que a sua presen\u00e7a digital \u00e9 um convite honesto para o seu universo criativo, e n\u00e3o um comercial incessante, o engajamento deixa de ser uma m\u00e9trica de vaidade e se torna uma comunidade real. Mesmo assim, acho dif\u00edcil o v\u00edcio do algoritmo entregar tais conte\u00fados sem links patrocinados. Mas quem sabe d\u00e1 certo!<\/p>\n<p><strong>Pensando nos espa\u00e7os democr\u00e1ticos de publica\u00e7\u00e3o, como o Caf\u00e9 Liter\u00e1rio ou portais de jornalismo cultural, qual a import\u00e2ncia desses canais na oxigena\u00e7\u00e3o do mercado e na revela\u00e7\u00e3o de novos talentos que enfrentam barreiras nas grandes editoras?<\/strong><\/p>\n<p>Espa\u00e7os como o <strong>Caf\u00e9 Liter\u00e1rio<\/strong>, revistas independentes e portais de jornalismo cultural s\u00e3o os verdadeiros pulm\u00f5es do mercado editorial hoje. Ali\u00e1s, s\u00e3o iniciativas louv\u00e1veis! As grandes editoras, muitas vezes pressionadas por margens de lucro e crises financeiras, tendem a apostar no que acreditam ser o mais seguro: autores j\u00e1 consagrados ou fen\u00f4menos de vendas internacionais. S\u00e3o esses canais alternativos e independentes que assumem o risco do erro, que oxigenam o meio e que funcionam como a primeira vitrine para a literatura fant\u00e1stica nacional, para os novos regionalismos e para a cr\u00f4nica experimental. Sem eles, a literatura brasileira seria um deserto de repeti\u00e7\u00f5es. Voc\u00ea est\u00e1 lendo isso agora gra\u00e7as a essa iniciativa!<\/p>\n<p><strong>Para encerrarmos, se voc\u00ea pudesse escolher apenas uma \u00fanica mensagem, ang\u00fastia ou reflex\u00e3o para imortalizar na mente de quem l\u00ea a sua obra hoje, qual seria?<\/strong><\/p>\n<p>Gosto de perguntas densas e reflexivas como essa. Dif\u00edcil escolher uma que revele algo dos meus diferentes estilos, mas vou citar uma frase que representa meu prop\u00f3sito de vida. O ser humano anda t\u00e3o mesquinho, ego\u00edsta e cruel que se distanciou dos verdadeiros prop\u00f3sitos. Sem empatia, entram em guerras e se exterminam fisicamente ou nas mentes. Nessa era em que nos empurra para o cinismo, para a pressa e para o julgamento sum\u00e1rio, ler e escrever fic\u00e7\u00e3o s\u00e3o atos de desacelera\u00e7\u00e3o e de profunda aten\u00e7\u00e3o ao outro. Que a minha obra possa lembrar ao leitor que, por tr\u00e1s da aparente banalidade do cotidiano ou sob o manto do mist\u00e9rio mais inexplic\u00e1vel, h\u00e1 sempre uma camada de humanidade complexa, sagrada e digna de ser compreendida sem simplificar. Na m\u00e1gica tento relembrar as impossibilidades que se realizam quando o encanto e o sonho pueril acreditam com mais veem\u00eancia. Gosto de levar alegria e encanto para quem precisa. Por isso, cito essa frase: N\u00e3o anestesie a sua capacidade de se espantar com o mundo!<\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leonardo Teixeira \u00e9 autor de 10 livros. P\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o em Direito e Psicologia, \u00e9 palestrante e ilusionista profissional. Apresenta o podCast Cabe\u00e7a Aberta da TV Dimens\u00e3o: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=K5ttEhQZsvM\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=K5ttEhQZsvM<\/a><\/strong><br \/>\n<strong>Contatos:<\/strong><br \/>\n<strong>E-mail: palestranteleo@gmail.com<\/strong><br \/>\n<strong>Instagram: @magicotioleo<\/strong><br \/>\n<strong>Whatsapp: 62 98176-7366 (Marcelo)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para o escritor e jornalista Leo Teixeira, a literatura n\u00e3o \u00e9 um museu de monumentos est\u00e1ticos, mas um ecossistema vivo onde os cl\u00e1ssicos universais e as vozes do regionalismo dialogam em tempo real. 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