{"id":400069,"date":"2026-07-03T01:15:12","date_gmt":"2026-07-03T04:15:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=400069"},"modified":"2026-07-02T14:16:12","modified_gmt":"2026-07-02T17:16:12","slug":"um-mergulho-no-fazer-literario-de-fernando-de-assis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/um-mergulho-no-fazer-literario-de-fernando-de-assis\/","title":{"rendered":"Um mergulho no fazer liter\u00e1rio de Fernando de Assis"},"content":{"rendered":"<p>A coluna <strong>Vozes da Literatura<\/strong> tem a honra de receber o escritor Fernando de Assis para um mergulho profundo nos bastidores do fazer liter\u00e1rio e nas sutilezas da sensibilidade criativa. Em uma conversa que transita entre a despretens\u00e3o e o<em> insight<\/em> agudo, o autor compartilha sua rotina de escrita di\u00e1ria, na qual a leitura atua como um farol cr\u00edtico para moldar a fluidez narrativa e evitar caminhos est\u00e9reis. Sem amarras acad\u00eamicas e movido por uma honestidade intelectual refrescante, Fernando revela como o existencialismo pulsa de forma espont\u00e2nea em seus personagens \u2014 repletos de ang\u00fastias e escolhas \u2014, transformando sua literatura em um espelho intuitivo das complexidades humanas diante do destino.<\/p>\n<p>Com a bagagem de quem domina a arte da observa\u00e7\u00e3o, o escritor tamb\u00e9m lan\u00e7a um olhar atento sobre o papel da cr\u00f4nica urbana no atual cen\u00e1rio de satura\u00e7\u00e3o digital, alertando para o perigo de &#8220;perdermos a pegada do tempo&#8221; diante do consumo veloz de informa\u00e7\u00e3o. Entre reflex\u00f5es sobre a p\u00f3s-verdade como uma fic\u00e7\u00e3o maldosa e a defesa da leitura cr\u00edtica como escudo social, Fernando de Assis brinda o leitor com a sua verve de cronista ao resgatar uma hil\u00e1ria e tensa hist\u00f3ria de bastidor em um voo rumo a Belo Horizonte. Trata-se de um convite irrecus\u00e1vel para conhecer a mente de um autor que enxerga o ato de escrever n\u00e3o apenas como of\u00edcio, mas como uma busca cont\u00ednua por conex\u00f5es genu\u00ednas e desprovidas de ego.<\/p>\n<p><strong>Como a sua bagagem como leitor de grandes cl\u00e1ssicos molda diretamente a sua voz na escrita criativa, e de que forma ler criticamente ajuda a destravar o seu pr\u00f3prio processo de cria\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Muito embora tenha lido alguns cl\u00e1ssicos, n\u00e3o creio que tenha dedicado tempo suficiente \u00e0 leitura do g\u00eanero, na verdade preciso muito me redimir dessa falta. O ato de escrever \u00e9 para mim uma rotina di\u00e1ria, de modo que ler com olhar cr\u00edtico \u00e9 fundamental para auxiliar no desenvolvimento de um pensamento durante a tarefa de escrever. O simples ato de ler auxilia enormemente na pr\u00e1tica da fluidez de uma narrativa; mas tamb\u00e9m permite ao escritor perceber caminhos que n\u00e3o deve trilhar.<\/p>\n<div id=\"attachment_400070\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-400070\" class=\" wp-image-400070\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/F.Assis-Foto-4-300x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"629\" height=\"629\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/F.Assis-Foto-4-300x300.jpeg 300w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/F.Assis-Foto-4-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/F.Assis-Foto-4-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/F.Assis-Foto-4-768x768.jpeg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/F.Assis-Foto-4-80x80.jpeg 80w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/F.Assis-Foto-4.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 629px) 100vw, 629px\" \/><p id=\"caption-attachment-400070\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Por certo que escrevo com alguma influ\u00eancia filos\u00f3fica, mesmo que o fa\u00e7a de forma n\u00e3o intencional&#8221;<\/p><\/div>\n<p><strong>A literatura contempor\u00e2nea frequentemente flerta com a filosofia. Quais grandes pensadores ou correntes filos\u00f3ficas servem de b\u00fassola moral e existencial para os conflitos que voc\u00ea desenvolve em suas p\u00e1ginas?<\/strong><\/p>\n<p>Aconteceu recentemente que uma psic\u00f3loga, pessoa amiga, ao ler uma frase de abertura de um dos livros no qual estou trabalhando, identificou Sartre naquele pensamento. Confesso que n\u00e3o foi algo proposital de minha parte. Por certo que escrevo com alguma influ\u00eancia filos\u00f3fica, mesmo que o fa\u00e7a de forma n\u00e3o intencional, acredito que aconte\u00e7a. Os personagens s\u00e3o carregados de desejos, receios e ang\u00fastias, e por esse perfil a obra apresenta uma abordagem existencialista, com pessoas envolvidas com suas escolhas, mas tamb\u00e9m com uma certa dose de destino.<\/p>\n<p><strong>Diante da hegemonia das m\u00eddias digitais e do consumo r\u00e1pido de informa\u00e7\u00e3o, qual \u00e9 o espa\u00e7o e a relev\u00e2ncia da cr\u00f4nica urbana hoje, especialmente se comparada ao tempo de mestres como Rubem Braga e Drummond?<\/strong><\/p>\n<p>Houve uma \u00e9poca em que era comum ao cidad\u00e3o abrir um jornal para se informar ou mesmo se entreter com algum texto solto, como uma cr\u00f4nica. Gosto da cr\u00f4nica, um texto de leitura r\u00e1pida e relaxante, e por isso mesmo relevante, penso mesmo que sempre ser\u00e1 relevante. Eu mesmo escrevo cr\u00f4nica urbanas, na verdade gostaria de tornar este h\u00e1bito mais frequente. Por vezes penso em publicar um livro de cr\u00f4nicas, mas preciso criar mais, dar mais material ao livro. O que percebo \u00e9 assustador, pois, se antes do caos das m\u00eddias digitais, reclam\u00e1vamos do tempo curto que o dia parecia ter, hoje, absurdamente, com tudo mais veloz, esse tempo parece evaporar. Temos que tomar cuidado, muito cuidado para n\u00e3o perder a pegada do tempo, pois ele \u00e9 impass\u00edvel, invis\u00edvel e leve em seu caminhar, e n\u00e3o h\u00e1 retorno para o tempo perdido. Como tudo, as redes sociais precisam ser consumidas com modera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_400714\" style=\"width: 609px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-400714\" class=\" wp-image-400714\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.24-1-300x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"599\" height=\"599\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.24-1-300x300.jpeg 300w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.24-1-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.24-1-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.24-1-768x768.jpeg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.24-1-80x80.jpeg 80w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.24-1.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><p id=\"caption-attachment-400714\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Transformar o ocorrido em um texto de leitura fluida e por vezes engra\u00e7ada \u00e9 muito criativo&#8221;<\/p><\/div>\n<p><strong>Sendo a literatura e o jornalismo historicamente entrela\u00e7ados no Brasil, como voc\u00ea equilibra o rigor da observa\u00e7\u00e3o dos fatos com a liberdade da inven\u00e7\u00e3o ficcional na sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p>Como cronista sim. Observar um fato e us\u00e1-lo com criatividade, passando para o papel o que observou; transformar o ocorrido em um texto de leitura fluida e por vezes engra\u00e7ada \u00e9 muito criativo. Vou inclusive aproveitar para narrar um ocorrido que ainda n\u00e3o transformei em cr\u00f4nica, mas veja isto:<br \/>\nAeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro. Est\u00e1vamos dentro de um avi\u00e3o da TAM, um turbo\u00e9lice, aeronave pequena, cem passageiros apenas. Todos acomodados, celulares desligados, cintos devidamente afivelados. O comandante partiu as turbinas. \u00c9 natural que a coisa vibre, mas uma placa da forra\u00e7\u00e3o do teto da aeronave cair no meio do corredor&#8230; isso n\u00e3o \u00e9 coisa que se veja todo dia.<\/p>\n<p>Bem! A tripula\u00e7\u00e3o comunicou \u00e0 cabine dos pilotos o ocorrido e de imediato as turbinas foram silenciadas. N\u00e3o demorou e uma equipe da manuten\u00e7\u00e3o entrou na aeronave com uma escada e outras ferramentas para sanar o contratempo. O forro foi rapidamente recolocado, por\u00e9m foi adesivado ao teto com fita \u2018Silver Tape\u2019. Obviamente que era para n\u00e3o cair novamente. S\u00f3 ent\u00e3o me dei conta de que havia outras fitas prateadas a enfeitar o teto da aeronave. A coisa causou espanto geral. O passageiro que estava a meu lado n\u00e3o se conteve, soltou o cinto, levantou-se do assento e com um dedo levantado foi em alto e bom som que despejou:<\/p>\n<p>\u2014 Eu sou escritor e isso vai para meu pr\u00f3ximo livro.<\/p>\n<p>Sem me erguer do assento, encarei o sujeito. Por nada eu perderia aquela bola levantada dentro da \u00e1rea, e no melhor de minha performance, soltei, e o fiz para que todos tamb\u00e9m ouvissem:<\/p>\n<p>\u2014 S\u00f3 se o senhor chegar vivo a Belo Horizonte.<\/p>\n<p>A gargalhada foi geral.<\/p>\n<p><strong>Escrever fic\u00e7\u00e3o em tempos de p\u00f3s-verdade imp\u00f5e novos limites. Como a literatura pode atuar como um ref\u00fagio da verdade humana ou uma ferramenta de den\u00fancia em um mundo saturado de narrativas distorcidas?<\/strong><\/p>\n<p>Pergunto-me&#8230; n\u00e3o seria a p\u00f3s-verdade uma fic\u00e7\u00e3o criada por quem tem apre\u00e7o por convic\u00e7\u00f5es pessoais em detrimento da realidade dos fatos? Ou, de outra forma&#8230; n\u00e3o seria a p\u00f3s-verdade uma maneira de formar opini\u00e3o e conduzir a grande massa em dire\u00e7\u00e3o a um pensamento ficcional, por sinal maldoso, com o intuito de iludir? A realidade humana, eu diria, \u00e9 baseada no caos decorrente de cada passo que se d\u00e1, por isso \u00e9 preciso saber para onde se deseja ir, e essa \u00e9 uma provid\u00eancia que gera menos conflito no trajeto, de outro modo, conforme disse o \u2018gato a Alice\u2019: \u2018para quem n\u00e3o sabe para onde vai qualquer caminho serve\u2019. Tamb\u00e9m vale dizer que n\u00e3o basta saber ler, \u00e9 preciso que a leitura seja feita de modo cr\u00edtico. O mesmo valendo para o ouvir.<\/p>\n<div id=\"attachment_400074\" style=\"width: 507px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-400074\" class=\" wp-image-400074\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/F.Assis-Foto-2-1-300x225.jpeg\" alt=\"\" width=\"497\" height=\"373\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/F.Assis-Foto-2-1-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/F.Assis-Foto-2-1-1024x769.jpeg 1024w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/F.Assis-Foto-2-1-768x577.jpeg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/F.Assis-Foto-2-1.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 497px) 100vw, 497px\" \/><p id=\"caption-attachment-400074\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;n\u00e3o podemos esquecer que quebrar as regras pode ser um caminho criativo&#8221;<\/p><\/div>\n<p><strong>O dom\u00ednio das t\u00e9cnicas espec\u00edficas de cada g\u00eanero textual liberta ou aprisiona a criatividade? Como o conhecimento formal de estrutura diferencia um autor amador de um escritor profissional?<\/strong><\/p>\n<p>O dom\u00ednio de t\u00e9cnicas pressup\u00f5e algum tipo de forma\u00e7\u00e3o, por\u00e9m percebo que al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o o que torna uma pessoa h\u00e1bil em determinada tarefa \u00e9 a dedica\u00e7\u00e3o em fazer e a busca do aprimoramento ao fazer. Quanto a libertar ou aprisionar a criatividade, penso que os dois podem ocorrer, por\u00e9m n\u00e3o podemos esquecer que quebrar as regras pode ser um caminho criativo, e \u00e9 o que por vezes revela um trabalho diferente. Percebo que a segunda pergunta est\u00e1 bem encaixada ou complementa a primeira, por\u00e9m, n\u00e3o tenho como responder, pois, n\u00e3o possuindo forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, minha vis\u00e3o fica incompleta ou carente de refer\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea define o seu &#8220;lugar de fala&#8221; na literatura atual e de que maneira essa posi\u00e7\u00e3o influencia a receptividade, as cr\u00edticas e a conex\u00e3o emocional com o seu p\u00fablico leitor?<\/strong><\/p>\n<p>Venho de uma fam\u00edlia onde meus pais tinham pouca instru\u00e7\u00e3o, e, apesar dessa car\u00eancia, eles gostavam muito de ler, e foi o que muito me incentivou na leitura e mais tarde na escrita. No final desse question\u00e1rio, segue um texto, na verdade, o pref\u00e1cio de meu primeiro livro. Pode ser que ele proporcione uma vis\u00e3o mais detalhada do que pode vir a ser o meu \u2018lugar de fala\u2019.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s cr\u00edticas e a conex\u00e3o emocional com meu p\u00fablico, confesso que ainda n\u00e3o tenho essa refer\u00eancia. Seria preciso ter um substancial p\u00fablico leitor, e minha trajet\u00f3ria ainda \u00e9 modesta. Recebi algumas cr\u00edticas positivas por uma primeira publica\u00e7\u00e3o, por\u00e9m existe um pensamento filos\u00f3fico, que agora me escapa em seu texto original, mas que n\u00e3o permite, ou, que n\u00e3o deixa d\u00favida que \u00e9 preciso que se tenha certo cuidado com os elogios que recebemos de pessoas pr\u00f3ximas.<\/p>\n<p>Obs.: Fiz uma pausa e fui pesquisar na internet o tal pensamento filos\u00f3fico, pois n\u00e3o o recordava em sua constru\u00e7\u00e3o original. O pensamento \u00e9 de Pierre Bourdie: \u201cOs circuitos de consagra\u00e7\u00e3o social ser\u00e3o tanto mais eficazes quanto maior a dist\u00e2ncia social do objeto consagrado.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_400717\" style=\"width: 508px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-400717\" class=\" wp-image-400717\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.23-300x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"498\" height=\"498\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.23-300x300.jpeg 300w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.23-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.23-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.23-768x768.jpeg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.23-80x80.jpeg 80w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.23.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 498px) 100vw, 498px\" \/><p id=\"caption-attachment-400717\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Os grupos s\u00e3o atuantes, complementam e at\u00e9 superam o esfor\u00e7o individual&#8221;<\/p><\/div>\n<p><strong>O escritor Daniel Machi afirma que os autores precisam abandonar o ego\u00edsmo de querer aparecer individualmente em prol de algo maior, que \u00e9 a pr\u00f3pria literatura, criando redes de apoio m\u00fatuo para se fortalecerem e ganharem visibilidade. Voc\u00ea concorda com essa vis\u00e3o sobre o papel do coletivo no mercado editorial?<\/strong><\/p>\n<p>Conhecemos pessoas que se dedicam a esta \u00e1rdua tarefa. Admiro e concordo. Os grupos s\u00e3o atuantes, complementam e at\u00e9 superam o esfor\u00e7o individual. Por certo que acredito nisso. Imagino que reunir leitores beta para um trabalho em andamento ou j\u00e1 conclu\u00eddo deve funcionar de modo muito positivo tamb\u00e9m. Penso muito sobre buscar essa ajuda.<\/p>\n<div id=\"attachment_400715\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-400715\" class=\" wp-image-400715\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.24-228x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"336\" height=\"442\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.24-228x300.jpeg 228w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.24-779x1024.jpeg 779w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.24-768x1009.jpeg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-13.06.24.jpeg 974w\" sizes=\"auto, (max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><p id=\"caption-attachment-400715\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Estou inserido no perfil da escrita solit\u00e1ria&#8221;<\/p><\/div>\n<p><strong>Escrever costuma ser um ato solit\u00e1rio, mas as oficinas de escrita criativa e os grupos de coletividade t\u00eam crescido. Como a troca de experi\u00eancias e o feedback desses espa\u00e7os impactam o refinamento dos seus textos?<\/strong><\/p>\n<p>Estou inserido no perfil da escrita solit\u00e1ria. As orienta\u00e7\u00f5es que recebo ocorrem por causa da leitura, momento em que observo, fa\u00e7o cr\u00edticas e aprendo, por isso, e como n\u00e3o poderia deixar de ser, vejo o ato de conhecer outros pensamentos como uma forma muito positiva de aprimorar a t\u00e9cnica de escrita.<\/p>\n<p><strong>O escritor Eduardo Cesario-Mart\u00ednez defende uma vis\u00e3o otimista de que a melhor gera\u00e7\u00e3o de escritores \u00e9 a atual, e que as futuras ser\u00e3o ainda melhores gra\u00e7as \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o da escrita pela internet. Como voc\u00ea enxerga esse impacto da tecnologia na qualidade da nova produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p>Teclados e telas substitu\u00edram a caneta, o papel, a m\u00e1quina de escrever, de modo que escrever hoje \u00e9 muito mais f\u00e1cil. Para alterar um texto, \u00e9 com muita facilidade que o escritor retorna a uma narrativa ou cena que escreveu vinte, cinquenta p\u00e1ginas antes (por vezes fico a imaginar como era isso no passado). Para o leitor, o acesso \u00e0 leitura tamb\u00e9m ficou mais f\u00e1cil, ou, se preferirmos, mais r\u00e1pido e menos dispendioso. Lembro-me dos dias em que tinha que entrar em um \u00f4nibus e fazer uma longa viagem para ir at\u00e9 uma biblioteca; e era essa a forma \u00fanica para ler um livro que eu n\u00e3o tinha e que provavelmente n\u00e3o conseguiria comprar; na verdade, uma realidade que atingia n\u00e3o s\u00f3 a mim. Isso sem contar no quanto era dif\u00edcil enviar um texto para um amigo ou amiga, que por vezes nem morava t\u00e3o longe. Correios, selos, demoras a receber retorno. Enfim, a tecnologia facilitou mesmo, certamente que foi a grande inspiradora de novos leitores e obviamente escritores, isso sem contar a qualidade que entrega. Mas muito cuidado&#8230; temos agora, plantado em meio a esse jardim, o que pode vir a ser uma erva daninha, a emergente IA.<\/p>\n<p><strong>A escrita criativa \u00e9 um espelho ou uma fuga? De que forma o seu trabalho liter\u00e1rio funciona como uma ferramenta de di\u00e1logo interno com as suas pr\u00f3prias ang\u00fastias e, ao mesmo tempo, de debate com os problemas do mundo?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o sei se alcancei a primeira pergunta, mas vamos l\u00e1. Escrever \u00e9 uma forma de fuga para mim. Fuga da realidade do mundo. Quando escrevo estou dentro da hist\u00f3ria, junto com os personagens, em florestas, montanhas, vilarejos e casebres, por vezes castelos. Mas carrego um mundo real na narrativa. Por vezes preciso esquadrinhar o passado para dar seguimento, e \u00e9 quando percebo que nada mudou muito ao longo dos s\u00e9culos. As dores, fraquezas, ang\u00fastias e medos permanecem no esp\u00edrito humano, mas tamb\u00e9m permanecemos guerreiros e resistentes diante dos problemas.<\/p>\n<div id=\"attachment_400071\" style=\"width: 372px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-400071\" class=\" wp-image-400071\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Trecho-do-Livro-I-MDF-de-3mm-225x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"362\" height=\"483\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Trecho-do-Livro-I-MDF-de-3mm-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Trecho-do-Livro-I-MDF-de-3mm-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Trecho-do-Livro-I-MDF-de-3mm.jpeg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 362px) 100vw, 362px\" \/><p id=\"caption-attachment-400071\" class=\"wp-caption-text\">Trecho do Livro I-MDF de 3mm<\/p><\/div>\n<p><strong>Muitos autores constroem carreiras pol\u00edmatas, dividindo-se entre outras profiss\u00f5es (como a ci\u00eancia, o direito ou a educa\u00e7\u00e3o) e as letras. Como a sua atua\u00e7\u00e3o fora das p\u00e1ginas alimenta a profundidade e a diversidade tem\u00e1tica dos seus cen\u00e1rios e personagens?<\/strong><\/p>\n<p>Minha forma\u00e7\u00e3o \u00e9 na \u00e1rea exata, mais precisamente eletr\u00f4nica e instrumenta\u00e7\u00e3o, que de forma objetiva nada mais \u00e9 do que f\u00edsica aplicada. Trabalhei por muitos anos em ch\u00e3o de f\u00e1brica e unidades mar\u00edtimas de explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera. Muito distante, portanto, das letras. O envolvimento com o trabalho, com a necessidade imediata de ganhar dinheiro para sobreviver foi o respons\u00e1vel por fazer dormitar o desejo de escrever, que por sinal surgiu na adolesc\u00eancia. Hoje estou aposentado, mas faz algum tempo que trabalhos com madeira me atraem, \u00e9 um hobby, uma heran\u00e7a de meu padrinho. Recentemente fiz um trabalho gr\u00e1fico que ao final recortei e gravei com aux\u00edlio de uma CNC a laser (veja fotos anexas), \u00e9 um trecho de meu livro, fiz em MDF de 3mm e em papel paran\u00e1 de 2mm.<\/p>\n<p>O envolvimento com as tarefas sempre ajuda na cria\u00e7\u00e3o de cenas, e com a oficina n\u00e3o \u00e9 diferente. Por vezes surge uma fala de um personagem quando a grosa desliza removendo imperfei\u00e7\u00f5es da madeira, ou quando o form\u00e3o d\u00e1 o acabamento. Caminhadas tamb\u00e9m proporcionam momentos de desprendimento da mente, o que \u00e9 muito positivo para a cria\u00e7\u00e3o. S\u00e3o momentos \u00fanicos, que somente quem escreve pode entender.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-400072 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Trecho-do-livro-I-Envelhecido-300x225.jpeg\" alt=\"\" width=\"387\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Trecho-do-livro-I-Envelhecido-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Trecho-do-livro-I-Envelhecido-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Trecho-do-livro-I-Envelhecido-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Trecho-do-livro-I-Envelhecido-rotated.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 387px) 100vw, 387px\" \/><\/p>\n<p>Trecho do livro I-Envelhecido<strong>O mercado editorial atual exige que o autor seja tamb\u00e9m o seu pr\u00f3prio divulgador nas redes sociais. Como criar uma presen\u00e7a digital aut\u00eantica e engajar leitores sem deixar que as m\u00e9tricas de internet corrompam a ess\u00eancia e a profundidade da sua literatura?<\/strong><\/p>\n<p>Uma \u00f3tima pergunta. Eu gostaria de compreender melhor esse tema. Por outro lado, percebo que, para um autor iniciante, a publica\u00e7\u00e3o independente, com lucro de venda o mais baixo poss\u00edvel j\u00e1 \u00e9 um bom passo para ajudar no marketing. Quando o autor se une a uma editora, o livro n\u00e3o fica access\u00edvel em termos de valor. Para um autor iniciante, vender um livro a R$79,00 + Frete \u00e9 invi\u00e1vel. N\u00e3o h\u00e1 marketing que possa impulsionar tal venda. Eu n\u00e3o me importo se nada ganhar com a publica\u00e7\u00e3o, se o custo do livro e o valor de venda ficar no 0x0, por mim tudo bem, o que preciso \u00e9 que o livro seja lido, que a obra se torne conhecida, que a cr\u00edtica venha. Vejo como excelente in\u00edcio ter mil leitores e nenhum real na conta. O dinheiro tem que ser consequ\u00eancia, uma resposta futura ao trabalho, e n\u00e3o um objetivo, uma meta imediata.<\/p>\n<p><strong>Pensando nos espa\u00e7os democr\u00e1ticos de publica\u00e7\u00e3o, como o Caf\u00e9 Liter\u00e1rio ou portais de jornalismo cultural, qual a import\u00e2ncia desses canais na oxigena\u00e7\u00e3o do mercado e na revela\u00e7\u00e3o de novos talentos que enfrentam barreiras nas grandes editoras?<\/strong><\/p>\n<p>A oportunidade de responder este question\u00e1rio s\u00f3 existe em espa\u00e7os democr\u00e1ticos. Receber voz dentro de um sistema que at\u00e9 ent\u00e3o era restrito, obviamente que \u00e9 oportuno e n\u00e3o pode ser desprezado. Contudo percebo que as grandes editoras n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas a impor barreiras a autores novos. Com o crescimento do n\u00famero de escritores, o mercado se tornou um bom neg\u00f3cio para pequenas editoras, que percebem no autor, n\u00e3o no leitor, sua fonte de renda.<\/p>\n<p><strong>Para encerrarmos, se voc\u00ea pudesse escolher apenas uma \u00fanica mensagem, ang\u00fastia ou reflex\u00e3o para imortalizar na mente de quem l\u00ea a sua obra hoje, qual seria?<\/strong><\/p>\n<p>Embora seja um romance de fic\u00e7\u00e3o, a obra entrega algumas reflex\u00f5es ao leitor. Nem todas as reflex\u00f5es s\u00e3o entregues de forma direta, mas certamente que s\u00e3o percept\u00edveis dentro do contexto de di\u00e1logos. Contudo, tem uma frase que julgo muito forte, e ela aparece de forma direta na abertura do livro II.<\/p>\n<p>\u201cA alma humana \u00e9 constantemente perturbada pela necessidade de angustiantes decis\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>PREF\u00c1CIO DO MEU PRIMEIRO LIVRO<\/p>\n<p>Quem nunca contou uma hist\u00f3ria? Se n\u00e3o contou \u00e9 certo que chegar\u00e1 o momento de faz\u00ea-lo, quer seja para um filho na hora de dormir, para uma netinha ou, quem sabe, para um sobrinho. Mas e se a pergunta sofrer uma ligeira mudan\u00e7a, como por exemplo: \u201cQuem nunca escreveu uma hist\u00f3ria?\u201d Por certo que a maior parte das pessoas responder\u00e1, sem refletir, que nunca escreveu, por\u00e9m \u00e9 certo que \u00e9 mais f\u00e1cil algu\u00e9m nascer e morrer sem contar uma hist\u00f3ria do que viver sobre esta terra sem escrever uma. E isso \u00e9 uma verdade porque todos n\u00f3s escrevemos; a cada dia o fazemos, com certeza. Escrevemos um livro \u00fanico. O livro que conta a hist\u00f3ria de nossas vidas.<\/p>\n<p>Alguns poder\u00e3o perguntar o porqu\u00ea dessa abordagem inicial, e eu respondo que somente quando nos propomos a contar a hist\u00f3ria de um personagem fict\u00edcio, que surge em nossa imagina\u00e7\u00e3o com seu mundo totalmente particular ou n\u00e3o, \u00e9 que percebemos como \u00e9 fant\u00e1stico o poder de manipular a exist\u00eancia de um ser imagin\u00e1rio a quem damos vida, e \u00e9 essa sensa\u00e7\u00e3o que me diz que escrever diariamente os cap\u00edtulos de nossas pr\u00f3prias vidas pode e deve ser t\u00e3o fant\u00e1stico quanto escrever um livro em papel e tinta.<\/p>\n<p>Somos todos personagens nesse grande livro universal, cada qual se debru\u00e7ando sobre sua pr\u00f3pria exist\u00eancia para escrever o melhor que pode sobre si mesmo, e sem percebermos, ao final, temos uma hist\u00f3ria \u00fanica e fant\u00e1stica gravada em alguma regi\u00e3o da mem\u00f3ria do grande universo que nos cerca.<\/p>\n<p>A tarefa de escrever se configura como uma aventura para mim, por\u00e9m posso asseverar que tem sido muito prazerosa a experi\u00eancia, e a apresenta\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico deste primeiro trabalho \u00e9 extremamente gratificante. Comparo este \u00e0 obra de um ferreiro que tendo que fabricar a espada de um guerreiro, realiza sua tarefa com esmero, dando o melhor de si, e isso porque da mesma forma que os metais precisam ser combinados e forjados durante muito tempo no calor do carv\u00e3o, sendo exaustivamente malhados em martelo e bigorna a fim de se obter a dureza e resili\u00eancia necess\u00e1rias, assim tamb\u00e9m tem sido com esta obra; mas faz somente algum tempo que me dei conta disso.<\/p>\n<p>Meus pais foram pessoas simples, que gostavam muito de leitura. Tr\u00eas filhos homens e uma vontade imensa de v\u00ea-los crescer como pessoas de bem. No in\u00edcio, ainda em nossa inf\u00e2ncia, tivemos nosso primeiro contato com livros ilustrados das f\u00e1bulas de Esopo, Irm\u00e3os Grimm, Hans Christian Andersen, Jean de La Fontaine, Walt Disney e, mais tarde as obras do nosso grande Monteiro Lobato. Crescemos nesse ambiente e n\u00e3o poderia deixar passar tais coisas sem registro, expondo de forma simples, por\u00e9m de cora\u00e7\u00e3o aberto, o que est\u00e1 gravado em minha alma.<\/p>\n<p>No prim\u00e1rio, tive a oportunidade de ser aluno de uma ador\u00e1vel mestra que tinha por h\u00e1bito de premiar seus alunos com livros. N\u00e3o eram mais do que dois ou tr\u00eas livros a serem disputados por uma turma numerosa, e eu nunca esqueci do dia em que ganhei o livro O m\u00e1gico de Oz, de Lyman Frank Baun.<\/p>\n<p>O tempo avan\u00e7ou, veio a adolesc\u00eancia. Eu j\u00e1 havia lido algumas obras de J\u00falio Verne e ficava fascinado com suas hist\u00f3rias cheias de fic\u00e7\u00e3o e ci\u00eancia. Lembro-me de que foi nessa fase que a vontade de escrever despertou. N\u00e3o posso precisar a idade exata, mas certamente entre treze e quinze anos.<\/p>\n<p>A leitura de fic\u00e7\u00e3o fez nascer o desejo de escrever uma obra daquele g\u00eanero. Ora, mas como faz\u00ea-lo se nunca me dediquei ao estudo da l\u00edngua de forma mais profunda? As an\u00e1lises gramaticais e sint\u00e1ticas eram, para mim, por demais tediosas e complexas, o que tornava minha vontade de escrever um tanto quanto pretensiosa. Por\u00e9m aconteceu que, sem que fosse algo que premeditasse, essa vontade hibernou como um urso que precisa esperar um longo e rigoroso inverno passar.<\/p>\n<p>Com o seguimento da vida, me formei numa \u00e1rea distante do mundo das letras. A leitura, que at\u00e9 ent\u00e3o ainda mantinha por h\u00e1bito, havia tomado outros rumos passando para o terreno da dura realidade cient\u00edfica do mundo, e menos pelo terreno fantasioso das fic\u00e7\u00f5es, se \u00e9 que n\u00e3o se possa considerar que a dura realidade do mundo tamb\u00e9m n\u00e3o se configure uma grande ou at\u00e9 mesmo a maior das fic\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m \u00e9 certo que o que dorme n\u00e3o est\u00e1 morto, e embora n\u00e3o percebesse, havia realmente um urso, e ele apenas dormia.<\/p>\n<p>Lembro-me de que mor\u00e1vamos numa casa de dois andares; era uma pequena casa geminada. Foi ali que um novo h\u00e1bito surgiu \u2013 todas as noites, no pequeno quarto de meu filho, eu lia algumas p\u00e1ginas de um livro, sempre antes que ele fosse dormir. N\u00f3s at\u00e9 nos revez\u00e1vamos na leitura; mas como \u00e9 certo que aconte\u00e7a quando se l\u00ea um livro, um dia terminamos. E foi ao final dessa leitura que fui surpreendido por um pedido de meu filho \u2013 ele queria que eu contasse uma hist\u00f3ria que sa\u00edsse de minha pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o, e foi nesse momento que percebi que o inverno estava terminando, que o urso se remexia nos fundos da caverna.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante quando penso que a hist\u00f3ria desse primeiro livro nasceu e foi se metamorfoseando, seguindo por caminhos que por vezes eu mesmo achei desconhecer \u2013 foi como andar numa floresta \u00e0 noite, cheia de feras, duendes e bruxos. Obviamente que havia um roteiro a ser seguido, mas posso afirmar, sem receio de revelar minhas faltas, que me permiti certa liberdade no caminhar nessa floresta, e que devido a esse comportamento, \u00e9 for\u00e7oso confessar que o caminho que trilhei trouxe surpresas. \u00c9 essa, a meu ver, a grande ess\u00eancia de quem escreve de forma livre \u2013 se permitir surpreender por algum personagem ou mesmo por algum lugar que, em sua fantasia, e como se tal possibilidade seja cab\u00edvel, venha a apresentar sutilezas que o pr\u00f3prio escritor desconhe\u00e7a.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia tem sido algo fascinante, e se coloco dessa forma \u00e9 porque sei que nada est\u00e1 terminado ainda. Hoje, com mais sessenta anos, n\u00e3o sei bem se foi o longo inverno que ap\u00f3s passar trouxe a inspira\u00e7\u00e3o e a coragem para que me aventurasse nesse terreno nobre e ao mesmo tempo fant\u00e1stico, mas o mais importante disso tudo \u00e9 saber que esta obra n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 minha, e que o universo de alguma forma conspirou e conspira para que tudo seja poss\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Para leitores Beta \u2013 Leitor, se voc\u00ea aprecia um bom romance de fic\u00e7\u00e3o medieval e gostaria de ser o primeiro a lan\u00e7ar um olhar curioso e apresentar uma vis\u00e3o honesta sobre uma trilogia de tal g\u00eanero, ent\u00e3o sinta-se pronto para embarcar em uma grande oportunidade. A hist\u00f3ria se passa num pequeno povoado, em uma floresta medieval, com muitas reviravoltas, cheia de surpresas e idas e vindas no tempo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eu, o autor, Fernando de Assis desejo submeter minha obra ao olhar cuidadoso e esquadrinhador de leitores que desejarem embarcar nessa narrativa envolvente.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Contato:<\/strong><\/p>\n<p><strong>DM &#8211; Direct Message do Instagram no perfil @f.assis_escritor<\/strong><\/p>\n<p><strong>E-mail fassisescritor@yahoo.com<\/strong><\/p>\n<p><strong>Obs. Caso leitores que n\u00e3o s\u00e3o familiarizados com a tem\u00e1tica da obra, por\u00e9m desejem realizar a leitura, n\u00e3o deixem de fazer contato.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sinopse<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cansado das persegui\u00e7\u00f5es ao povo de seu pequeno vilarejo, um sacerdote se dirigiu ao or\u00e1culo em meio \u00e0 floresta, lugar onde costumava meditar e fazer rituais sagrados. Em estado contemplativo, pediu aux\u00edlio aos seres de outras dimens\u00f5es, rogando for\u00e7a aos esp\u00edritos ancestrais. Uma deusa na figura de uma humilde anci\u00e3 surgiu, e o encontro deu origem a um pacto envolvendo um misterioso enigma em torno de uma caixa contendo tr\u00eas objetos. Entretanto for\u00e7as do mal se opuseram ao pacto, e mesmo contando com a prote\u00e7\u00e3o de um amuleto, o sacerdote foi assassinado. Com sua morte os objetos da caixa foram separados. Muito tempo se passou antes que o amuleto e a caixa fossem encontrados, e quando aconteceu, a hist\u00f3ria j\u00e1 tinha ganhado vento, como uma lenda soprada atrav\u00e9s do tempo pelos seres da floresta, esp\u00edritos que tudo testemunharam; e depois deles, homens, elfos e feiticeiros se encarregariam de fazer a lenda seguir seu rumo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>OS FILHOS DE WIGAND<\/strong><\/p>\n<p><strong>Livro I \u2013 A Caixa<\/strong><\/p>\n<p><strong>Livro II \u2013 A Po\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Livro III \u2013 A Vidente<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A coluna Vozes da Literatura tem a honra de receber o escritor Fernando de Assis para um mergulho profundo nos bastidores do fazer liter\u00e1rio e nas sutilezas da sensibilidade criativa. 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