{"id":402028,"date":"2026-07-04T09:48:16","date_gmt":"2026-07-04T12:48:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=402028"},"modified":"2026-07-04T09:48:16","modified_gmt":"2026-07-04T12:48:16","slug":"biocosmetico-une-ciencia-e-tradicoes-ribeirinhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/biocosmetico-une-ciencia-e-tradicoes-ribeirinhas\/","title":{"rendered":"Biocosm\u00e9tico une ci\u00eancia e tradi\u00e7\u00f5es ribeirinhas"},"content":{"rendered":"<p>Do alto de seus 30 ou 50 metros, a andiroba lan\u00e7a frutos maduros ao ch\u00e3o. O impacto divide a casca dura em quatro partes e espalha as sementes pelo terreno. A partir da\u00ed, come\u00e7a o trabalho das Am\u00e9lias da Amaz\u00f4nia, grupo de mulheres ribeirinhas que produzem \u00f3leos para fins medicinais e cosm\u00e9ticos desde 2016.<\/p>\n<p>Elas vivem na comunidade S\u00e3o Domingos, que fica dentro da Floresta Nacional do Tapaj\u00f3s, no Oeste do Par\u00e1. Todo o trabalho \u00e9 feito de maneira manual, e respeita o ritmo ditado pela natureza e pelos costumes locais.<\/p>\n<p>O primeiro passo \u00e9 coletar as sementes, que t\u00eam caracter\u00edsticas angulares, arredondadas, cor de caf\u00e9 e textura semelhante \u00e0 corti\u00e7a. Para chegar ao produto final, \u00e9 preciso esperar em m\u00e9dia tr\u00eas meses, o que inclui as etapas de higieniza\u00e7\u00e3o, cozimento, secagem e quebra da semente, seguidas do preparo da massa e da decanta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAprendemos essa t\u00e9cnica de tirar o \u00f3leo da andiroba com nossos av\u00f3s e os nossos pais, que nos passaram essa cultura e tradi\u00e7\u00e3o\u201d, explica a ribeirinha Marileide da Silva Monteiro.<\/p>\n<p>Marileide conta que a maior parte das sementes se perdia. Algumas fam\u00edlias pegavam para fazer rem\u00e9dios, mas era muito pouco.<\/p>\n<p>\u201cUma irm\u00e3 teve a ideia de fazer o \u00f3leo para vender e n\u00f3s nos juntamos. Era uma forma de conseguir um recurso extra para casa e n\u00e3o ter que ficar trabalhando tanto na ro\u00e7a debaixo do sol\u201d, complementa.<\/p>\n<p>O empreendimento re\u00fane 16 pessoas, mas \u00e9 liderado por tr\u00eas irm\u00e3s: al\u00e9m de Marileide, Marilene e Marcilene.O protagonismo das mulheres no projeto foi uma das inspira\u00e7\u00f5es para o nome da marca.<\/p>\n<p>No senso comum, \u201cAm\u00e9lia\u201d virou s\u00edmbolo de mulher submissa ao marido, que suporta qualquer coisa sem reclamar, em refer\u00eancia \u00e0 marcha carnavalesca composta em 1942 por M\u00e1rio Lago e Ataulfo Alves.<\/p>\n<p>As Am\u00e9lias da Amaz\u00f4nia ressignificaram o estere\u00f3tipo. Enfrentaram a desconfian\u00e7a de alguns homens da comunidade e seguiram com o projeto de criar o pr\u00f3prio neg\u00f3cio, mesmo que isso significasse executar tarefas mais pesadas.<\/p>\n<p>\u201cA gente estava acostumada a trabalhar em ro\u00e7a com o nosso pai. Plantando, fazendo farinha, cortando seringueira. Quando veio a ideia de come\u00e7ar o neg\u00f3cio dos cosm\u00e9ticos, tivemos que arrancar os tocos de \u00e1rvores no machado, limpamos todo o terreno na enxada, fizemos uma horta e outras estruturas. Foi muito trabalho\u201d, explica Marilene Dias da Silva.<\/p>\n<p>Hoje, al\u00e9m dos \u00f3leos de andiroba e de copa\u00edba, fabricam sabonetes, velas, incensos, cremes e repelentes. Todos com base em mat\u00e9rias-primas amaz\u00f4nicas.<\/p>\n<p>\u201cCom o dinheiro, a gente j\u00e1 consegue pagar uma escola para o meu filho. Tamb\u00e9m posso dar um cal\u00e7ado melhor para ele. N\u00e3o d\u00e1 para dizer que est\u00e1 suprindo tudo, mas j\u00e1 \u00e9 um come\u00e7o e os ganhos ajudam a fam\u00edlia a passar o m\u00eas\u201d, conta Marileide.<\/p>\n<p>Uma nova gera\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia est\u00e1 sendo preparada para assumir o neg\u00f3cio, tamb\u00e9m com o protagonismo delas. \u00c9 o caso de Silvia Gabrielly, de 23 anos, filha de Marileide. Ela divide o tempo entre o trabalho como agente ambiental no Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) e a administra\u00e7\u00e3o das redes sociais das Am\u00e9lias.<\/p>\n<p>O plano de Silvia \u00e9 investir nos estudos e trazer novos saberes e tecnologias para a comunidade.<\/p>\n<p>\u201cEu j\u00e1 fiz v\u00e1rios cursos na \u00e1rea ambiental e na \u00e1rea de turismo. Agora, estou fazendo uma gradua\u00e7\u00e3o em tecnologia ambiental. Quero entender mais sobre as planta\u00e7\u00f5es, a produ\u00e7\u00e3o dos produtos e a gest\u00e3o do neg\u00f3cio. Tamb\u00e9m precisamos de mais conhecimentos para administrar e divulgar o trabalho\u201d, diz a jovem.<\/p>\n<p><strong>Biocosm\u00e9ticos <\/strong><br \/>\nOs \u00f3leos produzidos pelas Am\u00e9lias n\u00e3o ficam restritos \u00e0 comunidade S\u00e3o Domingos. Eles s\u00e3o mat\u00e9ria-prima para a Mah\u00e1 Biocosm\u00e9ticos. O neg\u00f3cio foi idealizado pelas farmac\u00eauticas Melissa Karen Lage e Bruna de Souza quando faziam gradua\u00e7\u00e3o na Universidade Federal do Oeste do Par\u00e1 (Ufopa).<\/p>\n<p>Elas se especializaram em produtos capilares, como xampus, condicionadores e m\u00e1scaras de nutri\u00e7\u00e3o. A ideia veio de uma necessidade pessoal de Melissa, que identificou uma lacuna no mercado.<\/p>\n<p>\u201cNa \u00e9poca, quase n\u00e3o havia op\u00e7\u00f5es para cabelos cacheados, principalmente os que fizessem um efeito a longo prazo e que realmente tratassem dos fios. Eu iniciei os experimentos com o \u00f3leo da babosa, at\u00e9 que minhas orientadoras sugeriram os ativos da Amaz\u00f4nia. Ent\u00e3o, decidimos usar \u00f3leos e manteigas daqui da regi\u00e3o\u201d, explica a farmac\u00eautica.<\/p>\n<p>Saiu a babosa (Aloe vera) \u2013 com origem africana e \u00e1rabe, e produzida no Brasil principalmente no Sudeste \u2013 e entraram os \u00f3leos da andiroba e da castanha-do-par\u00e1, esp\u00e9cies nativas da Amaz\u00f4nia. Para isso, foi essencial estabelecer parcerias com comunidades tradicionais.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s sempre quisemos fazer algo que beneficiasse todo o territ\u00f3rio. Quando as pessoas compram nossos produtos, est\u00e3o fortalecendo as cadeias produtivas locais\u201d, explica Melissa.<\/p>\n<p>Ela explica que uma preocupa\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio, desde o in\u00edcio, foi apoiar o esfor\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o local em manter a floresta em p\u00e9. Por isso, a equipe das Am\u00e9lias conheceu os laborat\u00f3rios da Mah\u00e1, enquanto Melissa e Bruna ofereceram capacita\u00e7\u00e3o para o reaproveitamento dos res\u00edduos da andiroba.<\/p>\n<p>Para que a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica local fosse ainda mais completa, outros materiais importantes para os cosm\u00e9ticos teriam de ser produzidos na regi\u00e3o. Por\u00e9m, alguns insumos \u2013 como mentol, glicerina e ess\u00eancias \u2013 precisam ser comprados de empresas de S\u00e3o Paulo ou do Rio de Janeiro. Assim como as embalagens biodegrad\u00e1veis.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades log\u00edsticas, a Mah\u00e1 passa por um processo de expans\u00e3o e consegue comercializar produtos para todo o Brasil. O plano agora \u00e9 aumentar esse volume de vendas. Uma parceria foi feita com a Bemol, grupo varejista de Manaus (AM), e o processo produtivo foi terceirizado: hoje fica sob responsabilidade da Ekilibre da Amaz\u00f4nia, f\u00e1brica de Alter do Ch\u00e3o (PA).<\/p>\n<p>As farmac\u00eauticas t\u00eam conseguido dedicar mais tempo \u00e0 parte criativa. Manejando diferentes elementos naturais e insumos qu\u00edmicos, tubos de ensaio e equipamentos eletr\u00f4nicos, desenvolvem novas f\u00f3rmulas.<\/p>\n<p>\u201cAlgumas pessoas acham que as coisas da Amaz\u00f4nia ainda s\u00e3o apenas artesanais. Essas coisas t\u00eam valor, mas tamb\u00e9m fazemos ci\u00eancia. Estamos na universidade e desenvolvemos nossos produtos com todo o crit\u00e9rio cient\u00edfico. Ao mesmo tempo, valorizamos as tradi\u00e7\u00f5es da comunidade\u201d, diz Melissa.<\/p>\n<p><strong>Ancestralidade e inova\u00e7\u00e3o <\/strong><br \/>\nO laborat\u00f3rio da Mah\u00e1 fica na Oka Hub, uma incubadora de empresas de bioeconomia em Belterra (PA). Idealizada pela Colabora Lab, em parceria com o Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a ideia \u00e9 que pequenos neg\u00f3cios recebam infraestrutura, capacita\u00e7\u00e3o e estabele\u00e7am contatos com outras empresas.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma rede que conecta esses empres\u00e1rios com institui\u00e7\u00f5es como a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o Industrial (Embrapii) e a Universidade Federal do Oeste do Par\u00e1 (Ufopa), al\u00e9m das comunidades tradicionais.<\/p>\n<p>\u201cOs povos ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhos que vivem na Amaz\u00f4nia acumularam um saber de valor inestim\u00e1vel, que agora ganha outra dimens\u00e3o com a bioeconomia. S\u00e3o conhecimentos sobre como usar, de modo sustent\u00e1vel, os recursos da regi\u00e3o que, apesar de abundantes, n\u00e3o s\u00e3o inesgot\u00e1veis\u201d, diz diretor t\u00e9cnico do Sebrae Nacional, Bruno Quick.<\/p>\n<p>Segundo os organizadores, 11 neg\u00f3cios s\u00e3o apoiados atualmente na Oka Hub, um espa\u00e7o, segundo o lema oficial, \u201conde a ci\u00eancia encontra a floresta, onde ancestralidade vira inova\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAo apoiar esses ambientes de inova\u00e7\u00e3o, estamos proporcionando os meios necess\u00e1rios para que a tecnologia sirva como ferramenta de escala e sustentabilidade para os saberes da floresta, gerando emprego e renda qualificada na pr\u00f3pria regi\u00e3o\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>Fordismo x \u201cAmazonismo\u201d <\/strong><br \/>\nSe o presente em Belterra e na Floresta do Tapaj\u00f3s \u00e9 de valoriza\u00e7\u00e3o do modo de vida e da economia amaz\u00f4nica, em um passado j\u00e1 distante, os projetos para a regi\u00e3o eram totalmente diferentes.<\/p>\n<p>Os vest\u00edgios deste per\u00edodo est\u00e3o pr\u00f3ximos, a poucos metros da Oka Hub. S\u00e3o casas de madeira pintadas em verde e branco, em uma \u00e1rea conhecida como Vila Americana. A est\u00e9tica \u00e9 anacr\u00f4nica, importada do Meio-Oeste dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1930, a Ford Motor Company, de Henry Ford, pretendia cultivar seringueiras em massa, para extrair l\u00e1tex e usar na ind\u00fastria de pneus. A vila era o centro administrativo e residencial de elite norte-americana que trabalharia na regi\u00e3o, como engenheiros e gerentes.<\/p>\n<p>Uma grande caixa d\u2019\u00e1gua de ferro alimentava o sistema hidr\u00e1ulico das moradias. A sirene no topo soava em diferentes hor\u00e1rios do dia e regulava os turnos de trabalho na planta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Henry Ford nunca visitou Belterra e a empresa vendeu os ativos ao governo brasileiro em 1945, depois de o projeto fracassar. As casas hoje s\u00e3o ocupadas por institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, como as sedes da Prefeitura e da C\u00e2mara Municipal, e por moradores locais. A vila foi tombada pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan).<\/p>\n<p>A Vila Americana simboliza hoje uma Amaz\u00f4nia que resistiu \u00e0s tentativas externas de explora\u00e7\u00e3o, argumenta a historiadora Venize Nazar\u00e9 Ramos Rodrigues, da Universidade do Estado do Par\u00e1 (UEPA). Ela \u00e9 autora do artigo Belterra: cidade americana no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A autora interpreta esses conflitos como resultado do choque entre a l\u00f3gica do fordismo \u2014 sistema marcado pela produ\u00e7\u00e3o em massa, padroniza\u00e7\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o do trabalho \u2014, e os modos de vida amaz\u00f4nicos, ligados aos ciclos da natureza, \u00e0 liberdade criativa e ao engajamento coletivo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se pode pensar em modernidade para a Amaz\u00f4nia sem levar em considera\u00e7\u00e3o os povos que vivem nessa regi\u00e3o, a floresta e a rela\u00e7\u00e3o que se estabelece entre homem e natureza\u201d, diz o artigo.<\/p>\n<p>A autora ressalta que o capital americano \u201cfez pouca ou quase nenhuma concess\u00e3o \u00e0 cultura local, implantando um sistema que normatizava desde o sistema de trabalho at\u00e9 o lazer e as rela\u00e7\u00f5es sociais, interferindo na vida pessoal e no padr\u00e3o de conviv\u00eancia local, afetando as diversas dimens\u00f5es do viver nativo\u201d, complementa a historiadora.<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia na floresta <\/strong><br \/>\nA \u201cmodernidade\u201d na Amaz\u00f4nia hoje se traduz pela uni\u00e3o entre tradi\u00e7\u00e3o e ci\u00eancia. Um dos s\u00edmbolos disso \u00e9 o Museu de Ci\u00eancias da Amaz\u00f4nia (MuCA), institui\u00e7\u00e3o que re\u00fane pesquisa e educa\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Em destaque, est\u00e3o as cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas ligadas \u00e0 biodiversidade do bioma, incluindo animais pe\u00e7onhentos, como serpentes, e as pesquisas relacionadas \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o ambiental e \u00e0 diversidade ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel pelas \u00e1reas educacional e laboratorial do museu, Arthur Carvalho, afirma que a rela\u00e7\u00e3o com as comunidades tradicionais \u00e9 um dos diferenciais do projeto.<\/p>\n<p>\u201cTudo o que a gente tem hoje de conhecimento cient\u00edfico partiu do conhecimento emp\u00edrico, do conhecimento tradicional. O que torna o MuCA \u00fanico \u00e9 isso: estar pr\u00f3ximo dessas comunidades, poder dialogar e aprender com elas\u201d, reflete Arthur.<\/p>\n<p>Exemplos concretos dessa integra\u00e7\u00e3o foram apresentados ao longo desta reportagem. A Oka Hub, incubadora de neg\u00f3cios e de pesquisas, usa espa\u00e7os dentro do MuCA. As farmac\u00eauticas da Mah\u00e1 Biocosm\u00e9ticos trabalham na Oka Hub e usam \u00f3leos produzidos na Floresta do Tapaj\u00f3s pelas ribeirinhas da Am\u00e9lias da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Arthur defende que, para alcan\u00e7ar todos os potenciais culturais, cient\u00edficos e econ\u00f4micos da regi\u00e3o, \u00e9 preciso ampliar investimentos e mobilizar o engajamento coletivo na defesa da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cExistem aqui empresas de tecnologia que trabalham uma s\u00e9rie de solu\u00e7\u00f5es, mas que ainda n\u00e3o t\u00eam credibilidade que mereciam. As pessoas deveriam valorizar mais a regi\u00e3o e apoi\u00e1-la para que cres\u00e7a cada vez mais\u201d, pede o amaz\u00f4nida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do alto de seus 30 ou 50 metros, a andiroba lan\u00e7a frutos maduros ao ch\u00e3o. O impacto divide a casca dura em quatro partes e espalha as sementes pelo terreno. A partir da\u00ed, come\u00e7a o trabalho das Am\u00e9lias da Amaz\u00f4nia, grupo de mulheres ribeirinhas que produzem \u00f3leos para fins medicinais e cosm\u00e9ticos desde 2016. 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