{"id":404584,"date":"2026-07-26T01:15:25","date_gmt":"2026-07-26T04:15:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=404584"},"modified":"2026-07-25T00:47:02","modified_gmt":"2026-07-25T03:47:02","slug":"o-misterio-sob-a-rosa-seca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/o-misterio-sob-a-rosa-seca\/","title":{"rendered":"O mist\u00e9rio sob a rosa seca"},"content":{"rendered":"<p class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" data-start=\"1130\" data-end=\"1439\">Em dezembro de 2017, numa tarde modorrenta e abafada, a poucos dias do in\u00edcio do inclemente ver\u00e3o carioca, eu j\u00e1 havia aplicado as provas finais e entrado de f\u00e9rias da universidade. Sem compromissos e com algumas horas livres pela frente, resolvi entrar em meu carro, ligar o ar-condicionado no m\u00e1ximo e partir para a Zona Sul, a fim de fazer uma explora\u00e7\u00e3o pelo Cemit\u00e9rio S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, em Botafogo, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p data-start=\"1441\" data-end=\"1762\">N\u00e3o era um passeio inteiramente sem prop\u00f3sito. Queria encontrar a sepultura de Augusto Frederico Schmidt, meu poeta preferido, morto em 1965. Eu sabia que deveria procurar o jazigo 1929 da quadra 29, mas, como costuma acontecer nos cemit\u00e9rios antigos, a simplicidade da informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o correspondia \u00e0 dificuldade da busca.<\/p>\n<p data-start=\"1764\" data-end=\"1903\">Depois de caminhar algum tempo entre mausol\u00e9us, cruzes e l\u00e1pides, finalmente encontrei o t\u00famulo. Ficava pr\u00f3ximo ao jazigo do cantor Cazuza.<\/p>\n<p data-start=\"1905\" data-end=\"1939\">Sobre a pedra havia uma rosa seca.<\/p>\n<p data-start=\"1941\" data-end=\"2192\">A princ\u00edpio, aquilo n\u00e3o teria nada de extraordin\u00e1rio. Flores s\u00e3o deixadas diariamente nos cemit\u00e9rios, embora poucas resistam por muito tempo ao sol, \u00e0 chuva e ao abandono. Mas havia um papel dobrado sob a rosa. Percebi-o quando me aproximei da l\u00e1pide.<\/p>\n<p data-start=\"2194\" data-end=\"2436\">Hesitei antes de toc\u00e1-lo. Abrir uma mensagem deixada sobre uma sepultura me pareceu, durante alguns segundos, uma indiscri\u00e7\u00e3o imperdo\u00e1vel. Talvez eu estivesse invadindo uma intimidade que nem a morte havia revogado. A curiosidade, por\u00e9m, acabou vencendo.<\/p>\n<p data-start=\"2438\" data-end=\"2483\">Afastei a rosa e abri cuidadosamente o papel.<\/p>\n<p data-start=\"2485\" data-end=\"2854\">A mensagem j\u00e1 estava castigada pelas intemp\u00e9ries, pela poeira e pela decomposi\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria flor. Algumas palavras haviam desaparecido; outras podiam apenas ser adivinhadas. N\u00e3o sei dizer hoje se li o bilhete ou se o reconstitu\u00ed. Nas fotografias que fiz naquele momento, ainda \u00e9 poss\u00edvel distinguir a palavra \u201csaudades\u201d, uma refer\u00eancia ao \u201camigo\u201d e, ao final, tr\u00eas iniciais:<\/p>\n<p data-start=\"2856\" data-end=\"2866\"><strong data-start=\"2856\" data-end=\"2866\">W.R.V.<\/strong><\/p>\n<p data-start=\"2868\" data-end=\"3026\">Quem seria aquela pessoa que, cinquenta e dois anos depois da morte do poeta, ainda lhe levava uma rosa e deixava sobre sua sepultura uma mensagem manuscrita?<\/p>\n<p data-start=\"3028\" data-end=\"3064\">Naquele momento, eu n\u00e3o fazia ideia.<\/p>\n<p data-start=\"3066\" data-end=\"3271\">Voltei para casa com as fotografias e as tr\u00eas letras na mem\u00f3ria. Procurei informa\u00e7\u00f5es na internet, mas encontrei pouca coisa. Aos poucos, por\u00e9m, a pesquisa me conduziu a um nome: <strong data-start=\"3245\" data-end=\"3270\">Waldir Ribeiro do Val<\/strong>.<\/p>\n<p data-start=\"3273\" data-end=\"3415\">Foi assim, sob uma rosa seca, que conheci a exist\u00eancia do homem que acompanhara Augusto Frederico Schmidt durante os \u00faltimos anos de sua vida.<\/p>\n<p data-start=\"3417\" data-end=\"3786\">Em 2007, num discurso pronunciado na Academia Luso-Brasileira de Letras, Waldir contou como se dera o primeiro encontro entre os dois. At\u00e9 ent\u00e3o, conhecia Schmidt apenas por seus poemas, artigos e apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. J\u00e1 havia publicado um estudo sobre Raimundo Correia e circulava nos ambientes liter\u00e1rios do Rio de Janeiro, mas nunca estivera pessoalmente com o poeta.<\/p>\n<p data-start=\"3788\" data-end=\"4031\">Em meados de 1958, Waldir estava em seu apartamento, na Praia de Botafogo, quando recebeu um telefonema inesperado. Do outro lado da linha estava o pr\u00f3prio Schmidt, que conhecia seus trabalhos sobre Raimundo Correia e queria conversar com ele.<\/p>\n<p data-start=\"4033\" data-end=\"4071\">Waldir chegou a suspeitar de um trote.<\/p>\n<p data-start=\"4073\" data-end=\"4304\">O encontro foi marcado para a noite seguinte, no apartamento da Rua Paula Freitas, n\u00famero 20, em Copacabana. Antes de desligar, Schmidt perguntou a idade do jovem pesquisador. Waldir tinha trinta anos. A resposta pareceu agrad\u00e1-lo.<\/p>\n<p data-start=\"4306\" data-end=\"4532\">\u00c0s sete e meia da noite do dia seguinte, Waldir subiu ao oitavo andar do Edif\u00edcio Jabaquara. Depois de alguma espera, foi recebido pelo pr\u00f3prio poeta, que caminhava lentamente. Temendo ter chegado cedo demais, perguntou se Schmidt estaria jantando.<\/p>\n<p data-start=\"4534\" data-end=\"4578\">\u2014 Ai de mim! Eu n\u00e3o posso jantar, sou diab\u00e9tico.<\/p>\n<p data-start=\"4580\" data-end=\"5007\">A resposta, ao mesmo tempo teatral e lamentosa, surpreendeu Waldir. Diante dele estava uma das figuras mais influentes do pa\u00eds: empres\u00e1rio, poeta, articulista, diplomata informal e interlocutor frequente do poder. Entretanto, aquele homem conhecido pela veem\u00eancia, pelas gargalhadas e pelo apelido de \u201cgordinho sinistro\u201d aparecia agora fragilizado diante de um jovem que nunca havia visto.<\/p>\n<p data-start=\"5009\" data-end=\"5229\">No escrit\u00f3rio-biblioteca, cercado por estantes de madeira e livros encadernados, Schmidt explicou que ele pr\u00f3prio escolhera Waldir. Queria que trabalhasse como seu colaborador \u2014 na pr\u00e1tica, como seu secret\u00e1rio liter\u00e1rio.<\/p>\n<p data-start=\"5231\" data-end=\"5493\">As atribui\u00e7\u00f5es foram definidas naquela mesma noite. Waldir deveria rever os artigos escritos para <em data-start=\"5329\" data-end=\"5338\">O Globo<\/em>, lev\u00e1-los \u00e0 reda\u00e7\u00e3o, reunir os textos dispersos, preparar novos livros e colaborar nos trabalhos relacionados \u00e0 Opera\u00e7\u00e3o Pan-Americana, ent\u00e3o em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"5495\" data-end=\"5521\">Come\u00e7ou na manh\u00e3 seguinte.<\/p>\n<p data-start=\"5523\" data-end=\"6026\">Durante quase oito anos, de 1958 ao in\u00edcio de 1965, conviveu diariamente com Schmidt. Organizou livros, preparou antologias, revisou textos, acompanhou discuss\u00f5es pol\u00edticas e presenciou a movimenta\u00e7\u00e3o quase diplom\u00e1tica do apartamento da Rua Paula Freitas. Ali circulavam ministros, parlamentares, militares, jornalistas, escritores e funcion\u00e1rios do Itamaraty. Waldir trabalhava nos bastidores daquela combina\u00e7\u00e3o pouco comum de literatura, poder e pol\u00edtica externa.<\/p>\n<p data-start=\"6028\" data-end=\"6355\">Preparou, entre outros trabalhos, o volume <em data-start=\"6071\" data-end=\"6085\">As florestas<\/em>, uma <em data-start=\"6091\" data-end=\"6110\">Antologia po\u00e9tica<\/em>, o livro de sonetos <em data-start=\"6131\" data-end=\"6142\">Babil\u00f4nia<\/em> e uma <em data-start=\"6149\" data-end=\"6169\">Antologia de prosa<\/em>. Em 1965, <em data-start=\"6180\" data-end=\"6202\">Prel\u00fadio \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o<\/em>, reuni\u00e3o de artigos pol\u00edticos de Schmidt, tornou-se a primeira obra das Edi\u00e7\u00f5es do Val, editora criada por Waldir.<\/p>\n<p data-start=\"6357\" data-end=\"6634\">Schmidt tinha consci\u00eancia de que aquele jovem n\u00e3o era apenas um revisor. Confiava-lhe seus textos, permitia que recolhesse originais destinados \u00e0 cesta de lixo e chegou a dizer que, depois de sua morte, Waldir seria o guardi\u00e3o de sua obra.<\/p>\n<p data-start=\"6636\" data-end=\"6705\">A frase ganharia uma dura\u00e7\u00e3o que talvez nem Schmidt pudesse imaginar.<\/p>\n<p data-start=\"6707\" data-end=\"7100\">O poeta morreu em fevereiro de 1965. Waldir continuou vivendo por quase seis d\u00e9cadas. Escreveu, lecionou, trabalhou no jornalismo, publicou livros, editou poetas e preservou documentos. Foi professor de Literatura Brasileira na UFRJ, jornalista de <em data-start=\"6955\" data-end=\"6964\">O Globo<\/em>, editor-chefe da revista <em data-start=\"6990\" data-end=\"6999\">Di\u00e1logo<\/em>, membro do PEN Club do Brasil e da Academia Carioca de Letras.<\/p>\n<p data-start=\"7102\" data-end=\"7181\">Mas a rela\u00e7\u00e3o com Schmidt n\u00e3o permaneceu apenas nos livros, artigos e arquivos.<\/p>\n<p data-start=\"7183\" data-end=\"7304\">Em dezembro de 2017, mais de meio s\u00e9culo depois do enterro, Waldir ainda levava flores ao t\u00famulo do antigo amigo e chefe.<\/p>\n<p data-start=\"7306\" data-end=\"7585\">A rosa seca que encontrei no S\u00e3o Jo\u00e3o Batista era a comprova\u00e7\u00e3o silenciosa de que ele jamais abandonara completamente a miss\u00e3o recebida. Continuava guardando Schmidt, n\u00e3o apenas como objeto de pesquisa ou personagem da hist\u00f3ria liter\u00e1ria, mas como algu\u00e9m de quem sentia saudades.<\/p>\n<p data-start=\"7587\" data-end=\"7731\">Depois de descobrir quem era W.R.V., procurei saber mais sobre sua trajet\u00f3ria. Algum tempo depois, por volta de 2018, consegui falar com Waldir.<\/p>\n<p data-start=\"7733\" data-end=\"8128\">Ele havia criado o Museu do Val de Literatura em seu s\u00edtio, na localidade de Andrade Costa, munic\u00edpio de Vassouras. Inaugurado em 2011, o espa\u00e7o reunia livros, fotografias, manuscritos, aut\u00f3grafos e documentos relacionados a dezenas de escritores brasileiros. Era o resultado material de uma vida dedicada a recolher aquilo que o tempo\u00a0 normalmente dispersa.<\/p>\n<div id=\"attachment_404586\" style=\"width: 264px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-404586\" class=\"wp-image-404586 size-medium\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Waldir-Ribeiro-do-Val-254x300.jpg\" alt=\"\" width=\"254\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Waldir-Ribeiro-do-Val-254x300.jpg 254w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Waldir-Ribeiro-do-Val.jpg 266w\" sizes=\"auto, (max-width: 254px) 100vw, 254px\" \/><p id=\"caption-attachment-404586\" class=\"wp-caption-text\"><em>Waldir Ribeiro do Val<\/em><\/p><\/div>\n<p data-start=\"8130\" data-end=\"8389\">Conversei com ele sobre a possibilidade de visitar o museu. Minha ideia era reunir alguns poetas e escritores amigos e organizar uma pequena excurs\u00e3o liter\u00e1ria. Ir\u00edamos at\u00e9 Andrade Costa, conhecer o acervo e ouvir do pr\u00f3prio Waldir as hist\u00f3rias que carregava.<\/p>\n<p data-start=\"8391\" data-end=\"8425\">A visita ficou para ser combinada.<\/p>\n<p data-start=\"8427\" data-end=\"8685\">Pouco depois, minha esposa morreu. O projeto, como tantos outros, perdeu lugar diante do luto. Em seguida, veio a pandemia, com seus isolamentos, adiamentos e rupturas. O tempo passou. Troquei de telefone, perdi contatos e j\u00e1 n\u00e3o sabia como encontrar Waldir.<\/p>\n<p data-start=\"8687\" data-end=\"8714\">A excurs\u00e3o nunca aconteceu.<\/p>\n<p data-start=\"8716\" data-end=\"8958\">Recentemente, durante uma passagem pela regi\u00e3o, procurei novamente a propriedade. O Museu do Val estava fechado. O s\u00edtio apresentava sinais de abandono. Perguntei a pessoas da vizinhan\u00e7a o que havia acontecido com o escritor que vivia ali.<\/p>\n<p data-start=\"8960\" data-end=\"8997\">Disseram-me que Waldir havia morrido.<\/p>\n<p data-start=\"8999\" data-end=\"9487\">Recebi a not\u00edcia com alguma d\u00favida, pois n\u00e3o encontrei imediatamente uma confirma\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A Academia Carioca de Letras ainda o apresentava como ocupante de sua cadeira. Pesquisas posteriores, no entanto, confirmaram a informa\u00e7\u00e3o: Waldir Ribeiro do Val morreu em 1\u00ba de dezembro de 2024. Meses depois, duas salas da escola de Andrade Costa onde estudara quando menino receberam seu nome. Sua irm\u00e3 compareceu \u00e0 cerim\u00f4nia em representa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia.<\/p>\n<p data-start=\"9489\" data-end=\"9797\">N\u00e3o sei ainda qual foi o destino do acervo do museu. N\u00e3o sei se os livros, cartas, fotografias e manuscritos continuam na propriedade, se foram transferidos ou se est\u00e3o sob a responsabilidade de familiares. Tamb\u00e9m n\u00e3o seria correto atribuir neglig\u00eancia a algu\u00e9m antes de conhecer as circunst\u00e2ncias concretas.<\/p>\n<p data-start=\"9799\" data-end=\"9906\">Sei apenas o que vi: o museu fechado e uma propriedade que parecia perder lentamente a luta contra o tempo.<\/p>\n<p data-start=\"9908\" data-end=\"10300\">A situa\u00e7\u00e3o cont\u00e9m uma ironia dif\u00edcil de ignorar. Waldir dedicou grande parte da vida \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de outros escritores. Salvou pap\u00e9is que Schmidt jogaria fora, preparou seus livros, organizou antologias, estudou Raimundo Correia, publicou poetas e criou um museu para conservar documentos liter\u00e1rios. Agora \u00e9 a mem\u00f3ria de Waldir que precisa ser localizada, organizada e protegida.<\/p>\n<p data-start=\"10302\" data-end=\"10540\">Schmidt, que tantas vezes escreveu sobre o desaparecimento e a morte, chegou a perguntar a Waldir se algu\u00e9m ainda se lembraria dele dez anos depois de sua partida. Waldir respondeu a essa inquieta\u00e7\u00e3o com quase sessenta anos de fidelidade.<\/p>\n<p data-start=\"10542\" data-end=\"10570\">A pergunta agora se desloca:<\/p>\n<p data-start=\"10572\" data-end=\"10597\">Quem guardar\u00e1 o guardi\u00e3o?<\/p>\n<p data-start=\"10599\" data-end=\"10846\">Volto \u00e0s fotografias daquela tarde de 2017. Numa delas aparece o jazigo inteiro. Em outra, a rosa seca repousa sobre o papel manchado. Na imagem mais pr\u00f3xima, mal se distinguem algumas palavras e as tr\u00eas iniciais que me fizeram iniciar a pesquisa.<\/p>\n<p data-start=\"10848\" data-end=\"11007\">Naquele dia, pensei estar lendo uma mensagem particular destinada a um morto. Hoje compreendo que o bilhete tamb\u00e9m se dirigia, sem saber, a quem viesse depois.<\/p>\n<p data-start=\"11009\" data-end=\"11081\">Talvez este artigo seja, enfim, a visita que nunca conseguimos realizar.<\/p>\n<p data-start=\"11083\" data-end=\"11287\">Chego tarde. Waldir j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 para abrir o museu, mostrar os livros e contar suas hist\u00f3rias. Mas talvez ainda haja tempo de afastar cuidadosamente a rosa seca e devolver \u00e0 luz o nome escrito sob ela.<\/p>\n<p data-start=\"11289\" data-end=\"11315\">Waldir Ribeiro do Val.<\/p>\n<p><strong data-start=\"11289\" data-end=\"11315\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<br \/>\nDaniel Marchi \u00e9 poeta, contista, advogado e professor universit\u00e1rio no Rio de Janeiro. Editor do Caf\u00e9 Liter\u00e1rio e fundador da Editora Fava. Autor de <em data-start=\"149\" data-end=\"170\">A Verdade nos Seres<\/em> (poesia, 2024) e <em data-start=\"196\" data-end=\"217\">Territ\u00f3rio do Sonho<\/em> (contos, 2026). @prof.danielmarchi.<\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em dezembro de 2017, numa tarde modorrenta e abafada, a poucos dias do in\u00edcio do inclemente ver\u00e3o carioca, eu j\u00e1 havia aplicado as provas finais e entrado de f\u00e9rias da universidade. 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