{"id":405279,"date":"2026-08-04T01:15:57","date_gmt":"2026-08-04T04:15:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=405279"},"modified":"2026-07-31T13:19:14","modified_gmt":"2026-07-31T16:19:14","slug":"jose-ngola-carlos-debate-literatura-educacao-e-o-contexto-angolano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/jose-ngola-carlos-debate-literatura-educacao-e-o-contexto-angolano\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 Ngola Carlos debate literatura, educa\u00e7\u00e3o e o contexto angolano"},"content":{"rendered":"<p>Para o escritor, professor e pesquisador angolano <strong>Jos\u00e9 Ngola Carlos<\/strong>, o ato de escrever nunca foi um exerc\u00edcio de isolamento, mas um compromisso social inegoci\u00e1vel. Longe de se restringir aos manuscritos guardados na gaveta, sua trajet\u00f3ria liter\u00e1ria \u2014 iniciada de forma despretensiosa em peda\u00e7os de papel de caderno \u2014 ganhou o mundo ao se transformar em uma ferramenta de interven\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e cultural. Hoje, por meio de seus artigos cient\u00edficos e de opini\u00e3o focados na realidade socioeducativa de Angola, o autor utiliza a palavra como um espelho cr\u00edtico e um motor de transforma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica e humana.<\/p>\n<p>Nesta entrevista profunda para a coluna <strong>Vozes da Literatura<\/strong>, o colunista do <strong>Jornal Cultural ROL<\/strong> detalha os bastidores de seu processo criativo, que equilibra a sensibilidade dos est\u00edmulos circunstanciais com o rigor metodol\u00f3gico da revis\u00e3o. Com reflex\u00f5es inspiradas em grandes pensadores como Paulo Freire e Allan Kardec, Jos\u00e9 Ngola Carlos discute o papel dos jornais independentes na proje\u00e7\u00e3o internacional da literatura lus\u00f3fona, os desafios da era digital na forma\u00e7\u00e3o de leitores ass\u00edduos e a empolgante expectativa em torno de sua tese de doutorado. Acompanhe, a seguir, este di\u00e1logo essencial sobre a utilidade da palavra escrita.<\/p>\n<p><strong>Qual foi o primeiro gesto de escrita que, hoje, voc\u00ea reconhece como decisivo em sua trajet\u00f3ria? O que o levou a tornar seus textos p\u00fablicos?<\/strong><\/p>\n<p>A elabora\u00e7\u00e3o de poemas espont\u00e2neos, em peda\u00e7os de papeis de caderno, foi o meu primeiro gesto de escrita liter\u00e1ria.\u00a0Hoje, os meus textos (acad\u00eamicos, cient\u00edficos e de opini\u00e3o voltados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o em Angola e no mundo) s\u00e3o tornados p\u00fablicos porque percebo que quem escreve, e por via deste meio se prop\u00f5e a fazer o bem, n\u00e3o pode escrever para si mesmo.<\/p>\n<p><strong>Entre conto, cr\u00f4nica, poesia, artigo ou outra forma de escrita, em qual g\u00eanero voc\u00ea encontra maior liberdade e precis\u00e3o para dizer o que deseja? Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>Os artigos de opini\u00e3o e os cient\u00edficos s\u00e3o os meus prediletos porque ambos me permitem olhar para a minha realidade socioeducativa, pensar nela e sugerir melhorias, o que, n\u00e3o melhorando os outros, melhora a mim e a minha pr\u00e1tica did\u00e1tico-pedag\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as fontes mais recorrentes de sua escrita: experi\u00eancias pessoais, observa\u00e7\u00e3o do cotidiano, mem\u00f3ria, leitura de outros autores, pesquisa, di\u00e1logo com outras artes ou algo diferente?<\/strong><\/p>\n<p>Em verdade, todas estas fontes inspiram-me consideravelmente, com particular destaque para a pr\u00f3pria experi\u00eancia docente, a observa\u00e7\u00e3o do cotidiano e a leitura de outros autores.<\/p>\n<p><strong>Que condi\u00e7\u00f5es de trabalho sustentam a sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria? Voc\u00ea depende de rotina, metas e reescrita ou costuma partir de est\u00edmulos mais circunstanciais?<\/strong><\/p>\n<p>Para quem se apoia com elevado grau na boa disposi\u00e7\u00e3o mental, os est\u00edmulos circunstanciais contam muito, o que \u00e9 o meu caso. Por\u00e9m, quando se faz necess\u00e1rio, a gest\u00e3o das ideias, sempre me vi impelido a, primeiro, conservar as inspira\u00e7\u00f5es em r\u00e1pidos e pequenos textos e, depois, preserv\u00e1-los para reescrita futura.<\/p>\n<p><strong>Quando trabalha com fic\u00e7\u00e3o narrativa, como voc\u00ea descobre o que uma personagem quer, teme ou esconde? Em que momento percebe que ela se tornou suficientemente complexa para sustentar a hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p>Se me permitir a honestidade, tenho ci\u00eancia de apenas duas obras de fic\u00e7\u00e3o narrativa produzidas por mim e ambas s\u00e3o frutos de ensaios para a produ\u00e7\u00e3o do meu primeiro livro. Pelo que, fic\u00e7\u00e3o narrativa n\u00e3o \u00e9 presentemente um campo de atua\u00e7\u00e3o constante. Mas a descoberta do que uma personagem quer, teme ou esconde pode surgir da trama geral da hist\u00f3ria, por predefini\u00e7\u00e3o do autor, ou da necessidade n\u00e3o prevista no desenrolar do texto em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como funciona a revis\u00e3o no seu processo? O que costuma mudar de modo decisivo entre a primeira vers\u00e3o de um texto e aquela que voc\u00ea considera public\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p>A revis\u00e3o definitiva dos meus textos compreendem, geral e necessariamente, o estabelecimento de um tempo m\u00ednimo de uma semana depois da primeira escrita, que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 isenta de revis\u00f5es imediatas ao longo da produ\u00e7\u00e3o de cada par\u00e1grafo. Volvidas uma semana, volto a ler o texto tendo em vista o seu natural fluir e a sua corre\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica (coer\u00eancia e coes\u00e3o, fundamentalmente). Esta \u00faltima, n\u00e3o raro, \u00e9 a que mais modifica\u00e7\u00f5es sofre.<\/p>\n<p><strong>O que a publica\u00e7\u00e3o no Jornal Cultural ROL alterou \u2014 ou confirmou \u2014 em sua rela\u00e7\u00e3o com a escrita, com os leitores e com outros autores de l\u00edngua portuguesa?<\/strong><\/p>\n<p>A nossa estadia no mundo e com o mundo, diria o nosso mui estimado professor Paulo Freire, n\u00e3o \u00e9 e n\u00e3o pode ser neutra, tanto porque nela nos moldamos, pelas rela\u00e7\u00f5es uns com os outros, quanto porque a moldamos mediante os nossos quefazeres e n\u00e3ofazeres. Assim sendo, o mundo \u00e9 uma escola na qual \u00e9 imposs\u00edvel estar sem nela algo aprender. Em analogia, esta \u00e9 a minha rela\u00e7\u00e3o com o <strong>Jornal Cultural ROL<\/strong>, um espa\u00e7o fundamentalmente educativo, no qual \u00e9 imposs\u00edvel fazer parte sem ser moldado e moldar.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 algum retorno de leitor recebido por meio do ROL que tenha mudado sua percep\u00e7\u00e3o sobre um texto, sobre o p\u00fablico ou sobre a fun\u00e7\u00e3o daquilo que escreve?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios. E estes resultam, com frequ\u00eancia, de meus colegas de profiss\u00e3o (professores do Liceu N\u00ba 314,4 de Janeiro) que n\u00e3o deixam de ler e discutir comigo o valor utilit\u00e1rio de cada um dos meus artigos de reflex\u00e3o mensais publicados no <a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/\"><strong>Jornal Cultural ROL<\/strong><\/a>. Significativos tamb\u00e9m t\u00eam sido a pronta leitura e coment\u00e1rios de nosso Editor-Chefe, <a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?author=6\">S<strong>ergio Diniz da Costa<\/strong><\/a>, cujo exemplo de paci\u00eancia para com os colunistas, maior experi\u00eancia liter\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o a mim e perseveran\u00e7a no trabalho \u00e9, para mim, muito inspirador.<\/p>\n<p><strong>Na pr\u00e1tica, o que os jornais culturais independentes e a circula\u00e7\u00e3o digital tornam poss\u00edvel para um escritor hoje? Quais barreiras de acesso, visibilidade ou remunera\u00e7\u00e3o continuam presentes?<\/strong><\/p>\n<p>Para o meu contexto angolano, os jornais culturais independentes e a circula\u00e7\u00e3o digital tornam poss\u00edveis a visibilidade internacional e a credibilidade nacional dos trabalhos nela publicados. O maior escolho no acesso aos jornais est\u00e1, penso eu, no limite necess\u00e1rio a ser observado quanto ao n\u00famero de colunistas. Quanto \u00e0 visibilidade ou remunera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o registo nenhum inconveniente para o meu contexto angolano.<\/p>\n<p><strong>Para quem publica tanto no Jornal Cultural ROL quanto no Caf\u00e9 Liter\u00e1rio\/Notibras: que diferen\u00e7as voc\u00ea percebe entre esses p\u00fablicos e entre as formas de recep\u00e7\u00e3o dos textos em cada ve\u00edculo?<\/strong><\/p>\n<p>Dado que desconhe\u00e7o a filosofia e a din\u00e2mica de trabalho do <strong><a href=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/editoria\/cafe-literario\/\">Caf\u00e9 Liter\u00e1rio\/Notibras<\/a>,<\/strong> por n\u00e3o lhe acompanhar o trabalho assiduamente e n\u00e3o fazer parte das suas fileiras de colunistas, sinto-me desqualificado a emitir uma opini\u00e3o que valha a considera\u00e7\u00e3o do entrevistador e dos leitores.<\/p>\n<p><strong>Que sentido h\u00e1 em manter fic\u00e7\u00e3o, poesia e cr\u00edtica cultural dentro de um portal jornal\u00edstico marcado pelo fluxo das not\u00edcias? Essa conviv\u00eancia altera a maneira de escrever, editar ou divulgar literatura?<\/strong><\/p>\n<p>Uma situa\u00e7\u00e3o como esta que acaba de descrever, para mim, remete \u00e0 reflex\u00e3o de mundo, onde reina a diversidade. E, conforme percebo, a diversidade contribui grandemente para significar a vida no mundo, assim como os diferentes g\u00eaneros textuais presentes em um jornal lhe d\u00e3o a necess\u00e1ria vida e beleza. Todavia, no exerc\u00edcio para se quebrar a monotonia, a mesmice e contribuir para o enriquecimento do todo, a diversidade \u00e9 algo que se imp\u00f5e!<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9, hoje, o obst\u00e1culo mais concreto para um escritor independente formar leitores recorrentes? Que estrat\u00e9gia tem funcionado \u2014 e qual voc\u00ea considera superestimada?<\/strong><\/p>\n<p>O pouco dom\u00ednio das redes sociais e a consequente inatividade nela, assim como o descaso ao leitor, penso eu serem alguns dos obst\u00e1culos concretos na forma\u00e7\u00e3o de leitores recorrentes. E, a estrat\u00e9gia passa precisamente por isto, pelo maior empenho do escritor na divulga\u00e7\u00e3o dos links de seus textos em v\u00e1rias redes sociais, interagindo cordial e prontamente com seus leitores. Como diria o professor Allan Kardec, eis ali o rem\u00e9dio ao p\u00e9 da enfermidade!<\/p>\n<div id=\"attachment_405282\" style=\"width: 575px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-405282\" class=\" wp-image-405282\" src=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-30-at-12.54.44-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"565\" height=\"377\" srcset=\"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-30-at-12.54.44-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-30-at-12.54.44-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-30-at-12.54.44-768x511.jpeg 768w, https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-30-at-12.54.44.jpeg 1537w\" sizes=\"auto, (max-width: 565px) 100vw, 565px\" \/><p id=\"caption-attachment-405282\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;O sentimento de ser \u00fatil \u00e9 consolador e \u00e9 isto que sempre almejo com os meus textos&#8221;<\/p><\/div>\n<p><strong>Ao imaginar algu\u00e9m lendo sua obra, que tipo de experi\u00eancia voc\u00ea espera provocar? H\u00e1 efeitos que voc\u00ea deliberadamente evita buscar no leitor?<\/strong><\/p>\n<p>O sentimento de ser \u00fatil \u00e9 consolador e \u00e9 isto que sempre almejo com os meus textos. Pouca coisa me satisfaria sen\u00e3o o sentimento de que, quem leu o meu texto pode alguma coisa boa aprender dele.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 um projeto em curso \u2014 livro, colet\u00e2nea, pesquisa, novo g\u00eanero, revista, oficina ou outra iniciativa \u2014 que ajude a compreender o momento atual de sua escrita?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, sim! Num misto de ansiedade e alegria, atualmente estou envolvido com a elabora\u00e7\u00e3o da minha proposta de tese doutoral, que, neste meio termo, foi submetida \u00e0 comiss\u00e3o acad\u00eamica avaliadora para as devidas aprecia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Que pr\u00e1tica, escolha ou disciplina voc\u00ea recomendaria a quem come\u00e7a a publicar agora? E que conselho comum sobre escrita voc\u00ea considera insuficiente ou enganoso?<\/strong><\/p>\n<p>Certa vez Osho disse: aprende-se a andar, andando. E aprende-se a nadar, nadando. Eis aqui o segredo que qualquer iniciante precisa levar a s\u00e9rio: praticar a arte com zelo e autocr\u00edtica constante.<\/p>\n<p>Infelizmente, n\u00e3o conhe\u00e7o nenhum conselho digno de ser descartado, quando seu dador \u00e9 motivado pelo bem querer. \u00c9 compet\u00eancia, em \u00faltima inst\u00e2ncia, de quem recebe o conselho avaliar as suas circunst\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao que se sugere. Afinal, dado o seu alto grau de flexibilidade, um bom conselho se mal aplicado, tamb\u00e9m pode resultar em danos irrepar\u00e1veis!<\/p>\n<p><strong>Que pergunta sobre sua escrita ou sobre a literatura contempor\u00e2nea deveria ter sido feita nesta entrevista e ainda n\u00e3o apareceu?<\/strong><\/p>\n<p>Estou satisfeito por chegarmos at\u00e9 onde chegamos, com as perguntas que fez. E sinto-me grandemente honrado pela oportunidade em ser entrevistado. Muito obrigado!<\/p>\n<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?s=Jos%C3%A9+Ngola+Carlos\">Jos\u00e9 Ngola Carlos<\/a>, natural de Luanda (Angola) e morando atualmente em Malanje (Angola), \u00e9 Doutorando em Educa\u00e7\u00e3o na especialidade de Avalia\u00e7\u00e3o de Centros e Professores pela Universidade Internacional Ibero-americana (UNINI &#8211; M\u00e9xico), Mestre em Educa\u00e7\u00e3o na especialidade de Organiza\u00e7\u00e3o e Gest\u00e3o de Centros Educacionais pela Universidade Europeia do Atl\u00e2ntico (UNEATL\u00c2NTICO &#8211; Espanha), Licenciado em L\u00edngua e Literaturas em L\u00edngua Inglesa pela Universidade Agostinho Neto (UAN &#8211; Angola) e Professor de L\u00edngua Inglesa no Liceu N\u00ba 314 \u2013 4 de Janeiro, Malanje.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Obras:<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jornal Cultural ROL: <a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?author=121\">https:\/\/jornalrol.com.br\/?author=121<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Figshare: <a href=\"https:\/\/figshare.com\/authors\/Jos_Carlos\/21796808\">https:\/\/figshare.com\/authors\/Jos_Carlos\/21796808<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Contatos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>WhatsApp: +244 933 196 447<\/strong><\/p>\n<p><strong>E-mail: ngola21.jose@gmail.com<\/strong><\/p>\n<p><strong>Facebook: Jos\u00e9 Ngola Carlos<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para o escritor, professor e pesquisador angolano Jos\u00e9 Ngola Carlos, o ato de escrever nunca foi um exerc\u00edcio de isolamento, mas um compromisso social inegoci\u00e1vel. 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