{"id":44515,"date":"2015-04-18T12:08:22","date_gmt":"2015-04-18T15:08:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=44515"},"modified":"2015-04-18T12:11:19","modified_gmt":"2015-04-18T15:11:19","slug":"pira-brasilia-peixe-que-so-existe-no-df-esta-ameacado-de-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pira-brasilia-peixe-que-so-existe-no-df-esta-ameacado-de-extincao\/","title":{"rendered":"Pir\u00e1-bras\u00edlia, peixe que s\u00f3 existe no DF, est\u00e1 amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 dentro de pequenas po\u00e7as d\u2019\u00e1gua, em regi\u00f5es pantanosas do Distrito Federal, que vive um dos mais curiosos habitantes de Bras\u00edlia. Descoberto ainda durante a constru\u00e7\u00e3o da capital, o pir\u00e1-bras\u00edlia, peixe de cor vibrante e que n\u00e3o existe em ambientes naturais de nenhum outro lugar do Brasil ou do mundo, tem um ciclo de vida intrigante, que segue o regime de chuvas do Cerrado.<\/p>\n<p>Antes de cada estiagem, os pir\u00e1s-bras\u00edlia deixam ovos enterrados em meio ao lodo das po\u00e7as d\u2019\u00e1gua. Quando estas secam, a popula\u00e7\u00e3o adulta, inevitavelmente, acaba morrendo. Mas basta que o <em>habitat<\/em> se refa\u00e7a, com a volta das chuvas, para que os ovos se rompam e uma nova gera\u00e7\u00e3o povoe os brejos. O sumi\u00e7o e o reaparecimento dos pequenos peixes \u2014 que chegam em m\u00e9dia a cinco cent\u00edmetros de comprimento, na vida adulta \u2014 fazem com que eles tamb\u00e9m sejam conhecidos como peixes das nuvens, por \u201cca\u00edrem do c\u00e9u\u201d com as chuvas.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEsse peixe \u00e9 genuinamente brasiliense\u201d, conta orgulhoso Jos\u00e9 Buitoni. A semelhan\u00e7a entre o sobrenome do zoonaturalista de 85 anos e o nome cient\u00edfico do pir\u00e1-bras\u00edlia (<em>Simpsonichthys boitonei<\/em>) n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia. Ex-funcion\u00e1rio do Museu Nacional e do Jardim Zool\u00f3gico do Rio de Janeiro, ele chegou \u00e0 regi\u00e3o onde seria constru\u00edda a capital federal, em 1956, para fazer o levantamento das esp\u00e9cies animais. Foi durante uma expedi\u00e7\u00e3o ao c\u00f3rrego Riacho Fundo, nas proximidades do Jardim Zool\u00f3gico \u2014 institui\u00e7\u00e3o que Buitoni tamb\u00e9m tinha como miss\u00e3o organizar e estruturar \u2014 que ele se deparou com o pir\u00e1-bras\u00edlia.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cEra muito bonito, mas o coletei pelo h\u00e1bito de coletar; n\u00e3o fui atr\u00e1s dele. Mandei o material para o Rio de Janeiro, e me disseram que se tratava de um g\u00eanero novo\u201d, recorda. \u201cO pessoal me pediu permiss\u00e3o para colocar o nome do g\u00eanero de Simpson, em homenagem a um pesquisador norte-americano, e para botar o meu nome na esp\u00e9cie\u201d, completa Buitoni, que devido a um erro de cart\u00f3rio carregava \u00e0 \u00e9poca o sobrenome Boitone \u2014 distor\u00e7\u00e3o corrigida j\u00e1 neste s\u00e9culo.<\/p>\n<p><strong>Riscos<\/strong><br \/>\nApesar dos esfor\u00e7os do zoonaturalista, que por 25 anos tentou espalhar o peixe pelos brejos do DF, fatores como a ocupa\u00e7\u00e3o desordenada do solo e a polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua acabaram levando o pir\u00e1-bras\u00edlia \u00e0 lista de animais amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o. \u201cMuito do ambiente dele foi destru\u00eddo e apenas algumas ilhas de vegeta\u00e7\u00e3o com cursos d\u2019\u00e1gua preservados s\u00e3o adequados para manter as popula\u00e7\u00f5es\u201d, explica o bi\u00f3logo da Universidade de Bras\u00edlia e pesquisador da esp\u00e9cie, Pedro De Podest\u00e0. Segundo ele, \u00e9 muito dif\u00edcil estimar quantos indiv\u00edduos existem hoje. \u201cEsse \u00e9 um desafio: identificar os locais de ocorr\u00eancia e monitor\u00e1-los.\u201d<\/p>\n<p>Buitoni e De Podest\u00e0 mostram grande preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro do pir\u00e1-bras\u00edlia, que em 1995 quase foi escolhido como s\u00edmbolo da capital \u2014 acabou perdendo uma disputa pol\u00eamica e apertada para o lobo-guar\u00e1. Os estudiosos concordam que se n\u00e3o fossem as unidades de conserva\u00e7\u00e3o (\u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o da natureza), o peixe n\u00e3o seria mais encontrado. Os \u00fanicos locais em que se tem certeza da exist\u00eancia de pir\u00e1s-bras\u00edlia na atualidade s\u00e3o a Reserva Biol\u00f3gica (Rebio) do Guar\u00e1, pr\u00f3ximo ao Setor L\u00facio Costa e onde nasce o C\u00f3rrego Guar\u00e1, afluente do Riacho Fundo, e a Reserva Ecol\u00f3gica do IBGE, no Jardim Bot\u00e2nico, cortada pelo C\u00f3rrego Taquara.<\/p>\n<p>\u201cApesar de t\u00e3o ilhada dentro da matriz urbana, a Rebio do Guar\u00e1 ainda consegue ter esp\u00e9cies raras de flora e fauna, como o pir\u00e1-bras\u00edlia\u201d, observa Ana Lira, gerente de unidades de conserva\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o integral do Instituto Bras\u00edlia Ambiental (Ibram). A institui\u00e7\u00e3o gere a reserva do Guar\u00e1, cujo plano de manejo deve ser conclu\u00eddo ainda em 2015. \u201cEle prev\u00ea o zoneamento, com a indica\u00e7\u00e3o das \u00e1reas mais sens\u00edveis \u2014 como na qual o pir\u00e1-bras\u00edlia ocorre \u2014 e contempla programas de monitoramento e de educa\u00e7\u00e3o ambiental, inclusive um espec\u00edfico para a conserva\u00e7\u00e3o de rivul\u00eddeos (tipo de peixe de \u00e1gua doce) como o pir\u00e1-bras\u00edlia\u201d, explica a engenheira florestal.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Reserva Biol\u00f3gica do Guar\u00e1<\/strong><br \/>\nA prote\u00e7\u00e3o dos 202 hectares da Rebio do Guar\u00e1 garante a manuten\u00e7\u00e3o das matas em torno da nascente do C\u00f3rrego do Guar\u00e1, integrante da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio Parano\u00e1, assim como de um tipo de vegeta\u00e7\u00e3o t\u00edpica do Cerrado, os campos de murundus. Al\u00e9m disso, com o Parque Ezechias Heringer, o Jardim Zool\u00f3gico e a \u00c1rea de Relevante Interesse Ecol\u00f3gico Santu\u00e1rio de Vida Silvestre do Riacho Fundo, forma um corredor ecol\u00f3gico que alcan\u00e7a o Lago Parano\u00e1.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 dentro de pequenas po\u00e7as d\u2019\u00e1gua, em regi\u00f5es pantanosas do Distrito Federal, que vive um dos mais curiosos habitantes de Bras\u00edlia. 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