{"id":44694,"date":"2015-04-20T09:35:49","date_gmt":"2015-04-20T12:35:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=44694"},"modified":"2016-07-30T16:54:56","modified_gmt":"2016-07-30T19:54:56","slug":"geoglifos-milenares-de-civilizacoes-perdidas-na-amazonia-intrigam-arqueologos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/geoglifos-milenares-de-civilizacoes-perdidas-na-amazonia-intrigam-arqueologos\/","title":{"rendered":"Geoglifos milenares de civiliza\u00e7\u00f5es da Amaz\u00f4nia intrigam os arque\u00f3logos"},"content":{"rendered":"<p>O avan\u00e7o nas pesquisas arqueol\u00f3gicas revelou a exist\u00eancia de cerca de 400 desenhos gigantes espalhados pela Amaz\u00f4nia, os geoglifos &#8212; valetas de cerca de dez metros de largura e entre dois e tr\u00eas metros de profundidade feitas em formato geom\u00e9trico preciso, normalmente c\u00edrculos ou quadrados.<\/p>\n<p>A descoberta, anuncia o UIol, ensina mais sobre a forma como foram feitos e os h\u00e1bitos dos povos que os constru\u00edram h\u00e1 mais de 1.000 anos. Pelo que se sabe, os geoglifos foram feitos por \u00edndios Aruaques que moraram na Amaz\u00f4nia s\u00e9culos atr\u00e1s para servir de campo para rituais religiosos.<\/p>\n<p>Os primeiros desenhos datariam da era Antes de Cristo. A maioria, por\u00e9m, foram feitos entre os s\u00e9culos 1 e 10.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a gente faz as medidas percebe que eles s\u00e3o muitos constantes. Eles n\u00e3o tinha instrumentos de metal, faziam provavelmente com p\u00e1s de madeira, mas tinham precis\u00e3o matem\u00e1tica&#8221;, afirma Denise Schaan, da UFPA (Universidade Federal do Par\u00e1) e coordenadora das pesquisas dos geoglifos.<\/p>\n<p>Com tamanhos entre 100 a 300 metros de largura, os desenhos foram descobertos em 1977 pelo pesquisador Ondemar Dias, do Instituto de Arqueologia Brasileira do Rio de Janeiro. Hoje sabe-se que eles se estendem por uma \u00e1rea 200 km entre sul do Amazonas, leste do Acre, oeste de Rond\u00f4nia e parte da Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o dos levantamentos, um grupo de pesquisadores brasileiros e finlandeses se concentra em analisar quais os h\u00e1bitos dos povos, e algumas descobertas j\u00e1 foram feitas.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;A gente tem feito pesquisas para fazer data\u00e7\u00f5es dessas constru\u00e7\u00e3o, para ver o que eles comiam, o que plantavam, e para ver os tipos de atividades que tinham. A gente busca isso nas escava\u00e7\u00f5es, e j\u00e1 temos descoberto algumas coisas: em um deles, por exemplo, havia um resto de constru\u00e7\u00e3o na entrada. Encontramos restos de panelas de cer\u00e2mica, algumas bem mais elaboradas. Se descobriu algumas coisas de planta\u00e7\u00e3o, e eles comiam milho&#8221;, explica Schaan.<\/p><\/blockquote>\n<p>A maioria dos desenhos foi feita em lugares abertos, pr\u00f3ximo a palmeiras. &#8220;Os \u00edndios tinham cren\u00e7a nessa coisa de esp\u00edritos que habitam as palmeiras, e essas vegeta\u00e7\u00f5es s\u00e3o caracter\u00edsticas desde a \u00e9poca dos geoglifos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Quando Denise Schaan iniciou a pesquisa dos geoglifos, h\u00e1 dez anos, eram apenas 24 desenhos conhecidos. &#8220;Aquele ano marcou uma mudan\u00e7a importante, que foi o uso de imagens [por sat\u00e9lite] do Google Earth. Tanto que, com esse m\u00e9todo, em poucas semanas o n\u00famero subiu para 150. Hoje j\u00e1 temos 400&#8221;, conta.<\/p>\n<p>As descobertas foram ocorrendo e sobrevoos e visitas \u00e0s \u00e1reas onde est\u00e3o os geoglifos foram realizados, aumentando o conhecimento sobre os desenhos gigantes.<\/p>\n<p>Dos 400 j\u00e1 encontrados, pelo menos 70% est\u00e3o bem conservados. &#8220;Podem existir muito mais. A gente tem trabalhado nas \u00e1reas cobertas desmatadas, e tem ainda \u00e0s \u00e1rea cobertas, onde n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ver. Depois que os \u00edndios abandonaram, o mato cresceu nas valetas. T\u00eam geoglifos que s\u00f3 se veem do alto; quando se chega no terreno, n\u00e3o d\u00e1 nem para ver mais&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A pesquisadora explica que existem desenhos semelhantes em Portugal, Espanha e Inglaterra, mas que n\u00e3o t\u00eam nenhuma liga\u00e7\u00e3o entre si.<\/p>\n<p>Uma das preocupa\u00e7\u00e3o agora \u00e9 garantir a preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio na Amaz\u00f4nia e atrair turistas para conhecer o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>&#8220;Muitos deles est\u00e3o em fazenda de gados, e \u00e1reas de quest\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es de cana, e n\u00e3o h\u00e1 cuidados de preserva\u00e7\u00e3o. Eles poderiam servir para o turismo, mas n\u00e3o h\u00e1 estrutura. N\u00e3o h\u00e1 tamb\u00e9m um s\u00edtio preparado para visita\u00e7\u00e3o&#8221;, finaliza Schaan.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O avan\u00e7o nas pesquisas arqueol\u00f3gicas revelou a exist\u00eancia de cerca de 400 desenhos gigantes espalhados pela Amaz\u00f4nia, os geoglifos &#8212; valetas de cerca de dez metros de largura e entre dois e tr\u00eas metros de profundidade feitas em formato geom\u00e9trico preciso, normalmente c\u00edrculos ou quadrados. 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