{"id":44819,"date":"2015-04-21T10:21:38","date_gmt":"2015-04-21T13:21:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=44819"},"modified":"2015-04-21T20:00:33","modified_gmt":"2015-04-21T23:00:33","slug":"a-zona-de-guerra-o-aviao-o-missil-e-as-300-pessoas-mortas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/a-zona-de-guerra-o-aviao-o-missil-e-as-300-pessoas-mortas\/","title":{"rendered":"Zona de guerra, avi\u00e3o, m\u00edssil e 300 pessoas mortas no voo MH17"},"content":{"rendered":"<p>Em julho de 2014, um Boeing-777 da Malaysia Airlines com quase 300 pessoas a bordo explodiu nos c\u00e9us do leste da Ucr\u00e2nia, uma zona de guerra. Dois meses depois, em um relat\u00f3rio preliminar, foi revelado que o avi\u00e3o fora derrubado por &#8220;um grande n\u00famero de objetos&#8221; que atravessaram a fuselagem. Mas as principais suspeitas, at\u00e9 hoje n\u00e3o confirmadas oficialmente, eram de que a aeronave tinha sido derrubado por um m\u00edssil.<\/p>\n<p>Essa vers\u00e3o parece ser confirmada pelas investiga\u00e7\u00f5es de um jornalista holand\u00eas que teve acesso \u00e0 \u00e1rea em que o avi\u00e3o caiu. Leia o relato de Jeroen Akkermans \u00e0 BBC:<\/p>\n<p class=\"text\">&#8220;Quando um jornalista come\u00e7a a investigar a cena de um crime \u00e9 porque alguma coisa n\u00e3o vai bem &#8211; afinal, trata-se de uma tarefa da pol\u00edcia. Mas, no dia 17 de julho de 2014, o voo da Malaysia Airlines MH17 explodiu no c\u00e9u do leste da Ucr\u00e2nia, e os restos mortais dos 298 passageiros e da tripula\u00e7\u00e3o ca\u00edram em uma zona de guerra controlada por combatentes de frentes militares &#8211; uma \u00e1rea sem pol\u00edcia.<\/p>\n<p class=\"text\">Eu visitei o lugar v\u00e1rias vezes e, depois de meses vendo as provas espalhadas na &#8220;cena do crime&#8221;, decidi levar alguns fragmentos. Pelo menos tr\u00eas deles estavam ligados a um m\u00edssil terra-ar, segundo especialistas e analistas forenses.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"text\"><strong> Homens e armas <\/strong><br \/>\nAs v\u00edtimas vinham de v\u00e1rios pa\u00edses \u2013 196 eram holandeses, por isso o acidente causou grande como\u00e7\u00e3o em meu pa\u00eds. Quando os carros f\u00fanebres com caix\u00f5es come\u00e7aram a fazer cortejos pelas ruas do pa\u00eds, de tantas l\u00e1grimas, parecia que todo mundo conhecia algum passageiro do MH17.<\/p>\n<p class=\"text\">Os restos mortais desses passageiros estavam espalhados por uma \u00e1rea de mais de 35 quil\u00f4metros quadrados e, quando cheguei pela primeira vez, as fac\u00e7\u00f5es j\u00e1 haviam se colocado a postos para localizar os restos de corpos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"text\">N\u00e3o havia nenhum tipo de organiza\u00e7\u00e3o, somente homens com armas de fogo. Mas ningu\u00e9m nos impediu de entrar e gravar o que se chamou de &#8220;a maior cena de crime do mundo&#8221;.<\/p>\n<p class=\"text\">Havia restos mortais por todas as partes, o cen\u00e1rio era desolador. Uma cena de guerra. De morte. Um inferno. Tirei fotos dos n\u00fameros de s\u00e9rie, dos buracos e crateras, em uma tentativa de entender a magnitude de tudo aquilo.<\/p>\n<p class=\"text\">Ningu\u00e9m parecia estar muito interessado em investigar o que havia acontecido; os restos da explos\u00e3o ficaram mais de dois meses sem prote\u00e7\u00e3o no local onde ca\u00edram Os separatistas apoiados pela R\u00fassia estavam lutando com o Ex\u00e9rcito ucraniano pelo controle da zona do MH17. Na verdade, a entrada para a \u00e1rea foi obstru\u00edda por barreiras que eram guardadas por rebeldes armados.<\/p>\n<p class=\"text\">Os investigadores holandeses chegaram quatro dias mais tarde. No momento da chegada deles, bombeiros ucranianos j\u00e1 haviam recolhido a maioria dos cad\u00e1veres e dos restos mortais que estavam ali e haviam colocado tudo em sacos pl\u00e1sticos, esperando um trem com vag\u00f5es refrigerados para transport\u00e1-los.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"text\"><strong> Causas <\/strong><br \/>\nMas a demora em apontar as causas do acidente causou grande frustra\u00e7\u00e3o. Em setembro de 2014, um relat\u00f3rio preliminar indicou que o MH17 foi derrubado por &#8220;um grande n\u00famero de objetos&#8221; que atravessaram o avi\u00e3o em grande velocidade. N\u00e3o havia evid\u00eancias de erros t\u00e9cnicos ou humanos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"text\">S\u00f3 que, tr\u00eas meses depois do acidente, ningu\u00e9m havia recolhido destro\u00e7os. N\u00e3o havia investigadores. Muito menos supervis\u00e3o policial. No in\u00edcio de novembro, na minha terceira visita \u00e0 regi\u00e3o onde o MH17 caiu, tomei a decis\u00e3o de procurar fragmentos que n\u00e3o poderiam pertencer a um Boeing ou \u00e0 carga. Eu peguei 20 pe\u00e7as pequenas e suspeitas por ali.<\/p>\n<p class=\"text\">Minha principal suspeita foi um fragmento que parecia ser de restos de muni\u00e7\u00e3o: oxidado, de metal pesado e com bordas afiadas. Reconheci esse tipo de muni\u00e7\u00e3o de outras regi\u00f5es b\u00e9licas.<\/p>\n<p class=\"text\">Alguns dias depois que havia deixado a \u00e1rea, os investigadores holandeses finalmente come\u00e7aram a transportar as primeiras partes dos destro\u00e7os de volta aos Pa\u00edses Baixos.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"text\"><strong> Apoio forense <\/strong><br \/>\nTirar os fragmentos do pa\u00eds foi um problema. Conseguir analis\u00e1-los, foi outro. Havia duas poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es para a explos\u00e3o do avi\u00e3o em pleno ar. Ele pode ter sido derrubado por outro avi\u00e3o ou por um m\u00edssil terra-ar. Eu mostrei os fragmentos a v\u00e1rios especialistas de diferentes pa\u00edses. Todos descartaram a muni\u00e7\u00e3o ar-ar.<\/p>\n<p class=\"text\">Ao menos tr\u00eas pe\u00e7asque foram recolhidas no local teriam as marcas de um m\u00edssil superf\u00edcie-ar. Eles estavam convencidos de que ao menos tr\u00eas das pe\u00e7as que eu havia retirado do local tinham as marcas de um m\u00edssil terra-ar. Disparado de um lan\u00e7a-m\u00edsseis BUK russo, talvez?<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"text\">A an\u00e1lise forense de uma das pe\u00e7as revelou, nela, um inscrito em letra cir\u00edlica (usada na grafia de l\u00ednguas como o bielorrusso, b\u00falgaro, maced\u00f4nio, russo, s\u00e9rvio e ucraniano). A an\u00e1lise desse fragmento \u2013 meu principal suspeito \u2013 revelou que era feito do tipo de metal usado na fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis, com os t\u00edpicos danos de um fragmento met\u00e1lico que atravessou outro objeto de metal em alta velocidade.<\/p>\n<p class=\"text\">Peritos forenses brit\u00e2nicos do IHS Jane identificaram o fragmento como parte de uma ogiva 9N314, arma disparada por pelo menos um tipo de sistema de m\u00edsseis russo BUK. O especialista em m\u00edsseis da Alemanha Robert Schmuker repassou todos os dados.<\/p>\n<p class=\"text\">&#8220;Os dados, a velocidade, a altura e os fragmentos formam uma soma que leva a um m\u00edssil BUK, para mim \u00e9 matem\u00e1tica pura&#8221;, ele me disse.<\/p>\n<p class=\"text\">A an\u00e1lise vinculou os danos a uma ogiva 9N314, que pertence ao sistema de m\u00edsseis BUK, de origem russa Depois de quatro meses de investiga\u00e7\u00e3o, pela primeira vez \u00e9ramos capazes de apresentar ao p\u00fablico evid\u00eancias f\u00edsicas de um BUK. Mas \u00e9 necess\u00e1rio dar passos maiores para descobrir a verdade do caso MH17.<\/p>\n<p class=\"text\">Quem \u00e9 respons\u00e1vel? O caso ir\u00e1 para a Justi\u00e7a? Sinceramente, eu n\u00e3o seria muito otimista sobre isso.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"text\"><strong> Direitos <\/strong><br \/>\nMas ser\u00e1 que eu teria o direito de fazer o que fiz? A divulga\u00e7\u00e3o do meu trabalho gerou um debate p\u00fablico na Holanda sobre se um jornalista pode pegar provas da cena de um crime. Alguns disseram que sou &#8220;um ladr\u00e3o&#8221; rompendo as barreiras da lei. Eu vejo isso, no entanto, como uma obriga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"text\">A busca da verdade \u00e9 o meu trabalho. Muitos concordam comigo. Um apoio inesperado chegou do vice-primeiro-ministro holand\u00eas, Lodewijk Asscher, que disse em uma coletiva de imprensa: &#8220;A RTL Not\u00edcias e Jeroen Akkermans s\u00e3o livres para fazer sua pr\u00f3pria investiga\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p class=\"text\">Eu entreguei os fragmentos \u00e0s autoridades holandesas. E eles far\u00e3o parte da investiga\u00e7\u00e3o oficial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em julho de 2014, um Boeing-777 da Malaysia Airlines com quase 300 pessoas a bordo explodiu nos c\u00e9us do leste da Ucr\u00e2nia, uma zona de guerra. 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