{"id":45468,"date":"2015-04-26T10:20:56","date_gmt":"2015-04-26T13:20:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=45468"},"modified":"2015-04-26T10:25:01","modified_gmt":"2015-04-26T13:25:01","slug":"governo-de-brasilia-provoca-ciumeira-em-shelley-e-frankenstein","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/governo-de-brasilia-provoca-ciumeira-em-shelley-e-frankenstein\/","title":{"rendered":"Governo de Bras\u00edlia provoca ci\u00fame em Mary Shelley e Frankenstein"},"content":{"rendered":"<p>A autora Mary Shelley poderia assessorar o Pal\u00e1cio do Buriti em quest\u00f5es de menor relev\u00e2ncia, que n\u00e3o s\u00e3o emergenciais como os setores que est\u00e3o em colapso: sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>A cada novo ocupante do maior cargo do Distrito Federal, cabe por tradi\u00e7\u00e3o criar logotipos, marcas e logomarcas (s\u00e3o coisas distintas), para chancelar a sua passagem pelas tetas da loba.<\/p>\n<p>O \u00faltimo ocupante decorou a frota e a papelaria do GDF com a marca que ficou conhecida como \u201cora\u00e7\u00e3o da propina\u201d, numa alus\u00e3o a uma cena que envolvia tr\u00eas integrantes da investiga\u00e7\u00e3o Caixa de Pandora. Uma das piores solu\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas j\u00e1 vista, de gosto e acabamento duvidosos. E sem conceito, al\u00e9m daquele que ganhou com a semelhan\u00e7a das imagens do il\u00edcito. Frankenstein, de Shelley, era melhor acabado.<\/p>\n<p>Com a chegada da nova governan\u00e7a, havia a esperan\u00e7a de que o bras\u00e3o do Distrito Federal viesse a ser adotado como marca definitivamente. O bras\u00e3o \u00e9 a marca do Estado. Nada impede que projetos tenham identifica\u00e7\u00e3o visual pr\u00f3pria. Nesse quesito o novo GDF acertou. Mas o problema s\u00e3o os outros 50%, ou seja, a defini\u00e7\u00e3o Governo de Bras\u00edlia.<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que a elucubra\u00e7\u00e3o do palpiteiro que inventou tamanha bobagem tente justificar um equ\u00edvoco t\u00e3o absurdo. Est\u00e1 claro na Constitui\u00e7\u00e3o, se \u00e9 que algu\u00e9m se deu ao trabalho de ler o Artigo 32, que o Distrito Federal \u00e9 indivis\u00edvel. Das mais de trinta regi\u00f5es administrativas, menos de vinte t\u00eam suas poligonais definidas.O IBGE reconhece talvez umas 19. Isso significa que Taguatinga \u00e9 Taguatinga e Bras\u00edlia \u00e9 Bras\u00edlia.<\/p><\/blockquote>\n<p>Se o palpiteiro de ocasi\u00e3o achou argumentos para defender uma ideia desastrosa como essa, os residuais positivos s\u00f3 existem na cabe\u00e7a dele. O problema \u00e9 que as pessoas n\u00e3o consomem comunica\u00e7\u00e3o de massa racionalmente.<\/p>\n<p>A mensagem que fica nunca est\u00e1 no texto \u2013 isso \u00e9 coisa da imprensa -, mas no subtexto \u2013 isso \u00e9 coisa da publicidade. E n\u00e3o pode ser uma publicidade produzida de qualquer maneira, com desleixo, s\u00f3 porque \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o os governos produzirem material publicit\u00e1rio de baixa qualidade. Mas, diga-se, \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o apenas no Brasil.<\/p>\n<p>Mary Shelley certamente est\u00e1 com inveja da criatura adotada pelo Buriti para identificar o atual grupo l\u00e1 instalado. \u00c9 certo que essa marca vai produzir um residual negativo. Azar do Buriti. E contra a massa n\u00e3o h\u00e1 devaneio que possa ser sustentado, n\u00e3o h\u00e1 achismo que possa suplantar o efeito residual da primeira impress\u00e3o. \u00c9 essa que fica.<\/p>\n<p>A marca sugere, subliminarmente, que Bras\u00edlia tem governo, mas que o restante do DF n\u00e3o. T\u00e3o claro assim. Uma marca tem que ser submetida a pesquisas qualitativas criteriosas, ou ent\u00e3o \u00e9 melhor n\u00e3o adot\u00e1-la.<br \/>\nUm projeto de lei proibindo esse tipo de a\u00e7\u00e3o deveria ser encaminhado pela CLDF, obrigando todos os governantes a utilizar o bras\u00e3o do Estado para identificar aquilo que \u00e9 do Estado. E ponto.<\/p>\n<blockquote><p>A economia com os gastos com papelaria, frota, edi\u00e7\u00f5es, publica\u00e7\u00f5es, placas e outros materiais seria de milh\u00f5es de reais. Inclusive com materiais eletr\u00f4nicos e v\u00eddeos que poderiam ser reutilizados de um governo para outro, como campanhas de utilidade p\u00fablica, educativas e institucionais. Mas talvez a ideia seja mesmo a de gastar. E gastar mal, porque certamente essa solu\u00e7\u00e3o \u00e9 um tiro no p\u00e9.<\/p><\/blockquote>\n<p>Existe um certo desconforto, \u00e9 verdade, quando temos que usar GDF ou Governo do Distrito Federal nas pe\u00e7as publicit\u00e1rias. Mas se fosse consultado um profissional mais experiente, ele certamente n\u00e3o recomendaria uma solu\u00e7\u00e3o excludente como a que foi adotada.<\/p>\n<p>Se existem tantos argumentos para abandonar o GDF como marca, que fosse estudada uma solu\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel. E a \u00fanica que penso ser aceit\u00e1vel \u00e9: Governo da Capital. Teria for\u00e7a, conceito e a fun\u00e7\u00e3o pretendida sem ser excludente. Capital maior s\u00f3 pode ser a nossa, a do Brasil. De todos os cidad\u00e3os. E de todas as regi\u00f5es administrativas.<\/p>\n<p>Mary Shelley concordou e Frankenstein est\u00e1 se sentindo lindo&#8230;<\/p>\n<p><strong>Kleber Ferriche<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A autora Mary Shelley poderia assessorar o Pal\u00e1cio do Buriti em quest\u00f5es de menor relev\u00e2ncia, que n\u00e3o s\u00e3o emergenciais como os setores que est\u00e3o em colapso: sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a. 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