{"id":47630,"date":"2015-05-09T11:35:45","date_gmt":"2015-05-09T14:35:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=47630"},"modified":"2015-05-09T19:28:05","modified_gmt":"2015-05-09T22:28:05","slug":"pesquisadores-da-embrapa-criam-pelicula-para-comer-com-os-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pesquisadores-da-embrapa-criam-pelicula-para-comer-com-os-alimentos\/","title":{"rendered":"Embrapa cria pel\u00edcula que cobre alimentos e se come"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Embrapa Instrumenta\u00e7\u00e3o, de S\u00e3o Carlos (SP), desenvolveram uma s\u00e9rie de pel\u00edculas comest\u00edveis que funcionam como pl\u00e1stico. Os sabores incluem espinafre, mam\u00e3o, goiaba e tomate, mas a t\u00e9cnica permite que outros sabores sejam desenvolvidos.<\/p>\n<p>O trabalho recebeu financiamento de R$ 200 mil, revela o Uol, e o material, al\u00e9m de ser biodegrad\u00e1vel, pode ser utilizado no preparo dos alimentos. Dessa forma, uma pizza que esteja embalada com o material pode ir ao forno diretamente, assim como outros alimentos. A pel\u00edcula pode, inclusive, ser utilizada como parte do tempero.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria-prima \u00e9 composta por \u00e1gua, polpa de fruta e carboidratos vegetais. No meio ambiente, se descartado, o &#8220;pl\u00e1stico&#8221; se decomp\u00f5e em tr\u00eas meses e pode ser utilizado como adubo, ou mesmo descartado na rede de esgoto, sem preju\u00edzos. Al\u00e9m disso, ele tem capacidade de conservar os alimentos pelo dobro do tempo. O pl\u00e1stico convencional, por sua vez, demora 400 anos para se decompor.<\/p>\n<blockquote><p>O projeto de pl\u00e1stico comest\u00edvel utilizando frutas \u00e9 o primeiro a ser desenvolvido no mundo e abre um imenso campo a ser explorado pela ind\u00fastria de embalagens. Segundo o chefe-geral da Embrapa Instrumenta\u00e7\u00e3o, Luiz Henrique Capparelli Mattoso, que coordenou a pesquisa, o material pode ser utilizado tamb\u00e9m gastronomicamente. &#8220;Aves envoltas em sacos que cont\u00eam o tempero em sua composi\u00e7\u00e3o, sach\u00eas de sopas que podem se dissolver com seu conte\u00fado em \u00e1gua fervente e muitas outras possibilidades&#8221;, explicou.<\/p><\/blockquote>\n<p>Outras possibilidades levantadas pelo pesquisador incluem goiabadas vendidas em pl\u00e1sticos feitos de goiaba, sushis envolvidos com filmes comest\u00edveis no lugar das tradicionais algas, perus vendidos em sacos feitos de laranja, que v\u00e3o direto ao forno, e geleias em formato de ursinhos, s\u00f3 que elaboradas com frutas naturais.<\/p>\n<p>O pesquisador informa ainda que o pl\u00e1stico comest\u00edvel tem ainda a vantagem de reaproveitar alimentos rejeitados pelas ind\u00fastrias e vegetais que deixam de ser comercializados por n\u00e3o apresentarem bom aspecto visual, mesmo estando em condi\u00e7\u00f5es de consumo. &#8220;Esses vegetais que iriam estragar na prateleira podem ser mat\u00e9ria-prima para a embalagem comest\u00edvel&#8221;, acredita o especialista.<\/p>\n<p>De acordo com o doutorando Marcos Vinicius Lorevice, que participa do projeto, ainda n\u00e3o h\u00e1 prazo para que a inova\u00e7\u00e3o chegue ao mercado, mas j\u00e1 h\u00e1 empresas interessadas em produzir o filme comest\u00edvel em escala industrial.<\/p>\n<p>O material tem caracter\u00edsticas f\u00edsicas semelhantes aos pl\u00e1sticos convencionais, como resist\u00eancia e textura, e tem igual capacidade de proteger alimentos. Al\u00e9m disso, o &#8220;pl\u00e1stico org\u00e2nico&#8221; apresentou propriedades mec\u00e2nicas superiores aos pl\u00e1sticos sint\u00e9ticos. Em laborat\u00f3rio, os produtos se mostraram mais resistentes ao impacto, al\u00e9m de serem tr\u00eas vezes mais r\u00edgidos que os pl\u00e1sticos sint\u00e9ticos.<\/p>\n<blockquote><p>A maior diferen\u00e7a, entretanto, est\u00e1 na mat\u00e9ria-prima. O pl\u00e1stico comest\u00edvel \u00e9 feito basicamente de alimento desidratado misturado a um nanomaterial que tem a fun\u00e7\u00e3o de dar liga ao conjunto. &#8220;O maior desafio dessa pesquisa foi encontrar a formula\u00e7\u00e3o ideal, a receita de ingredientes e propor\u00e7\u00f5es para que o material tivesse as caracter\u00edsticas de que precis\u00e1vamos&#8221;, explica o engenheiro de materiais Jos\u00e9 Manoel Marconcini, pesquisador da Embrapa que tamb\u00e9m participou do projeto.<\/p><\/blockquote>\n<p>O pl\u00e1stico foi desenvolvido ap\u00f3s duas d\u00e9cadas de trabalho e o processo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 considerado simples. Primeiramente, a mat\u00e9ria-prima, como frutas e verduras, \u00e9 transformada em uma pasta. A seguir, os pesquisadores adicionam componentes para dar liga no material e o colocam em uma f\u00f4rma transparente, que ser\u00e1 levada a uma c\u00e2mara que emite raios ultravioleta. Ap\u00f3s poucos minutos, a pel\u00edcula sai da m\u00e1quina pronta para ser consumida.<\/p>\n<p>O l\u00edder da Rede de Pequisa de Nanotecnologia para Agroneg\u00f3cio da Embrapa, Cau\u00ea Ribeiro, conta que, depois de passar pelos raios ultravioleta, o pl\u00e1stico recebe o \u00faltimo processamento e toma forma de filme. &#8220;O nosso pl\u00e1stico tem caracter\u00edsticas similares aos filmes convencionais, ou seja, ajuda a diminuir a passagem de gases e evita o contato com outros organismos&#8221;, destacou.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 um alimento completamente desidratado com a vantagem de manter suas propriedades nutritivas. Os pesquisadores adicionaram, ainda, quitosana, um polissacar\u00eddeo formador da carapa\u00e7a de caranguejos, com propriedades bactericidas \u2013 o que pode aumentar o tempo de prateleira dos alimentos. &#8220;Dessa forma, temos um pl\u00e1stico facilmente degrad\u00e1vel e que fornece prote\u00e7\u00e3o superior aos alimentos, al\u00e9m de poder ser utilizado para dar sabor&#8221;, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Embrapa Instrumenta\u00e7\u00e3o, de S\u00e3o Carlos (SP), desenvolveram uma s\u00e9rie de pel\u00edculas comest\u00edveis que funcionam como pl\u00e1stico. Os sabores incluem espinafre, mam\u00e3o, goiaba e tomate, mas a t\u00e9cnica permite que outros sabores sejam desenvolvidos. 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