{"id":48655,"date":"2015-05-15T06:11:02","date_gmt":"2015-05-15T09:11:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=48655"},"modified":"2016-07-30T16:54:39","modified_gmt":"2016-07-30T19:54:39","slug":"suco-de-sapo-e-ra-como-afrodisiaco-ameaca-especimes-ameacados-no-peru","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/suco-de-sapo-e-ra-como-afrodisiaco-ameaca-especimes-ameacados-no-peru\/","title":{"rendered":"Suco afrodis\u00edaco de sapo e r\u00e3 amea\u00e7a esp\u00e9cies amea\u00e7adas no Peru"},"content":{"rendered":"<p>O Peru, um dos pa\u00edses com a maior biodiversidade do mundo, tamb\u00e9m \u00e9 um pa\u00eds que luta para tentar conter o com\u00e9rcio ilegal de animais vivos.\u00a0Muitos destes animais s\u00e3o usados como ingredientes em pratos e bebidas. A reportagem da BBC conversou com alguns destes comerciantes e descobriu hist\u00f3rias que alguns leitores poder\u00e3o achar chocantes.<\/p>\n<p>Em um balc\u00e3o do mercado Mayorista, um lugar popular em Lima, est\u00e3o dois pequenos aqu\u00e1rios com dezenas de sapos e r\u00e3s. Os sapos s\u00e3o das montanhas da cordilheira dos Andes e algumas destas esp\u00e9cies est\u00e3o amea\u00e7adas.<\/p>\n<p>A dona da banca trabalha r\u00e1pido, anotando pedidos de clientes que se acotovelam no balc\u00e3o ou apenas observam seu trabalho.<\/p>\n<p>Para fazer uma &#8220;vitamina de sapo&#8221; s\u00e3o necess\u00e1rios apenas alguns minutos. Primeiro, a dona da banca pega um sapo do tanque. Ela corta o pesco\u00e7o com uma faca e tira a pele como quem descasca uma banana.<\/p>\n<blockquote><p>Ent\u00e3o ela coloca os restos do animal em uma panela sobre um pequeno fogareiro, com um pouco de l\u00edquido n\u00e3o identificado. Em seguida, a mistura borbulhante \u00e9 jogada dentro de um liquidificador com outros ingredientes: maca em p\u00f3 (uma raiz medicinal peruana), vitaminas, frutas e mel. O resultado \u00e9 uma vitamina cremosa e esverdeada.\u00a0&#8220;\u00c9 muito bom para anemia e para problemas no peito&#8221;, disse um cliente.<\/p><\/blockquote>\n<p>A mistura tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como Viagra andino. &#8220;\u00c9 bom para isto tamb\u00e9m. Mas para qualquer um que esteja doente, se voc\u00ea tomar tr\u00eas ou quatro vezes por semana, vai melhorar r\u00e1pido&#8221;, acrescenta o cliente.<\/p>\n<p>A bebida tem origem entre as comunidades ind\u00edgenas nos Andes, mas sua popularidade cresceu. No mercado de Lima custa apenas cinco soles (cerca de R$ 4,7).\u00a0A dona da banca afirma que vende &#8220;talvez cem por dia&#8221; e sabe que algumas destas esp\u00e9cies est\u00e3o amea\u00e7adas.<\/p>\n<p>&#8220;Todos n\u00f3s sabemos disto mas, bem&#8230; Quando eles desaparecerem, eles desaparecem. Por algum tempo, temos eles aqui e podemos ajudar as pessoas com esta bebida.&#8221;<\/p>\n<p>Um casal se aproxima da banca com uma caixa de pl\u00e1stico e compra dois sapos para levar para casa. A mulher explica que vai fazer a pr\u00f3pria vitamina em casa, seguindo uma velha receita de fam\u00edlia, para tratar de um problema no pulm\u00e3o.<\/p>\n<p>A dona da banca j\u00e1 foi multada v\u00e1rias vezes por vender a bebida com sapos, mas continuou trabalhando. E os clientes continuam acreditando, sem provas cient\u00edficas, que a vitamina faz bem para a sa\u00fade.<\/p>\n<p>No Peru \u00e9 proibido vender, transportar ou lucrar com animais selvagens. As pessoas flagradas com esp\u00e9cies da lista da Conven\u00e7\u00e3o do Com\u00e9rcio Internacional em Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas (CITES) ou do decreto peruano equivalente \u00e0 lista, ser\u00e3o presas.<\/p>\n<p>&#8220;Todo dia encontramos cinco ou seis animais listados em mercados locais&#8221;, afirmou o major Jos\u00e9 Miguel Ruiz, da pol\u00edcia ambiental peruana.\u00a0&#8220;Na semana passada, no aeroporto, seis tucanos dopados foram descobertos. Eles tinham sido colocados em tubos e estavam sendo enviados para outros pa\u00edses&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, as senten\u00e7as \u00e0 pris\u00e3o s\u00e3o raras. Ruiz afirma que foram dadas apenas sete em Lima no ano passado.\u00a0Em outro mercado no norte da cidade, o Santa Luzmilla, Ruiz e a equipe, junto com membros da Autoridade Florestal e de Vida Selvagem, fez buscas na loja de Gladys Permudes. Do lado de fora est\u00e3o filhotes de coelho e galinhas em gaiolas, junto com um papagaio de apar\u00eancia triste e periquitos, estes est\u00e3o na lista da CITES.<\/p>\n<p>A dona da loja disse que pagou US$ 50 (cerca de R$ 150) pelo papagaio e planejava ensin\u00e1-lo a falar.\u00a0&#8220;Vi como papagaios viram uma atra\u00e7\u00e3o para clientes em outras lojas &#8211; n\u00e3o vou vend\u00ea-lo&#8221;, disse. Mas os periquitos est\u00e3o \u00e0 venda.\u00a0Ruiz confisca as aves e fala a Gladys que ela ter\u00e1 que acompanhar o grupo at\u00e9 uma delegacia.\u00a0O tr\u00e1fico de animais vivos \u00e9 o que causa maior preocupa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. A grande variedade de esp\u00e9cies peruanas, de aves e outros animais, \u00e9 alvo da cobi\u00e7a dos colecionadores locais e estrangeiros.<\/p>\n<p>A maioria dos animais silvestres contrabandeados e \u00e0 venda em Lima vem da Amaz\u00f4nia peruana, especialmente da regi\u00e3o de Loreto.\u00a0O mercado de Belen, em Iquitos, capital da regi\u00e3o de Loreto , \u00e9 uma mistura de cores, m\u00fasica e fuma\u00e7a. As bancas est\u00e3o cheias de produtos tropicais e h\u00e1 muita carne de animais silvestres &#8211; as comunidades ind\u00edgenas peruanas t\u00eam permiss\u00e3o para ca\u00e7ar para subsist\u00eancia, mas a venda da carne destes animais n\u00e3o \u00e9 algo totalmente definido pela lei.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 animais vivos \u00e0 venda. Um homem que vende frutas tamb\u00e9m segura uma iguana.\u00a0Debaixo de uma mesa com bananas, ele tira uma bacia cheia de tartarugas, iguanas e quatro filhotes de jacar\u00e9 negro, uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada. Ele fala de um cliente que compra animais, d\u00e1 drogas a eles e os envia \u00e0 Col\u00f4mbia. Outra mulher entra na conversa falando que j\u00e1 levou animais na bagagem at\u00e9 Lima e nada aconteceu no aeroporto.<\/p>\n<p>O pa\u00eds tem um com\u00e9rcio legal de animais silvestres. Comunidades ind\u00edgenas na regi\u00e3o de Loreto t\u00eam fazendas de cria\u00e7\u00e3o de tartarugas e outros animais para exporta\u00e7\u00e3o, projetos que viabilizam a sobreviv\u00eancia destas pessoas e estimulam a conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, Rainer Schulter, bi\u00f3logo alem\u00e3o especialista em sapos e r\u00e3s e que passou a maior parte da vida adulta no Peru, acredita que o com\u00e9rcio legalizado de animais silvestres frequentemente \u00e9 uma fachada para atividades ilegais.<\/p>\n<p>&#8220;Eles colocam um fundo falso nos aqu\u00e1rios de peixes para exporta\u00e7\u00e3o. Debaixo deste fundo falso, eles colocam sapos, tartarugas raras, lagartos&#8230; Eu diria que quase todos os sapos ilegais viajaram desta forma, com os peixes&#8221;, afirmou.\u00a0Schulter afirmou que os compradores &#8211; frequentemente s\u00e3o alem\u00e3es, segundo observa\u00e7\u00f5es do bi\u00f3logo &#8211; levam os sapos por US$ 5 (cerca de R$ 15) em comunidades nos arredores de Iquitos. Mas os colecionadores pagam pelo menos US$ 100 (cerca de R$ 301) para esp\u00e9cies mais raras no mercado internacional.<\/p>\n<p>De volta \u00e0 delegacia da pol\u00edcia ambiental em Lima, o major Ruiz preencheu a documenta\u00e7\u00e3o dos detidos nos mercados.\u00a0Um idoso, detido com dois macacos-esquilos, foi liberado devido \u00e0 idade. Gladys Permudes, a dona da loja que vendia periquitos amea\u00e7ados, ficar\u00e1 detida por 24 horas e liberada pelo juiz no dia seguinte.<\/p>\n<p>Para a banca que faz as &#8220;vitaminas de sapo&#8221;, tudo est\u00e1 normal.\u00a0&#8220;Em alguns casos fazemos uma ou duas, at\u00e9 dez visitas \u00e0s lojas e paramos a venda. Mas, um m\u00eas depois, algu\u00e9m abre uma nova (loja) do outro lado&#8221;, disse Fab\u00edola Munoz, diretora da Autoridade Florestal e de Vida Selvagem.<\/p>\n<p><strong>Lynda Pressly,\u00a0da BBC<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Peru, um dos pa\u00edses com a maior biodiversidade do mundo, tamb\u00e9m \u00e9 um pa\u00eds que luta para tentar conter o com\u00e9rcio ilegal de animais vivos.\u00a0Muitos destes animais s\u00e3o usados como ingredientes em pratos e bebidas. A reportagem da BBC conversou com alguns destes comerciantes e descobriu hist\u00f3rias que alguns leitores poder\u00e3o achar chocantes. Em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":48656,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[71],"tags":[],"class_list":["post-48655","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-curiosidades"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48655","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48655"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48655\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":109826,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48655\/revisions\/109826"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48656"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48655"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48655"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48655"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}