{"id":48755,"date":"2015-05-15T17:00:59","date_gmt":"2015-05-15T20:00:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=48755"},"modified":"2015-05-15T20:57:34","modified_gmt":"2015-05-15T23:57:34","slug":"protestos-em-todo-o-mundo-marcam-expulsao-dos-palestinos-por-judeus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/protestos-em-todo-o-mundo-marcam-expulsao-dos-palestinos-por-judeus\/","title":{"rendered":"Protesto no mundo marca expuls\u00e3o de palestino por judeu"},"content":{"rendered":"<p>Esta sexta-feira 15 est\u00e1 sendo marcada\u00a0por vig\u00edlias e protestos em v\u00e1rias cidades do mundo para lembrar o 67\u00ba ano da Nakba, palavra em \u00e1rabe que significa cat\u00e1strofe. \u00c9 assim que o povo \u00e1rabe, especialmente os palestinos, lembram o dia 15 de maio de 1948, o dia seguinte \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. A partir daquele momento, 750 mil palestinos tiveram que abandonar suas casas. Foram expulsos palestinos mu\u00e7ulmanos, crist\u00e3os e mesmo judeus que n\u00e3o concordavam com a filosofia sionista que projetava a cria\u00e7\u00e3o de um Estado exclusivamente judeu. Mais de 400 vilarejos foram destru\u00eddos para dar lugar \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o israelense.<\/p>\n<p>Em Bras\u00edlia, o Dia da Cat\u00e1strofe Palestina ser\u00e1 lembrado na embaixada onde os visitantes poder\u00e3o assinar o Livro da Solidariedade. Em S\u00e3o Paulo, um ato p\u00fablico chamado 67 anos da Nakba: lembrar e resistir est\u00e1 marcado para o fim da tarde de hoje, na Avenida Paulista.<\/p>\n<p>Hoje, cerca de 60% da popula\u00e7\u00e3o palestina vive na condi\u00e7\u00e3o de refugiada &#8211; cerca de 5,5 milh\u00f5es de pessoas que foram morar ou nasceram em campos de refugiados em pa\u00edses vizinhos, como a Jord\u00e2nia, a S\u00edria e o L\u00edbano e dentro do pr\u00f3prio territ\u00f3rio palestino. Sob os cuidados da Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Assist\u00eancia aos Refugiados da Palestina (Unrwa) h\u00e1 58 campos. Uma chave, que representa a promessa de retorno \u00e0 Palestina, \u00e9 o s\u00edmbolo da luta dessas pessoas.<\/p>\n<blockquote><p>Abu Haitham El Azi, 80 anos, vive em um desses campos de refugiados em Aman, capital da Jord\u00e2nia. Ele foi expulso de sua casa em um vilarejo pr\u00f3ximo a Gaza quando tinha 13 anos. \u201cMinha cidade foi destru\u00edda, mas meu pai se recusou a sair de casa. Foi tirado \u00e0 for\u00e7a e o levaram para Hebron [cidade hist\u00f3rica no territ\u00f3rio palestino que fica a cerca de 40 quil\u00f4metros da cidade natal de Abu que virou territ\u00f3rio israelense]. Os sionistas roubaram minha casa, minha terra. Se eles me aceitassem, poder\u00edamos viver juntos sem problema nenhum. Eu daria metade da minha casa para eles. Mas eles nos tratam como carneiro [cria\u00e7\u00e3o animal predominante na Palestina. O mesmo que &#8216;gado&#8217;, no Brasil]. Nem um cachorro, na Europa, vive nas condi\u00e7\u00f5es que a gente vive hoje\u201d, disse El Azi, lembrando o motivo de a data ser lembrada como cat\u00e1strofe.<\/p><\/blockquote>\n<p>A EBC<span style=\"color: #333333;\"><b>\u00a0<\/b><\/span>esteve na casa de Abu El Azi enquanto acompanhava a Miss\u00e3o Humanit\u00e1ria do F\u00f3rum Social Mundial a Gaza, em abril. O grupo <a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2015-04\/brasileiros-da-missao-humanitaria-gaza-sao-impedidos-de-entrar-na\" target=\"_blank\">n<\/a>\u00e3o teve autoriza\u00e7\u00e3o para entrar na regi\u00e3o bloqueada, mas visitou o territ\u00f3rio palestino ocupado da Cisjord\u00e2nia e os campos de refugiados do pa\u00eds vizinho, a Jord\u00e2nia.<\/p>\n<p>Como refugiados, os palestinos vivem situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis nos pa\u00edses que os abrigam. Enfrentam dificuldades para encontrar emprego e ter acesso \u00e0 sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Como refugiados dentro da pr\u00f3pria Palestina tamb\u00e9m enfrentam o desemprego, a escassez de \u00e1gua, restri\u00e7\u00f5es de mobilidade, com bloqueios de estradas e a viol\u00eancia das for\u00e7as de seguran\u00e7a de Israel.<\/p>\n<p>\u201cImagina se te roubam sua terra, sua casa, sua vida, qual seria a rea\u00e7\u00e3o de voc\u00eas? Quando eu lembro meus amigos, minhas amigas, meus irm\u00e3os, minhas irm\u00e3s, eu fico pensando: para onde eles foram? Onde eles foram parar? Que caminho cada um tomou? A gente fica revoltado com essa situa\u00e7\u00e3o\u201d, lembra El Azi.<\/p>\n<p>Na parede de casa, ele mant\u00e9m um quadro feito com sua \u00e1rvore geneal\u00f3gica. Apesar dos numerosos parentes, ele vive sozinho. Dos seis irm\u00e3os, tem not\u00edcia apenas de um. \u201cEle estudou e \u00e9 advogado na Cisjord\u00e2nia [territ\u00f3rio palestino que faz fronteira com a Jord\u00e2nia]\u201d, explica. Abu El Azi n\u00e3o tem autoriza\u00e7\u00e3o para entrar na Palestina. Desde que foi expulso, s\u00f3 conseguiu retornar uma vez, em 1965. Por isso, n\u00e3o pode ver o irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar das l\u00e1grimas, Abu rejeita a piedade. As barbas brancas e os trajes escondem o jovem que resistiu \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o lutando na guerrilha. \u201cN\u00e3o choro por minha fraqueza. Se eu puder, eu carrego a metralhadora e volto a lutar para recuperar minha terra, porque ela \u00e9 minha vida. Mesmo n\u00e3o gostando de matar, mesmo n\u00e3o gostando de agredir, \u00e9 preciso lutar.\u201d<\/p>\n<p>Ele faz quest\u00e3o de mostrar a chave feita em lat\u00e3o com cerca de tr\u00eas metros de comprimento que ocupa o lugar de escultura em uma pra\u00e7a em frente ao campo de refugiados de Aman. Ele acredita que, se voltasse hoje \u00e0 Palestina, seria preso por causa da atua\u00e7\u00e3o na guerrilha nos anos 60. Mesmo assim, n\u00e3o deixa de acreditar no retorno. \u201cEu n\u00e3o tenho esperan\u00e7a, eu tenho 101% de certeza que vou voltar.\u201d<\/p>\n<p>Abu El Azi segue atento \u00e0s disputas pol\u00edticas no Oriente M\u00e9dio, critica os governantes \u00e1rabes a quem chama de \u201cservi\u00e7ais dos sionistas\u201d e tem sua pr\u00f3pria leitura da Primavera \u00c1rabe, a onda revolucion\u00e1ria que desde 2010 tem mexido com o cen\u00e1rio pol\u00edtico da regi\u00e3o. \u201cQuando um regime oprime e reprime isso estoura. N\u00e3o porque era uma Primavera \u00c1rabe, mas porque o povo explodiu e reagiu. Imagine um governo que fica 30, 40 anos no poder, o que ele pode te dar? Fome e opress\u00e3o. Se tr\u00eas carneiros derrubam uma ditadura, imagina o povo?\u201d, pergunta.<\/p>\n<p>A cat\u00e1strofe para o povo palestino n\u00e3o ficou restrita a 1948. Entre 1967 e 1981, mais 120 mil palestinos tiveram que deixar o pa\u00eds, logo ap\u00f3s a vit\u00f3ria de Israel na Guerra dos Seis Dias.<\/p>\n<p>A disputa definiu as novas fronteiras entre Israel e Palestina. Gaza ficou restrita a uma faixa de 40 quil\u00f4metros de comprimento por 10 de largura e Jerusal\u00e9m, cidade de import\u00e2ncia hist\u00f3rica e cultural para mu\u00e7ulmanos, \u00e1rabes e judeus, foi anexada a Israel. At\u00e9 ent\u00e3o, ela ficava exclusivamente na Cisjord\u00e2nia, territ\u00f3rio palestino. Tanto Israel quanto a Autoridade Palestina reivindicam Jerusal\u00e9m como capital. Hoje, a cidade \u00e9 dividida em duas partes: Jerusal\u00e9m Ocidental, sob administra\u00e7\u00e3o israelense, e Jerusal\u00e9m Oriental, teoricamente, sob comando da Autoridade Palestina, mas com absoluto controle de Israel sobre quem entra em quem sai da cidade.<\/p>\n<p>Em 1987, ocorreu a primeira Intifada, <a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2015-04\/membros-de-missao-humanitaria-presenciam-mini-intifada-na-regiao-de\" target=\"_blank\">levante popular<\/a> marcado pelo pacifismo e que anos mais tarde, em 1993, resultou na assinatura do Acordo de Paz de Oslo. \u00a0Yitzhak Rabin, por Israel, e Yasser Arafat, representante da Organiza\u00e7\u00e3o pela Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, assinaram o tratado em Washington, na presen\u00e7a do ent\u00e3o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton.<\/p>\n<p>O acordo previa a cria\u00e7\u00e3o do Estado da Palestina no prazo de cinco anos, o que n\u00e3o ocorreu. As fronteiras que definiriam os limites entre os dois pa\u00edses seriam as de 1967, estabelecidas com a vit\u00f3ria de Israel na Guerra dos Seis Dias.<\/p>\n<p>Em setembro de 2000, a revolta do povo palestino cresceu. Surgiu, no cen\u00e1rio pol\u00edtico, um novo partido, o Hamas, que n\u00e3o reconhece a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel e inicia uma forte resist\u00eancia marcada pela viol\u00eancia. Not\u00edcias sobre homens-bombas e explos\u00f5es de caf\u00e9s e restaurantes em Tel Aviv e outras cidades israelenses marcaram o final do s\u00e9culo 20. No Ocidente, o povo \u00e1rabe passa a ser cada vez mais associado ao terrorismo. No Oriente, os ataques s\u00e3o compreendidos como uma forma de resist\u00eancia leg\u00edtima ap\u00f3s anos de opress\u00e3o.<\/p>\n<p>A resposta de Israel n\u00e3o demorou a chegar e um muro \u2013 duas vezes mais alto e tr\u00eas vezes mais extenso que o Muro de Berlim \u2013 \u00e9 constru\u00eddo para dividir Israel da Palestina, sem respeitar os limites de 1967 e invadindo o territ\u00f3rio palestino.<\/p>\n<p>O cotidiano da popula\u00e7\u00e3o palestina passou a ser marcado pela exist\u00eancia de bases militares de controle, estradas exclusivas \u2013 nas quais s\u00f3 podem circular israelenses \u2013 e a necessidade de ter permiss\u00e3o para circular entre cidades. Em 2007, ap\u00f3s a vit\u00f3ria do Hamas, partido pol\u00edtico considerado terrorista por Israel, a Faixa de Gaza foi bloqueada e cresceram as restri\u00e7\u00f5es de mobilidade do povo palestino. A desobedi\u00eancia \u00e9 punida com cadeia. Hoje, cerca de 6 mil palestinos encontram-se na condi\u00e7\u00e3o de presos pol\u00edticos de Israel.<\/p>\n<p>Em 2010, o Brasil reconhece o Estado da Palestina. Em 2012, \u00e9 a vez de as Na\u00e7\u00f5es Unidas reconhecerem a Palestina como Estado. Na \u00faltima ter\u00e7a-feira (12), o Vaticano tomou a mesma decis\u00e3o. Ao todo, 135 pa\u00edses das Na\u00e7\u00f5es Unidas reconhecem o Estado Palestino.<\/p>\n<p>No entanto, o movimento de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio segue por parte do governo de Israel. Uma das promessas que reconduziu Benjamin Netanyahu ao posto de primeiro-ministro de Israel foi a de que sob seu governo o Estado da Palestina nunca seria concretizado. Netanyahu integra ao Likud, partido israelense de extrema-direita.<\/p>\n<p><strong>Eliane Gon\u00e7alves, ABr<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta sexta-feira 15 est\u00e1 sendo marcada\u00a0por vig\u00edlias e protestos em v\u00e1rias cidades do mundo para lembrar o 67\u00ba ano da Nakba, palavra em \u00e1rabe que significa cat\u00e1strofe. \u00c9 assim que o povo \u00e1rabe, especialmente os palestinos, lembram o dia 15 de maio de 1948, o dia seguinte \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. 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