{"id":48931,"date":"2015-05-16T20:10:09","date_gmt":"2015-05-16T23:10:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=48931"},"modified":"2015-05-16T20:14:24","modified_gmt":"2015-05-16T23:14:24","slug":"clima-de-revolta-marca-enterro-de-mototaxistas-mortos-na-zona-norte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/clima-de-revolta-marca-enterro-de-mototaxistas-mortos-na-zona-norte\/","title":{"rendered":"Clima de revolta marca enterro de mototaxistas mortos na Zona Norte"},"content":{"rendered":"<p>Foram sepultados na tarde deste s\u00e1bado (16), no cemit\u00e9rio do Catumbi,\u00a0os corpos dos mototaxistas Rodrigo Marques Louren\u00e7o, de 29 anos, e Ramon de Moura Oliveira, 22, encontrados mortos no alto do Morro do S\u00e3o Carlos.Sob clima de revolta, cerca de 150 pessoas foram ao local. Muitos mototaxistas homenagearam as v\u00edtimas e jogaram p\u00e9talas sobre os caix\u00f5es e realizaram um buzina\u00e7o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o enterro, cerca de 100 mototaxistas foram at\u00e9 o Pal\u00e1cio Guanabara, sede do governo estadual, e pediram justi\u00e7a. O grupo deixou coletes usados pelas v\u00edtimas no trabalho e fizeram um minuto de sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Vizinha de Ramon, um mulher que preferiu n\u00e3o se identificar, elogiou o comportamento do jovem. &#8220;Vi o Ramon nascer, ele era um menino muito tranquilo, s\u00f3 queria trabalhar para poder sustentar o filho. O menino n\u00e3o para de perguntar do pai, eles eram muito pr\u00f3ximos&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Um mototaxista amigos das v\u00edtimas tamb\u00e9m lamentou. &#8220;\u00c9 muita covardia fazer isso com trabalhadores. Nenhum deles tinha envolvimento com o tr\u00e1fico. Eram amigos, sa\u00edam juntos&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;O estado \u00e9 mole, n\u00e3o resolve nada, apenas mata o cidad\u00e3o de bem e joga o corpo no mato como um porco, um lixo&#8221;, desabafou Renata Marques, irm\u00e3 de Rodrigo.<\/p>\n<p>De acordo com ela, o laudo do Instituto M\u00e9dico Legal aponta que o rapaz foi morto por tiros na cabe\u00e7a. &#8220;Muita gente viu que foi o Bope quem matou meu irm\u00e3o, mas as pessoas n\u00e3o t\u00eam coragem de dizer por mede de sofrer repres\u00e1lias&#8221;, contou. Renata afirmou que vai a Assembl\u00e9ia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) na segunda-feira, ao lado da m\u00e3e, buscar ajuda para que o crime seja investigado.<\/p>\n<p>&#8220;Meu irm\u00e3o era um menino engra\u00e7ado, crian\u00e7a grande, adorava fazer piadas. Na semana que vem ele ia fazer curso de pintura de navios, que era o sonho da vida dele. J\u00e1 estava tudo certo. Agora ele foi embora e deixou um filho&#8221;, disse.<\/p>\n<p><strong>Guerra na regi\u00e3o central do Rio j\u00e1 contabiliza 14 pessoas mortas<\/strong><\/p>\n<p>A guerra entre fac\u00e7\u00f5es rivais no Complexo de S\u00e3o Carlos, no Est\u00e1cio, que tem UPP, teve outro cap\u00edtulo sangrento ontem, quando a disputa nas comunidades da regi\u00e3o central da cidade completou uma semana e contabilizou mais quatro v\u00edtimas. No total, 14 pessoas j\u00e1 morreram e seis ficaram feridas. Depois de localizar os corpos de dois mototaxistas em uma \u00e1rea de dif\u00edcil acesso, moradores desceram para o asfalto e fecharam as principais vias em protesto. Dois \u00f4nibus foram incendiados e a popula\u00e7\u00e3o entrou em confronto com a pol\u00edcia, a quem atribui as mortes. As tropas de elite da Pol\u00edcia Militar ocuparam a regi\u00e3o por tempo indeterminado.<\/p>\n<p>Segundo os manifestantes, as v\u00edtimas foram mortas a facadas, anteontem, em opera\u00e7\u00e3o do Batalh\u00e3o de Opera\u00e7\u00f5es Especiais (Bope). Ao chegar ao local para per\u00edcia, agentes da Delegacia de Homic\u00eddios (DH) disseram ter recebido informa\u00e7\u00f5es de que as v\u00edtimas teriam sido atingidas por tiros. A PM abriu inqu\u00e9rito para apurar a opera\u00e7\u00e3o do Bope.<\/p>\n<p>Familiares contaram que PMs os impediram de se aproximar e alegam que os mototaxistas teriam sido abordados e executados por policiais em repres\u00e1lia, j\u00e1 que, na ter\u00e7a-feira, um \u2018caveira\u2019 do Bope foi baleado.<\/p>\n<p>Irm\u00e3o de Rodrigo, Thiago Marques, 30, contou que a fam\u00edlia passou a madrugada procurando o rapaz. H\u00e1 dez anos, ap\u00f3s se casar, ele deixou o S\u00e3o Carlos e foi morar em Campo Grande, mas continuou trabalhando na favela. Rodrigo tinha um filho de 3 anos. \u201cMinha m\u00e3e ligou a madrugada toda para ele. Pela manh\u00e3, vizinhos contaram que policiais os abordaram e eles sumiram.\u201d<\/p>\n<p>O tio de Ramon, o eletricista Carlos Alberto Brand\u00e3o, comentou que o sobrinho come\u00e7ou a trabalhar como mototaxista assim que tirou a habilita\u00e7\u00e3o, aos 18 anos. \u201cO corpo dele est\u00e1 jogado no mato. Acham que morador \u00e9 bandido\u201d, desabafou.<\/p>\n<p>A PM confirmou que o Bope fez opera\u00e7\u00f5es no S\u00e3o Carlos quinta-feira e dois homens morreram na a\u00e7\u00e3o. Um adolescente foi baleado na comunidade do Querosene e morreu no hospital. J\u00e1 Ysmailon da Luz Alves Santos, 21, n\u00e3o resistiu a um tiro no peito.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Quem queima \u00f4nibus \u00e9 bandido&#8217;, afirma Pez\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0s 8h, cinco homens encapuzados fizeram com que o motorista da linha 229 (Usina &#8211; Castelo) parasse na Av. Est\u00e1cio de S\u00e1. Sessenta passageiros foram obrigados a sair do coletivo, que foi incendiado.<\/p>\n<p>Antes, por\u00e9m, o dinheiro das passagens foi roubado. O outro ataque aconteceu na Rua Campos da Paz, no Rio Cumprido. Segundo testemunhas, uma retroescavadeira foi usada para interromper o tr\u00e2nsito, enquanto o \u00f4nibus 202 (Rio Comprido &#8211; Pra\u00e7a XV) era queimado.<\/p>\n<p>\u00c0 noite, novo confronto entre manifestantes e PMs parou a Rua Maia Lacerda. O com\u00e9rcio fechou e moradores jogaram pedras nos agentes do Batalh\u00e3o de Choque, que atiraram bombas de efeito moral. Um cinegrafista do SBT foi atingido na perna por estilha\u00e7o de bomba. Trabalhadores que voltavam para casa tiveram que subir o morro a p\u00e9, desviando do confronto e dos fios de alta tens\u00e3o ca\u00eddos nas ruas. Enquanto isso, criminosos teriam fugido por outras ruas, segundo relatos de testemunhas.<\/p>\n<p>O governador Luiz Fernando Pez\u00e3o reagiu: \u201cTrabalhador n\u00e3o queima \u00f4nibus. Quem queima \u00f4nibus \u00e9 bandido\u201d. Ele ressaltou que os investimentos em seguran\u00e7a continuar\u00e3o. \u201cO cidad\u00e3o de bem quer a pol\u00edcia por perto, quer paz\u201d. A Rio \u00d4nibus repudiou os ataques e informou que outros dois \u00f4nibus foram apedrejados. Este ano, sete ve\u00edculos foram incendiados, e em um ano, 19. O valor de reposi\u00e7\u00e3o j\u00e1 soma R$ 3 milh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Fu: R$ 10 mil por informa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Para policiais, os confrontos no S\u00e3o Carlos come\u00e7aram ap\u00f3s o traficante Ricardo Chaves da Costa Lima, o Fu da Mineira, ter retornado para a regi\u00e3o e tentar recuperar os pontos de venda de drogas que comandava. Ele saiu da cadeia para visitar a fam\u00edlia, em 2013, e n\u00e3o voltou.<\/p>\n<p>O Disque-Den\u00fancia (2253-1177) aumentou para R$ 10 mil a recompensa por informa\u00e7\u00f5es que levem a pris\u00e3o do criminoso. Outro traficante da mesma quadrilha, Cl\u00e1udio Jos\u00e9 de Souza Fontarigo, o Claudinho da Mineira, que fugiu com o comparsa, tamb\u00e9m teve o valor aumentado. Semana passada, o rival de F\u00fa, Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, teria enviado refor\u00e7o de comparsas para \u2018defender\u2019 o territ\u00f3rio da tentativa de invas\u00e3o.<\/p>\n<p>O assessor da Coordenadoria de Pol\u00edcia Pacificadora (CPP), major Ivan Blaz, contou que a \u00e1rea de maior risco da regi\u00e3o \u00e9 o Morro da Coroa. \u201c\u00c9 o alvo do F\u00fa da Mineira. \u00c9 uma \u00e1rea de acesso a todas as outras comunidades.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram sepultados na tarde deste s\u00e1bado (16), no cemit\u00e9rio do Catumbi,\u00a0os corpos dos mototaxistas Rodrigo Marques Louren\u00e7o, de 29 anos, e Ramon de Moura Oliveira, 22, encontrados mortos no alto do Morro do S\u00e3o Carlos.Sob clima de revolta, cerca de 150 pessoas foram ao local. 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