{"id":5132,"date":"2014-03-24T16:51:22","date_gmt":"2014-03-24T19:51:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=5132"},"modified":"2014-03-24T16:51:43","modified_gmt":"2014-03-24T19:51:43","slug":"unb-define-em-abril-postura-sobre-a-lei-de-cotas-para-os-universitarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/unb-define-em-abril-postura-sobre-a-lei-de-cotas-para-os-universitarios\/","title":{"rendered":"UnB define em abril postura sobre a lei de cotas para estudantes"},"content":{"rendered":"<p>A Universidade de Bras\u00edlia (UnB) deve decidir, no pr\u00f3ximo dia 3 de abril, se vai aderir exclusivamente \u00e0 Lei de Cotas (Lei 12.711) para o ingresso de estudantes negros e ind\u00edgenas ou se manter\u00e1 parte da pol\u00edtica de inclus\u00e3o criada pela pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o h\u00e1 dez anos, combinando as regras previstas nas duas normas.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o deveria ter sido divulgada no \u00faltimo dia 13 pelo Conselho de Ensino Pesquisa e Extens\u00e3o (Cepe) da universidade, mas foi adiada depois que estudantes pediram mais tempo para discutir as alternativas. O reitor da UnB, Ivan Camargo, garantiu que o assunto ser\u00e1 votado antes do pr\u00f3ximo vestibular da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No ano passado, quando a pol\u00edtica de cotas da universidade completou uma d\u00e9cada, uma comiss\u00e3o formada por professores da UnB concluiu um relat\u00f3rio, com an\u00e1lise de pesquisas e dados do Centro de Sele\u00e7\u00e3o e de Promo\u00e7\u00e3o de Eventos (Cespe), da Secretaria de Assuntos Acad\u00eamicos (SAA) e do Centro de Inform\u00e1tica da UnB (CPD), que aponta que os resultados da pol\u00edtica de cotas da universidade \u00e9 positivo.<\/p>\n<p>\u201cCom as cotas, a UnB escolheu o caminho certo e o debate nacional que se instalou desde ent\u00e3o confirmou esse acerto. Do ponto de vista acad\u00eamico, o rendimento dos estudantes formados, em todas as \u00e1reas do conhecimento, n\u00e3o varia muito entre cotistas e aqueles que ingressaram pelo sistema universal. Al\u00e9m disso, os dados mostram a expressiva quantidade de estudantes negros que n\u00e3o teriam ingressado na UnB se n\u00e3o houvesse a possibilidade de concorr\u00eancia pelo referido sistema de cotas\u201d, destacaram os integrantes da comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>No documento, a comiss\u00e3o recomenda que a UnB opte por uma solu\u00e7\u00e3o mista: a reserva de metade das vagas para alunos de escolas p\u00fablicas &#8211; previsto na Lei de Cotas &#8211; e a reserva exclusiva para negros, independentemente da situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica, como ocorre atualmente, mas reduzindo o percentual de 20% para 5%. A Universidade de Bras\u00edlia foi a primeira a adotar uma pol\u00edtica de reserva de vagas. Quase 4 mil alunos entraram na institui\u00e7\u00e3o por meio do sistema de cotas raciais e 2 mil ex-alunos foram beneficiados pela pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O grupo aponta, pelo menos, duas raz\u00f5es para essa alternativa. A primeira delas \u00e9 que, apesar de terem se passado dez anos, o plano de metas definido pela UnB em 2003 ainda n\u00e3o foi totalmente alcan\u00e7ado. \u201cA UnB j\u00e1 inclui, em 2012, um total de 41% de estudantes negros, contudo, a popula\u00e7\u00e3o de pretos e pardos no Brasil, como um todo, \u00e9 50%, e no Distrito Federal \u00e9 56%, o que significa dizer que se o sistema de cotas for interrompido, a igualdade racial proposta pelo plano de metas n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ada em sua plenitude\u201d, afirmaram os professores.<\/p>\n<p>A outra justificativa \u00e9 que a ades\u00e3o exclusiva \u00e0 Lei de Cotas representaria um retrocesso na pol\u00edtica de inclus\u00e3o \u00e9tnica e racial na universidade. De acordo com a comiss\u00e3o, a lei aprovada pelo Congresso Nacional cria divis\u00f5es e uma nova dificuldade de ingresso dos negros ao ensino superior.<\/p>\n<p>\u201cNa medida em que as vagas foram divididas em duas partes iguais, \u00e9 muito prov\u00e1vel que os 50% de vagas dedicadas \u00e0 concorr\u00eancia geral sejam colonizadas inteiramente pelos brancos de classe m\u00e9dia e alta que estudaram nas escolas particulares mais preparadas para esse tipo de competi\u00e7\u00e3o. A classe m\u00e9dia negra tender\u00e1 a concentrar-se na escola p\u00fablica para evitar uma concorr\u00eancia num\u00e9rica desvantajosa com os brancos mais ricos\u201d, afirmaram.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do grupo, os jovens negros v\u00e3o optar pela escola p\u00fablica e ser\u00e3o \u201cfor\u00e7ados\u201d a competir entre si. \u201cOs negros pobres competir\u00e3o apenas com os negros pobres e os negros de classe m\u00e9dia competir\u00e3o apenas com os negros de classe m\u00e9dia\u201d, destacam.<\/p>\n<p>Durante um debate que ocorreu no final da semana passada, a ativista negra Nat\u00e1lia Maria Alves Machado, da primeira turma de cotista da UnB, afirmou que a pol\u00edtica foi essencial para conquistar uma vaga na institui\u00e7\u00e3o. \u201cSem cota eu n\u00e3o teria entrado e n\u00e3o teria me mantido na UnB porque s\u00f3 depois da implanta\u00e7\u00e3o dessa pol\u00edtica \u00e9 que houve uma atmosfera minimamente apta a nos acolher nessa diferen\u00e7a. Pessoas como eu n\u00e3o podem ficar tentando vestibular indefinidamente porque quando saem do ensino m\u00e9dio j\u00e1 caem em subemprego\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para Nat\u00e1lia, a Lei de Cotas, que privilegia o recorte socioecon\u00f4mico, limita a inclus\u00e3o de negros e ind\u00edgenas na universidade. Segundo ela, apesar de a maioria dos participantes da audi\u00eancia ser a favor da recomenda\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio, existe um temor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 decis\u00e3o que ser\u00e1 tomada no in\u00edcio do pr\u00f3ximo m\u00eas. \u201cA nova lei d\u00e1 uma falsa impress\u00e3o que contempla a problem\u00e1tica \u00e9tnica racial, mas s\u00f3 contempla parte da demanda porque trata de pessoas pretas, pardas e ind\u00edgenas que conseguem comprovar como oriundas de escolas p\u00fablicas\u201d.<\/p>\n<p>Durante a audi\u00eancia p\u00fablica, apenas um aluno se manifestou contr\u00e1rio \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de reserva de vagas mantida h\u00e1 dez anos pela institui\u00e7\u00e3o. Ouvido pela<strong> Ag\u00eancia Brasil<\/strong> \u2013 apesar da tentativa de uma professora de direito, que n\u00e3o se identificou, de pressionar a equipe de reportagem com acusa\u00e7\u00f5es de racismo e parcialidade \u2013, o estudante Calebe Mello Cerqueira disse que \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica nos moldes atuais, mas defende a reserva de vagas para estudantes oriundos de escolas p\u00fablicas. Para ele, o maior limitador de oportunidades \u00e9 a quest\u00e3o financeira e econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o creio em pol\u00edtica de cotas como retribui\u00e7\u00e3o \u00e0s desgra\u00e7as que n\u00f3s, brancos, fizemos aos negros. Temos que ajud\u00e1-los a voltar a ter oportunidades, mas, do ponto de vista intelectual, o negro tem a mesma oportunidade que um branco. A \u00fanica diferen\u00e7a \u00e9 no n\u00edvel de oportunidades. Sabemos que boa parte da popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 de baixa renda e a capacidade intelectual \u00e9 interferida por essa situa\u00e7\u00e3o financeira\u201d, avaliou.<\/p>\n<p><strong>Carolina Gon\u00e7alvess, ABr<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Universidade de Bras\u00edlia (UnB) deve decidir, no pr\u00f3ximo dia 3 de abril, se vai aderir exclusivamente \u00e0 Lei de Cotas (Lei 12.711) para o ingresso de estudantes negros e ind\u00edgenas ou se manter\u00e1 parte da pol\u00edtica de inclus\u00e3o criada pela pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o h\u00e1 dez anos, combinando as regras previstas nas duas normas. 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