{"id":52161,"date":"2015-06-04T10:56:34","date_gmt":"2015-06-04T13:56:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=52161"},"modified":"2015-06-04T19:11:11","modified_gmt":"2015-06-04T22:11:11","slug":"empresarios-brasileiros-viram-ponte-para-vender-cocaina-da-colombia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/empresarios-brasileiros-viram-ponte-para-vender-cocaina-da-colombia\/","title":{"rendered":"Empres\u00e1rios brasileiros viram ponte para vender a coca\u00edna da Col\u00f4mbia"},"content":{"rendered":"<p>Uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa comandada por empres\u00e1rios brasileiros era respons\u00e1vel pelo transporte de coca\u00edna das For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc) da Venezuela para Honduras, onde toneladas da droga eram entregues aos cart\u00e9is mexicanos de Sinaloa e Los Zetas. O grupo, informa o jornal O Estado de S.Paulo, \u00a0comprava c\u00f3digos de identifica\u00e7\u00e3o do controle a\u00e9reo venezuelano que, assim, deixava de abater o avi\u00e3o. Cada voo pagava at\u00e9 US$ 400 mil de propina a militares da Venezuela.<\/p>\n<p>Anteontem (2), a Delegacia de Repress\u00e3o a Entorpecentes da superintend\u00eancia paulista da Pol\u00edcia Federal (PF) cumpriu 13 mandados de busca e apreens\u00e3o em S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. Bens &#8212; im\u00f3veis e empresas &#8212; e contas banc\u00e1rias foram sequestrados pela Justi\u00e7a Federal. As investiga\u00e7\u00f5es, que come\u00e7aram em 2012, j\u00e1 haviam resultado na apreens\u00e3o do helic\u00f3ptero da empresa Limeira Participa\u00e7\u00f5es, do senador Zez\u00e9 Perrella (PDT-MG), em 2013, no Esp\u00edrito Santo, com 445 quilos de coca\u00edna. As buscas de ter\u00e7a-feiram (2) encerraram a primeira fase da Opera\u00e7\u00e3o Dona Barbara, da PF.<\/p>\n<p>Segundo relat\u00f3rio enviado \u00e0 Justi\u00e7a pelo delegado Rodrigo Levin, a apura\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com a vigil\u00e2ncia de dois empres\u00e1rios brasileiros &#8212; Manoel Meleiro Gonsalez e Ronald Roland. Eles estariam comprando aeronaves e preparando carregamentos de coca\u00edna &#8212; a rota Venezuela-Honduras era s\u00f3 uma suspeita. Os agentes passaram a vigiar os alvos e seus avi\u00f5es.<\/p>\n<p>O inqu\u00e9rito mostra as negocia\u00e7\u00f5es entre os traficantes e militares da Venezuela descritas em mensagens de celular dos brasileiros para o tr\u00e1fico de Col\u00f4mbia, Venezuela e Honduras. O grupo usava apenas aparelhos de telefone BlackBerry, pois acreditava que suas mensagens n\u00e3o poderiam ser interceptadas pela pol\u00edcia.<\/p>\n<blockquote><p>Em uma delas, por exemplo, o homem apontado pela PF como l\u00edder da organiza\u00e7\u00e3o &#8211; o fazendeiro brasileiro Paulo Flores &#8211; escreve, \u00e0s 7h57 de 5 de setembro de 2013, ao hondurenho Jos\u00e9 Cristian Espinosa Erazo, dizendo que os avi\u00f5es aguardavam &#8220;el permiso de los teles&#8221; (os c\u00f3digos) para entrar no espa\u00e7o a\u00e9reo venezuelano.<\/p><\/blockquote>\n<p>H\u00e1 diversas mensagens em que s\u00e3o mencionados valores da propina de at\u00e9 US$ 400 mil para os militares do pa\u00eds vizinho. Os avi\u00f5es partiam de cidades do interior paulista, de Sinop (MT), S\u00e3o Felix do Araguaia (TO) e Bacabal (MA). Antes de decolar, os pilotos recebiam o c\u00f3digo transponder &#8212; n\u00famero que faz a aeronave emitir um sinal que identificar\u00e1 o voo nos radares &#8211; da Venezuela.<\/p>\n<p>Com o c\u00f3digo, afirma a PF, a for\u00e7a a\u00e9rea daquele pa\u00eds sabia que o avi\u00e3o havia pago propina e, assim, n\u00e3o o abatia, mesmo quando a pol\u00edcia daquele pa\u00eds era informada pela PF brasileira a respeito do voo. As aeronaves pousavam no lugarejo de Aparte, no Departamento de Zulia, perto da base militar de Maracaibo. Em pelo menos uma oportunidade, os traficantes trocaram mensagens dizendo que pagaram propina complementar de US$ 100 mil para guardar o avi\u00e3o em um hangar do Ex\u00e9rcito venezuelano.<\/p>\n<p>Os traficante citam um &#8220;coronel&#8221; e um &#8220;general&#8221; como contatos para os pagamentos. Em Aparte, os avi\u00f5es eram carregados com a droga trazida pelas Farc, da Col\u00f4mbia. O venezuelano Euder Jaramillo Perdomo cuidaria da log\u00edstica. Com outro c\u00f3digo transponder, o avi\u00e3o rumava para Honduras. Ali, a propina para a pol\u00edcia era de US$ 200 mil por voo. A droga era entregue aos mexicanos &#8212; de 700 quilos a 2,5 toneladas de coca\u00edna.<\/p>\n<p>Muitas aeronaves foram abandonadas pelos pilotos em Honduras &#8211; parte foi queimada para n\u00e3o deixar vest\u00edgios. Os pilotos usavam, ent\u00e3o, passaportes falsos hondurenhos e guatemaltecos para voltar ao Brasil pela fronteira com o Paraguai.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa comandada por empres\u00e1rios brasileiros era respons\u00e1vel pelo transporte de coca\u00edna das For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc) da Venezuela para Honduras, onde toneladas da droga eram entregues aos cart\u00e9is mexicanos de Sinaloa e Los Zetas. 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