{"id":52357,"date":"2015-06-06T07:12:03","date_gmt":"2015-06-06T10:12:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=52357"},"modified":"2015-06-06T07:13:01","modified_gmt":"2015-06-06T10:13:01","slug":"doencas-do-branco-e-desmatamento-ameacam-indios-isolados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/doencas-do-branco-e-desmatamento-ameacam-indios-isolados\/","title":{"rendered":"Doen\u00e7as do branco e onda de desmatamento amea\u00e7am \u00edndios isolados"},"content":{"rendered":"<p>Amea\u00e7ados por doen\u00e7as e pelo desmatamento, os \u00faltimos povos ind\u00edgenas isolados do mundo que vivem no Amazonas est\u00e3o em rota de colis\u00e3o com a sociedade moderna como nunca antes, advertem os especialistas.<\/p>\n<p>Tribos inteiras est\u00e3o a ponto de serem apagadas do mapa no Brasil e no Peru, segundo uma s\u00e9rie de artigos publicados esta semana na revista Science.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos \u00e0 beira de uma grande extin\u00e7\u00e3o de culturas&#8221;, disse Francisco Estremadoyro, diretor da ONG ProPurus, sediada em Lima. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que este \u00e9 um momento hist\u00f3rico&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, h\u00e1 cada vez mais encontros perigosos entre tribos isoladas e a civiliza\u00e7\u00e3o moderna.<\/p>\n<blockquote><p>O risco n\u00e3o envolve apenas a viol\u00eancia, mas tamb\u00e9m doen\u00e7as comuns, como a gripe e a coqueluche, transmitidas acidentalmente por garimpeiros, madeireiros, narcotraficantes, antrop\u00f3logos e at\u00e9 jornalistas, o que para os \u00edndios pode ser fatal.<\/p><\/blockquote>\n<p>Um colar deixado por um pesquisador alem\u00e3o e apontado pelos nativos do alto rio Curanja como envenenado, estaria ligado \u00e0 morte de 200 ind\u00edgenas por dor de garganta e febre.<\/p>\n<p>&#8220;Est\u00e1vamos muito fracos e alguns ca\u00edam na mata&#8221;, recordou Marcelino Pinedo Cecilio, que cresceu plantando batata e milho e ca\u00e7ando com arco e flecha.<\/p>\n<p>Pinedo lembra que fugiu correndo com sua m\u00e3e a primeira vez que viu estas pessoas do mundo externo, nos anos 1950.<\/p>\n<p>O artigo publicado na revista Science lembra que existem nativos isolados em outras regi\u00f5es do planeta, como nas montanhas da Nova Guin\u00e9, mas destaca que &#8220;de longe o maior n\u00famero est\u00e1 no Amazonas&#8221; e no &#8220;Peru a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais grave&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com os especialistas, h\u00e1 cerca de 8 mil nativos isolados dispersos em pequenos grupos na floresta tropical.<\/p>\n<p>&#8220;Tem havido um aumento dos avistamentos e incurs\u00f5es, tanto no Peru como no Brasil, e isto pode ser um sinal de que est\u00e3o emergindo alguns dos \u00faltimos povos isolados&#8221;.<\/p>\n<p>O choque de culturas come\u00e7ou em 1492, com a chegada de Crist\u00f3v\u00e3o Colombo \u00e0 Am\u00e9rica. Este encontro matou entre 50 e 100 milh\u00f5es de nativos, recordou a Science.<\/p>\n<p>Infelizmente, a tecnologia moderna e o conhecimento atual podem ser insuficientes para se evitar o aniquilamento dos ind\u00edgenas, especialmente pelo cont\u00e1gio de doen\u00e7as \u00e0s quais os nativos n\u00e3o s\u00e3o imunes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e0 medida que avan\u00e7a a globaliza\u00e7\u00e3o os povos nativos t\u00eam cada vez menos selva para encontrar seus alimentos, rem\u00e9dios e materiais.<br \/>\nAs tribos isoladas &#8220;s\u00e3o os povos mais vulner\u00e1veis do mundo&#8221;, disse Beatriz Huertas, antrop\u00f3loga baseada em Lima.<\/p>\n<blockquote><p>No Brasil, onde os especialistas observaram com horror que entre 50 e 90% das tribos desapareceram por doen\u00e7as ap\u00f3s contatos com o mundo externo nos anos 70 e 80, o governo faz o que pode para impedir qualquer contato, exceto se for absolutamente necess\u00e1rio.<\/p><\/blockquote>\n<p>Apesar de a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) ter se tornado um modelo para toda a regi\u00e3o, alguns especialistas afirmam que o Brasil \u00e9 muito grande e que as empreiteiras avan\u00e7am cada vez mais sobre o Amazonas, escavando minas e criando represas, oleodutos e estradas.<\/p>\n<p>Entre 1987 e 2013, a Funai fez contato com cinco grupos, e nos \u00faltimos 18 meses tr\u00eas tribos isoladas buscaram contato por vontade pr\u00f3pria: os xinane, os korubo e os awa guaja.<\/p>\n<p>Em um dos casos, quatro homens xinane entraram em um povoado e levaram fac\u00f5es, panelas e roupas, que podem ser fontes de m\u00faltiplas infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<blockquote><p>At\u00e9 agora, a Funai contabiliza 26 grupos ind\u00edgenas isolados no Brasil e suspeita de outros 78, que estariam escondidos na selva.<\/p><\/blockquote>\n<p>A Funai tem apenas duas equipes especializadas, quando precisa de 14, advertem seus membros. &#8220;A Funai est\u00e1 morta, mas ningu\u00e9m diz isso e ainda n\u00e3o ocorreu o enterro&#8221;, alertou o etn\u00f3grafo brasileiro e ex-funcion\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o Sydney Possuelo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amea\u00e7ados por doen\u00e7as e pelo desmatamento, os \u00faltimos povos ind\u00edgenas isolados do mundo que vivem no Amazonas est\u00e3o em rota de colis\u00e3o com a sociedade moderna como nunca antes, advertem os especialistas. 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