{"id":52393,"date":"2015-06-06T11:21:04","date_gmt":"2015-06-06T14:21:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=52393"},"modified":"2015-06-06T15:51:39","modified_gmt":"2015-06-06T18:51:39","slug":"ajuste-fiscal-provocva-retracao-e-vira-tiro-no-pe-do-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/ajuste-fiscal-provocva-retracao-e-vira-tiro-no-pe-do-governo\/","title":{"rendered":"Ajuste fiscal provoca clima de retra\u00e7\u00e3o e vira tiro no p\u00e9 do governo"},"content":{"rendered":"<p>O esfor\u00e7o fiscal promovido pelo governo pode estar provocando um efeito colateral. Economistas avaliam que\u00a0a queda na arrecada\u00e7\u00e3o federal pode ser um sintoma do aprofundamento da contra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica agravada pelo corte de gastos p\u00fablicos. Para eles, ao desestimular a produ\u00e7\u00e3o e o consumo, o ajuste fiscal faz o governo arrecadar menos, criando novas dificuldades para o governo fechar as contas.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, o aumento do ritmo de queda da arrecada\u00e7\u00e3o surpreendeu a equipe econ\u00f4mica. De janeiro a mar\u00e7o, a arrecada\u00e7\u00e3o federal tinha ca\u00eddo 2,03% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado descontada a infla\u00e7\u00e3o pelo \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA). Em abril, a queda acumulada aumentou para 2,71%, tamb\u00e9m considerando a infla\u00e7\u00e3o oficial.<\/p>\n<p>Para o professor de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp) Francisco Lopreato, especialista em pol\u00edtica fiscal, a queda representa um alerta de que o Brasil pode estar seguindo os passos de economias europeias, em que ajustes fiscais severos vieram acompanhados de profundas recess\u00f5es. \u201cTudo indica que o Brasil corre o risco de mergulhar na mesma espiral da Europa, em que o ajuste fiscal aprofunda o baixo crescimento, que, por sua vez, gera menos receita. \u00c9 a hist\u00f3ria do cachorro que corre atr\u00e1s do rabo\u201d, diz.<\/p>\n<p>Apesar da semelhan\u00e7a do processo, Lopreato destaca diferen\u00e7as entre o Brasil e economias como Espanha e Gr\u00e9cia. \u201cOs sintomas s\u00e3o os mesmos no Brasil e na Europa, mas as causas s\u00e3o diferentes. L\u00e1, existe um problema de falta de financiamento internacional, que se reflete no setor p\u00fablico. O Brasil enfrentou esse quadro na crise da d\u00edvida externa dos anos 80. Aqui, n\u00e3o h\u00e1 problemas de d\u00edvida externa\u201d, compara.<\/p>\n<p>O professor Reinaldo Gon\u00e7alves, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), considera que o ajuste fiscal agrava a contra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, sem resolver os problemas estruturais da economia brasileira. \u201cEm outros momentos da economia brasileira, ajustes semelhantes demoraram de tr\u00eas a quatro anos e deixaram sequelas graves por muito tempo. O pa\u00eds ficar\u00e1 anos se estendendo numa situa\u00e7\u00e3o de desemprego, de recess\u00e3o, de falta de investimento e com press\u00f5es inflacion\u00e1rias\u201d, comenta.<\/p>\n<blockquote><p>Cr\u00edtico das pol\u00edticas econ\u00f4micas em vigor desde a d\u00e9cada de 1990, Gon\u00e7alves diz que o ajuste fiscal posto em pr\u00e1tica pelo governo representa o rem\u00e9dio errado para a economia do pa\u00eds. \u201cDo que adianta economizar 0,9% ou 1,2% do PIB [Produto Interno Bruto, PIB], mas aumentar os juros b\u00e1sicos de 8% para 14% ao ano?\u201d, questiona.\u201cCortar gastos simplesmente por cortar traz efeitos colaterais fortes. \u00c9 como algu\u00e9m que toma anti-inflamat\u00f3rio por muito tempo, mas tem s\u00e9rios problemas de sa\u00fade\u201d, analisa.<\/p><\/blockquote>\n<p>Recentemente, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, descartou o risco de o Brasil enfrentar uma recess\u00e3o semelhante \u00e0 de pa\u00edses europeus. Para ele, a Europa atravessa escassez de demanda, ao contr\u00e1rio do Brasil, que antes do ajuste fiscal enfrentava uma infla\u00e7\u00e3o decorrente da economia aquecida por meio de est\u00edmulos fiscais. \u201cL\u00e1, n\u00e3o tem infla\u00e7\u00e3o. J\u00e1 mostra diferen\u00e7a. Aqui, t\u00ednhamos excesso de demanda, n\u00e3o escassez de demanda\u201d, rebateu.<\/p>\n<p>Para os dois professores, o Brasil precisa de medidas complementares para amenizar o impacto do ajuste fiscal sobre a atividade econ\u00f4mica. Os dois economistas, no entanto, divergem sobre o caminho ideal para evitar que o pa\u00eds siga o rumo de economias europeias submetidas a programas externos de resgate.<\/p>\n<p>Lopreato, da Unicamp, defende a interrup\u00e7\u00e3o do aumento da taxa Selic (juros b\u00e1sicos da economia) e a acelera\u00e7\u00e3o de programas de incentivo ao investimento privado, como as concess\u00f5es de infraestrutura. \u201c\u00c9 preciso criar uma agenda positiva para alavancar os investimentos e diluir, pelo menos um pouco, o custo do ajuste fiscal\u201d, diz. Ele aprova medidas adotadas pelo governo, como o aumento das restri\u00e7\u00f5es ao seguro-desemprego e \u00e0 pens\u00e3o por morte e o aumento da taxa\u00e7\u00e3o do lucro dos bancos. \u201cO governo n\u00e3o cortou direitos, apenas restringiu abusos\u201d.<\/p>\n<p>Gon\u00e7alves, da UFRJ, defende reformas estruturais adiadas h\u00e1 d\u00e9cadas por sucessivos governos para destravar a economia. \u201cO governo tem de agir para reverter a desindustrializa\u00e7\u00e3o [fechamento de ind\u00fastrias], a primariza\u00e7\u00e3o da estrutura de produ\u00e7\u00e3o nacional [depend\u00eancia de produtos agr\u00edcolas e minerais], reduzir a depend\u00eancia tecnol\u00f3gica e vulnerabilidade externa\u201d, declara. \u201cQualquer medida fora desse escopo \u00e9 paliativa e s\u00f3 piora a recess\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>Wellton M\u00e1ximo, ABr<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O esfor\u00e7o fiscal promovido pelo governo pode estar provocando um efeito colateral. 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