{"id":52463,"date":"2015-06-06T07:55:19","date_gmt":"2015-06-06T10:55:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=52463"},"modified":"2015-06-08T09:07:58","modified_gmt":"2015-06-08T12:07:58","slug":"al-anon-se-reune-em-brasilia-para-combater-a-doenca-da-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/al-anon-se-reune-em-brasilia-para-combater-a-doenca-da-familia\/","title":{"rendered":"Al-Anon se re\u00fane em Bras\u00edlia para combater a &#8216;doen\u00e7a da fam\u00edlia&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Comemorando 40 anos de exist\u00eancia, o grupo Al-Anon (Alco\u00f3licos An\u00f4nimos) est\u00e1 reunido neste final de semana em Sobradinho, regi\u00e3o administrativa do Distrito Federal, para discutir o tema &#8220;Alcoolismo, a Doen\u00e7a da Fam\u00edlia&#8221;. O movimento foi criado por mulheres de alco\u00f3licos para apoiar parentes e amigos de pessoas viciadas em \u00e1lcool. A reuni\u00e3o ocorre simultaneamente ao Encontro Anual do Alco\u00f3licos An\u00f4nimos do DF.<\/p>\n<p>Doen\u00e7a que pode deixar sequelas por toda a vida, o alcoolismo marca n\u00e3o s\u00f3 quem bebe, mas toda uma fam\u00edlia. \u201cEu tinha revolta contra o meu pai e n\u00e3o queria ser igual a ele, queria ser pior do que ele\u201d, relembra a estudante de psicologia Magali*, 45 anos, filha de pai alco\u00f3lico. Ela tamb\u00e9m adquiriu o v\u00edcio.<\/p>\n<p>Em recupera\u00e7\u00e3o, h\u00e1 4 anos sem beber, Magali conta que come\u00e7ou a ingerir \u00e1lcool aos 11, pegando bebidas do pai em casa, e que, aos 12, come\u00e7ou a usar drogas. \u201cEu n\u00e3o tinha amigos no col\u00e9gio e me escondia\u201d. Na faculdade de enfermagem, ela conta que s\u00f3 conseguia frequentar as aulas sob efeito do \u00e1lcool, e que, depois de formada, trabalhou muitas vezes alcoolizada. &#8220;Tinha dia que eu n\u00e3o conseguia pegar uma veia do paciente se n\u00e3o tivesse bebido, tremia tudo, eu precisava beber&#8221;, relembra.<\/p>\n<blockquote><p>Magali desabafa que hoje se sente livre. \u201cEu n\u00e3o conseguia fazer planos, era tudo naquele momento. Hoje n\u00e3o tenho marido, filhos, vivi a vida toda com a minha m\u00e3e, que s\u00f3 conseguia orar por mim. Fiquei com efeitos no corpo e na alma. Eu poderia ser uma pessoa melhor hoje. Tem muita coisa que eu queria ter feito e s\u00f3 agora vejo que eu tirei a oportunidade de mim mesma\u201d, lamenta a estudante. Ela, depois de entrar para o Alco\u00f3licos An\u00f4nimos (AA), em 2011, n\u00e3o voltou a ingerir bebida alco\u00f3lica.<\/p><\/blockquote>\n<p>Hort\u00eancia*, membro do Al-Anon, programa de apoio a familiares e amigos de alco\u00f3licos, conta que \u00e9 muito comum os filhos de bebedores seguirem o mesmo v\u00edcio. \u201cGeralmente, o filho que mais odeia o alcoolismo do pai \u00e9 o que ter\u00e1 problemas com \u00e1lcool se n\u00e3o buscar ajuda antes\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Arlete*, coordenadora do Al-Anon no Distrito Federal, no grupo as pessoas veem que o alcoolismo \u00e9 uma doen\u00e7a que atinge toda a fam\u00edlia, e que os membros precisam seguir suas vidas, apesar da doen\u00e7a. \u201cNas reuni\u00f5es eles v\u00e3o aprender a conviver com isso. A esposa desesperada vai aprender, por exemplo, que n\u00e3o adianta brigar com o alco\u00f3lico na hora que ele chega em casa b\u00eabado, porque ele n\u00e3o vai nem lembrar no outro dia\u201d.<\/p>\n<p>Frequentadora do Al-Anon desde h\u00e1 16 anos, Maria * \u00e9 filha e esposa de alco\u00f3lico. \u201cCom meu pai eu via que precisava de seguran\u00e7a, mas ele n\u00e3o cuidava nem dele mesmo. Eu acabei ficando muito t\u00edmida, reservada, mas sempre queria ser a melhor filha e aluna do mundo para n\u00e3o dar motivos de ele ficar agressivo\u201d, relembra Maria, que come\u00e7ou a perceber que seu pai tinha um comportamento inadequado quando ela tinha 5 anos.<\/p>\n<p>Ela conta que n\u00e3o tinha amigas, n\u00e3o levava colegas em casa e hoje v\u00ea que era para tentar esconder o problema. \u201cEle era duas pessoas, uma muito preocupada com os estudos dos filhos, outra agressiva e sem controle, dominada pela bebida\u201d. Dos cinco irm\u00e3os, Maria conta que hoje tr\u00eas sofrem com o alcoolismo, mas ela n\u00e3o bebe.<\/p>\n<p>J\u00e1 com seis anos de casada, Maria diz que come\u00e7ou a perceber que o marido tamb\u00e9m tinha o mesmo problema. \u201cNo come\u00e7o ele bebia, mas eu n\u00e3o achava nada demais, era s\u00f3 em festa, ficava alegre, nada que me alertasse. Com mais ou menos seis anos de casamento, ele come\u00e7ou a n\u00e3o voltar para casa, batia o carro com muita frequ\u00eancia e eu comecei a me preocupar\u201d.<\/p>\n<p>Em 1999, no pior per\u00edodo do seu casamento,, quando os filhos eram adolescentes, Maria diz que procurou o Al-Anon. No ano seguinte, o pai buscou o AA e deixou de beber, e, em seguida, em 2003, o marido tamb\u00e9m se tornou um alco\u00f3lico em recupera\u00e7\u00e3o. Hoje, ela conta que a rela\u00e7\u00e3o com os dois \u00e9 muito boa e que conseguiu superar o alcoolismo, mas s\u00f3 porque todos reconheceram o problema.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo Jo\u00e3o Bezerra, amigo do AA, explica que o primeiro passo para a recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 admitir o problema. No caso do usu\u00e1rio, ele precisa reconhecer que \u00e9 viciado, no caso da fam\u00edlia, deve perceber que n\u00e3o pode lidar sozinha com a situa\u00e7\u00e3o. \u201cNestes grupos, a experi\u00eancia de um vai enriquecendo a experi\u00eancia do outro e a gente sempre lembra que dois ingredientes n\u00e3o podem faltar nessa busca: amor e perd\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Mateus, estudante de 18 anos, tamb\u00e9m \u00e9 filho de pai alco\u00f3lico. \u201cDesde criancinha eu ia ao o AA e aos 11 anos comecei a frequentar o Al-Anon\u201d. Quando Mateus nasceu, seu pai j\u00e1 n\u00e3o bebia mais, mas ele conta que percebia a amea\u00e7a velada de o problema voltar. \u201cEu n\u00e3o bebo, j\u00e1 que acredito que o alcoolismo \u00e9 heredit\u00e1rio, prefiro n\u00e3o dar o primeiro gole\u201d.<\/p>\n<p><em>*Os grupos Al-Anon e AA pedem que seus integrantes sejam citados apenas pelo primeiro nome.<\/em><\/p>\n<p><strong>Aline Leal, ABr<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comemorando 40 anos de exist\u00eancia, o grupo Al-Anon (Alco\u00f3licos An\u00f4nimos) est\u00e1 reunido neste final de semana em Sobradinho, regi\u00e3o administrativa do Distrito Federal, para discutir o tema &#8220;Alcoolismo, a Doen\u00e7a da Fam\u00edlia&#8221;. O movimento foi criado por mulheres de alco\u00f3licos para apoiar parentes e amigos de pessoas viciadas em \u00e1lcool. 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