{"id":52537,"date":"2015-06-07T17:47:46","date_gmt":"2015-06-07T20:47:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=52537"},"modified":"2016-07-30T16:54:24","modified_gmt":"2016-07-30T19:54:24","slug":"pesquisa-comprova-percepcao-de-animais-para-chegada-de-terremotos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/pesquisa-comprova-percepcao-de-animais-para-chegada-de-terremotos\/","title":{"rendered":"Pesquisa comprova percep\u00e7\u00e3o de animais para chegada de terremotos"},"content":{"rendered":"<p>A maior concentra\u00e7\u00e3o de \u00edons positivos na atmosfera provoca &#8211;seja em animais, seja em humanos&#8211; um aumento dos n\u00edveis de serotonina na corrente sangu\u00ednea. Isso leva \u00e0 chamada &#8220;s\u00edndrome da serotonina&#8221;, caracterizada por maior agita\u00e7\u00e3o, hiperatividade e confus\u00e3o.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o de que altera\u00e7\u00f5es no comportamento dos animais sinalizam, com horas ou dias de anteced\u00eancia, eventos como os terremotos j\u00e1 era conhecida. Mas isso n\u00e3o havia sido documentado de maneira rigorosa e conclusiva, diz reportagem da ag\u00eancia Fapesp.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno \u00e9 semelhante \u00e0 inquieta\u00e7\u00e3o, facilmente percept\u00edvel em humanos, que ocorre antes das tempestades, quando a concentra\u00e7\u00e3o de el\u00e9trons nas bases das nuvens tamb\u00e9m provoca um ac\u00famulo de \u00edons positivos na camada da atmosfera pr\u00f3xima ao solo, gerando um intenso campo el\u00e9trico no espa\u00e7o intermedi\u00e1rio.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es foram publicadas no artigo &#8220;Changes in Animal Activity Prior to a Major (M=7) Earthquake in the Peruvian Andes&#8221; (em tradu\u00e7\u00e3o livre: Mudan\u00e7as na atividade animal antes de um grande terremoto (M=7), nos Andes peruanos), da revista &#8220;Physics and Chemistry of the Earth&#8221;, que trata de uma pesquisa realizada por Rachel Grant, da Anglia Ruskin University (Reino Unido), Friedemann Freund, da ag\u00eancia espacial Nasa (Estados Unidos), e Jean-Pierre Raulin, do Centro de Radioastronomia e Astrof\u00edsica Mackenzie (Brasil).<\/p>\n<p>O brasileiro participou do projeto com uma pesquisa relacionada \u00e0s altera\u00e7\u00f5es no comportamento de aves e pequenos mam\u00edferos do Parque Nacional Yanachaga, no Peru, verificadas v\u00e1rios dias antes do terremoto Contamana, de magnitude 7, que ocorreu nos Andes peruanos em 2011.<\/p>\n<blockquote><p>Os animais foram monitorados por um conjunto de c\u00e2meras. &#8220;Para n\u00e3o interferir em seu comportamento, essas c\u00e2meras eram acionadas de forma autom\u00e1tica no momento em que o animal passava na sua frente, registrando a passagem por meio de flash de luz infravermelha&#8221;, explicou o pesquisador.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em um dia comum, cada animal era avistado de cinco a 15 vezes. Por\u00e9m, no intervalo de 23 dias que antecedeu o terremoto, o n\u00famero caiu para cinco ou menos por animal. E, em cinco dos sete dias imediatamente anteriores ao evento s\u00edsmico, nenhum movimento foi registrado.<\/p>\n<p>Nessa mesma \u00e9poca, por meio do monitoramento das propriedades de propaga\u00e7\u00e3o de ondas de r\u00e1dio de muito baixa frequ\u00eancia (VLF), os pesquisadores detectaram, duas semanas antes do terremoto, perturba\u00e7\u00f5es na ionosfera sobre a \u00e1rea ao redor do epicentro.<\/p>\n<p>Um dist\u00farbio especialmente grande foi registrado oito dias antes do terremoto, quando o n\u00famero de apari\u00e7\u00f5es dos animais caiu notavelmente.<\/p>\n<p>&#8220;No caso dos terremotos, cargas positivas formadas no subsolo devido ao estresse das rochas migram rapidamente para a superf\u00edcie, resultando na ioniza\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de mol\u00e9culas do ar. Em algumas horas, os \u00edons positivos assim formados alcan\u00e7am a base da ionosfera, localizada cerca de 70 quil\u00f4metros acima do solo. Esse aporte maci\u00e7o de \u00edons teria provocado as flutua\u00e7\u00f5es da densidade eletr\u00f4nica na baixa ionosfera que detectamos. Por outro lado, durante o tr\u00e2nsito subterr\u00e2neo das cargas positivas, devido a uma esp\u00e9cie de &#8216;efeito de ponta&#8217;, a ioniza\u00e7\u00e3o tende a se acumular perto das eleva\u00e7\u00f5es topogr\u00e1ficas locais \u2013 exatamente onde estavam localizadas as c\u00e2meras. Nossa hip\u00f3tese foi que, para se livrar dos sintomas indesej\u00e1veis da s\u00edndrome da serotonina, os animais fugiram para \u00e1reas mais baixas, onde a ioniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o expressiva&#8221;, explicou Raulin.<\/p>\n<p>Independentemente da observa\u00e7\u00e3o do comportamento animal, os resultados obtidos mostram que a previs\u00e3o de terremotos poderia ser feita tamb\u00e9m mediante a detec\u00e7\u00e3o da quantidade de \u00edons do ar, com o monitoramento do campo el\u00e9trico atmosf\u00e9rico.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 temos detectores instalados no Brasil, no Peru e na Argentina. E pretendemos, em breve, instalar sensores de campo el\u00e9trico atmosf\u00e9rico nos lugares prop\u00edcios a atividades s\u00edsmicas importantes. Isso daria uma previsibilidade da ordem de duas semanas ou at\u00e9 mais&#8221;, afirmou Raulin, que explicou ainda que mudan\u00e7as na ionosfera j\u00e1 haviam detectado com 12 dias de anteced\u00eancia o terremoto do Haiti, em janeiro de 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maior concentra\u00e7\u00e3o de \u00edons positivos na atmosfera provoca &#8211;seja em animais, seja em humanos&#8211; um aumento dos n\u00edveis de serotonina na corrente sangu\u00ednea. Isso leva \u00e0 chamada &#8220;s\u00edndrome da serotonina&#8221;, caracterizada por maior agita\u00e7\u00e3o, hiperatividade e confus\u00e3o. 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