{"id":52724,"date":"2015-06-09T10:16:49","date_gmt":"2015-06-09T13:16:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=52724"},"modified":"2015-06-09T10:18:05","modified_gmt":"2015-06-09T13:18:05","slug":"polemica-de-medico-cochilando-reflete-realidade-dos-hospitais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/polemica-de-medico-cochilando-reflete-realidade-dos-hospitais\/","title":{"rendered":"Pol\u00eamica de m\u00e9dico cochilando reflete a realidade dos hospitais"},"content":{"rendered":"<p>Milhares de m\u00e9dicos na Am\u00e9rica Latina come\u00e7aram a compartilhar fotos nas redes sociais em que eles pr\u00f3prios ou algum colega aparecem tirando um cochilo durante plant\u00f5es em hospitais.<\/p>\n<p>A iniciativa, marcada pela hashtag #YoTambienMeDormi, foi uma rea\u00e7\u00e3o a cr\u00edticas feitas nas redes sociais a uma m\u00e9dica que aparece dormindo em uma foto, postada por um blogueiro mexicano.<\/p>\n<p>O blogueiro, escrevendo no Noti-blog, diz: &#8220;Sabemos que esse trabalho \u00e9 cansativo, mas eles t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de cumprir suas responsabilidades, j\u00e1 que dezenas de pacientes precisam de seus cuidados em qualquer momento&#8221;.<\/p>\n<p>A imagem mostrava uma residente de medicina do Hospital Geral 33, em Monterrey, no M\u00e9xico, que acabou cochilando \u00e0s 3h00 da manh\u00e3, quando estava preenchendo um prontu\u00e1rio. Segundo o hospital, ela estava atendendo seu 18\u00ba paciente da noite e, ao apoiar a cabe\u00e7a na mesa enquanto escrevia, acabou dormindo.<\/p>\n<p>Quando viu a hist\u00f3ria, o m\u00e9dico mexicano Juan Carlos criou a hashtag #YoTambienMeDormi em um tu\u00edte: &#8220;Eu tamb\u00e9m dormi depois de operar um, dois, tr\u00eas pacientes em um plant\u00e3o qualquer&#8221;.<\/p>\n<p>Para o dr. Fernando Sabia Tallo, coordenador da UTI do Hospital S\u00e3o Paulo (Unifesp), as fotos mostram bem como \u00e9 a realidade dos m\u00e9dicos em plant\u00f5es, inclusive no Brasil, e como a h\u00e1 uma vis\u00e3o distorcida sobre o problema.<\/p>\n<p>&#8220;As jornadas de trabalho s\u00e3o longu\u00edssimas. Em algumas \u00e1reas do pa\u00eds, h\u00e1 plant\u00f5es de at\u00e9 72 horas. As condi\u00e7\u00f5es normalmente s\u00e3o ruins, h\u00e1 press\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 tempo \u00e0s vezes nem de comer ou ir ao banheiro&#8221;, afirma Tallo, que \u00e9 presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Medicina de Urg\u00eancia e Emerg\u00eancia (Abramurgem).<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;A gente luta contra essas jornadas longas, justamente para que o m\u00e9dico n\u00e3o fique exausto. Mas diante do cen\u00e1rio atual, n\u00e3o vejo um cochilo como desvio de conduta, se for feito com bom senso.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>O m\u00e9dico vai al\u00e9m e disse que pol\u00eamica do #YoTambienMeDormi est\u00e1 bem longe de abordar quest\u00f5es mais importantes do sistema de sa\u00fade no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Agora, diante de todos os problemas que a sa\u00fade no Brasil enfrenta, condenar um m\u00e9dico que tirou um cochilo quando n\u00e3o h\u00e1 pacientes, depois de ficar 20 horas acordado, \u00e9 uma grande hipocrisia&#8221;<\/p>\n<p>No Brasil, pacientes tamb\u00e9m criticam o cochilo de m\u00e9dicos &#8211; no YouTube, h\u00e1 dezenas de v\u00eddeos &#8220;denunciando flagras&#8221; de plantonistas dormindo em v\u00e1rias cidades do pa\u00eds &#8211; de Cascavel a Valinhos. A maioria deles, entretanto, n\u00e3o deixa claro se havia pacientes a ser atendidos no momento do cochilo.<\/p>\n<p>M\u00e9dicos brasileiros ouvidos pela BBC Brasil falaram da exaust\u00e3o depois de horas seguidas de atendimento e de como \u00e9 frustrante ser culpado pelos pacientes por todas os problemas da sa\u00fade no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Uma vez eu estava na hora de almo\u00e7o, voltando pelo corredor cheio de pacientes, e uma mulher come\u00e7ou a berrar no corredor &#8216;Nossa, pela demora, a doutora devida estar comendo um porco no rolete&#8217;. Isso porque eu mal engoli um p\u00e3ozinho qualquer&#8221;, conta uma m\u00e9dica, que prefere n\u00e3o ser identificada.<\/p>\n<p>&#8220;Sempre ouvia amea\u00e7as tamb\u00e9m. Coisas do tipo &#8216;se ele morrer, voc\u00eas v\u00e3o fazer o que?&#8217; ou pacientes dizendo que iam chamar a TV. \u00c9 triste ver que eles reclamam de coisas que \u00e0s vezes n\u00e3o t\u00eam nada a ver com os m\u00e9dicos.&#8221;<\/p>\n<p>Outro m\u00e9dico ouvido pela BBC diz que sempre ouvia cr\u00edticas pelo fato de o hospital em que dava plant\u00e3o estar sem leitos. &#8220;Como se fosse culpa nossa&#8221;, diz. &#8220;E tamb\u00e9m j\u00e1 vi muitos colegas serem xingados por coisas banais. Um deles estava s\u00f3 tomando um caf\u00e9.&#8221;<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC Mundo, o gastroenterologista mexicano Antonio Leon disse achar injusto o quanto se fala de como m\u00e9dicos ganham muito e at\u00e9 mesmo assim dormem em plant\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Mas ningu\u00e9m fala das jornadas extensas a qual somos submetidos. N\u00e3o comemos, dormimos pouco e, quando conseguimos, dormimos desse jeito que voc\u00eas veem nas fotos&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Outra m\u00e9dica que usou a hashtag, a argentina Noela Ponce tamb\u00e9m desabafou: &#8220;Ser m\u00e9dico \u00e9 mais que um trabalho para n\u00f3s, \u00e9 uma vida. Mas essa vida fica dif\u00edcil, quando depois de passar 36 horas acordada, nos ofendem, gritam com a gente, para que a gente atenda mais r\u00e1pido.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Milhares de m\u00e9dicos na Am\u00e9rica Latina come\u00e7aram a compartilhar fotos nas redes sociais em que eles pr\u00f3prios ou algum colega aparecem tirando um cochilo durante plant\u00f5es em hospitais. 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