{"id":53806,"date":"2015-06-17T09:13:20","date_gmt":"2015-06-17T12:13:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=53806"},"modified":"2016-07-30T16:54:08","modified_gmt":"2016-07-30T19:54:08","slug":"governo-cai-na-real-e-admite-que-16-do-pais-pode-virar-grande-deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/governo-cai-na-real-e-admite-que-16-do-pais-pode-virar-grande-deserto\/","title":{"rendered":"Governo cai na real e admite que 16% do pa\u00eds pode virar um deserto"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (17) &#8211; Dia Mundial de Combate \u00e0 Seca e \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o &#8211; pelo Centro de Gest\u00e3o e Estudos Estrat\u00e9gicos (CGEE), ligado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, mostra que 16% do territ\u00f3rio nacional est\u00e3o suscet\u00edveis \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o. O Estudo sobre o Estado da Arte da Desertifica\u00e7\u00e3o, Degrada\u00e7\u00e3o das Terras e Seca no Semi\u00e1rido Brasileiro foi desenvolvido para subsidiar o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o dos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A data foi criada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para promover a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o problema, que atinge 42% das terras do planeta e 35% da popula\u00e7\u00e3o mundial. As consequ\u00eancias desse processo clim\u00e1tico, agravado pela interfer\u00eancia humana, v\u00e3o desde a diminui\u00e7\u00e3o da fertilidade dos solos \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da disponibilidade h\u00eddrica. A desertifica\u00e7\u00e3o pode transformar grandes \u00e1reas, antes produtivas, em desertos e colocar em risco a vida nessas regi\u00f5es.<\/p>\n<blockquote><p>O pesquisador Ant\u00f4nio Magalh\u00e3es, do CGEE, explica que medidas precisam ser tomadas para evitar que a situa\u00e7\u00e3o brasileira se agrave. Segundo ele, ainda \u00e9 registrado aumento na press\u00e3o das atividades humanas na regi\u00e3o do semi\u00e1rido &#8211; como a produ\u00e7\u00e3o de lenha para energia, carv\u00e3o, desmatamentos para v\u00e1rios fins, entre outras.<\/p>\n<p>\u201cA preocupa\u00e7\u00e3o com a sustentabilidade precisa ser internalizada nessas regi\u00f5es. O enfrentamento da seca inclui a quest\u00e3o cultural, uma mudan\u00e7a de comportamento de todos que t\u00eam o poder de interferir no meio ambiente. Esse comportamento \u00e9 influenciado pelo interesse econ\u00f4mico de curto prazo. Cortar as \u00e1rvores para vender a madeira d\u00e1 lucro no curto prazo, por exemplo, embora a longo prazo d\u00ea preju\u00edzo porque pode inviabilizar toda uma \u00e1rea.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Magalh\u00e3es explica que ao longo de mais de 100 anos, o Brasil ganhou experi\u00eancia no enfrentamento \u00e0 seca e desenvolveu tecnologias capazes de mitigar os impactos nas regi\u00f5es vulner\u00e1veis, concentradas nos estados da Regi\u00e3o Nordeste, al\u00e9m do norte de Minas Gerais e do estado do Esp\u00edrito Santo. Para ele, chegou a hora de o governo brasileiro colocar esse conhecimento em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 boas iniciativas, como as da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa Semi\u00e1rido), h\u00e1 muitas coisas boas sendo feitas que n\u00e3o se transformam em implementa\u00e7\u00e3o. O problema exige pol\u00edticas p\u00fablicas de curto, m\u00e9dio e longo prazo, que envolvam tanto esse lado de mudan\u00e7a cultural, por meio da educa\u00e7\u00e3o, quanto medidas punitivas, como por exemplo a inviabilidade de cr\u00e9dito banc\u00e1rio para quem n\u00e3o adota as melhores pr\u00e1ticas.\u201d<\/p>\n<p>Magalh\u00e3es destaca que sempre que enfrenta a seca, o Brasil tamb\u00e9m est\u00e1 investindo no combate \u00e0 pobreza, pois o semi\u00e1rido concentra 85% da pobreza do pa\u00eds. \u201cEssas duas coisas s\u00e3o muito interrelacionadas\u201d, diz o especialista. Ele conta que as popula\u00e7\u00f5es pobres s\u00e3o as que mais sofrem as consequ\u00eancias da seca porque t\u00eam menos sa\u00edda para o problema. \u201cUma fam\u00edlia rica pode se mudar, pode trazer alimentos de fora, pode enfrentar a situa\u00e7\u00e3o. Os pobres n\u00e3o t\u00eam alternativa.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA hist\u00f3ria do combate \u00e0 seca est\u00e1 muito centrada no combate \u00e0 mis\u00e9ria na Regi\u00e3o Nordeste. Ao longo de um s\u00e9culo, as frentes de trabalho do governo na regi\u00e3o conseguiram criar infraestrutura de abastecimento de \u00e1gua e oportunidades de trabalho que aumentaram gradativamente a renda no semi\u00e1rido. E, atualmente, apesar de n\u00e3o ser espec\u00edfico para a seca, o Bolsa Fam\u00edlia, ao distribuir renda, tamb\u00e9m cumpre esse papel de garantir o m\u00ednimo para as fam\u00edlias da regi\u00e3o.\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Ex-presidente do Comit\u00ea Cient\u00edfico da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o e Mitiga\u00e7\u00e3o dos Efeitos de Secas (UNCCD), da qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio, Ant\u00f4nio Magalh\u00e3es explica que, formalmente, o pa\u00eds tem feito o dever de casa, apresentando relat\u00f3rios e cumprindo as obriga\u00e7\u00f5es previstas nos encontros mundiais, mas pode fazer mais.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma conven\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem muito prest\u00edgio no Brasil, n\u00e3o tem uma formaliza\u00e7\u00e3o adequada nas institui\u00e7\u00f5es governamentais. E os instrumentos da Conven\u00e7\u00e3o, como o Plano de A\u00e7\u00e3o de Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o, foram feitos, mas s\u00e3o documentos para prateleiras, n\u00e3o s\u00e3o documentos operacionalizados. O Brasil pode melhorar muito a sua contribui\u00e7\u00e3o para os objetivos da Conven\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>Maiana Diniz, ABr<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (17) &#8211; Dia Mundial de Combate \u00e0 Seca e \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o &#8211; pelo Centro de Gest\u00e3o e Estudos Estrat\u00e9gicos (CGEE), ligado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, mostra que 16% do territ\u00f3rio nacional est\u00e3o suscet\u00edveis \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o. 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