{"id":54100,"date":"2015-06-19T00:28:26","date_gmt":"2015-06-19T03:28:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=54100"},"modified":"2015-06-19T15:10:40","modified_gmt":"2015-06-19T18:10:40","slug":"consultor-avalia-que-descaso-dos-pais-aumenta-riscos-de-pedofilia-na-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/consultor-avalia-que-descaso-dos-pais-aumenta-riscos-de-pedofilia-na-internet\/","title":{"rendered":"Consultor avalia que descaso dos pais aumenta os riscos de pedofilia"},"content":{"rendered":"<p>Os riscos do uso precoce e n\u00e3o monitorado da internet por parte de crian\u00e7as s\u00e3o subestimados, afirma o advogado americano Ernie Allen, um dos maiores especialistas do mundo no combate a crimes de explora\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de colaborar com a Interpol, Allen \u00e9 consultor de autoridades de pa\u00edses como Estados Unidos, Inglaterra e It\u00e1lia e de empresas de tecnologia como Microsoft, Google e Facebook. Em 1998, ele fundou o Centro Internacional para Crian\u00e7as Desaparecidas e Exploradas (ICMEC, na sigla em ingl\u00eas), rede global de prote\u00e7\u00e3o ao abuso e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o sexual infantil, presente em 22 pa\u00edses, inclusive no Brasil.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC Brasil em Roma, na It\u00e1lia, onde esteve a convite do Telefono Azzurro, linha que recebe den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es aos direitos da inf\u00e2ncia, Allen defende que os pais imponham limites ao conte\u00fado acessado pelos filhos.<\/p>\n<p>&#8220;A internet mudou o mundo e isto \u00e9 fant\u00e1stico. Com ela as crian\u00e7as podem aprender, se divertir e entrar em contato com pessoas com os mesmos interesses&#8221;, argumenta. &#8220;O lado negativo \u00e9 a enorme exposi\u00e7\u00e3o de menores de idade a imagens de conte\u00fado adulto, a comportamentos de agress\u00e3o verbal e bullying, \u00e0 pornografia, al\u00e9m da prolifera\u00e7\u00e3o de crimes como roubo de identidade, uso inapropriado de dados pessoais, tr\u00e1fico de armas, venda de drogas e redes de pedofilia.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com Allen, o conv\u00edvio das crian\u00e7as com tais assuntos pode modificar a percep\u00e7\u00e3o do que \u00e9 normal, o modo como elas se relacionam com o sexo oposto e como interagem com o mundo. &#8220;Vivemos em uma sociedade onde sexualiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as \u00e9 vista como natural&#8221;.<\/p>\n<p>Ele cita um estudo americano realizado em 2009, que revela que 53% dos meninos e 28% das meninas com idade entre 12 e 15 anos assistem a cenas sexo expl\u00edcito na rede. A pesquisa mostrou ainda que 32% de crian\u00e7as de dez anos est\u00e3o expostas \u00e0 pornografia online.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Existem medidas simples e b\u00e1sicas para minimizar os riscos para as crian\u00e7as, mas s\u00e3o pouco utilizadas pelas fam\u00edlias. As empresas de tecnologia t\u00eam feito um enorme esfor\u00e7o para promover o uso gratuito de filtros e sistemas de bloqueio de conte\u00fados inapropriados para menores, mas apenas 28% dos pais empregam estes sistemas. No caso de celulares \u00e9 ainda pior: o uso cai para 16%&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n<p>&#8220;Os pais devem ser conscientes de que os riscos existem mesmo sem que os filhos saiam de casa. Ao mandar uma foto de uma crian\u00e7a aos av\u00f3s, eles devem ter em contam que est\u00e3o mandado aquela imagem para o mundo. \u00c9 preciso saber que quando se est\u00e1 online, se est\u00e1 em p\u00fablico&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;As redes sociais representam uma grande oportunidade de socializa\u00e7\u00e3o, ajudam a encontrar pessoas desaparecidas, a promover mobiliza\u00e7\u00f5es, mas as crian\u00e7as n\u00e3o deveriam us\u00e1-las&#8221;, opina.<\/p>\n<p>Allen chama aten\u00e7\u00e3o ainda para o uso da rede por parte de adolescentes para agress\u00f5es verbais e morais. &#8220;Temos visto um aumento de casos de extors\u00e3o sexual, em que adolescentes filmam cenas de sexo com seus parceiros e depois amea\u00e7am divulgar o conte\u00fado aos pais da v\u00edtima ou aos colegas de escola&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;O bullying n\u00e3o \u00e9 uma novidade, mas \u00e9 particularmente insidioso quando ocorre online, porque o agressor \u00e9 protegido pelo anonimato e pode enviar o conte\u00fado para qualquer parte do mundo&#8221;.<\/p>\n<p>Mas o principal problema a ser enfrentado, segundo o especialista, \u00e9 o aumento de casos de pedofilia online. Estima-se que mais de 1 milh\u00e3o de imagens de pornografia infantil circulem via web. &#8220;Com a internet, ficou mais f\u00e1cil e menos arriscado cometer esses crimes&#8221;.<\/p>\n<p>Ele afirma que, com o surgimento da web, os ped\u00f3filos deixaram de ser criminosos isolados e passaram a interagir e a compartilhar imagens e informa\u00e7\u00f5es com pessoas que t\u00eam o mesmo interesse. &#8220;Quase nunca estas pessoas correspondem ao estere\u00f3tipo de criminosos. S\u00e3o m\u00e9dicos, advogados, esportistas, policiais, empres\u00e1rios&#8221;.<\/p>\n<blockquote><p>Em 2002, o ICMEC criou um um sistema para tentar identificar as v\u00edtimas de pedofilia retratadas em imagens que circulam na rede. Segundo Allen, no primeiro ano de atividade, o centro recebeu cerca de 60 mil fotografias. Em 2014, o servi\u00e7o recebeu mais de 24 milh\u00f5es de imagens, entre fotos e v\u00eddeos. &#8220;E n\u00e3o estamos falando de fotografias com crian\u00e7as em toalha de banho. Mais de 80% das imagens retratam a penetra\u00e7\u00e3o sexual das v\u00edtimas.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>O grande inimigo da seguran\u00e7a na rede, de acordo com o especialista, \u00e9 o anonimato. &#8220;Sou advogado e defendo a liberdade de express\u00e3o e o direito \u00e0 privacidade, mas considero o anonimato absoluto na internet um desastre&#8221;.<\/p>\n<p>Allen cita a plataforma TOR, desenvolvida pelo governo americano para possibilitar o uso da rede por dissidentes pol\u00edticos e jornalistas de forma an\u00f4nima.<\/p>\n<p>&#8220;Garantir a liberdade de express\u00e3o a esse grupo \u00e9 um prop\u00f3sito nobre. O problema \u00e9 que n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas pessoas a utilizar este sistema. \u00c9 fundamental que haja rastreabilidade dos acessos e das atividade realizadas na web. Precisamos ser capazes de chegar \u00e0 pessoa que cometeu o crime. A obriga\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de cada pa\u00eds \u00e9 proteger a inf\u00e2ncia&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo os dados das principais companhias de tecnologia americanas, o Brasil est\u00e1 entre os pa\u00edses com maior incid\u00eancia de den\u00fancias por divulga\u00e7\u00e3o de imagens de pornografia infantil, ao lado de EUA, M\u00e9xico, \u00cdndia, Indon\u00e9sia e Tail\u00e2ndia.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil tem feito muitos avan\u00e7os para combater a explora\u00e7\u00e3o infantil em geral, mas ainda h\u00e1 muito a ser feito&#8221;, diz ele, citando os trabalhos contra a prostitui\u00e7\u00e3o de menores realizados durante os preparativos para a Copa do Mundo e o empenho da ju\u00edza mineira Simone dos Santos Lemos Fernandes, que conheceu nos Estados Unidos, em um projeto do International Centre for Missing and Exploited Children (ICMEC).<\/p>\n<p>Para Allen, individualizar os criminosos e identificar as v\u00edtimas de pedofilia \u00e9 uma emerg\u00eancia que requer empenho global. Ele sugere a cria\u00e7\u00e3o, por parte de cada pa\u00eds, de um arquivo de fotos compartilhado com o banco de dados da Interpol e a ado\u00e7\u00e3o de tecnologias que permitem o reconhecimento de imagens de pedofilia, mesmo ap\u00f3s terem sido modificadas, como o PhotoDNA, desenvolvido pela Microsoft e adotado por companhias como Facebook, Google, Twitter.<\/p>\n<p>Embora seja cedido gratuitamente, o sistema exige a adapta\u00e7\u00e3o de softwares das empresas que pretendem utiliz\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Segundo Allen, um dos \u00fanicos l\u00edderes mundiais a discutir seriamente o tema da pedofilia online \u00e9 o atual primeiro-ministro ingl\u00eas, David Cameron.<\/p>\n<p>Cameron solicitou \u00e0s quatro principais empresas de tecnologia do pa\u00eds sistemas que bloqueiem automaticamente o acesso a sites inapropriados para menores de idade em todos os componentes eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um \u00f3timo sistema. Os adultos continuam podendo acessar o que quiserem. A \u00fanica diferen\u00e7a \u00e9 que, para visitar determinados sites, \u00e9 preciso uma solicita\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Em 16 e 17 de novembro, ser\u00e1 realizado nos Emirados \u00c1rabes Unidos o pr\u00f3ximo encontro do semin\u00e1rio internacional &#8220;We Protect Children&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Espero que o governo brasileiro participe com um alto representante. Se n\u00e3o for poss\u00edvel a presen\u00e7a da presidente da Rep\u00fablica, que participe pelo menos o ministro da Justi\u00e7a&#8221;, diz Allen.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os riscos do uso precoce e n\u00e3o monitorado da internet por parte de crian\u00e7as s\u00e3o subestimados, afirma o advogado americano Ernie Allen, um dos maiores especialistas do mundo no combate a crimes de explora\u00e7\u00e3o infantil. 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