{"id":55194,"date":"2015-06-27T20:11:33","date_gmt":"2015-06-27T23:11:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.notibras.com\/site\/?p=55194"},"modified":"2015-06-27T20:39:45","modified_gmt":"2015-06-27T23:39:45","slug":"grupos-virtuais-viram-arma-para-tentar-acabar-com-violencia-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.notibras.com\/site\/grupos-virtuais-viram-arma-para-tentar-acabar-com-violencia-no-rio\/","title":{"rendered":"Grupos virtuais viram arma para tentar acabar com viol\u00eancia no Rio"},"content":{"rendered":"<p>Faz um m\u00eas: morador de Ipanema, Jos\u00e9 Luiz Areas Netto, de 62 anos, passava pela Bar\u00e3o da Torre, uma das principais ruas do bairro da zona sul do Rio, por volta de meio-dia, quando presenciou uma tentativa de roubo de carro seguida de tiros. Ningu\u00e9m se feriu, mas o susto foi grande, lembra reportagem do jornal O Estado de S.Paulo.<\/p>\n<p>Antes, j\u00e1 havia se apavorado com o assalto ao filho, de 16 anos, perto dali, por 11 garotos menores do que ele, que o abordaram na sa\u00edda da escola. Areas Netto, funcion\u00e1rio da Receita Federal, decidiu agir em nome de sua seguran\u00e7a e de seus vizinhos. Sentou-se ao computador e criou no Facebook um grupo para compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es sobre crimes de rua. Em uma semana, j\u00e1 havia mil integrantes. Hoje, s\u00e3o 4.400, incluindo policiais militares que trabalham na regi\u00e3o e que ali se inteiram das demandas e ocorr\u00eancias.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Se a gente para de pressionar, as coisas n\u00e3o v\u00e3o se resolver. Nunca tive medo de nada, mas hoje vejo um descontrole total. J\u00e1 melhorou, a pol\u00edcia fez uma \u0091limpa\u0092 nas ruas&#8221;, disse Areas Netto.<\/p><\/blockquote>\n<p>Grupos de autodefesa comunit\u00e1ria foram criados no Facebook por moradores de diversas regi\u00f5es do Rio nos \u00faltimos meses. Os referentes a bairros da zona sul, como Ipanema, Copacabana, Botafogo e Laranjeiras, s\u00e3o os maiores: somam cerca de 20 mil participantes. Os usu\u00e1rios, em sua maioria, t\u00eam a sensa\u00e7\u00e3o de que os crimes foram reduzidos &#8211; n\u00e3o h\u00e1 estat\u00edsticas oficiais.<\/p>\n<p>As postagens mais frequentes s\u00e3o relatos de assaltos e furtos, alertas sobre suspeitos e indica\u00e7\u00e3o de sua localiza\u00e7\u00e3o nas ruas, reclama\u00e7\u00f5es sobre vias escuras e mal policiadas e not\u00edcias sobre crimes, acompanhadas de desabafos. O foco est\u00e1 nos roubos a transeuntes e de carros e &#8220;saidinhas&#8221; de banco, mas tamb\u00e9m h\u00e1 reclama\u00e7\u00f5es sobre a presen\u00e7a de popula\u00e7\u00e3o de rua, menores abandonados e usu\u00e1rios de drogas.<\/p>\n<p>\u00c9 comum a descri\u00e7\u00e3o de criminosos em potencial em bicicletas, &#8220;negros&#8221;, &#8220;descal\u00e7os&#8221; e &#8220;sem blusa&#8221;. Os mais exaltados puxam discuss\u00f5es defendendo a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal e at\u00e9 a pena de morte para assaltantes. Outros compartilham fotos de pessoas que avistaram nas ruas e que acreditam ser ladr\u00f5es. H\u00e1 tamb\u00e9m quem incentive o uso de instrumentos de defesa pessoal de venda liberada, como bast\u00f5es retr\u00e1teis, armas de choque e sprays de gengibre, que nublam a vis\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Defendam-se, n\u00e3o morram como covardes na frente de seus filhos e familiares. N\u00e3o tenham medo, os vagabundos s\u00f3 chegam perto dos que t\u00eam medo. Chega de entregar tudo o que \u00e9 seu quando escutar um gritinho de um passa-fome fdp. Se tiver que morrer, que seja lutando, do jeito que est\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 pra ficar&#8221;, dizia postagem da semana passada, apagada por ser considerada inadequada.<\/p><\/blockquote>\n<p>&#8220;As pessoas est\u00e3o sem saber o que fazer, ficam trancadas em casa, t\u00eam de se proteger mesmo. Se saio com minha m\u00e3e, de 78 anos, levo o bast\u00e3o retr\u00e1til no bolso para defend\u00ea-la dos vagabundos. A pol\u00edcia demora para chegar&#8221;, disse o corretor de im\u00f3veis Micael Bossa, de 52 anos, de Copacabana.<\/p>\n<p>S\u00f3cio de uma loja no centro especializada em materiais militares, Paulo Vieira, de 51 anos, conta que aumentou em 50% a venda nos \u00faltimos dois meses, ainda que custem caro: o bast\u00e3o vale, em m\u00e9dia, R$ 100; o spray, R$ 95; os tasers, que d\u00e3o choque, v\u00eam &#8220;disfar\u00e7ados&#8221; em formato de batom, ma\u00e7o de cigarro, isqueiro ou lanterna e podem liberar descargas de 20 mil volts, R$ 155.<\/p>\n<blockquote><p>Todos cabem numa mochila ou bolsa feminina. &#8220;A procura aumentou desde que come\u00e7aram as not\u00edcias dos assaltos com facas. O que mais sai \u00e9 o spray&#8221;, conta Vieira, ele pr\u00f3prio dono de um arsenal. &#8220;Felizmente, nunca precisei. Mas, se tiver de usar, vou usar. A lei privilegia o bandido. O cidad\u00e3o tinha de ter o direito de andar com arma de fogo.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Discursos inflamados costumam ser recha\u00e7ados pelos moderadores dos grupos. Eles tamb\u00e9m apagam fotos de supostos assaltantes &#8211; preferem deixar s\u00f3 as que s\u00e3o passadas pela pol\u00edcia, de pessoas j\u00e1 presas.<\/p>\n<p>A fisioterapeuta Isabel Costa, de 40 anos, administra o grupo &#8220;Relato de assaltos em Laranjeiras, Flamengo e proximidades&#8221;, que reuniu 12.600 membros em dois meses e meio. Tr\u00eas colaboradoras monitoram postagens. &#8220;As pessoas t\u00eam de se responsabilizar pelo que escrevem. N\u00e3o \u00e9 nosso objetivo fazer justi\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os. Apagamos coment\u00e1rios racistas e preconceituosos. Quando me vi com medo de ir com o filho de 7 anos ao clube a p\u00e9, de pegar t\u00e1xi para um percurso de menos de um quil\u00f4metro, vi que precisava agir.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz um m\u00eas: morador de Ipanema, Jos\u00e9 Luiz Areas Netto, de 62 anos, passava pela Bar\u00e3o da Torre, uma das principais ruas do bairro da zona sul do Rio, por volta de meio-dia, quando presenciou uma tentativa de roubo de carro seguida de tiros. 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